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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 11 de outubro de 2009

Colcha de Retalhos - por Ana

Misturo letras com amor
para que, à noite,
elas possam te chegar delicadamente,
uma a uma beijando tua pele,
como se meus lábios fossem.

Tranço as palavras delicadamente
para que, à noite,
elas possam te acariciar a saudade,
aquecendo teu coração,
como se fossem minhas mãos.

Teço as sentenças com cuidado
para que, à noite,
elas possam te enlaçar carinhosamente,
de maneira lenta e doce,
como meus braços o fariam.

Vou urdindo textos pouco a pouco,
atenciosamente,
para que neles, à noite,
possa repousar teu corpo macio
enquanto o percorrem
as letras,
as palavras
e as sentenças
que, unidas,
buscam te cobrir suavemente
para que durma,
tranqüila,
sonhando com uma história
que te envolve e faz feliz.

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Salve 27 de Setembro - por Adir Vieira

Desde há muito tempo, sou uma fiel seguidora dos Santos Cosme e Damião. Já lá se vão mais de 30 anos que eu, religiosamente, distribuo doces em homenagem aos dois e às crianças que foram. Se algum motivo me impede de fazê-lo no dia 27, o faço no dia 12 de outubro, das crianças.
Desde pequena curto aquela correria nas casas vizinhas, visto que na minha época de criança, na rua em que eu morava, as casas predominavam. Ouço ainda aquele seu ruído gostoso, fazendo fila, a mando das senhoras que faziam a distribuição que, mesmo praticando um ato que envolvia os santos, se negavam terminantemente a ceder um saquinho que fosse a alguém, mesmo faminto, que não fosse criança. Até os adolescentes que traziam pelas mãos irmãos menores ficavam fora desse favorecimento.
Lembro que na esquina da rua ficava o único prédio do quarteirão. Lá morava uma senhora de uns 70 anos, já viúva e sem filhos que distribuía semanas antes da data, na porta do prédio, cartões para a coleta dos sacos no dia 27. Esse era o mais precioso para nós. O saco era bem grande, pois abrigava, unicamente, um pão doce de uns vinte centímetros de comprimento, recheado de goiabada e coberto de glacê. Lembro que deixávamos para trás qualquer outro recebimento, mas aquele nunca. Sonhávamos já de véspera com aquele presente, pois a cada ano se apresentava de forma diferente.
Lembro também de um dos meus irmãos, saindo e voltando várias vezes para casa com os braços cheios de saquinhos coloridos com a imagem dos santos. Lembro também que ao pedido dos irmãos menores de ganharem apenas uma cocada que fosse, mandava que aguardassem até a noite para a distribuição. Aquele monte de sacos era guardado fora do alcance de nós todos até depois do jantar que, de banho tomado, sentávamos em volta dele que, pacientemente, separava, diante dos nossos olhos atentos, os doces embrulhados, as balas etc. acondicionando-os em potes com tampa, classificados devidamente.
Depois de fazer um balanço da sua coleta, aí, sim, permitia que fizéssemos a festa, sob a permissão de minha mãe sobre o que cada um poderia comer. Essa regra que ele nos impunha hoje nos traz lembranças adoráveis quando, como agora, aqui, da minha janela, observo as crianças correndo em busca dos doces.



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Ampliação de Consciência - por Alba Vieira

Quando meu olhar escapa de mim, existe uma chance de acalmar minha aflição. É que por paradoxal que possa parecer, o que me aflige no que observo, nada mais é do que um reflexo de mim naquilo que me cerca. Assim, para que a miséria, a fome, a degradação da condição humana, a dor, a doença, o desequilíbrio, o caos e tudo que me provoca incômodo, não tenham mais esse efeito devastador, é necessário me colocar como mero observador, alcançar o caráter balsâmico do distanciamento. É preciso discernir bem, através da vivência e da conscientização o real sentido do egoísmo, da compaixão, da indiferença e da capacidade de observar mantendo-se distanciado (misturando-se, mas guardando a individualidade e integrando-se ao todo com a consciência de que tudo tem um sentido e segue seu curso na roda da existência).



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sábado, 10 de outubro de 2009

As Nossas Palavras XXVII - por Alba Vieira

O que tiver de ser será.
Inútil resistir e espernear. Faça a sua parte.
Só o que puder e estiver ao seu alcance.
Onde é que isso vai dar?
Aí já é outro lance...



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O Que Está Havendo? - por Adir Vieira

Hoje parece que acordei “destrambelhada”.
Ao me dirigir à cozinha para fazer o café, senti sede e imediatamente abri a bica do filtro e esqueci o copo embaixo, inundando a cozinha de água. Já que tive que enxugar todo o chão, para ganhar tempo, coloquei a máquina de lavar para funcionar. A bicha encheu, fez todo um processo de lavagem e eu esqueci completamente de colocar o sabão em pó e o alvejante. Resultado: repeti todo o processo.
Dirigi-me ao computador para postar o blog e tive que reiniciar o mesmo por três vezes, devido ao congelamento da tela.
Ao fundo, algo me incomodava - o ventilador de teto da sala resolveu chorar, fazendo aquele ruído estranho de peças de ferro em contato. Quis ver o que ocorria e, ao exame, uma das lâmpadas queimou.
Decidi não me irritar, pois desde que levantei achei-me em câmera lenta, mas a gota d’água foi descobrir, no site da Previdência, que agora, para acessar meu extrato, tenho que cadastrar uma senha, antes obtida através de agendamento e ida a uma agência. Já viu, né? Aí, não prestou. Joguei a toalha.
Hoje não faço mais nada!



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POESIA de Noé - por Kbçapoeta

Quis fazer do nosso amor
Uma arca encantada
Que passaria por dilúvios e Tormentas.
Ah! Mágica encantada.
Que o galho de oliveira fosse seus lábios
Ao tocar nos meus.
O arco-íris confirmaria
Uma divina aliança.
Seu corpo seria o éden esquecido.



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Memórias de um Seminarista (Parte XV) - por Paulo Chinelate

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CASA NOVA, VIDA NOVA!


Belo Horizonte. Como é desconhecida esta capital para os “mineiros” de Juiz de Fora! Não é à toa que nos apelidam de “cariocas do brejo”. Estamos lá, de costas para nossa capital e virados para Rio e São Paulo. Acho que vem daí a rivalidade também dos Cruzeirenses, Atleticanos e Americanos para com o nosso pobre Tupi Footeball Club.
Enquanto aguardávamos os transferidos de Mendes e os novos juvenistas para compormos uma só caravana, fomos conhecer os lugares mais pitorescos da capital mineira.
Mais uma vez o privilégio de tocar os pés no que seria o futuro Mineirão. As arquibancadas a meia altura de construção já nos deslumbrava. Fomos ao que seria o meio do campo. Tinha uma amostra em forma piramidal com as diversas camadas que formaria o subsolo do gramado: pedras graúdas, seguidas de outras menores até chegar à areia grossa, depois terra firme e enfim o gramado serviriam para os engenheiros projetarem o que seria o nível do segundo maior campo de futebol do mundo.
Visitar a Pampulha com seus murais, a lagoa e o seu vizinho aeroporto, bem retirados da cidade, foi um grande passeio.
Algo que presenciei ficou marcado em mim profundamente: Irmão Diniz, nosso futuro professor que iria conosco para Uberaba, nos levou à Faculdade de Letras onde terminara uma pós-graduação para pegar o seu diploma. Visitamos o grande complexo da Universidade Federal de Minas Gerais. Logo após esta visita, ele, Irmão Diniz, dirigindo a kombi em que viajávamos subiu um morro contendo casas muito pobres. Surpresa maior foi quando deparamos com diversas casinhas proletárias de tijolos. Muitas já prontas, outras pela metade e algumas nem tanto, com alguns voluntários, rapazes e moças a meter a mão no barro a erigir paredes. Ele fora o responsável técnico e mentor da grande obra de caridade destinada a substituir barracos de papelão e latão, ainda às fartas por onde a vista alcançasse. Pelos cumprimentos e depois despedidas, vimos muitas lágrimas, tanto dos trabalhadores quando dos futuros moradores. Fiquei sabendo então que seria a sua última participação naquele local de trabalho. Tinha tirado, logo que chegamos, farta quantidade de merenda distribuída a tantos quantos ali estavam. Creio que ele também, como eu e, aliás, como todos nós, sofria de suas perdas na vida.
Chegou o dia da viagem com a vinda do ônibus do Colégio Marista São José lá do Rio de Janeiro. Era uma grande jardineira, com seu bico comprido, trinta e dois assentos, todos ocupados por colegas chegados de Colatina-ES, Vila Velha-ES, Montes Claros-MG, Dores do Indaiá-MG e Patos de Minas-MG. Compúnhamos pequena comitiva, porém grandemente ansiosa pelo que nos pudesse aguardar em Uberaba-MG.
Algo interessante ocorreu nesta viagem. Dos dez contos de réis que ganhara do vovô, gastei um conto com o pintinho Lamparina e os outros nove estavam pesando em meus bolsos não acostumados a possuir tão “elevado” valor. Na primeira parada à beira da tremida estrada de chão batido que ligava a capital ao Triângulo Mineiro, comprei um pacote de balas e, não vendo nada mais útil, adquiri uma lata de azeitonas. Levando-a já aberta ao ônibus, ofereci aos colegas e estranhamente ninguém quis saber do meu regalo. Distraído com o chocalhar da estrada e da paisagem esvaziei a lata de quinhentos gramas, sozinho. Só sei que o resultado não foi bom. Não demorou muito uma cólica intensíssima me acometeu. Segura daqui e dali, não medi esforços para “determinar” ao motorista que parasse na primeira civilização que encontrasse. Foi o que ocorreu. Beira de estrada qualquer, às carreiras, adentrei um cubículo mal cheiroso instado como banheiro. O resultado foi sentido menos de um mês depois quando fui levado a um médico e constatada uma infecção na epiderme, por contato com algum lugar “sujo”.
O novo lar é lindo. Construção novinha cheirando a tinta fresca. Grandes e espaçadas salas de aula. Auditório de grandes dimensões. Uma capela especialmente construída com sistema de ressonância equilibrada para os corais que ali se apresentariam em missas solenes. Isto tudo em um grande sítio arborizado com piscina de água natural corrente e fruteiras diversas.
Não bastasse tudo isso, tínhamos a nossa disposição sete campos de futebol divididos entre si por frondosas mangueiras, localizados a pouca distância do seminário, no Colégio Diocesano de Uberaba, também dos Maristas.
Não consigo me esquecer do primeiro banho de piscina que fomos apresentados ao final do segundo dia. Eu, de calção novo, azul-marinho, a exemplo de companheiros que mergulhavam, decidi pular n’água. Mineirim dos bãos, diz o ditado, fica longe d’água. Constatei de imediato a razão disso. Novato na arte, senti a pressão da água em meus pulmões e ato contínuo aproximei-me da beira e pulei fora. Este pulei fora tem uma conotação bem própria: pulei sozinho, o calção ficou. Consegui, com uma entorse e um safanão evitar que o mesmo se afundasse e ali mesmo enfiei-o pernas acima. Envergonhado, não sei se do vexame ou da tinta azul que escorria pernas abaixo vinda do calção ex-novinho-em-folha.


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Minha - por Poty

Minha Carlota Joaquina...
Minha diva no divã...
Minha rainha sem realeza...
Minha santa sem altar...
Minha advogada sem direito/sem causa...
Minha, mas pode ser livre sem pestanejar...
Minha Deusa sem dono...
Minha fã no afã...
Minha musa lusa...
Minha jovem menina...
Minha mulher que aqui termina,
Mas fica a marca da estima.



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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Lasta - por Kbçapoeta

Muito tempo usei para me perguntar:
Quando e como será o derradeiro adeus?
Será que os canários se porão a cantar?
Será que choverá como pranto de Deus?

Quantas brancas nuvens verei passar?
Quantos tardes de solidão, verei chover?
Será que alguma rosa verei desabrochar,
Com esses olhos que a terra há de comer?

Imagino um bucólico e poético anoitecer.
O lindo céu rosicler se tornará um breu.
O mais doce beijo minha face molhar,

Última chance de sentir os cabelos meus.
Suas lágrimas em meu rosto vão gotejar.
Usarei seu pranto como se fosse meu.




Visitem Kbçapoeta
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As Nossas Palavras XXVII - por Alba Vieira

Se tiver que aceitar imposições, faça o que puder e estiver ao seu alcance, antes de chegar onde, certamente, deseja aquele que as provocou.
Entretanto, atente para determinadas situações em que melhor seria, para não desperdiçar energia, ceder prontamente.



Visitem Alba Vieira
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O Que Vê... - por Dan

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Um olho cheio de cores.
O que vê uma criança?
O mundo cheio de mentiras, gente sem imaginação.
Um mundo agitado às vezes paralisado de tanta maldade.
O que vê o olho colorido da criança?
Vê só morte ou destruição? Ou vê coisa melhor?
Consegue perceber que deve participar de uma Revolução?
Revolução não das antigas, mas uma de recriação. Mudar o mundo.
O que vê os olhos coloridos de uma Criança?
Vê a Revolução Colorida de todos nós.
Novos tempos, nova vida. Caminhar em frente e evolucionar.
Parar de estagnação. Mudar completamente e amar.
Mundo em ebulição. Realidade fantástica, quase uma ficção.
Ver e aprender. Ler e observar. Conquistar seu espaço e transformar.
Os olhos coloridos de uma criança...
Transfigurar
Elaborar
Ser Mutante
Metamorfosear

Metamorfosear é nossa essência.



Resposta a O Mundo Gira e..., de Gio.
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Visitem Dan
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Hábito - por Ninguém Envolvente

Que sono... Zzzzzzzzzzzzzzzz...! Quando eu vivia no interior escutava histórias de pessoas que moravam em São Paulo, escutava casos de pessoas que nunca tinham tempo para nada, casos sobre o trânsito carregado, casos sobre o ar ser péssimo e muitas outras coisas.
Mas sempre tive uma imagem boa da megacidade e hoje moro aqui. No começo foi estranho e ainda é! As pessoas sempre correndo, meus vizinhos quase não dormem e o trânsito realmente é um caos.
Morei em dois edifícios, mas em três apartamentos diferentes. E em todos eles pude constatar algo muito parecido: meus vizinhos nunca dormem.
Sempre à noite ouve-se um ruído de vassoura, salto alto, arrastar de móveis e vozes (para o leitor mais espiritual, garanto que as vozes eram do andar de cima e não um espírito de porco que veio me dar boa noite). É um hábito eterno e grotesco que acredito nunca terá um fim. Talvez a culpa de todo este transtorno seja a de que não fomos feitos para viver em colmeias iguais estes minúsculos apartamentos.
O hábito de chegar tarde em casa e fazer o que bem entender é bastante problemático para seu vizinho, talvez você não saiba, mas você incomoda MUITA GENTE... Reduza seu ruído.
A crença “os incomodados que se mudem” já saiu da moda, faça para seu próximo o que deseja para si mesmo, isto não é um ensinamento religioso, mas bom senso. Meu vizinho tem o hábito de levar uma vida noturna bem agitada e eu tenho o hábito de quase nunca reclamar, primeiro porque penso: ah ela já vai dormir e segundo: mesmo que eu reclame do barulho, ela não vai parar.
E assim vou vivendo... dependo do hábito e bom senso de minha vizinha, para que eu consiga dormir.
Antes de me mudar, prometo que deixo um DVD do filme “Mudança de Hábito” no andar de cima. Quem sabe ela se toca...


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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Mundo Gira e... - por Gio

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...mudamos. Mudamos nossa aparência, nossas roupas, nosso corte de cabelo. Mudamos nosso quarto, mudamos de quarto. Mudamos os móveis de lugar... mudamos de casa.

Mudamos por dentro também. Fazemos novas escolhas, determinamos novas metas. Mudamos nossas preferências, nossos ideais. Nossa noção de certo e errado também muda com o tempo. Mudam nossos valores, nossos conceitos. Mudam nossas vidas.

Mudamos porque achamos que chegou a hora. Ser do jeito que se é não traz resultados. Os outros mudaram, melhor se adequar. Dizem que é certo mudar. Dizem que é errado. Estou confuso. Mudei, porque estou confuso. Mudei, fiquei confuso.

O mundo muda. As outras pessoas mudam - é a lei do Livre-arbítrio. Só não devemos esquecer que as nossas mudanças interferem, e muito, na vida dos outros. Contrariamos nossos valores antigos, pois os achamos ultrapassados hoje. Nos contradizemos.

Nem sempre mudar é bom. A necessidade do ser humano em se descobrir faz com que as pessoas tomem rumos estranhos, difíceis, errados. Fazemos coisas que iremos nos arrepender depois. Isto é, quanto damos o braço a torcer para nós mesmos.

Mudar nos faz evoluir. Crescemos. Aprendemos com nossos erros e com os caminhos errados que tomamos. Quebramos a cara, até tomar o rumo certo. Erramos de propósito, por não saber o que fazer. Aprendemos cedo demais, aprendemos tarde demais. É a vida!

E no fim, com toda essa mudança, não podemos perder algo muito importante - a nossa identidade. Cansamos de nós mesmos, e às vezes esquecemos que é isso que nos dá alguma individualidade no meio do caos, da mesmice. É fácil mudar... difícil é encarar o resultado depois.



Visitem Gio
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Bicicleta - por Anita Bastos

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Daquilo que Sei (Eles Foram Formatados) - por Leandro M. de Oliveira

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Porque a mim nunca coube a arte de entreter, antes a de deixar o outro em grave tormenta. Se me mudo em arlequim, é a indulgência de meu desprezo pelo mundo! É preciso caminhar rumo ao abismo, é necessário tomar retiro naquela planície gélida a que os homens chamam solidão. Banha-te nas águas do esquecimento, deixa-te alheio ao mundo e um dia tornarás aqui como homem livre! Nalgum lugar de porvir haverá, para teu assombro, um remoçamento do ser que carregas, quando expulsar de ti todo o sangue condenado. Sorria, ou chore se quiser. As emoções são filhas do engano. Quando habitares longe, muito longe essas palavras terão eco. No dia em que entoares teu próprio cântico serás monarca de teu corpo inteiro, soberano de todo o mundo. Veja os homens que passam, com suas cangalhas e seus ressentimentos. Cangalhas servem a animais de tração e ressentimento é algo feito apenas para escravos. Seja subversiva, dance sem roupa, urine na frente de todos, transe enquanto os outros vão à igreja. Lembra, meu amor, de quando a gente ficava deitado tentando explicar a vida e eu fantasiava que as nuvens eram alguma coisa caída do saco de pipocas de Deus? Tempos depois, como cedi ao pânico! Ao descobrir que não havia nem Deuses e nem pipocas, pelo menos da forma como nos ensinaram. Também aquilo nem foi amor, era só o nosso espasmo particular da esquizofrenia coletiva do eu buscado no outro. Seguir tendências de moda nunca resolveu a vida de ninguém. Foi bom ter recuperado a sanidade, agora já podemos nos odiar em paz. Como é aguda a pungência da vida. Já que não posso fingir, calço meus pés com o pó da terra enquanto devoro sonhos alheios. Vamos caminhar sobre brasas, vamos vomitar nosso medo antes que o inverno chegue. Em campo aberto a carícia do vento tem a sutileza de um tapa na cara. Ressuscitar o espírito é ordem do dia, ocorre que o sangue ultimamente tem perdido sua cor. Morram os déspotas, vivam os ditadores de si próprios. Perdido por entre as manadas sem governo a gravidade de existir torna-se ainda mais exterior. Vida de gado, morte de indigente. Nenhuma dor de homem pode causar afetações na economia, essa é a lei. Já que daria a alma por tal sofisma, retorne à sua fonte, vista de novo seu uniforme e sua tristeza. O mestre espera por você. Quem vai te salvar a vida outra vez? Os raios costumam ser ruins de mira.

Tenho que partir pra nunca mais, até esse momento não o suspeitava. Vou sacar minha arma e disparar como um bandido da escória. Queria uma noite de porre, mas sou abstêmio...






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Autor Desconhecido: Crenças - Citado por Luiz de Almeida Neto

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências.
O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.
Sem muita cerimônia, o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
Respondeu o jovem:
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? - disse o senhor. E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, sentindo-se pior que uma ameba.
No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França
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“Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.”
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(Fato verdadeiro, parte integrante da biografia de Louis Pasteur, ocorrido em 1892.)
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Humildade - por Passa-Tempo

Não me considero um comum narcisista,
Sou apenas o alguém que tem plena consciência da beleza que possuo.
E o cultivo da minha vaidade
Faz de minha aparência seu fruto.

Sei que não sou perfeito,
Mas também não estou tão longe disto;
Não sou melhor que ninguém,
Sou inferior a muitos,
Só não descobri quem.

Me considero muito humilde,
Quando muitos têm medo de mostrar suas vergonhas,
Tenho coragem de exibir meu orgulho,
E quando vêm me detonar,
Faço com que engulam suas peçonhas.

Ah! Se eu não me amasse tanto assim,
A humildade não seria minha qualidade,
Eu não teria a beleza a qualquer idade;
E como a beleza está nos olhos de quem vê,
Eu sei o que vejo:
A beleza constante e presente em meu amado espelho.
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Quarto 527 - por Violeta

Aqui vai…
1… 2… 3… (pausa) Espera. Espera, deixa-me respirar. Não é fácil. Não penses que é fácil. (pausa). Ok… agora… Sim, pode ser. 1, 2, 3: o dia, a casa, o mundo, as horas, o duche, a toalha, o vestido, os sapatos, as horas. (pausa) o telefone, a garagem, o carro, a estrada, a velocidade, as horas, a estrada, a música… a música… não me lembro da música. Como não me lembro da música? Espera, espera… lembro-me… lembro-me. Escolhi alguma coisa que me levou até um lugar seguro… Agora lembro-me bem. De volta à estrada, a velocidade, o medo, as horas… (pausa) a mensagem… (pausa). (respira, respira, respira, res…) a resposta. Agora, a resposta à resposta… O carro, a velocidade, os semáforos, o estacionamento subterrâneo… a porta do carro aberta… (pausa) o elevador. O elevador… o reflexo do vestido no espelho… os sapatos… estes sapatos fazem-me lembrar o movimento Arte Nova… muito… Klimt. Klimt… O corredor e a macia carpete debaixo dos meus sapatos… sapatos e passos… a passada pelo corredor… A porta… o número… o toque suave e a medo… (pausa). a parede, o roupão, a mala, o beijo, os sentidos… todos. (pausa) a tua mão na minha cintura, nas nádegas, (pausa) em todo o lado… o prazer de estar finalmente ali e ser enfim tua.



Visitem Violeta
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Flauta - por Leo Santos

Como dói o bem omitido,
quando a ocasião clamou, e o egoísmo fechou a porta!
Pra uma carga que o braço poderia suster,
a indiferença voltou as costas…

Quão fácil é falar de amor,
nosso brinquedo de faz-de-contas!
Mas de amor não se fala, se vive,
desde que para embarcarmos tenhamos malas prontas.

Flora de almas turbadas, ser não realizado,
solto em hálito, mas retido em conserva;
Preciosa essência, da qual nos falta experiência,
pois não ousamos macerar a erva.

Loas à beleza de dar uma flauta de encantar
que sopramos com prazer;
O fito, sensibilizar ao que ouve,
enquanto entramos na fila pra receber.

Há uma festa no terceiro piso, galgar degraus é preciso,
Psique, Pneuma, e Ágape, convidam a quem quiser;
Mas, homo instintus faz ouvidos moucos, no seu banquete
de loucos, do térreo não arreda pé.




.......................Visitem Leo Santos
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Enfim “Caiu a Ficha” - por Adir Vieira

Parece que hoje “caiu a ficha”.
Sempre notei em mim uma certa impaciência para viver as chamadas “coisas tristes”. Sempre me gabei de só “colocar a mão onde alcançava”, para fugir dos desconfortos. Pensava assim: manter sob controle os momentos bons. Ledo engano!
Tenho, nos últimos tempos, notado em mim uma certa impaciência quanto aos núcleos mais próximos de mim que, porventura, possam me fazer sofrer. Incluem-se aí as pessoas mais velhas que, segundo as “leis da vida” partiriam mais rápido, aqueles entes familiares que estão, pela idade, mais passíveis de doenças, aquelas pessoas que são mais carentes financeiramente etc.
Tentei analisar essa minha impaciência que se traduz em não querer ouvir nem falar de problemas, sejam de que espécie forem e foquei todos eles no grupo que pudesse de mim depender de alguma forma.
De repente “caiu a ficha”. Quem eu penso que sou, achando que posso manter vida sob controle?
Quem eu penso que sou, achando que estou aqui para viver somente as melhores coisas?
Que tal se eu amadurecesse um pouco e enfrentasse a vida de frente?



Visitem Adir Vieira
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