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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Flauta - por Leo Santos

Como dói o bem omitido,
quando a ocasião clamou, e o egoísmo fechou a porta!
Pra uma carga que o braço poderia suster,
a indiferença voltou as costas…

Quão fácil é falar de amor,
nosso brinquedo de faz-de-contas!
Mas de amor não se fala, se vive,
desde que para embarcarmos tenhamos malas prontas.

Flora de almas turbadas, ser não realizado,
solto em hálito, mas retido em conserva;
Preciosa essência, da qual nos falta experiência,
pois não ousamos macerar a erva.

Loas à beleza de dar uma flauta de encantar
que sopramos com prazer;
O fito, sensibilizar ao que ouve,
enquanto entramos na fila pra receber.

Há uma festa no terceiro piso, galgar degraus é preciso,
Psique, Pneuma, e Ágape, convidam a quem quiser;
Mas, homo instintus faz ouvidos moucos, no seu banquete
de loucos, do térreo não arreda pé.




.......................Visitem Leo Santos
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Enfim “Caiu a Ficha” - por Adir Vieira

Parece que hoje “caiu a ficha”.
Sempre notei em mim uma certa impaciência para viver as chamadas “coisas tristes”. Sempre me gabei de só “colocar a mão onde alcançava”, para fugir dos desconfortos. Pensava assim: manter sob controle os momentos bons. Ledo engano!
Tenho, nos últimos tempos, notado em mim uma certa impaciência quanto aos núcleos mais próximos de mim que, porventura, possam me fazer sofrer. Incluem-se aí as pessoas mais velhas que, segundo as “leis da vida” partiriam mais rápido, aqueles entes familiares que estão, pela idade, mais passíveis de doenças, aquelas pessoas que são mais carentes financeiramente etc.
Tentei analisar essa minha impaciência que se traduz em não querer ouvir nem falar de problemas, sejam de que espécie forem e foquei todos eles no grupo que pudesse de mim depender de alguma forma.
De repente “caiu a ficha”. Quem eu penso que sou, achando que posso manter vida sob controle?
Quem eu penso que sou, achando que estou aqui para viver somente as melhores coisas?
Que tal se eu amadurecesse um pouco e enfrentasse a vida de frente?



Visitem Adir Vieira
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Novo Acordo Ortográfico - por Pedro Silva

Ao contrário do que muitos saberão, a discussão para um acordo ortográfico que unificasse a vertente idiomática dos vários países de língua oficial portuguesa é assaz antiga. Um longo caminho percorrido que, ao que parece, terá agora obtido o consenso. Vejamos como tal foi possível.


O Acordo
Apesar de todo o mediatismo que a crise económica tem tido, a par da profusão de notícias que igualmente abordam as mais diversas competições desportivas, a cultura tem sido, recentemente, também alvo do interesse da comunicação social. Na realidade, não se trata do lançamento de mais um best-seller nem tampouco o outorgar do Prémio Nobel da Literatura. Curiosamente, todo o alarido surge em redor de um Tratado Internacional. Estranho? Nem por isso. Trata-se do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e, efectivamente, irá afectar directamente o quotidiano de mais de 200 milhões de pessoas – mais ou menos o universo de falantes desta maravilhosa língua que une países em todo o globo.
Como poucas vezes acontece, este novo acordo teve o condão de despertar interesse dos mais diversos quadrantes, desde a política à vida universitária, assim como desde o comum cidadão ao intelectual. Para alguns está em causa a preservação da tradição linguística, ao passo que, do lado de lá da barricada, encontram-se os que defendem de forma acérrima que, para evitar que o português se torne uma língua defunta é crucial que se modernize.
Mas concentremo-nos nos pontos principais, de modo a que possamos tirar as nossas próprias ilações. Basicamente, este Acordo Ortográfico pode ser definido como um tratado que tem em vista a unificação da língua falada, e escrita, nos diversos países onde o português é o idioma oficial, a saber: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste (neste caso, apenas em 2004, após ter obtido a independência).
A assinatura deste acordo teve lugar em Lisboa, a 16 de Dezembro de 1990, numa reunião alargada que teve a presença dos países acima citados, excepto o caso de Timor pelas razões políticas conhecidas de todos.
Estava em causa, primordialmente, a unificação das duas grandes vertentes da língua portuguesa, no caso em concreto aquela utilizada por Portugal e pelos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a outra existente no Brasil. A ideia era uma aproximação ao que Espanha e a América Hispânica haviam feito, isto é, tornar possível a existência de uma só escrita unificada.
No primeiro estudo ao assunto, datado de 1990, de uma lista de 110 mil palavras, apenas 1,6% seriam alteradas em Portugal e PALOP, sendo que no Brasil tal percentagem baixava para apenas 0,5. Porém, mais recentemente, em 2008, uma análise mais alargada, no caso em concreto a 135 mil palavras, efectuada pelo “Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa”, já se falava em 4% de alterações no global.
Como se vê, pese embora a participação activa de linguistas, académicos, jornalistas, tradutores, escritores ou professores, entre tantos outros, não existe consenso quanto a este tratado da língua portuguesa, havendo quem aponte várias falhas e alguma ambiguidade na feitura do próprio texto do acordo.


Precedentes
Por mais incrível que tal facto possa parecer podemos remontar a génese deste novo acordo ortográfico a um período temporalmente tão longínquo quanto o início do século XX, mais concretamente o ano de 1911 quando, seguindo-se à implantação da República no nosso país, se fez grandes mudanças a todos os níveis, incluindo a parte escrita. A partir desse momento, a ortografia nacional mudou radicalmente, deixando-se para trás a redacção de palavras como lyrio, Thomar ou ortographia para passarmos a lírio, Tomar e ortografia. Deste modo, libertava-se a grafia da sua íntima ligação que tinha por base os étimos latino e grego. A esta remodelação chamou-se “Reforma Ortográfica de 1911”.
Por seu turno o Brasil prosseguiu utilizando a escrita antiga, o que levou, nos anos seguintes, a tentativas – sempre frustradas – de entendimento entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, no tocante a uma reunificação linguística. Após a impossibilidade de um acordo em 1931, o ano de 1940 marca uma primeira decisão em Portugal, a que veio a suceder-se, no Brasil algo similar três anos depois. Como tal, Portugal ratificou o “Acordo Ortográfico de 1945”. Porém, no país-irmão tal não sucede tendo em conta o chumbo que o Congresso Nacional Brasileiro deu ao diploma, optando ao invés pelo “Formulário Ortográfico de 1943”.
Porém, e como a desunião linguística prosseguia, novas tentativas tiveram lugar, tal como o acordo alcançado em 1971 (Brasil) e 1973 (Portugal), no qual se suprimiram os acentos gráficos responsáveis por uma elevada percentagem das diferenças linguísticas (por exemplo, a palavra somente perdia o acento que envergara até então).
Mas a ambição não havia sido satisfeita na sua plenitude e ocorreram duas novas tentativas, que falharam redondamente. A de 1975 não teve seguimento devido à convulsão política e social relacionado com o período do pós-25 de Abril de 1974, ao passo que a proposta de 1986 foi rejeitada por elementos dos dois países devido à supressão de acentuação gráficas nas palavras esdrúxulas.Por aqui podemos facilmente perceber as dificuldades inerentes a qualquer mudança na ortografia da língua portuguesa, pelo que a consequência foi a manutenção das múltiplas diferenças. Apenas em 1988, o “Anteprojecto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa” pareceu dar novo alento ao processo de unificação e, de certo modo, foi a antecâmara do acordo que teve lugar dois anos depois.
Reunidos na Academia das Ciências de Lisboa, entre 6 e 12 de Outubro de 1990, estiveram os vários países falantes do português, chegando-se a um acordo há muito ansiado. Uma cláusula em particular, do texto final, levantava porém algumas dúvidas. No artigo 3º previa-se a entrada do novo acordo ortográfico a 1 de Janeiro de 1994. No entanto, o facto de apenas três países o terem ratificado – no caso, Portugal (1991), Brasil (1995) e Cabo Verde – tal intenção foi novamente adiada.
Oito anos após o acordo, nova reunião, desta feita na cidade da Praia (Cabo Verde), de onde surgiu um “Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, o qual prescindia de uma data concreta para a sua entrada em vigor. No entanto, e apesar desta crucial alteração, apenas três países o ratificaram – exactamente os mesmos que o haviam feito anteriormente.
Quiçá provocado pelo arrastamento deste processo negocial, o próximo encontro, que teve lugar em Julho de 2004, terminou com uma nova indicação: desta vez seria necessária apenas a ratificação de três membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que o acordo fosse uma realidade. Num texto conhecido como “Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa”, de realçar ainda a adesão de Timor-Leste.
Estava aberto o caminho para que as mudanças ortográficas se efectivassem. E é aqui que se reacende a polémica, havendo quem defendesse que tal era incorrecto, pois a obrigatoriedade, de todos os países signatários o ratificarem, era total, ao passo que outra visão teórica acreditava que o acordo não possuía nenhuma incorrecção na sua feitura.
Ora, atendendo que o Brasil o ratifica logo em Outubro de 2004, secundado por Cabo Verde em Abril de 2005 e São Tomé e Príncipe a 17 de Novembro de 2006, pensar-se-ia que não tardaria até que a sua aplicação sucedesse. Porém, de forma unânime entendeu-se que não faria sentido avançar-se para algo envolvendo a língua portuguesa sem a ratificação de Portugal.
Como tal, a 16 de Maio de 2008, a Assembleia da República nacional ratificou este “Segundo Protocolo Modificativo”, possibilitando então um consenso mais generalizado (refira-se que também Angola dava, ao mesmo tempo, os primeiros passos no sentido de prepara-se para a entrada em vigor no novo acordo). O tal passo final para a entrada em vigor do tratado acontece a 15 de Novembro de 1008, após uma reunião com a presença dos chefes de estado e do governo dos PALOP.
Logo em Março de 2009, a Academia Brasileira de Letras publicou o “Vocabulário da Língua Portuguesa” (VOLP), com 381 mil entradas, algo considerado fundamental enquanto texto explicativo. Em Portugal, enquanto se aguarda por igual fonte de informação a publicar, provavelmente, pela Academia das Ciências de Lisboa, algumas editoras vão dando à estampa pequenas obras de pesquisa relativamente a este novo acordo ortográfico.


As alterações mais importantes
Apesar das 21 bases ortográficas que constam do texto do acordo, existem algumas que, pela sua frequência de utilização, se tornam mais relevantes para o dia-a-dia de todos nós. Vejamos então algumas dessas mudanças que surgirão com o novo acordo.
Em primeiro lugar, o alfabeto passa de 23 para 26 letras, incluindo W, K e Y (ainda que de uso restringido a abreviaturas e palavras de origem estrangeira e seus derivados). Em segundo lugar, os meses do ano e os pontos cardeais passam a ser redigidos em letras minúsculas. Para além disso, poder-se-á usar maiúsculas ou minúsculas nos títulos de livros, excepto na primeira palavra que terá de ser escrita obrigatoriamente com letra maiúscula. O mesmo sucede nas expressões de tratamento, nos nomes de sítios públicos (como “praça da república”) e nos nomes de disciplinas científicas.
Em quarto lugar, e apesar da distinção entre ch e x, mantém-se a diferença nas palavras que a tradição consignou, como champô e xampô. Outro aspecto relevante é a supressão do trema, excepto em nomes próprios e seus derivados. Entre as excepções mais importantes encontram-se palavras que mantêm dupla grafia (como caráter e carácter) ou dupla acentuação (económico/econômico). Um sétimo aspecto a ressalvar é a supressão de acentos gráficos em palavras como pára ou pêlo. Já no Brasil, termos como abençoo ou ideia deixam se ser acentuados.
No que diz respeito à hifenização, as mudanças também são notórias. Este mantém-se nas seguintes situações: nos compostos, locuções e encadeamentos vocabulares, assim como quando o segundo elemento da frase começa por H, quando tem a mesma primeira letra ou quando o falso prefixo termina com M e o segundo elemento começa por M ou N. Alguns exemplos são: anti-higiénico, hiper-resistente ou circum-navegação. O hífen é ainda suprimido em expressões como hei-de ou hás-de, dado que neste caso ali a preposição funciona como mero elemento de ligação ao infinitivo com que se forma a perífrase verbal. Por último, o hífen desaparece quanto o pseudo-prefixo termina em vogal R ou S, em que dobra a consoante. Exemplo: antirreligioso.
Em suma, algumas mudanças serão: óptimo que passa a ótimo; Egipto tornado em Egito e fim-de-semana transformado em fim de semana. Porém, facto/fato e génio/gênio continuaram a ter dupla grafia.


Prós e Contras
Tendo em conta as duas visões opostas, quanto ao acordo, conheçamos os seus principais argumentos. Aqueles que defendem a nova ortografia acreditam piamente que esta unificação de 98% do léxico é essencial para evitar a deriva actual. Crêem ainda na diminuição de custos das edições em ambos os países que agora se tornam unívocas. Procuram, com o acordo, evitar a fragmentação de um idioma que na realidade é comum, a par de uma aproximação da oralidade à escrita e, consequentemente, à necessária evolução da língua.
Para além disso deixa de haver necessidade de textos duplicados nos documentos oficiais. Julga-se que um aumento de circulação de livros poderá ser uma realidade, tal como a utilização de um vocabulário técnico-científico comum, o que permitirá maiores parcerias entre institutos académicos e científicos em geral.
A juntar a todos estes argumentos, os defensores da aplicação do novo acordo informam a necessidade, para organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, de uma uniformidade da grafia, ao passo que Portugal e Brasil poderão dar, em conjunto, um novo impulso à difusão da língua portuguesa a nível mundial e, obviamente, ao seu fortalecimento junto dos PALOP.
Em suma, acreditam que esta modernização era, acima de tudo, uma inevitabilidade, tal como sucedeu com outras línguas, como a espanhola, a francesa ou mesmo o árabe.
Já no tocante aos que estão contra a aplicação do novo acordo ortográfico, apoiam-se nos seguintes fundamentos: antes de mais, a proposta, nos seus moldes actuais, é insuficiente para atingir os seus reais propósitos, atendendo ao grande número de excepções à regra. Defendem tratar-se de uma evolução contranatura da língua. Frisam ainda da não necessidade de tal facto pois, ao longo dos anos, o entendimento linguístico entre Portugal e Brasil havia sido perfeito. Na vertente económica, frisam que os custos a suportar serão tremendos, incluindo a confecção de novos dicionários, gramáticas e livros escolares, para além da forçosa reaprendizagem da nova grafia por milhões de pessoas e do necessário reajustamento dos livros das editoras. Apontam ainda que o inglês, apesar de não ser unificado, continua a ser a língua internacional usada prioritariamente.


Ponto da situação
Em termos gerais, o novo acordo ortográfico já se encontra em vigor em países como Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, pelo facto de terem sido signatários do tratado. No Brasil, inclusivamente, pretende-se que os livros didácticos de 2010 contenham todas as mudanças ortográficas estipuladas, com uma adaptação plena, no máximo, até 2012. Órgãos de comunicação social como a “Folha de São Paulo” ou “O Estado de São Paulo” já se encontram totalmente adaptados à nova grafia.
Já em Portugal, a polémica continua. Apesar de prevista a entrada em vigor do novo acordo para finais de 2007, só em Maio de 2008 o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva se empenhou na prossecução do estipulado, ratificando, então, o protocolo a 21 de Julho de 2008, e prevendo a adaptação, em Portugal, ao novo acordo num prazo de seis anos.
Apesar das divergências, entre as quais destacaríamos a petição online intitulada “Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico” – a qual obteve enorme adesão – o certo é que alguns órgãos de comunicação social já se encontram a utilizar a nova grafia, no caso o jornal desportivo “Record”, o diário regional conimbricense “Despertar” e o matutino “Correio da Manhã” (neste último caso, porém, de forma gradual).
Recentemente, o Ministro de Cultura, José António Pinto Ribeiro, desejou que a aplicação do acordo fosse uma realidade, em termos oficiais (assim como em todos os meios de comunicação social) já a partir de 1 de Janeiro de 2010, sendo que nas escolas tal sucederá após o ano lectivo de 2010-2011.Apesar de faltar, ainda, a edição de um Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, entre Portugal e Brasil – o que deverá ocorrer antes do final do presente ano – o certo é que já poucos terão dúvidas quanto à inevitabilidade, a curto prazo, destas mudanças linguísticas.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dia de Greta Garbo - por Fatinha

Querido Brógui:

Não sei se acontece com todo mundo, mas sei que acontece com muita gente: aquele dia, ou aqueles dias em que a gente tem uma vontade enorme de curtir uma reclusão (ou exclusão mesmo). Sabe como? É não querer nenhuma espécie de interação social, nenhum contato com o mundo e seus habitantes.
“O ser humano é um ser gregário”, já dizia o antropólogo. Verdade inegável, posto que desde os primórdios os hominídeos procuraram juntar-se e com isso garantir a sobrevivência da espécie.
Sou normal, sou humana: gosto de falar (ando até numa fase exageradamente falastrona), gosto de ouvir, mas hoje acordei com o meu lado eremita em flor.
Acordei um tanto quanto quebrada. Fisicamente, quero dizer. Essa batida que venho vivendo há algumas semanas, de ficar cuidado de um pequeno e nada pesado rotweiller, já vem trazendo suas consequências.
Acordei também um tanto quebrada emocionalmente. Tenho sido muito demandada ultimamente, coisa normal para uma pessoa normal que assuma responsabilidades.
Divagação nº 1: Há quem desenvolva uma capacidade (para mim estranha) de “andar” para qualquer assunto que não lhe diga respeito diretamente. E com o passar do tempo, a gama de assuntos que não lhe dizem respeito diretamente aumenta em proporções geométricas, a ponto de quase nada ser considerado de seu interesse ou da sua conta. Obviamente, aquilo que não é de sua conta certamente há de ser da conta de alguém. Conclusão: na medida em que alguém retira de si comprometimentos, alguém os toma para si, gerando uma distribuição injusta de aporrinhações. Obviamente também é que, o omisso, como bom omisso que é, também “anda” para a distribuição injusta de aporrinhações, porque afinal de contas, isso não é de sua conta.
Então, voltando à vaca fria, já acordei hoje meio cansada e fiquei muito feliz em ver que apenas eu estava de pé. Fiz meu cafezinho, comi minha torradinha, li uns trechos da Veja (só pedacinhos, pra não cansar muito a cabeça), tudo no maior silêncio para poder curtir esse delicioso momento solitário, fazê-lo estender-se o mais possível.
São mais ou menos dez horas da manhã e eu ainda não precisei falar com ninguém, nem ouvir, nem sorrir, nem trocar o curativo da Ala, nem decidir o que vamos almoçar, nadinha. Estou só, maravilhosamente só no meu cafofinho. Como não posso me transportar para uma dimensão paralela, nem congelar todo o mundo, vou ficar aqui, em silêncio, escondidinha, com a esperança (vã) de que hoje, pelo menos por hoje, esqueçam que eu existo.



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Solidão - por Ana

Sou um planeta errante neste universo sem fim. Sob atração de uma força maior que eu (por uma destas leis insondáveis que regem nossas jornadas), vim parar num céu de parcas estrelas que me olham com estranheza ameaçadora, mantendo um distanciamento de desprezo mal contido.
Ao longe, percebo um asteróide desgovernado que, por vezes, se aproxima, imantado por esta mesma força que me trouxe até aqui. Há momentos em que sua trajetória é tão próxima que me preparo para a iminente colisão.
O que pode ser, além de existir, um planeta suspenso entre o nada e o absurdo? Que vida visível pode permitir em si, posto que flutua só e mal visto? Seu despautério e perseverança é manter suas constantes criações enclausuradas em suas entranhas, para sua própria alegria e satisfação, tentando, inutilmente, ignorar a escuridão mórbida que o cerca, enquanto aguarda o momento em que, por inconformação, implodirá, assombrando os céus com os fantásticos tesouros que pacientemente forja em segredo, ocultos de olhos áridos que não os merecem ver.
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Direções - por Kbçapoeta

No quarto empoeirado
Reviro o baú de arrependimentos.
Um turbilhão de saudades,
Vidas remotas, vidas que não foram minhas,
Misturando-se e perdendo-se no tempo,
Espaço e pensamento.
Tamanho porão de meus guardados
Que soterrado de memória,
Agora se esvazia em esquecimento,
Indo e voltando de acordo
Com as mazelas da rosa-dos-ventos
Que ao indicar-me o sentido hoje,
Perco o tino amanhã.




Visitem Kbçapoeta
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Espírito do Tempo - por Leandro M. de Oliveira

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Cabe a nós, aqui, um breve comentário acerca da obra máxima de Franz Kafka. Em primeira análise é mister dizer que a base da força desse escrito é a sua atualidade. Mesmo depois de quase um século, a ideia central de “A Metamorfose” segue como tema de ordem do dia. Kafka redige seu texto às vésperas da primeira grande guerra na fase conhecida como crise da “Bélle Époque”. Nesse momento histórico o homem se vê em um dilema racional e religioso quanto a si mesmo. Era a crise nascente da modernidade oferecendo ao ente humano as mais agudas reflexões existenciais. Um dos temas mais bem trabalhados nesse livro é a impossibilidade da crença, o massacre de princípios que a esse passo estava financiado pela “nova era”, com seu espetáculo de frieza e relações impessoais. Nesse sentido, quando Samsa está metamorfoseado nesse inseto gigante, tem-se uma alegoria da falência social de nosso tempo. Convertemo-nos em seres essencialmente estranhos ao outro. Gregor é, em verdade, o arquétipo do homem moderno, esse desesperado, sem respostas, conforto ou esperança. O símbolo do inseto torna isso ainda mais exterior, esse animal esdrúxulo é o desprezo do homem por si mesmo.
O contemplo da pequenez humana, do estado de abandono ante a grandeza do mundo, levam aquele modesto caixeiro viajante a somatizar as penas de seu cotidiano, sendo essas, de modo geral, as mesmas de todos os cotidianos de qualquer homem comum. Ainda que esteja em casa na companhia dos seus, esse personagem verifica que suas experiências de vida são indissociáveis e inexpurgáveis dele, fazendo-o assim remoto por ser dono de um legado singular. Há também o fetiche da libertação, quando aquele homem se vê alheio ao mundo, sente-se de alguma sorte realizado em não estar mais participando de relações a seus olhos abomináveis.
Então por força sua atual forma, a de uma barata enorme, ele tem uma espécie de vingança inconsciente. Já não é mais o escravizado arrimo de família, já não é mais o vendedor obrigado a sorrir. Todavia, ao passo que se deleita, Gregor sente-se oprimido ao verificar que sua forma física não está suficiente à expressão de tudo quanto sente. Sua repulsa acumulada pela família de exploradores, pelo insensível patrão, pela hipócrita social. Sentindo, mais uma vez, a impossibilidade de ação que é própria do homem médio em todos os lugares.
Gregor Samsa é, em última análise, um ser desprovido do “animus” da mudança, amordaçado em sua condição de filho dominado, de empregado explorado, de aspirante decadente a burguês. Como se aos poucos os pequenos fracassos fossem se sedimentando dentro dele de tal forma a reduzir-se em um animal treinado, abraçando assim a condição subumana. Para compreender o estruturalismo da psique desse personagem, possivelmente o momento mais simbólico é aquele em que seu pai atira-lhe uma maçã com intenção de matá-lo, isso sugere um algo bem edipiano e mal resolvido, dando assim as linhas gerais para o entendimento de sua inanição frente às desventuras do mundo. Há uma sugestão por parte de Kafka de que o pai de Gregor, aquela besta insensível, o tenha reduzido à condição de uma barata gigante mas, em verdade quem o tempo todo não arcou com o ônus da transformação foi o próprio Gregor.
Por fim vem a morte do protagonista em forma de libertação, tanto para ele quanto para os outros. Sua vida apática era um empecilho, um mal que acabara de ser curado. A irmã sai da completa solidão do lar para o convívio externo, o pai se vê remoçado. A morte de Samsa representa um marco na recuperação do tempo perdido, assim, por mais solitário que o homem esteja, sua existência produz transformações nos outros.
A mensagem contida nessa ideia de transcendente do eu tem eco filosófico, psicológico e religioso muito acentuado. É o eterno discurso da imolação da carne própria em favor alheio, ainda que isso se dê de maneira involuntária. Dessa forma, “A Metamorfose” nos convida a uma reflexão profunda acerca do papel do indivíduo no corpo social, seja em âmbito externo ou privado. O texto de Kafka é, antes de mais nada, um questionamento severo, sobre para onde caminha o ser guiado tão somente pela razão instrumental, pelas relações de consumo de nosso tempo, pelo desconhecimento do outro. É deveras ao leitor atento um texto imprescindível.


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m - por madruga

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já no principio da minha escrita
ela fora escolhida como aqui consta
escreve nomes como mãe, mulher e Maria
e trás ao amor o mais que ele tem! a magia
maravilhas se escrevem pelo mundo
mensagens, momentos, mentiras e muita memória
mistérios abundam nos manuscritos outrora escritos por
mãos sábias noutros monumentos e tempos da história



...........................................Visitem madruga
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O Gato - por Vicenzo Raphaello

Lá no meio do mato
O matuto
De amor se toma pela morena

Dela ninguém se atrevia
Achegar
Filha de caboclo bravo

Pensando nela
De amores o matuto sofre
Pela distância imposta

Coragem cria

Numa noite escura
Como gato arrasta-se sob a casa da formosa
Que de madeira elevada era
E sob o quarto da amada
Arranha o piso na esperança de um encontro furtivo
Não era, porém, o quarto certo
Mas do caboclo
Que, de arma na mão
Atirando sai
Naquele bicho irritante
E o pobre coitado humilhado
Como gato pardo na mata se vai

Corre
Corre pela vida

Na cidade vai parar
Onde empresário se faz

Contador de histórias
Aos sobrinhos conta
Divertido
Aquela do infeliz gato pardo.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rio 2016 - por Alba Vieira

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Imagem: Grupo Pacífica

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Lá se vai o tempo em que eu tinha a preocupação de ser politicamente correta. Agora, que já passei dos 50, fico muitíssimo feliz em emitir minha opinião, por mais esdrúxula que pareça. E fico rindo por dentro, se minha verdade irreverente (já que ando quase sempre na contramão) choca os mais comportados, ainda que muitos deles talvez, no fundo, compartilhem das minhas ideias.
Assim, deixem-me confessar que depois da votação em Copenhagen, gritei a plenos pulmões: VIVA O BRASIL! BRASIL! BRASIL! BRASIL! Não que eu tenha qualquer interesse em esportes. Não mexo um músculo por nada, a não ser que tenha alguma utilidade outra que definir o corpinho, competir ou vibrar na torcida por qualquer competição. E, com toda esta preguiça, pra manter a saúde uso outras formas de exercitar o corpo e a mente.
Na verdade, não estou nem aí para futebol, Olimpíadas, Pan-Americanos, Copa do Mundo e correlatos. Mas gritei Brasil mesmo. E não foi por orgulho de ser brasileira, já que me considero cidadã do mundo e o que acontece por aqui, tirando a natureza e o coração das pessoas de bem, não motiva isso. Foi por pura esperança.
É que sou uma trabalhadora HONESTA e assim, depois de estar quase me aposentando, ainda preciso andar de ônibus. Daí, que se fizerem um décimo do que estão prometendo para o setor de transportes, quem sabe as coisas melhorem e eu não vou precisar mais ficar escrevendo aqui no blog aqueles textos carregados de indignação e revolta conclamando as pessoas (que, aliás, não aderiram ao meu movimento) a chamarem a atenção das autoridades no sentido de darem à população do Rio condições mais humanas de ir e vir.
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Visitem Alba Vieira

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Viver é Assim? - por Duanny

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Sempre digo que quero viver do meu modo, sempre achei que nessa vida o importante é ser feliz, sempre duvidei que vidas monótonas trouxessem algum tipo de felicidade ou emoção, mas será que sempre estive, e estou errada?!

Sim, quero viver do meu modo, mas qual realmente é meu modo? Será que eu nasci para ser dona de casa, mãe família e eterna dependente?

Será que eu nasci para ser uma mulher autoritária, com um bom emprego, financeiramente resolvida, sem nenhuma pendência, mas extremamente sozinha?

Será que eu nasci pra viver de emoções, esportes radicais, com um amor a cada esquina, uma nova paixão a cada olhar?!

Enfim, qual é o modo certo, aquele que nos faz feliz? Que modo de viver um dia eu terei? Será que esse tal modo existe ou é coisa da minha cabeça?

Será que esse meu modo de viver é uma supérflua fase adolescente onde tudo é cor de rosa, e eu não vejo as consequências dos meus atos?

Talvez essa minha fantasia de vida perfeita, liberdade adquirida e um amor espontâneo seja somente essa fase, a fase de querer tudo e não conseguir nada, porque é realmente o que acontece: quero abraçar o mundo de uma vez só, quero ser todas de uma vez só, quero amor muitos de uma vez só e, no fim, acabo não fazendo nada, fico lá estacionada... E embora minha vida não seja nada monótona, continuo ali estacionada.

Mas... sabe? Talvez seja hora de definir objetivos, esclarecer as opiniões ou, porque não, amadurecer? Afinal, uma hora ou outra isso tem que acontecer, né?!

Vidas perfeitas são uma ridícula ilusão criada pelos infelizes que não veem a graça de terem o que tem, que não conseguem achar a felicidade nas pequenas coisas da vida.

Sim, quero tudo pra mim, mas tudo ao seu tempo, tudo do jeito certo, do jeito que me faça feliz.




Visitem Duanny

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Creia... - por madruga

os dias podem parecer iguais
mas lá vem um que é de bonança
alegrias sonhos e esperança
coisas que não esquecerás mais



Comentário em Abandonada, de Alba Vieira.
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Visitem madruga
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Tua Voz - por Vicenzo Raphaello

Tua voz
tanto tempo depois
da última voz

Saudade malvada
como você

Por que agora tua voz?
Foi-se o sossego

Maldosa

Tormenta
de lembranças adormecidas
do teu cheiro
teu calor
detalhes do teu corpo
me atormentam

Maldosa

Por que agora tua voz?
Se não permite o desejo
Por que outra vez?
Se vez não tem?

Maldosa
por que?

No que resta do meu tempo
um tempo me nega
o último
Por que?

Maldosa.
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domingo, 4 de outubro de 2009

Olimpíadas - por Paulo Chinelate

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Brasil, Japão, EEUU e Espanha buscaram apresentar o que de melhor poderiam oferecer ao Comitê Olímpico Internacional como garantia de futura sede dos jogos de 2016.
Não resta dúvida alguma que um país que sedia tal evento tem como lucrar em diversas frentes, senão vejamos.
As obras, tanto das sedes propriamente ditas quanto da estrutura necessária, isto é, vias de acesso, alojamentos e similares (restaurantes, lojas etc.) serão, desde o início, uma fonte de empregos em todos os quadrantes sociais. Do servente de pedreiro até o engenheiro, do auxiliar de cozinha às empresas de alimentos, do motorista de táxi às linhas aéreas, do guardador de carros ao soldado da segurança pública, a capilaridade na distribuição de responsabilidades na participação do evento e da renda, em todos os aspectos muitas vantagens se sentirão.
No pós-jogos é que reside o ganho maior. Sedes esportivas e escolas combinando o intelectual à terapia ocupacional dos esportes.
A Constituição de 1988 procurou satisfazer o cidadão e, em especial, o residente urbano. O inchaço das cidades fez deteriorar essa relação do ser humano com o meio em que vive, em especial no nosso Rio de Janeiro. Nesta oportunidade que agora surge estará certamente toda a sociedade carioca empenhada na recuperação do tempo perdido.
Que se crie um órgão gestor dos recursos que ali serão aplicados. Que o custo-benefício seja realmente alcançado. Que todos os esforços, financeiros e de gestão, tenham seus frutos colhidos lá na ponta final.
Não seria só o Rio de Janeiro a única cidade a tirar daí os ganhos do evento esportivo. O Brasil inteiro teria também participação. Atletas e visitantes do mundo inteiro aportariam na antiga capital brasileira. No entanto, e com plena certeza, os pacotes turísticos de todo os países sentir-se-iam obrigados a atender seus clientes com pacotes que incluiriam desde o pantanal matogrossense quanto o cantado Nordeste e não deixando ao largo, em épocas ecológicas, a nossa região amazônica.
Portanto, todos temos a lucrar, dos tupiniquins aos turistas e esportistas estrangeiros.
No que tange à participação de nossos atletas cremos ser o melhor de todos os lucros. É sabido que para um país sediar qualquer evento a aplicação dos recursos no humano, isto é, neste caso, em seus atletas é o maior objetivo: ficará criada para a posteridade a tradição participativa nos esportes amadores e olímpicos. Não ficaremos atrelados somente às peladas dos terrenos baldios. Extrapolará os limites da Cidade Maravilhosa e de seus monumentais estádios para alcançar os arrabaldes distantes. Filhos de netos desta geração sentirão, com certeza, os reflexos do sadio ambiente esportivo em suas vidas. Ocupar-se-ão na prática esportiva, a terapia ocupacional que tanto falta aos jovens. Sentir-se-ão longe do desejo aos tóxicos e vícios outros.

Parabéns, Brasil. Felicitações a tantos quantos fizeram por vencer esta etapa inicial rumo às Olimpíadas de 2016.


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Leonard Wolf e o Escrever - por Alba Vieira

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Há milhões de pessoas talentosas que querem “escrever”. A principal diferença entre elas e os escritores verdadeiros não é talento; é que os verdadeiros escritores se sentam todos os dias e põem palavras no papel. Não há como revisar uma página em branco. Continue tentando, você vai conseguir.
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Agatha Christie - por Ana

Assassinato no Expresso Oriente - Agatha Christie
Morte no Nilo - Agatha Christie
O Caso dos Dez Negrinhos - Agatha Christie
O Senhor dos Anéis - J. R. R. Tolkein



“Eu ainda estou lendo ‘O Senhor dos Anéis’... Também, mil e tantas páginas... Mas, durante esta leitura, reli três da Agatha: ‘Assassinato no Expresso Oriente’, ‘Morte no Nilo’ e ‘O Caso dos Dez Negrinhos’. Embora os dois primeiros sejam com o Poirot, o último é o melhor, sem dúvida alguma.”



Resposta a Estou Lendo..., de Luiz de Almeida Neto.
J. R. R. Tolkien

Enfeitiçado - por madruga

As tardes são longas! A espera e o silencio amordaçaram a vontade de reagir.
Não quero tirar a mordaça que me sufoca, como que um masoquista, quero sentir dor
nem que me provoque chagas. Só noutra dimensão tenho a paz interior, essa em que entras e me fazes respirar, criar e renascer. Renascerei por ti e para ti, sempre que contigo estou tudo faz sentido, sem ti estou perdido, perdido em pensamentos que me confundem e tornam vulnerável. Preciso respirar-te, ouvir-te, ver-te, tocar-te.
Mesmo assim amo como nunca amei, sofro como nunca sofri, desejo como nunca desejei.
Estarei a enlouquecer, pergunto-me às vezes, pois louco serei porque jamais te esquecerei.



Visitem madruga
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sábado, 3 de outubro de 2009

O Autor de Setembro

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PARABÉNS, ZZIPPERR!
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Wordle: O Autor de Setembro
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Imagem: Wordle
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Henry Thoreau e o Olhar - Citado por Alba Vieira

O mesmo sol que matura meus feijões ilumina imediatamente um sistema de terras como a nossa... Esta não era a luz em que os cultivei. As estrelas são os vértices de triângulos maravilhosos! Que seres distantes e diferentes nas várias mansões do universo estão contemplando a mesma coisa no mesmo momento! A natureza e a vida humana são tantas quantas as nossas diversas constituições... Poderia existir milagre maior para nós do que olhar através dos olhos dos outros por um momento?
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Viagem para Cordisburgo - por Dan

.....Buriti, densos buritizais, palma comprida e no alto tem uma roda folhada e dá uns cachos muito grandes... “a fruta se come.” Grão-de-cavalo, pequiá, pequi, pequerim, suari e piquiá. Mangaba, mesma da alamanda, velame-branco, tiborna e guatambu. Paisagem que transporta. São 45 dias, andando por este sertão, tudo para chegar a Cordisburgo, a pequena cidade, perto de Belo Horizonte. Não sei porque, mas caminho por entre sertões, refazendo Guimarães, me dá certa incerteza. Carregando o menino ao meu lado. Tola viagem cheia de complicações, perguntas e incertezas. Sertão, infinidade de vida e muita água serpenteando o solo castigado pelo sol. Cerrado, savanas, sertão veredas.
.....O cerrado é azul com bolinhas roxas, mudando de cor de dia que fica rosa com amarelo, de tarde laranja com vermelho e de noite volta a ser roxa com azul. Alta biodiversidade, crescentemente ameaçado. Pessoas simples que encontro pelo caminho, conseguiram ao longo do tempo se adaptar e desvendar os segredos de como sobreviver neste cenário aparentemente tão árido e hostil. O sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar. Vida contemplativa, hoje quando acordei, senti uma sensação estranha de infinito, não acreditei; tudo é bonito é absurdo, Deus se manteve estável, o homem transborda de sua individualidade e redescobre-se no mundo.
.....Por que, dentre os cinco filhos, pequei o mais frágil e o trouxe comigo? O menininho da mamãe. Por que o Junior, que dorme serenamente neste ônibus? Ele também sente que me perdi, mas não deixa de perguntar, de querer saber. Ele é a única circunstância que me traz de volta à realidade. Meu âmago, meu parâmetro, meu menino, meu filho. Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.
.....Juca das Cores veio nos receber. Não sei como ele soube de nossa chegada, mas soube. Então veio. Quando meu grande amigo veio para Belo Horizonte, lembro que fiquei triste, mas veio para um bom cargo, veio para trabalhar e aqui se estabeleceu, criou família, o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, vão sempre mudando.



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