terça-feira, 28 de julho de 2009
A Vontade de Escrever - por Luiz de Almeida Neto
Recado - por S. Ribeiro
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Ana Hatherly (Biografia) - Enviada por Ana
Membro destacado do grupo da Poesia Experimental Portuguesa nos anos 60 e 70, tem uma extensa bibliografia poética e ensaística. Dedicou-se também à investigação e divulgação da literatura portuguesa do período barroco tendo fundado as revistas Claro-Escuro e Incidências. Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade Clássica de Lisboa, doutorou-se em Estudos Hispânicos do Século de Ouro na Universidade da Califórnia em Berkeley. Professora Catedrática da Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa onde fundou o Instituto de Estudos Portugueses. Membro da Direção da Associação Portuguesa de Escritores nos anos 70, foi também membro fundador e depois Presidente do PEN Clube Português e Presidente do Committee for Translations and Linguistic Rights do PEN Internacional.
Em 1978 foi agraciada pela Academia Brasileira de Filologia do Rio de Janeiro com a medalha Oskar Nobiling por serviços distintos no campo da literatura. Em 1998 obteve o Grande Prêmio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores; em 1999 o Prêmio de Poesia do P.E.N. Clube Português; em 2003 o Prêmio de Poesia Evelyne Encelot, na França, e o Prêmio Hannibal Lucic, na Croácia.
Paralelamente tem uma carreira como artista plástica, iniciada nos anos 60, com um extenso número de exposições individuais e coletivas em Portugal e no Estrangeiro. Obras suas estão incluídas nos principais Museus de Arte Contemporânea portugueses e em coleções privadas nacionais e estrangeiras.
Diplomada em técnicas cinematográficas pela International London Film School, nos anos 70 foi docente na Escola de Cinema do Conservatório Nacional, e no AR.CO (Centro de Arte e Comunicação Visual), em Lisboa. Existem cópias dos seus filmes no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e no Arquivo da Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.
Bibliografia
Poesia
1958 - Um Ritmo Perdido
1959 - As Aparências
1960 - A Dama e o Cavaleiro
1965 - Sigma
1967 - Estruturas Poéticas: operação 2
1968 - Eros Frenético
1969 - 39 Tisanas
1970 - Anagramático
1973 - 63 Tisanas: (40-102)
1980 - Poesia: 1958-1978
1982 - Ana Viva e Plurilida, in Joyciana
1983 - O Cisne Intacto
1988 - A Cidade das Palavras
1994 - Volúpsia
1997 - 351 Tisanas
1999 - Rilkeana (Prêmio de Poesia do PEN Clube Português)
2001 - Um Calculador de Improbabilidades
2003 - O Pavão Negro (Prêmio de Consagração da Associação Portuguesa de Críticos Literários)
2003 - Itinerários
2005 - Fibrilações
2005 - A Idade da Escrita e Outros Poemas (antologia)
2006 - 463 Tisanas
2007 - A Neo-Penélope
Prosa
1963 - O Mestre
1967 - No Restaurante, in Antologia do Conto Fantástico Português
1977 - Crônicas, Anacrônicas Quase-tisanas e outras Neo-prosas
1979 - O Tato, in Poética dos Cinco Sentidos
1983 - Anacrusa: 68 sonhos (sonhos da autora comentados por vários autores)
1999 - Elles: um epistolado (com Alberto Pimenta)
2004 - O Neo-Ali Babá, in Mea Libra - Revista do Centro Cultural do Alto Minho, nº 14
Ensaio e Edições Críticas1962 - Nove Incursões
1979 - O Espaço Crítico: do simbolismo à vanguarda
1983 - A Experiência do Prodígio: bases teóricas e antologia de textos-visuais portugueses dos séculos XVII e XVIII
1989 - Defesa e Condenação da Manice
1990 - Poemas em Língua de Preto dos Séculos XVII e XVIII
1991 - Elogio da Pintura de Luís Nunes Tinoco
1991 - A Preciosa de Sóror Maria do Céu
1991 - Lampadário de Cristal de Frei Jerónimo Baía
1991 - O Desafio Venturoso de António Barbosa Bacelar
1992 - Triunfo do Rosário: repartido em cinco autos de Sóror Maria do Céu
1995 - A Casa das Musas: uma releitura crítica da tradição
1997 - O Ladrão Cristalino: aspectos do imaginário barroco (Prêmio de Ensaio da Sociedade Portuguesa de Autores, 1998)
2002 - Frutas do Brasil Numa Nova e Ascetica Monarchia, consagrada à Santíssima Senhora do Rosario de António do Rosário
2003 - Poesia Incurável: aspectos da sensibilidade barroca
2004 - Interfaces do Olhar: uma antologia crítica / uma antologia poética
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As Nossas Palavras XIX - por Alba Vieira
Meu Sonho de Consumo - por Adir Vieira
Partir ou Ficar? - por Alba Vieira
De voltar àquilo que deixei a me esperar
Se já faz tanto tempo que relembro minha glória
De quando não havia um corpo a me limitar...
As cores eram então indescritíveis
Nem tento dar testemunho nesse lugar
Àqueles que nem sonham por um minuto
Com tal beleza que não há como explicar.
E a vibração que se experimenta por lá então?
Nem dá pra imaginar estando aqui.
É algo que preenche o nosso coração,
Explosão de puro amor! Não dá pra definir.
Tem horas que bate uma saudade...
Que é outra coisa aprendida por aqui,
Já que por lá tudo é eternidade
Não existe espaço e tempo a restringir.
Porém compreendo que uma coisa é certa:
Como a Terra não há melhor lugar
Pra aprender a exercitar a livre escolha
Ser co-criador da realidade a vivenciar.
É por isso que eu tenho paciência e espero
Até quando meu grande dia for chegar...
Até lá, humildemente, agradecida reconsidero
E enalteço esse mundo que tantas oportunidades me dá.
Quero Só Mais um Pouquinho... - por Duanny
Esses dias estava visitando uns blogs e encontrei alguns com o seguinte tema de post : “Jovens que se destacam na profissão”. Achei bem interessante, pois atualmente para se destacar demora um pouquinho, porque você tem que se preparar bastante para o tal sucesso.
Então comecei a pensar (sim eu penso ¬¬): será que um dia serei uma jovem de sucesso? Bom, minha mãe sempre me fala que primeiro eu tenho que decidir o que eu quero. Pra mim essa parte é a mais fácil de todas.
Quero fazer técnico. Sim, dizem que hoje em dia técnico é tudo. Quero me formar em publicidade e... só???
Bom, antes do meu tão esperado “sucesso”, eu queria mesmo era experimentar a vida sem medo de me atrasar sabe?!
Quero conhecer Londres e Roma, me apaixonar por um francês e, quem sabe, finalmente falar um inglês fluente.
Quero fazer técnico em Designer Gráfico e depois em Publicidade, isso antes do meu intercâmbio.
Quero gritar de raiva com alguém e depois me arrepender.
Quero conhecer o Brasil de cabo a rabo.
Quero que todos sejam gentis comigo, odeio gente chata.
Quero ser atriz nas horas vagas.
Quero conhecer Daniel Radcliffe e namorar o Tom Felton.
Quero viver por instinto e com emoções fortes.
Quero conquistar amigos pra vida toda
Quero ser escritora, embora me falte um pouquinho só de talento.
Quero aprender a surfar e a andar de skate.
Quero poder estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Quero me casar numa festa anos 80 e com um padre vestido de Elvis.
Já sei o que você deve estar pensando: “Você não pode querer abraçar o mundo”. Mas que DROGA!!!
Minha mãe já me fala isso e eu nem quero abraçar o mundo, só quero ver todas as culturas, ouvir todas as músicas, saborear todos os tipos de felicidade, quero sentir saudade, me apaixonar, quero ser a culpada, sabe? cometer loucuras. Ahh!... eu só quero viver um porquinho antes do meu “Sucesso”.
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Epiteto Aconselha a Ponderar as Dificuldades - Citado por Penélope Charmosa
domingo, 26 de julho de 2009
Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana
UM ALUNO DORMINDO NA JAULA DE AULA
(BRUNO D’ALMEIDA)
Eu não consigo prestar atenção às aulas de gramática e durmo o tempo todo. Meu professor é muito esforçado, usa letras de música, faz milhares de dramatizações camonianas, o problema é que não vejo utilidade alguma no que ele ensina. Não, eu não sou nenhum terrorista da língua ou contra as regras e convenções da linguagem. Não quero colocar meus professores em um pelotão de fuzilamento. Apenas acho meu sono muito mais importante do que a diferença entre um adjunto adnominal e um complemento nominal.
Meu querido professor pensa que me ridiculariza quando me acorda durante suas aulas e me passa um sermão da montanha. Diz que eu nunca vou ser alguém na vida. Blá. Que estou desafiando sua autoridade. Bla-blá. Que estou perdido na matéria dele. Bla-bla-blá. Faço uma cara de “e daí” e todos dão gargalhadas. Todos estão rindo do professor e não de mim. É uma pena colocar uma pessoa no meio da roda e rir. Mas se ele quer ser o bastião de uma língua que só existe nos manuais do bem falar, problema dele. A minha língua é muito mais rica e fascinante. Muito mais.
Por que eu devo estudar uma norma padrão culta se as próprias pessoas cultas não praticam essa norma? Por que eu devo falar de uma maneira tão sisuda ao ponto de fugir da realidade e me afastar das pessoas? Por isso eu durmo, durmo e sonho com palavras feitas com massinhas de modelar, se modificando de acordo com o meu desejo, dando forma aos meus pensamentos, minhas declarações de amor e de ódio, dialogando ideias distorcidas de convenções e embebidas de sentimentos. A minha língua é viva e beija o infinito das palavras, não se prende às mordaças de papel velho sujo de ácaro e de nostalgia.
Se eu pudesse ser um professor de gramática, incendiaria todos os manuais artificiais da língua. Queima! Eu daria livros e livros de histórias reais e imaginárias aos meus alunos. Aprendi a falar conversando com o mundo. Aprendi a ler de verdade com a cara nos livros. Queima! Nenhum manual de gramática me ensinou mais sobre pontuação do que os ensaios sobre a cegueira do escritor português Saramago. Qualquer aula de vocabulário é o chulé do povo brasileiro de João Ubaldo. Queimem todas as gramáticas! Aprendi mais sobre estrutura narrativa nas tragédias de Shakespeare. Eu não preciso fazer classificações sintáticas para ler ou dizer o que penso.
Sinto muito, meu professor perdeu todo respeito quando me mandou fechar um livro de Tolkien para tentar me ensinar uma voz passiva sintética. Respondi a ele com um palavrão seguido da partícula “se”. Por isso meu professor grita e cospe na minha frente e eu durmo. Eu sinto pena de alguém que não acredita no que ensina. Eu até que ficaria acordado se ele me mostrasse um mundo de palavras reais. Mas ele é um pobre coitado, amordaçado nas regras que a sociedade criou para nos afrontar com o poder e a tirania da linguagem. Ele me expulsou da sala e nem percebeu que tinha falado o que ele queria ouvir. Uma voz passiva sintética bem reflexiva. Por isso eu durmo. Que horas são?
As Nossas Palavras XVIII - por Alba Vieira
Vendendo uma Parte da Vida - por Adir Vieira
Lembro da visão do portão principal que nos sorria com seus flamboyants em flor e junto com as roseiras, na cor rosa, formavam um arco colorido a nos dar as boas-vindas.
Não tínhamos outro intento naquelas viagens semanais, além do descanso, puro descanso.
Não fazíamos questão de nada além da rede, das cadeiras espreguiçadeiras e das sandálias e roupas de banho de mar. Esses eram os únicos objetos pelos quais procurávamos e dispúnhamos à nossa moda ao chegar.
Apesar de tanto tempo ausente, o caseiro que nos serve até hoje mantém tudo - como se estivéssemos fora apenas desde o último final de semana - limpo e habitável, fazendo questão de não esquecer o cloro na piscina.
Já estou entrando e me emociono ao rever tudo depois de tanto tempo.
A varanda que circunda a casa grande acolheu meu carro, exibindo o ruído característico dos pneus roçando o solo ao subir a pequena rampa lateral.
Os passarinhos no pé da goiabeira próxima parecem contentes com a minha chegada. Vejo cães, galinhas e gatos que, estranhando o movimento àquela hora da manhã, aparecem nos gradeados das casas e a me espreitarem parecem querer me dar bom dia, tão grande o alvoroço que fazem.
Tudo exatamente como há mais ou menos um ano atrás.
Ouço o galope de cavalos se aproximando e sei que o caseiro e sua turma vêm me saudar.
Não espero por eles e entro na sala pela porta principal.
Grande emoção toma conta de mim quando olho o sofá e penso como as coisas materiais têm o poder de nos remeter a fatos importantes de nossas vidas com grande facilidade, apenas num piscar de olhos.
Aquele grande sofá com almofadas removíveis, acolchoado ao extremo - talvez ciente de sua função de proporcionar o máximo de conforto - é maravilhoso de se olhar em sua estamparia grande e de cores discretas e harmoniosas. Esse objeto havia pertencido a minha bisavó que o doou a minha avó quando esta se casou. Minha avó por sua vez, quando mudou para uma casa menor não pode levá-lo, fazendo com que ele passasse desde então a pertencer a minha mãe. Lá, ele participou e se fez de palco para todas as nossas histórias internas. Fotos, então, são inúmeras as em que ele aparece, em várias épocas e diferentes pessoas. Já fazia um bom tempo que era meu e ali residia.
Por poucos segundos, revivi tudo em desfile. Doces momentos.
Já ouço passos no portão, mas caminho em direção ao quarto. Esbarro no grande urso que serve de escora para a porta. Ali, fixado no piso, convida à entrada no quarto.
A colcha que cobre a grande cama de casal também foi presente de minha avó - vejo-a diante de mim, sentada na sua cadeira favorita, crochetando para as netas. Sinto saudades e ouço sua voz dizendo um dos seus chavões engraçados.
Não sei quanto tempo ali me detive em lembranças, mas a voz do caseiro me fez voltar à realidade, quando me cumprimentando efusivamente, afirmou que o comprador da casa chegaria em duas horas.
Parabéns, Minha Sobrinha! - por Ana
Nasceu minha primeira sobrinha.
Esperta, de olhos vivos,
Com cachos... Uma gracinha!
Foi crescendo resoluta,
Personalidade forte,
Leonina nos cabelos,
No humor, audácia e porte.
Gosta de tudo que é bom,
No social é uma beleza!
É decidida no falar
E nasceu pra vida burguesa.
Hoje já tem uma filha
(Coisa mais linda não há!)
Que recebeu o meu nome,
É minha pequena xará.
Minha sobrinha querida,
Que há pouco era menina,
Receba meus parabéns,
Amada Ana Carolina!
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Militar - por Manassés Diego
Bom é que coisas de fora podem entrar, ministrando sequelas, num encontro de sensações ameaçadas – tudo tem que ser comido hoje, meu amor; aqui, nossos poros terminam.
Tu na aventura sem profetas. Noites sem dinheiro e pintores na cabeça.
Porque é a explosão pegajosa interior. Visível que acaba. Os sons próprios da vida se forçam.
Vimos no palácio o efeito, como se o esboço tivesse a ver com o veneno... com o acaso. Fome para um novo ser.
Corpos como desculpas esfarrapadas, o universo tilintando uma orquestra, renovações do singelo, desesperado, único...
E árvores.
Desejos umbelíferos, nós que temos que terminar nossa vida em breve, saímos em caça.
sábado, 25 de julho de 2009
As Nossas Palavras XVIII - por Alba Vieira
Saudade do que Não Volta - por Adir Vieira
Saudade do que não se tem mais...
Hoje senti essas duas saudades. Lembrei-me do meu bonequinho feito do travesseiro. Aquele que, quando eu era uma criança, foi forçado a se transformar de travesseiro em boneco, por falta de dinheiro para a compra do boneco real, aquele do tipo dos que enfeitavam as vitrines das lojas de brinquedos.
Lembro aqui da alegria que senti quando o travesseiro grande e gordo tornou-se o Diego. Apenas uma fita elástica grossa e preta na barriga definia a parte superior, onde os olhos, boca e nariz foram desenhados com a caneta preta pelas mãos hábeis de minha mãe que fazia questão de não nos deixar carentes do artefato que qualquer diversão exigia. Lembro dela com a segunda saudade e revivo aqui as artimanhas que inventava para nos fazer felizes.
A parte inferior do travesseiro representava a barriga e os membros inferiores. Não precisavam estar ali presentes, bastava que aquela massa uniforme fosse designada como tal. Ao meu toque, adquiria temperatura ideal, flexibilidade ideal, tudo para povoar meus sonhos de menina. Falava com ele, brincava com ele por horas. Ouvia suas respostas às minhas indagações e só minha criatividade bastava para dar forma à brincadeira. Várias, diversas, de acordo com o meu estado de espírito e minhas viagens mentais.
Constato, hoje, que apesar de toda a nova tecnologia, são raras as crianças que, sem ter o que buscar nas próprias mentes, conseguem viajar como eu, naquele doce tempo...
Só Restarão as Sacolas Plásticas Pelo Ar - por Alba Vieira
Ando pela planície com árvores esparsas.
Piso a relva macia e verdinha que brilha
Com plumagens de pássaros nela salpicadas.
Aqui e ali encontro penas coloridas
De aves maiores que por ali passaram.
E me surpreendo de como a natureza é bonita
Com equilíbrio reinando em toda parte.
Paro por um instante e tento imaginar
Como será o nosso mundo no futuro.
Será que alguém ainda poderá controlar
O tremendo estrago causado por seres tão burros?
Gente insana que só pensa em mais lucrar,
Nem se importa de afetar o equilíbrio vigente
E da Terra só sabe mesmo é retirar.
Têm maus hábitos e gera costumes tão doentes...
Nosso planeta não tem como resistir
Aos crescentes massacres à natureza.
Por mais que ela resista em sucumbir,
Muito poucos suportarão tanta dureza.
Alterações climáticas irreversíveis, poluição...
Extinção de animais, destruição e aridez...
Depressão, melancolia, tempo cada vez mais exíguo,
Facies triste... O que será do homem dessa vez?
Então uma imagem me vem à mente...
Ao invés das plumas brancas bailando no ar
O que eu vejo pasma e não consigo acreditar
São sacolas que esvoaçam feias, destruídas como a gente.
Se Deu Mal... - por Ana
Quem mandou chamar reforço?
Não contou, sua covardia,
Com a sensatez desse moço!
Que deu resposta bonita,
Perfeita, bem desenhada,
Elegante, definitiva.
E tu ficou mal na parada!
E continua sozinho!
Mas, sabe... bem que merece!
É adepto do morde-assopra,
Morcego à espreita na sebe.
E antes que tu me condene,
Me rebatendo o covarde,
Assumo: chamei a Escrevinha
Fazendo o maior alarde!
Era caso de agressão física
Que, no Código Penal,
É tipificada e abrange
O território nacional
E o virtual, com certeza:
A Justiça é cega, mas digita
(O Braille existe pra quê?)
Pra minorar as desditas.
Portanto, depois que A Flor
Roeu a corda, restou a caçamba.
Agora se vira, Gio,
Seu homem-morcego dos pampas!
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Deixe-me Nascer - por Esther Rogessi
Vida sem compromisso, só farra e vadiagem.
Entre tantas vadias, vadiei com Maria. De noite, e de dia.
Sem profissão, sem carteira assinada. - Tal qual bombeiro, apaguei muito fogo... E, jamais, fogo neguei!
Um bico aqui, outro ali... Foi assim que eu vivi.
Nunca quis estudar... Jamais me interessei. Pra quê perder anos da vida debruçado em cima dos livros?
Quero ganhá-la vivendo! - Pensava...
Mas, um dia, conheci Biatrix. A Trix, a Bia, a Biá, a mulher da minha vida... E a vadiagem acabou!
Gente de bem! Moça estudada, enfermeira formada, e ainda cursando a Faculdade de Medicina, enquanto que eu... vivendo com a merda em cima!
Corri para os estudos, não queria envergonhá-la. De supletivo em supletivo, terminei o 2º grau. - Só o amor transforma!
Não conhecia meu pai. Poderia ter sido qualquer um, acho que foi... de qualquer idade, sei lá...
Mal gerado, mal nascido e mal vivido...
Um feto que nadou no álcool, ao invés do líquido amniótico! Que espirrou na cadeira de uma mesa de bar e quase foi ao chão! (foi assim que eu nasci). Quando a parteira me pegou pelos pés e deu-me uma palmada... Junto com o coé, saiu da minha boca uma baforada de maconha, e ao aspirá-la a “parteira” bambeou nas pernas e tropeçou. - A minha mãe, era um poço de virtudes!
Não queria que eu nascesse. Acertou com uma “enfermeira,” para fazer o aborto, e na noite que antecedeu o dia do meu planejado assassinato... Ela, minha mãe, sonhou: e, não sabia se tinha sido sonho ou realidade... Ouviu-me chorar dentro do seu ventre e dizer: “Deixe-me nascer.”
Não sei como nasci tão lindo... E, sem sequela alguma...
É que Deus, é o dono da vida e da morte.
Não entendo como esta beleza externa permaneceu. Foi a bondade de Deus! Ele tinha reservado para mim, um jumbo chamado Beatrix!
A Trix! Culta e perfumada, linda... Morenaça! Massa! Avião!...
Minha mulher! E mãe do meu filho João.
Guerra Santa - por Gio
Mais medo ainda de me expressar mal
Faço um comentário, assim, a esmo
E é visto como golpe visceral
Quando o jegue, aqui, falava em hipocrisia
Apenas relinchava sobre si
Talvez, tenha falado em demasia
Mas, calma, nunca era sobre ti!
(“Sobre ti” soou gozado
Mas creio não estar errado
Pois, se algum exaltado
Quiser corrigir de bom grado
Melhor não ficar calado!)
E, quanto à duelagem, companheira
Não esquente, pode ficar sossegada
Eu sei que as disputas são besteira
Brincadeira, pra coisa ficar animada
É que esse é meu jeito de Duelar
Sempre tentando apaziguar
Mantendo a ordem do lugar
Pois sempre começo a pensar
Que, se a violência do lugar
Crescer, por demais aumentar
Não mais suportarei o ar
A solução desse grande mistério
É mostrar que esse tolo liga
Se eu me empolgo, levo a sério
E perco, então, a minha amiga
Perdoa esse Ghandi paraguaio
Se ele não sabe representar
Pra próxima briga, eu ensaio
O embate vai melhorar!
(Mas, se a coisa pegar fogo
E deixar de ser puro jogo
Não ataco de demagogo
Deixo de lado o estilingue
E saio, logo, do ringue)
O combate começa injusto, como nenhum
Eu sozinho, e você com a Escrevinhadora
Emboscada, assalto, esse dois-contra-um
Convoco aqui uma comissão julgadora
(Se assim eles quiserem
As duas que, então, me esperem)
Talvez eu não seja um exímio Samurai
Mas, pra pateta, eu garanto não servir
Se está disposta a sair gritando “Ai!”
Prepara as armas do Duelo e pode vir!
Referências: Da Terra do Vinho, de Gio;
Quem Avisa Amigo É (No Dia do Amigo), de Escrevinhadora.
Estrada - por Kbçapoeta
Solto como perdão,
Veloz como injúria presa.
Palavra suplicando desabafar.
Verbo preso, nunca mais!
Quero ouvir das línguas
A fala pulsante, viva se metamorfosear.
Ser andante na procura, no esmo reinante,
No pavonear dos estradeiros.
Do artesanato único e exclusivo,
Serei o observador
Perene, errante, anônimo.
