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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 26 de julho de 2009

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Hoje indico uma das crônicas inesquecíveis do Bruno D’Almeida. Esta é magnífica! Não só pelo tema e pelo humor, mas também pela genialidade da composição e do desfecho. Espetacular! Uma das melhores, com certeza! Vocês que o acompanham, como eu, sei que vão me dar razão. Adorei, Bruno! Não canso de ler e de rir!



UM ALUNO DORMINDO NA JAULA DE AULA
(BRUNO D’ALMEIDA)

Eu não consigo prestar atenção às aulas de gramática e durmo o tempo todo. Meu professor é muito esforçado, usa letras de música, faz milhares de dramatizações camonianas, o problema é que não vejo utilidade alguma no que ele ensina. Não, eu não sou nenhum terrorista da língua ou contra as regras e convenções da linguagem. Não quero colocar meus professores em um pelotão de fuzilamento. Apenas acho meu sono muito mais importante do que a diferença entre um adjunto adnominal e um complemento nominal.

Meu querido professor pensa que me ridiculariza quando me acorda durante suas aulas e me passa um sermão da montanha. Diz que eu nunca vou ser alguém na vida. Blá. Que estou desafiando sua autoridade. Bla-blá. Que estou perdido na matéria dele. Bla-bla-blá. Faço uma cara de “e daí” e todos dão gargalhadas. Todos estão rindo do professor e não de mim. É uma pena colocar uma pessoa no meio da roda e rir. Mas se ele quer ser o bastião de uma língua que só existe nos manuais do bem falar, problema dele. A minha língua é muito mais rica e fascinante. Muito mais.

Por que eu devo estudar uma norma padrão culta se as próprias pessoas cultas não praticam essa norma? Por que eu devo falar de uma maneira tão sisuda ao ponto de fugir da realidade e me afastar das pessoas? Por isso eu durmo, durmo e sonho com palavras feitas com massinhas de modelar, se modificando de acordo com o meu desejo, dando forma aos meus pensamentos, minhas declarações de amor e de ódio, dialogando ideias distorcidas de convenções e embebidas de sentimentos. A minha língua é viva e beija o infinito das palavras, não se prende às mordaças de papel velho sujo de ácaro e de nostalgia.

Se eu pudesse ser um professor de gramática, incendiaria todos os manuais artificiais da língua. Queima! Eu daria livros e livros de histórias reais e imaginárias aos meus alunos. Aprendi a falar conversando com o mundo. Aprendi a ler de verdade com a cara nos livros. Queima! Nenhum manual de gramática me ensinou mais sobre pontuação do que os ensaios sobre a cegueira do escritor português Saramago. Qualquer aula de vocabulário é o chulé do povo brasileiro de João Ubaldo. Queimem todas as gramáticas! Aprendi mais sobre estrutura narrativa nas tragédias de Shakespeare. Eu não preciso fazer classificações sintáticas para ler ou dizer o que penso.

Sinto muito, meu professor perdeu todo respeito quando me mandou fechar um livro de Tolkien para tentar me ensinar uma voz passiva sintética. Respondi a ele com um palavrão seguido da partícula “se”. Por isso meu professor grita e cospe na minha frente e eu durmo. Eu sinto pena de alguém que não acredita no que ensina. Eu até que ficaria acordado se ele me mostrasse um mundo de palavras reais. Mas ele é um pobre coitado, amordaçado nas regras que a sociedade criou para nos afrontar com o poder e a tirania da linguagem. Ele me expulsou da sala e nem percebeu que tinha falado o que ele queria ouvir. Uma voz passiva sintética bem reflexiva. Por isso eu durmo. Que horas são?




William Shakespeare, José Saramago, J. R. R. Tolkien.

As Nossas Palavras XVIII - por Alba Vieira

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Os dentes são duros porque, como a língua é mole, não resiste e gera infindáveis palavras que apenas saem se eles a elas cedem a liberdade.



Visitem Alba Vieira
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Vendendo uma Parte da Vida - por Adir Vieira

Faz mais de um ano que não vou lá. Mas agora, que me encontro na estrada, quase chegando, me vêm à mente todos os finais de semana que, regularmente, íamos para lá descansar.
Lembro da visão do portão principal que nos sorria com seus flamboyants em flor e junto com as roseiras, na cor rosa, formavam um arco colorido a nos dar as boas-vindas.
Não tínhamos outro intento naquelas viagens semanais, além do descanso, puro descanso.
Não fazíamos questão de nada além da rede, das cadeiras espreguiçadeiras e das sandálias e roupas de banho de mar. Esses eram os únicos objetos pelos quais procurávamos e dispúnhamos à nossa moda ao chegar.
Apesar de tanto tempo ausente, o caseiro que nos serve até hoje mantém tudo - como se estivéssemos fora apenas desde o último final de semana - limpo e habitável, fazendo questão de não esquecer o cloro na piscina.
Já estou entrando e me emociono ao rever tudo depois de tanto tempo.
A varanda que circunda a casa grande acolheu meu carro, exibindo o ruído característico dos pneus roçando o solo ao subir a pequena rampa lateral.
Os passarinhos no pé da goiabeira próxima parecem contentes com a minha chegada. Vejo cães, galinhas e gatos que, estranhando o movimento àquela hora da manhã, aparecem nos gradeados das casas e a me espreitarem parecem querer me dar bom dia, tão grande o alvoroço que fazem.
Tudo exatamente como há mais ou menos um ano atrás.
Ouço o galope de cavalos se aproximando e sei que o caseiro e sua turma vêm me saudar.
Não espero por eles e entro na sala pela porta principal.
Grande emoção toma conta de mim quando olho o sofá e penso como as coisas materiais têm o poder de nos remeter a fatos importantes de nossas vidas com grande facilidade, apenas num piscar de olhos.
Aquele grande sofá com almofadas removíveis, acolchoado ao extremo - talvez ciente de sua função de proporcionar o máximo de conforto - é maravilhoso de se olhar em sua estamparia grande e de cores discretas e harmoniosas. Esse objeto havia pertencido a minha bisavó que o doou a minha avó quando esta se casou. Minha avó por sua vez, quando mudou para uma casa menor não pode levá-lo, fazendo com que ele passasse desde então a pertencer a minha mãe. Lá, ele participou e se fez de palco para todas as nossas histórias internas. Fotos, então, são inúmeras as em que ele aparece, em várias épocas e diferentes pessoas. Já fazia um bom tempo que era meu e ali residia.
Por poucos segundos, revivi tudo em desfile. Doces momentos.
Já ouço passos no portão, mas caminho em direção ao quarto. Esbarro no grande urso que serve de escora para a porta. Ali, fixado no piso, convida à entrada no quarto.
A colcha que cobre a grande cama de casal também foi presente de minha avó - vejo-a diante de mim, sentada na sua cadeira favorita, crochetando para as netas. Sinto saudades e ouço sua voz dizendo um dos seus chavões engraçados.
Não sei quanto tempo ali me detive em lembranças, mas a voz do caseiro me fez voltar à realidade, quando me cumprimentando efusivamente, afirmou que o comprador da casa chegaria em duas horas.



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Parabéns, Minha Sobrinha! - por Ana

Neste dia, há alguns anos,
Nasceu minha primeira sobrinha.
Esperta, de olhos vivos,
Com cachos... Uma gracinha!

Foi crescendo resoluta,
Personalidade forte,
Leonina nos cabelos,
No humor, audácia e porte.

Gosta de tudo que é bom,
No social é uma beleza!
É decidida no falar
E nasceu pra vida burguesa.

Hoje já tem uma filha
(Coisa mais linda não há!)
Que recebeu o meu nome,
É minha pequena xará.

Minha sobrinha querida,
Que há pouco era menina,
Receba meus parabéns,
Amada Ana Carolina!
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Seu Jorge

Militar - por Manassés Diego

Os guardadores de cortina te olham, eles arrastam prisões por onde passam.
Bom é que coisas de fora podem entrar, ministrando sequelas, num encontro de sensações ameaçadas – tudo tem que ser comido hoje, meu amor; aqui, nossos poros terminam.
Tu na aventura sem profetas. Noites sem dinheiro e pintores na cabeça.
Porque é a explosão pegajosa interior. Visível que acaba. Os sons próprios da vida se forçam.
Vimos no palácio o efeito, como se o esboço tivesse a ver com o veneno... com o acaso. Fome para um novo ser.
Corpos como desculpas esfarrapadas, o universo tilintando uma orquestra, renovações do singelo, desesperado, único...
E árvores.
Desejos umbelíferos, nós que temos que terminar nossa vida em breve, saímos em caça.



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sábado, 25 de julho de 2009

As Nossas Palavras XVIII - por Alba Vieira

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Os dentes cedem apesar de duros, porque nada resiste à passagem do tempo. E a língua, mesmo se ferina, também acaba ficando mole.



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Saudade do que Não Volta - por Adir Vieira

Saudade! Saudade do que se teve e se perdeu momentaneamente...
Saudade do que não se tem mais...

Hoje senti essas duas saudades. Lembrei-me do meu bonequinho feito do travesseiro. Aquele que, quando eu era uma criança, foi forçado a se transformar de travesseiro em boneco, por falta de dinheiro para a compra do boneco real, aquele do tipo dos que enfeitavam as vitrines das lojas de brinquedos.
Lembro aqui da alegria que senti quando o travesseiro grande e gordo tornou-se o Diego. Apenas uma fita elástica grossa e preta na barriga definia a parte superior, onde os olhos, boca e nariz foram desenhados com a caneta preta pelas mãos hábeis de minha mãe que fazia questão de não nos deixar carentes do artefato que qualquer diversão exigia. Lembro dela com a segunda saudade e revivo aqui as artimanhas que inventava para nos fazer felizes.

A parte inferior do travesseiro representava a barriga e os membros inferiores. Não precisavam estar ali presentes, bastava que aquela massa uniforme fosse designada como tal. Ao meu toque, adquiria temperatura ideal, flexibilidade ideal, tudo para povoar meus sonhos de menina. Falava com ele, brincava com ele por horas. Ouvia suas respostas às minhas indagações e só minha criatividade bastava para dar forma à brincadeira. Várias, diversas, de acordo com o meu estado de espírito e minhas viagens mentais.

Constato, hoje, que apesar de toda a nova tecnologia, são raras as crianças que, sem ter o que buscar nas próprias mentes, conseguem viajar como eu, naquele doce tempo...



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Só Restarão as Sacolas Plásticas Pelo Ar - por Alba Vieira

Dia ensolarado e sopra suave brisa...
Ando pela planície com árvores esparsas.
Piso a relva macia e verdinha que brilha
Com plumagens de pássaros nela salpicadas.

Aqui e ali encontro penas coloridas
De aves maiores que por ali passaram.
E me surpreendo de como a natureza é bonita
Com equilíbrio reinando em toda parte.

Paro por um instante e tento imaginar
Como será o nosso mundo no futuro.
Será que alguém ainda poderá controlar
O tremendo estrago causado por seres tão burros?
Gente insana que só pensa em mais lucrar,
Nem se importa de afetar o equilíbrio vigente
E da Terra só sabe mesmo é retirar.
Têm maus hábitos e gera costumes tão doentes...

Nosso planeta não tem como resistir
Aos crescentes massacres à natureza.
Por mais que ela resista em sucumbir,
Muito poucos suportarão tanta dureza.
Alterações climáticas irreversíveis, poluição...
Extinção de animais, destruição e aridez...
Depressão, melancolia, tempo cada vez mais exíguo,
Facies triste... O que será do homem dessa vez?

Então uma imagem me vem à mente...
Ao invés das plumas brancas bailando no ar
O que eu vejo pasma e não consigo acreditar
São sacolas que esvoaçam feias, destruídas como a gente.



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Se Deu Mal... - por Ana

Ha! Ha! Ha! Se deu foi mal!
Quem mandou chamar reforço?
Não contou, sua covardia,
Com a sensatez desse moço!

Que deu resposta bonita,
Perfeita, bem desenhada,
Elegante, definitiva.
E tu ficou mal na parada!

E continua sozinho!
Mas, sabe... bem que merece!
É adepto do morde-assopra,
Morcego à espreita na sebe.

E antes que tu me condene,
Me rebatendo o covarde,
Assumo: chamei a Escrevinha
Fazendo o maior alarde!

Era caso de agressão física
Que, no Código Penal,
É tipificada e abrange
O território nacional

E o virtual, com certeza:
A Justiça é cega, mas digita
(O Braille existe pra quê?)
Pra minorar as desditas.

Portanto, depois que A Flor
Roeu a corda, restou a caçamba.
Agora se vira, Gio,
Seu homem-morcego dos pampas!



Referência a Posicionamento, de A Flor do Sul.
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Deixe-me Nascer - por Esther Rogessi

Sonhos de juventude, tudo parecia fácil...
Vida sem compromisso, só farra e vadiagem.
Entre tantas vadias, vadiei com Maria. De noite, e de dia.
Sem profissão, sem carteira assinada. - Tal qual bombeiro, apaguei muito fogo... E, jamais, fogo neguei!
Um bico aqui, outro ali... Foi assim que eu vivi.
Nunca quis estudar... Jamais me interessei. Pra quê perder anos da vida debruçado em cima dos livros?
Quero ganhá-la vivendo! - Pensava...
Mas, um dia, conheci Biatrix. A Trix, a Bia, a Biá, a mulher da minha vida... E a vadiagem acabou!
Gente de bem! Moça estudada, enfermeira formada, e ainda cursando a Faculdade de Medicina, enquanto que eu... vivendo com a merda em cima!
Corri para os estudos, não queria envergonhá-la. De supletivo em supletivo, terminei o 2º grau. - Só o amor transforma!
Não conhecia meu pai. Poderia ter sido qualquer um, acho que foi... de qualquer idade, sei lá...
Mal gerado, mal nascido e mal vivido...
Um feto que nadou no álcool, ao invés do líquido amniótico! Que espirrou na cadeira de uma mesa de bar e quase foi ao chão! (foi assim que eu nasci). Quando a parteira me pegou pelos pés e deu-me uma palmada... Junto com o coé, saiu da minha boca uma baforada de maconha, e ao aspirá-la a “parteira” bambeou nas pernas e tropeçou. - A minha mãe, era um poço de virtudes!
Não queria que eu nascesse. Acertou com uma “enfermeira,” para fazer o aborto, e na noite que antecedeu o dia do meu planejado assassinato... Ela, minha mãe, sonhou: e, não sabia se tinha sido sonho ou realidade... Ouviu-me chorar dentro do seu ventre e dizer: “Deixe-me nascer.”
Não sei como nasci tão lindo... E, sem sequela alguma...
É que Deus, é o dono da vida e da morte.
Não entendo como esta beleza externa permaneceu. Foi a bondade de Deus! Ele tinha reservado para mim, um jumbo chamado Beatrix!
A Trix! Culta e perfumada, linda... Morenaça! Massa! Avião!...
Minha mulher! E mãe do meu filho João.



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Guerra Santa - por Gio

Às vezes, tenho medo de mim mesmo
Mais medo ainda de me expressar mal
Faço um comentário, assim, a esmo
E é visto como golpe visceral

Quando o jegue, aqui, falava em hipocrisia
Apenas relinchava sobre si
Talvez, tenha falado em demasia
Mas, calma, nunca era sobre ti!

(“Sobre ti” soou gozado
Mas creio não estar errado
Pois, se algum exaltado
Quiser corrigir de bom grado
Melhor não ficar calado!)

E, quanto à duelagem, companheira
Não esquente, pode ficar sossegada
Eu sei que as disputas são besteira
Brincadeira, pra coisa ficar animada

É que esse é meu jeito de Duelar
Sempre tentando apaziguar
Mantendo a ordem do lugar
Pois sempre começo a pensar
Que, se a violência do lugar
Crescer, por demais aumentar
Não mais suportarei o ar

A solução desse grande mistério
É mostrar que esse tolo liga
Se eu me empolgo, levo a sério
E perco, então, a minha amiga

Perdoa esse Ghandi paraguaio
Se ele não sabe representar
Pra próxima briga, eu ensaio
O embate vai melhorar!

(Mas, se a coisa pegar fogo
E deixar de ser puro jogo
Não ataco de demagogo
Deixo de lado o estilingue
E saio, logo, do ringue)

O combate começa injusto, como nenhum
Eu sozinho, e você com a Escrevinhadora
Emboscada, assalto, esse dois-contra-um
Convoco aqui uma comissão julgadora

(Se assim eles quiserem
As duas que, então, me esperem)

Talvez eu não seja um exímio Samurai
Mas, pra pateta, eu garanto não servir
Se está disposta a sair gritando “Ai!”
Prepara as armas do Duelo e pode vir!



Resposta a Pra Terra do Nunca, de Ana.
Referências: Da Terra do Vinho, de Gio;
Quem Avisa Amigo É (No Dia do Amigo), de Escrevinhadora.
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Visitem Gio
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Estrada - por Kbçapoeta

Andarei leve, qual pensamento.
Solto como perdão,
Veloz como injúria presa.
Palavra suplicando desabafar.
Verbo preso, nunca mais!
Quero ouvir das línguas
A fala pulsante, viva se metamorfosear.
Ser andante na procura, no esmo reinante,
No pavonear dos estradeiros.
Do artesanato único e exclusivo,
Serei o observador
Perene, errante, anônimo.




Visitem Kbçapoeta
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Aristóteles, Decisão, Desejo e Ação - por Penélope Charmosa

A decisão é, na verdade, o que de mais próprio concerne à excelência e é melhor do que as próprias ações no que respeita à avaliação do caráter humano. A decisão parece, pois, ser voluntária. Decidir e agir voluntariamente não é, contudo, a mesma coisa, pois a ação voluntária é um fenômeno mais abrangente. É por essa razão que ainda que tanto as crianças como os outros seres vivos possam participar na ação voluntária, não podem, contudo, participar na decisão. Também dizemos que as ações voluntárias dão-se subitamente, mas não assim de acordo com uma decisão.
Os que dizem que a decisão é um desejo, ou uma afecção, ou anseio, ou uma certa opinião, não parecem dizê-lo corretamente, porque os animais irracionais não tomam parte nela. Por outro lado, quem não tem autodomínio age cedendo ao desejo e, desse modo, não age de acordo com uma decisão. Finalmente, quem tem autodomínio age, ao tomar uma decisão, mas não age, ao sentir um desejo.
Um desejo pode opor-se a uma decisão, mas já não poderá opor-se a um outro desejo. O desejo tem em vista o que é agradável e o que é desagradável. A decisão, contudo, não é feita em vista do desagradável nem do agradável.



In “Ética a Nicômaco”.
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Desafio - por Soraya Rocha

Eu percebi que contigo aqui ninguém quer duelar,
Então aqui está uma paulista pronta pra te enfrentar.
Por isso te chamo, carioca, pra contenda iniciar.
Gosto do bate-rebate das palavras a brincar
Mas aviso: sou curta e grossa. Nada de se melindrar.
Basta definir o tema que eu começo a revidar.
Afinal, não é Duelos o blog em que estamos a postar?
Pode vir com tudo, Samurai, há uma Espadachim a te esperar.



Resposta a “Pra Terra do Nunca...”, de Ana.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Djavan em “Fato Consumado” - por Alba Vieira

Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala o coração...

Se toda hora é hora de dar decisão, eu falo agora
No fundo eu julgo o mundo um fato consumado e vou-me embora
Não quero mais de mais a mais me aprofundar nessa história
Arreio os meus anseios, perco o veio e vivo de memória...

Eu quero é viver em paz, por favor, me beija a boca
Que louca, que louca!...
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As Nossas Palavras XVIII - por Alba Vieira

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A língua não resiste ao vício da fala porque é mole. Já os dentes que são duros, nunca cedem.



Visitem Alba Vieira
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Posicionamento - por A Flor do Sul

Não defendo ninguém
Das coisas que não sei como foram
Nem das que não sei como
Foram também.



Resposta a Da Terra do Vinho, de Gio.
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A História do Burrico - por Adir Vieira

O sol estava a pino e pequenas e constantes gotas de suor cobriam meu rosto enquanto eu tentava desamarrar daquela árvore, ali no imenso pátio da chácara, o burrico manso que ficou ali esquecido pelo caseiro desde as onze horas da manhã.
Enquanto minhas tentativas não logravam êxito, eu lhe dava água e conversava com o bicho que, àquela altura, já a recusava, demonstrando que seu único desejo era correr pelos campos, haja vista tanto tempo ali ficou aprisionado.
O nó da corda era firme e exigia mãos fortes de um homem do campo para desatá-la e eu, com minhas mãos femininas e frágeis, percebi, ao longo de mais de vinte minutos, que jamais conseguiria.
Já eram mais de quatro horas da tarde e empregados das cercanias já tinham deixado seu posto. Àquela hora, moradores do local não costumavam estar presentes nas áreas externas, pois era comum se reunirem na grande sala de jantar para o lanche da tarde.
Caso eu chamasse alguém, não seria ouvida, pois minha voz se perderia naquela imensidão.
Como estava a caminhar pelas redondezas, não tinha comigo os apetrechos necessários, como tesoura e faca, para dar a liberdade ao burrico.
Agora, talvez sentindo que eu não o salvaria, desalentado, o coitado se estirava na grama seca e quente com choramingos característicos da dor que sentia por estar ali há tanto tempo.
Olhei ao redor e nada, sentei-me na grama e minhas roupas me protegeram, impedindo que eu sentisse a dor que o bichinho sentira. Pensei mil formas de libertá-lo, todas sem sucesso.
A cada tentativa, mais e mais o bicho se debatia, como a me pedir que não buscasse mais a salvação. Observei que naquele vai e volta perdi umas duas horas, quando me vi uma vermelhidão só, com o rosto em brasa. Tentando salvar o burrico, também trouxe para mim as mesmas dores e o sol não distinguia personagens naquela história.
De pronto esqueci o burrico, lembrando apenas de mim mesma e da minha tremenda ignorância.
Ato contínuo, danei a correr pelos pastos em direção a casa e em apenas quinze minutos me salvei e salvei o burrico, chamando o caseiro para soltá-lo.
Na maioria das vezes, na vida, buscamos formas complicadas de solução para os problemas, quando julgamos sermos capazes de solucioná-los sem ajuda.
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Visitem Adir Vieira
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Engano - por Alba Vieira

Até quando esta cidade terá que conviver com atos criminosos por parte da polícia aos indivíduos, indiscriminadamente?
Na última semana, um menino de 11 anos que soltava pipa num terreno baldio foi alvejado por policiais (por engano) e morreu; e um aposentado teve seu carro atingido e foi baleado no braço ao ser abordado por policiais que, ainda por cima, apesar do erro, assustaram a esposa que estava no banco do carona com palavras violentas e inoportunas, prevalecendo-se da autoridade conferida pela farda, numa demonstração inequívoca de abuso de poder, típica de covardes e inábeis.
Foram mais duas vítimas da incompetência da nossa polícia, uma delas fatal. E o que assusta ainda mais é vermos, nos noticiários, o responsável pelo batalhão onde serviam os policiais tentando, descaradamente, mentir, omitir e desculpar a atitude intempestiva que demonstrava total despreparo por parte de seus comandados, talvez com o intuito de se eximir da responsabilidade.
Concordo plenamente com a cientista social que opinou na reportagem dizendo que o corpo da polícia precisava ser instruído a preservar a vida, fosse de quem fosse. Acho que essa é a questão principal: não se pode lidar com a violência em níveis crescentes com mais violência. A polícia não é paga pelos cidadãos para matar. Polícia deve manter a ordem, respeitar os cidadãos e respeitar e preservar a vida, a todo custo. Um ser humano não pode ser olhado como um alvo a ser atingido, com a desculpa esfarrapada - depois de ter sido praticado o ato bárbaro - de legítima defesa. Toda a população desta cidade está assistindo a esta inversão absurda: quando a polícia aparece temos mais medo do que quando temos que enfrentar sozinhos os bandidos.
Que absurdo é esse de atirar primeiro, geralmente para matar, e perguntar depois? Que abordagem equivocada é esta? Os policiais estão em condições psicológicas de irem para as ruas ou devem ser recolhidos em unidades de correção de conduta e reciclagem de aprendizado? Como a população pode esperar proteção de profissionais desvairados que saem atirando para todos os lados como se suas armas tivessem munição de festim?
Nas ruas circulam pessoas comuns, crianças, grávidas, idosos, bebês, deficientes, pessoas que não podem sempre correr e se esconder quando há tiroteios.
E como dirigir, hoje, com o estresse adicional de precisar se proteger da polícia que pode estar dando algum sinal sutilíssimo para você parar o carro? O que é isso?
Enganos subintrantes me parecem incompetência sacramentada ou insanidade por parte do poder público.



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Ah, o Vislumbre da Aurora... - por Ana

Adir, vamos sentar aqui nas cadeirinhas do litercafé para falarmos sobre este tema tão interessante?

De vez em quando eu penso nisso. As coisas todas estão muito mais rápidas. Às vezes percebemos que isto é positivo, mas por vezes acontece de constatarmos que a velocidade pode ser algo negativo, como no caso que você cita.
O vínculo é algo tão importante! O gostar de algo de forma especial, a ligação com o que é nosso, como o disse muito bem a Fatinha em relação às caixinhas de som. Mas, atualmente, o vínculo é com o novo, ou seja, com algo abstrato, distante, não-meu (que pode vir a sê-lo ou não). E aí, inevitavelmente, me pergunto: qual será a consequência disto no comportamento da espécie daqui pra diante? Gerará mais insegurança do que já vimos na nossa adolescência ou uma liberdade maior no que se refere ao sentimento de perda?
Viveremos e veremos...

Eu pago a quiche de palmito, a torta de limão e o chocolate quente, tá bom?
Beijos e até a próxima conversa.



Resposta a “Ai, que Saudade de Outrora!”, de Adir Vieira.
Referência: “O Último Adeus”, de Fatinha.
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