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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 5 de julho de 2009

Minha Filha Não Remexe a Bundinha - por Bruno D’Almeida

Dona Feliciana não queria a filha de seis anos vestida como se fosse uma dançarina de pagode ou fantasiada de rainha do funk. Foi tratando de desligar o som e de trocar a roupa da menina, tirando o shortinho malhação e o top de lycra. Limpando a base avermelhada, a sombra nos olhos e o batom borrado da boca daquela alminha em fase de crescimento, ela disse espere um pouco minha filha, preciso falar com sua tia, dirigindo-se à cozinha e esfregando freneticamente os molares dentro da boca.

Duelo verbal. Feliciana, ou Feliz, como era chamada por tia Leocrécia, começou a bradar. Não quero minha filha parecendo uma coisinha vulgar, onde seus coleguinhas da alfabetização queiram agarrá-la como se ela fosse o corrimão da escola. Não quero a coisa mais importante da minha vida esfregando as mãos no corpo e se requebrando até ficar de cócoras, ouvindo o cantor machista da música chamá-la de ordinária, cachorra e que vá remexendo a bundinha, disse a mãe. Sou contra a erotização infantil. Quem perde a infância antes da hora passa a idade adulta lamentando que seu melhor momento da vida não aconteceu.

Tia Leocrécia não deixou por menos. Acorde, Feliz, a vida não é a vida da Chapeuzinho Vermelho, dizia a tia. Não pode colocar sua filha numa redoma de vidro e esconder as verdades verdadeiras do mundo. Dorinha precisa ver a vida como ela é, se preparar pra encarar a vida de frente, afinal o elo de ligação que liga ela com a gente um dia vai sair para fora, falava a tia assassina da linguagem objetiva. Você é enfermeira, é uma pessoa estudada, mas não é dona da verdade, disse Leocrécia, que só tinha estudado o Ensino Fundamental. A tia parou de falar para prestar atenção no programa da televisão, onde a câmera focava, em pleno horário de almoço, um homem com a cabeça estourada por um fuzil na favela do Brongo.

Mudando o canal para um programa onde bonecos coloridos e feitos com massas de modelar cantavam uma ciranda, por ter percebido a presença da filha, dona Feliciana olhava pro seu troféu e dizia que não era contra qualquer estilo musical ou manifestação de pensamento, que inclusive costumava brincar seu carnaval dançando exatamente as mesmas músicas que proibia sua filha de ouvir. Mas era tempo de sua filha curtir a infância sendo criança de verdade e não apenas uma miniatura de adulto, correndo o risco de Dorinha ser abusada por um pedófilo troglodita neste país de crimes nem sempre solucionados. Vamos embora, minha filha.

Mas não acabou por aí. Feliz precisava convencer a própria prole. A menina disse que queria ser como as colegas da escola, e a mãe devolveu que não queria saber dos filhos dos outros e sim da sua filha. De cara embirrada, foi praticamente obrigada a usar seu vestido bordado rosa e entrelaçar os cabelos. Sentada no sofá e de braços cruzados, foi aos poucos prestando atenção na gritaria e nas risadas vindas do lado de fora da janela. Suas amigas de rua brincavam de amarelinha. Nem precisou sua mãe terminar de balançar a cabeça permitindo, e lá se foi Dorinha correndo encontrar Duda, Fatinha e Maria Luíza. A euforia foi tanta, mas tanta, que a menina esqueceu o cd de DJ Marlboro que sua tia lhe deu de presente.



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As Nossas Palavras XV - por Lélia

É difícil falar sobre qualquer defeito quando se trata de nós, especialmente sobre aqueles que desenvolvemos durante a juventude. Mesmo quando os curamos mais tarde, na fase adulta, lembrar deles, entrar em contato com os erros decorrentes deles é muito difícil, vergonhoso mesmo. Quero que chegue logo a velhice, pois creio que seja o modo mais rápido da gente esquecer todas as bobagens que fizemos na vida.
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O Relógio - por Adir Vieira

Logo de cara, ao vê-lo, apaixonei-me.
Não sou daquelas que se rende a obras de arte caríssimas, famosas, só para mostrar que sou antenada em cultura artística ou coisas que tais.
Se um objeto me chama a atenção, podem crer que foi pela emoção. Pela sinuosidade das linhas, pela beleza e, sobretudo, pelo encantamento que gera em mim.
Desde criança, sei que sou fanática por relógios. Capto-os no pulso de quem quer que seja, nas estantes e nas mesinhas de cabeceira quando entro numa casa, nas paredes das cozinhas, nas torres das igrejas ou mesmo nas paredes das lojas comerciais.
Todos me prendem ao menor “tic-tac”. Já há muito, deixei de procurar uma razão para tal apego.
Eis que hoje fui surpreendida por um despertador nunca antes visto, nem mesmo em lojas onde esse é o produto principal. E foi de súbito que ele me chamou a atenção.
Não era um despertador comum, mas descomunal em sua beleza.
Sabem aqueles despertadores de mesa pequenos que no seu topo exibem duas campainhas? Aqueles que embaixo possuem duas perninhas viradas para o lado? Pois é. Imaginem um despertador desses com 45cm de altura! Exuberante!
Só ele preenche todo o espaço de uma mesinha de cabeceira.
Apesar do tamanho, conseguia ser sutil. E sabem, onde achei a “obra de arte”? Numa papelaria de um shopping.
Agora, de volta a casa, estou aqui com ele povoando meus pensamentos e interferindo na minha vontade, na minha compulsão de correr lá e comprá-lo.



Visitem Adir Vieira
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Caindo em Si - por Alba Vieira

Sol a pino, meio-dia
Os miolos cozinhando, tonteio
Caio no meio-fio, sozinha
Roda tudo, enjoo e desnorteio.

No chão me sinto melhor,
Era tudo o que eu queria:
Parar por um só instante,
Ficar quieta, em minha companhia.

Mas logo vem o alvoroço,
Chegam curiosos de todo lugar,
Melhor eu estaria num calabouço
Que cercada pela multidão a tagarelar.

Minha cabeça outra vez volta a doer,
Só queria um momento de descanso.
Mas, caindo sob o peso do mundo a me corroer
Constato que ceder não deixa de causar espanto.



Visitem Alba Vieira
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Escrevinhadoce - por Ana

À cara Escrevinhadora,
Que um dia ficou querendo
Um quindim aqui no blog.
Explico a você que está lendo:

Recebi prêmio do Gio,
Inominável quindim
Divino, maravilhoso,
Adorável... só pra mim...

Então é compreensível:
Se só uma pessoa ganha
Comida tão guloseima,
Resto do povo se assanha...

Eu, portanto, decidi
Vir aqui nestes versinhos
Irmanar este presente
No meu pequeno forninho.

Havemos de concordar:
A minha forma é maior,
O cuidado, talvez, igual,
Mas o dom é bem menor.

Eu não nasci pra cozinha...
Uma coisa que me falta...
Queria ser grande chef
Uma vez aqui, na ribalta.

Impossível, porém, isso...
Não tenho talento mesmo...
Digo sabendo que sou
Infante tentando a esmo...

Não sei fazer bom-bocado...
Zombe bastante de mim...
Impassível, aceito as vaias,
Mas te fiz um quindinzim...



Resposta a “Doce para Todos”, de Escrevinhadora........................................................
Referências: “Nem Tudo é o que Parece”, de Gio;.......................................................
“O que Aparece Nem é Tudo”, de Ana;.......................................................
“Duo-acróstico para Ana”, de Gio........................................................
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Eu Não Vi Tropa de Elite - por Fatinha

Querido Brógui:

Então, só pra constar:
Não, eu não vi Tropa de Elite assim como não li Elite da Tropa. Não vi a cópia pirata de cinco, nem a de dez reais. Não vi no cinema também.
Não, eu não participo de nenhum grupo de debate acerca da existência ou não de ética no comportamento do Capitão Nascimento e me recuso a aplaudir a barbárie como única forma de controle da própria barbárie.
Não, eu não vou ao cinema para ver a realidade do Rio, porque tô de realidade até aqui. Quero ver o Mágico de Oz.
Pronto. Agora dá pra parar de comentar esse filme como se fosse a oitava maravilha do mundo moderno, imprescindível para a existência sadia de uma pessoa? Não sei se é bom, ruim, não quero saber, não vi e não vou ver em sinal de protesto, só porque todo mundo viu e quem não viu vai ver. Vou erguer em volta de mim uma barreira de resistência. Excluo-me acintosamente de qualquer conversa que mencione esse filme e ponto final.
A bem da verdade minha rebeldia não conseguiu erguer uma barreira suficientemente alta. Ontem no RoncaRonca ouvi a música-tema do maldito filme, dancei a música-tema do maldito filme e estou cantando a música-tema do maldito filme: “Tropa de Elite, pega um pega geral!”. Só lembro desse pedaço. Escapei do maldito filme, mas não escapei da maldita musiquinha. Só espero que essa mensagem subliminar não me conduza em estado hipnótico até o cinema.



Visitem Fatinha
José Padilha

Millôr Fernandes: Haikai - Citado por Gio

Com pó e mistério
A mulher ao espelho
Retoca o adultério




Visitem Gio
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Memórias de um Seminarista (Parte XII) - por Paulo Chinelate

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LONGE DOS OLHOS ou NEM SÓ DE PÃO…


Estou chorando desde que aqui cheguei mas não são lágrimas de saudades nem tampouco de crocrodilo. Estou acometido de grave alergia nos olhos devido o cheiro e fumaça exalados pela Fábrica de Cigarros Souza Cruz, vizinha do colégio onde me encontro hospedado. Quando nos afastamos para um passeio longe da Tijuca e especificamente da Rua Conde do Bonfim, volto à normalidade.
A piscina, campo de futebol e outras atividades, enquanto na referida hospedagem, não estão sendo absolutamente aproveitados, sequer consigo abrir os olhos.
Alvíssaras, hoje vamos subir o Pico da Tijuca e amanhã jogaremos em pleno Maracanã. Em vista de o gerente atual do maior estádio do mundo ser ex-aluno Marista tivemos o privilégio de jogar uma pelada. O único problema é que estão jogando remédio no gramado. Por esta razão só utilizamos a metade do campo. Eu estou me habilitando em ser goleiro, dos bons.
Visitas às praias principais, ao zoológico e museu da Quinta da Boa Vista, às Igrejas da Candelária e da Glória no Aterro, escalar o Corcovado, andar no Bonde de Santa Tereza, estas e tantas outras atividades estão preenchendo os poucos dias de nossas férias.
Realmente não sinto mais a saudade familiar, aliás, já não sentia antes porquanto as atividades do internato não nos permitem parar para pensar.
Voltamos hoje para Mendes, nossa casa, nosso lugarzinho querido, o juvenato.
Neste retorno não tive boas notícias. Embora tenha tido muitas dificuldades no ano letivo por conta de não conseguir acompanhar os colegas oriundos de diversos colégios particulares, principalmente Maristas,conseguira passar do curso de admissão ao primeiro ano ginásio com a nota mínima “seis”. O que fiquei sabendo somente agora é que o Irmão Zeno, nosso reitor, escrevera ao papai dias antes de nossas lautas férias. A resposta só agora recebida me trouxe o conhecimento do teor. Pedira ele ao papai autorização para que eu repetisse o período escolar por conta de tomar maior base para enfrentar o duro ginásio do internato. Autorização dada.
Uma peculiaridade no ensino a que eu me exponho neste colégio é de nós não sermos somente aprendizes comuns mas, e principalmente, de formarmos futuros mestres. Daí a exigência do meu superior.
As alegrias das férias foram-se como por encanto. Tinha me enturmado com colegas tão especiais neste primeiro ano e agora além de separados do convívio mais íntimo da turma ainda teria que dividir as atenções com colegas novatos e menores. Enfim, tangido pela obediência, virtude muito apreciada no ambiente em que me encontro, aceito a determinação. E a vida continua…
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Primeiro dia sem posts

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Caríssimos amigos:
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Ontem não foi possível publicar no Duelos por problemas técnicos do meu provedor.
Hoje retomo as atividades, esperando não ter mais problemas.
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Um grande abraço a todos!
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Duelando Manchetes VI: Incesto - por Ana

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VÃOS


Em vão tento resgatar momentos bons de minha juventude. Encontro, tecidas em minha pele, vergonha, culpa e asco. Minha adolescência está soterrada: ruínas de tragédia, desmandos e luxúria esmagam meu corpo deformado pela violência. Escombros inúteis e irrecicláveis bloqueiam a luz, impedem o ar, protegem a morte. Desequilíbrio, tortura e insanidade são o amálgama decadente de uma família imatura e pervertida. Resulta disto meu cadáver jovem, agonizante, capitulado, desistente, decomposto e violado. Sem memória, sem momentos, apenas a dor lenta e interminável que aguarda o último suspiro. Em vão.
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Duelando Manchetes VII: Células-tronco - por Roberto Soares

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SOBRE O USO DE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS


O uso ou não de células-tronco embrionárias é uma questão difícil para se pensar, principalmente entre cristãos (ou não) que creem que a vida começa a partir do momento em que o espermatozóide encontra o óvulo formando o embrião.
Para quem acredita nessa teoria, usar os embriões dessa forma seria uma espécie de “aborto” ou “assassinato”.
Eu, embora creia que a vida possa começar no embrião, penso que a proposta acaba por ser “boa”, já que dá um destino mais nobre aos embriões descartados do que eles teriam se não fossem utilizados.
Os embriões de laboratórios de fertilização não ficam guardados para sempre, se não utilizados serão destruídos; por isso penso que melhor é que se use para pesquisas do que simplesmente se destrua.
Digo isso baseado no sistema que já existe, afinal a lei brasileira permite que existam essas formas de fertilização e são elas acabam condenando, mais cedo ou mais tarde, embriões à destruição.
É como se escolher entre doar ou não os órgãos de um ente querido que teve morte cerebral, a gente escolhe se vai deixar seus órgãos terem um fim mais útil, ou se preferimos que ele seja enterrado com todos os órgãos.
Não adianta lutar contra essas pesquisas, se fôssemos lutar contra algo, seria contra os laboratórios que criam os tais embriões in vitro porque a culpa pela suposta “morte” dos embriões seria deles e não dos que querem pesquisar células tronco.
Seria mais interessante, conforme citado por Geremias do Couto em seu artigo Células-tronco:porta aberta para o aborto, estimular a adoção de embriões não usados para evitar a sua destruição ou uso em pesquisas, mas, até que isso se torne uma realidade, acho que continua sendo melhor que sejam usados em pesquisas do que simplesmente sejam destruídos após certo tempo.

A Bíblia não diz quando a vida se origina?
Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos. Lucas 20:38
O pastor Ciro Sanches Zibordi afirma que a Bíblia diz quando a vida se inicia, mas eu discordo de que os versos citados tenham alguma afirmação real sobre isso, o que se diz é que Deus conhece o homem antes mesmo que haja qualquer vestígio dele, para Deus tanto faz se você nasceu, morreu ou ainda nascerá, “para Ele todos vivem”.

Conclusão
Eu penso que a proposta do uso das células-tronco embrionárias seja menos má do que a perda delas, embora preferisse que esses embriões não precisassem ser perdidos ou pesquisados.

E você, o que pensa acerca deste assunto?
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Heitor Villa-Lobos: “Bachianas Brasileiras No 5” (Ária) - por Clarice A.

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d’alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
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Hoje, Quer Saber? Senti Muita Pena dos Ambulantes! - por Adir Vieira

Vinha eu pela rua, meio assustada, em pleno meio-dia!
Tinha acabado de sair do banco e mesmo acompanhada do marido sinto aquele temor costumeiro que, creio, nem cinquenta anos de análise vão jogar por terra.
Como vivo sempre à cata de espécimes comestíveis, deparei-me com belos sonhos doces na vitrine de uma padaria e, para acalmar minha ansiedade, paramos para comprar.
Mais à frente, uma extensa barraca, tipo barraca de feira mesmo, fazia ponto na calçada e impedia o trânsito das pessoas, a não ser pela movimentada avenida. Várias pessoas aglomeravam-se ao redor do vendedor, pois as maçãs, frutas-do-conde, peras e até mesmo uma única couve-flor por ali perdida, chamavam a atenção pela sua excelente qualidade e baixo preço. Lógico que também ali paramos e fizemos a nossa compra habitual.
Um pouco mais adiante, cocadas pretas e brancas, parecendo que vieram de Itu, convidavam à compra e o sorriso do menino que portava o tabuleiro merecia que, ao menos uma, levássemos para casa.
O interessante é que normalmente não se vê, naquele local, tantos ambulantes.
Mas hoje, especialmente hoje, vários pareciam fazer ponto no mesmo espaço.
De repente, um grito se ouve e todos, numa dança conjunta, começam a desarmar suas tendas e a jogar seus produtos em caixas de papelão, sem se importarem com os danos que eles próprios possam causar às mercadorias. O tempo urge e todos, ao mesmo tempo, precisam fazer tudo sumir em segundos, para que os “fiscais” não levem embora aquilo que representa a sua sobrevivência e a de sua família.
Paramos assustados com tanta correria e confesso que demorei um pouco para entender o que se passava.
Nessa parada pude observar que, embora ativos, não pareciam nervosos nem temerosos com a situação. Tudo ocorre todos os dias, fazendo-os treinados para exercerem seus papéis de feiticeiros no momento em que o rapa aparece.
Explicou-me a moça que vende cocos, que alguém lá atrás emite um sinal qualquer, conhecido de todos os outros ambulantes, como se fosse um assobio ou um grito de pega!
Nesse momento, já sabem o que fazer. O material exposto vai para dentro de caixas vazias, estrategicamente colocadas atrás dos balcões e à espera do momento crucial.
Casas comerciais ou mesmo residenciais abrem suas portas para a guarda dos carrinhos de supermercados, nesse momento, apinhados de mercadorias que, devido à correria, são ali empilhados desordenadamente.
Fixo minha atenção numa ambulante que vende arranjos de flores em vasos de vidro. Até seu balcão, ornado com uma toalha de renda branca, demonstra a sutileza do seu coração. Parece inexperiente, talvez tenha se iniciado no ramo há bem pouco tempo. Na ânsia de fazer sumir seu patrimônio, esbarra em outro ambulante e um dos vasos espatifa-se no chão de paralelepípedos.
Esquecendo que não deve deixar rastros, para e lágrimas escorrem de seus olhos, fazendo-me crer que aquele vaso era o mais caro dos produtos que tentava vender.



Visitem Adir Vieira
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Macacos me Mordam - por Alba Vieira

Sei que o mundo anda cada vez mais louco,
Macacos me mordam se não for proposital...
O caos, a destruição são só mais um motivo
Para o reencontro com a alma e coisa e tal.

A aparente degradação do ser humano,
Macacos me mordam se não for ideia genial,
Para instaurar um novo tempo nesse universo,
Mudança de paradigma ou então vai tudo mal...

Macacos me mordam se não for verdade,
Que agora é o numinoso que vai reinar,
A supremacia do feminino, nova realidade,
Harmonia, cooperação, respeito, amor estão no ar.



Visitem Alba Vieira
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Férias

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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De Férias - por Escrevinhadora

Hoje, o primeiro dia das minhas férias. A natureza, meio que incomodada com meu ócio, parece que resolveu me sacanear: amanheceu um dia frio, chuvoso, cinzento.
Fazer o quê num dia como esses? Ficar na cama até mais tarde, é claro.
Mas o hábito de levantar pra ir trabalhar me fez acordar no mesmo horário de sempre. Tentei dormir outra vez, não consegui.
O jeito foi sair da cama e pensar numa forma de aproveitar o meu dia.
Pensei em ir ao cinema. Mas isso implicaria em sair de carro, enfrentar o trânsito. Num dia assim chuvoso?... não vale a pena.
Pensei em arrumar gavetas (odeio arrumar gavetas que, de qualquer maneira, não ficam arrumadas por mais de 48 horas) e logo desisti.
Ler um bom livro, então, seria a solução. Uma rápida olhada na estante me fez ver que já li quase tudo que lá está. O único que ainda não li é um chato, cuja leitura não consigo terminar. Não vou me atracar com um livro chato logo no primeiro dia das férias.
Acabei passando o dia metida num moletom surrado, arrastando inutilmente meus chinelos pela casa, ligeiramente deprê.



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Beleza, Impulso e Refúgio (Parte 1) - por Leandro M. de Oliveira

Desde sempre a humanidade é tiranizada pela busca da beleza, cada qual em sua leitura tem buscado entendê-la de maneira própria. A teoria dominante na Antiguidade Clássica provinha de Platão que propôs a beleza como um objeto com função dupla, ao mesmo tempo em que encerrava e convergia para si o afã do desejo era também um ponto de partida, pois a contemplação do belo era o que abria as portas para o transcendental. No medievo Tomás de Aquino, com uma leitura bem coerente à visão pudico-teológica da época, produz um conceito de beleza ligado à ideia de uma dádiva de Deus manifesta em atributo do ser, assim era a beleza uma de espécie elo teológico entre criador e criatura, fazendo o primeiro das últimas sua imagem e semelhança.

Decerto é a beleza bem mais que apenas uma tese continuadamente reformulada de acordo com o animus social de cada tempo, ela é, deveras, uma espécie de inconsciente coletivo que habita o arcabouço do desejo humano, muitas vezes sendo a peça que delimita o seu direcionamento. Então o que se pretende em verdade com esse breve comentário, não é listar dados históricos de um conceito dominante de beleza, mas sim lançar uma pergunta, sendo essa a pergunta fundamental. Que lugar deve ela, a beleza, ocupar em nossas vidas?

Grandes teóricos têm debatido a questão visando formular um conceito estético-funcional adequado ao nosso tempo, porém, embora haja muitas especulações, pouco se conclui a respeito. Particularmente quero crer na tese da beleza como um gatilho de acionamento do desejo, sendo ela uma espécie de combustível para a ação humana. Nesse sentido, seria lícito dizer que a vida converter-se-ia em algo que talvez não valesse tanto a pena viver, não fosse a beleza e o interesse (estímulo para a ação) que ela desperta. Não entenda o belo como algo meramente subjetivo, porém e mais acertadamente em forma de algum sentimento essencialmente abstrato, como o Platão ensinava na grande Atenas de outrora.

Esse mestre do mediterrâneo propunha um ponto de contemplação para a beleza, mas não encerrava na ação de culto visual àquela forma bela o único estágio da contemplação. Com efeito, era aquele ser idolatrado nada mais que um ponto de partida ou um gatilho de acionamento para a busca do aperfeiçoamento pessoal. Nesse foco poder-se-ia justificar o zelo do mestre para com seu pupilo e vice-versa na pederastia ateniense, por exemplo. Há também passagens na literatura universal das quais gosto muito que refletem o sentimento de zelo dado ao ser que se presta culto, como em “A Morte em Veneza” de Thomas Mann, onde o autor apresenta um determinismo obstinado sofrido por Gustav Aschenbach quando descobre a peste que prolifera em Veneza e quer a todo custo resguardar Tadzio, seu ser idolatrado, do contágio da mesma.

Todavia, trazendo o foco para formas mais cotidianas a nós, pode-se citar o caráter de busca da beleza como um exercício de elevação pessoal na situação muito comum onde, por exemplo, um homem se apaixona pela imagem de uma mulher e para chegar até ela tenta se melhorar como um todo, idealizando algo de mais elevado naquele ser e buscando evoluir em pontos difusos para se equiparar a ele. O homem então passa a praticar exercícios para melhorar seu físico, a ler poemas ou algo de literatura para fecundar ideias mais sensíveis em seu subconsciente etc. Com isso vem a segunda fase (insuspeitada) que é onde tudo fica mais abstrato: aquele homem antes sedentário toma gosto pela atividade física e torna-se com isso mais saudável, o antes extremamente racional e frio aprende a ser menos calculista e a ver a beleza dispersa pelo mundo, num pôr do sol, numa flor ou no rosto puro de uma criança, aprende o sentido de sensibilidade no conceito lato de ser-humano. Se o intento inicial de conquistar a mulher é ora conseguido ou não, no bojo da conjuntura isso tem papel de sorte incidental, a coisa em si é, com efeito, o grau de sublimação que aquele momento de frenesi causou.

Não há como negar, o impacto da beleza é sentido por todos, lembro de quando li meu primeiro livro por volta dos nove anos mais ou menos, era o “Livro de Sonetos” do Vinicius de Moraes, as palavras, a textura, o cheiro do papel, a densidade do ar naquela pequena biblioteca do colégio... É tudo tão presente em minha memória, como se tivesse sido ontem. Aquela experiência me impactou de uma forma que quando dei por mim era já um compulsivo por poesia, daquele momento até muitos anos depois. A descoberta de Vinicius, Pessoa, Bandeira, Quintana, Cecília e assim por diante, tenho certeza me protegeram de muitas coisas tão menos ou nada edificantes a que qualquer adolescente desses tempos está exposto. O milagre da força do belo se fez em mim. Não cabiam estereótipos, meias intenções ou qualquer outra tentativa de caricaturização intelectual. Naqueles anos eu não buscava a leitura como forma de justificar alguma superioridade ou de obtenção de poder por força dela, a beleza contida nas palavras era, a meu ver, autossuficiente. Como tenho sentido falta daqueles anos...



Esse comentário breve não encerra nossa discussão acerca da beleza,
em breve postarei novas considerações para se somarem a essas.
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São Tomás de Aquino, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles

Os Sertões e A Guerra do Fim do Mundo - por Kbçapoeta

A Guerra do Fim do Mundo - Mario Vargas Llosa
Os Sertões - Euclides da Cunha



“‘A Guerra do Fim do Mundo’, obra belíssima de Mario Vargas Llosa.
Esse livro nos faz retornar a guerra de Canudos porém no bando de Antonio Conselheiro onde, personagens de carne e osso, alguns reais, outros imaginados, transitam em meio à guerra de Canudos.
Leia ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha e depois delicie-se com essa obra.
Vale a pena!”
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E você? Que livro gostaria de comentar aqui?
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Duelando Manchetes II: Eutanásia - por Cacá

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EUTANÁSIA!


Para uns, Deus é a medida de todas as coisas. Outros, porém, estão sempre em busca de algo além de verdades prontas, pré-estabelecidas, os dogmas. Há ainda aqueles que vagueiam inseguros, por aqui e por ali à procura de algum significado para a existência humana.
Diante de determinados fatos de repercussão global, quem acaba colocando o assunto na roda dos debates são os meios de comunicação. Aqui vou falar da eutanásia. E vou tentar fazê-lo sem nenhuma opinião pré-concebida, sem nenhum fervor religioso, sem nenhum paradigma que possa direcionar a minha opinião.
Alguém, qualquer pessoa que seja, independente de sua condição sócio-econômica, cultural e religiosa, sexual ou cor da pele, encontra-se, pelos desígnios da vivência, absolutamente incapaz de se manifestar, de se locomover, falar, sorrir, chorar, se alimentar e fazer suas necessidades fisiológicas por conta própria. Passa a ser mantida viva como uma planta e com auxílio de aparelhos inventados pelo homem. E depois de muito tempo, feitos todos os esforços, todos os estudos, tentadas todas as terapêuticas, chega-se ao diagnóstico da impossibilidade de reabilitação ou cura. Não possui esta pessoa nem a capacidade de interferir naquilo que lhe é oferecido, ou seja, se aceita ou não esta condição. Até que ponto alguém pode decidir sobre seu destino? E decidir o quê? Se a mantém assim ou se abrevia a sua condição, praticando, neste caso, a tão controvertida eutanásia?
As leis no mundo em torno do caso não permitem praticar, em alguns lugares, a eutanásia “não consentida”, ao estabelecer a pena de morte? Inclusive de gente que não está em estado vegetativo? Pessoas que, segundo estas mesmas leis, têm direito à vida? Outro aspecto da lei com relação ao direito à vida: este direito, no caso em questão, tem que virar obrigação? Se se trata de um direito, a pessoa não pode abrir mão dele? E ela, não podendo, por falta de condições psicoemocionais, o seu responsável ou pessoa mais próxima pode abnegar do direito por ela?
Quanto à ciência, ela estaria dando uma contribuição à fé religiosa, comprovando pelos seus métodos e recursos técnicos que não há vida ativa naquele corpo? Se as pessoas religiosas creem em algo além da matéria, não estariam amparadas para permitirem a paz e o descanso dessa alma em sofrimento? Ou não, ela e quem mais a ama e lhe quer bem devem sofrer até que sua sina seja cumprida?
Não apoio, não recrimino, não julgo. Apenas me tirem os tubos, desliguem as tomadas, se for meu o caso um dia.
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Visitem Cacá
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O Balconista da Mercearia - por Adir Vieira

Somos nós que damos aos lugares o brilho natural ou são os lugares que, de acordo com sua performance, mudam nosso estado de espírito?
Eis uma questão que sempre me vem à mente quando passo na porta de uma mercearia próxima a minha casa.
O ponto, por si só, é de destaque, digno daqueles capazes de angariarem, só para si, a clientela geral. Localizado na esquina principal, abrange duas ruas populosas. Apesar de ter uma área pequena, todos sabem que lá vão encontrar as miudezas que na hora dos preparos de última hora são imprescindíveis. Ali tudo se mistura, do pão ao sabão em pó, mas parece que as pessoas não se importam muito com o fato. Já na entrada, rente ao único balcão, engradados de refrigerantes de dois litros quase que impedem a entrada dos clientes, visto que têm que se esgueirar para atingir o atendente.
Este, com o sorriso de Monalisa, nunca está à vista e, na maioria das vezes, está providenciando a troca de dinheiro na padaria em frente para consolidar a venda, enquanto o cliente atendido aguarda a sua volta e “toma conta” do negócio. Essa questão, tão repetitiva, demonstra a desorganização do comércio e mostra com firmeza o descomprometimento do balconista com o seu trabalho.
Via de regra, raramente um ou outro cliente, especialmente aqueles que tentam se fazer de amigos (privilegiam-se no “caderno de contas”), também usufruem do uso do banheiro que, pelo odor, deve justificar a ausência de clientes no local.
Todas as vezes que por ali passo, observo com detalhe a postura do balconista. Senhor de meia idade, bem apessoado, mas envolvendo em si uma tristeza tamanha daquelas que interferem na nossa energia. Fala baixo, olha o vazio, tem atos mecânicos no embrulhar o produto, abrir a gaveta de dinheiro para dar o troco etc.
As prateleiras sugerem uma arrumação imediata, embora nunca tenha visto baratas ou moscas, apesar da sujeira, mas ele, o balconista, parece sempre estar brincando de estátua junto à parede, quando presente no local.
Pergunto-me se ele é o dono ou mesmo o que mantém aquele comércio funcionando há tantos anos e pelo visto, sem prejuízos? Não encontro explicação, mas minha mente vaga e com a eterna mania de quem no trabalho selecionava a pessoa certa para cada atividade, imagino o “Lino sorriso” comandando aquela mercearia...



Visitem Adir Vieira
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