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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobrenatural - por Leo Santos

As nuvens cobriram a cidade de pranto,
esse encheu as ruas de espelhos;
A lua informou às estrelas,
que desfeita a cortina,
vieram se mirar…

A incerteza turbou sentimentos,
lágrimas marcaram a passarela;
A própria amada disse “ Estou fora”,
a concorrência abriu as janelas.

Aparentes semelhanças podem confundir,
diferentes moléstias, tratamento desigual;
A natureza segue lá seus ciclos,
mas o amor, é sobrenatural.

Esse não se inclina ao sopro do vento,
nem enche com o subir da maré;
Tampouco vira co’as fases da lua,
ou se a isso sucumbe, amor não é.



Visitem Leo Santos
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As Nossas Palavras VI - por Ana

Ai, lá vou eu de novo...
Esse troço me põe medo...
Ter que encaixar as palavras...
Qualquer dia me escafedo...

Hoje eu tenho estas:
Impossíveis pacífica ser
Conseguidas teimosia
Podem coisas
. O que vai ser?

Quadrinhas quase impossíveis
Saem do cérebro à força,
Não fluem de jeito nenhum,
Por mais que a mente contorça.

Eu me sinto estrangulada...
Presa entre sete paredes...
E a teimosia me mantém
Entre as malhas destas redes...

Que convivência pacífica!
Com As Nossas Palavras? É nunca!
Espremo os meus neurônios
E tudo, por pouco, não trunca!

Vocês podem achar fácil...
Tem gente que faz coisas lindas!
Kbça, Clarice, Ribeiro, Gio...
Mas não cheguei lá ainda!

Isso de criar é estranho,
Às vezes é meio complicado...
Assim é andar sobre trilhos,
Caminho meio traçado...

Vou perseguindo as palavras,
Teclando sentido até elas,
Maquinista meio-ofício
Em locomotiva a manivela.

Eu vou ser é despejada
Do Duelos, vejam bem!
Qualquer dia eu vou ler:
“Joguem a Ana deste trem!”

Mas, please, eu peço clemência
E digo, desenxabida,
Que estas quadrinhas me foram
Duramente conseguidas...

Mas eu não devia abusar...
Depois vou danar a ganir
Quando ler nos comentários:
“É melhor cê desistir!”

E vou ter que dar razão
A estes autênticos dedos.
Deixarei a vós as palavras,
Partirei pro meu degredo

Até meio aliviada,
Seguirei pra outras paragens...
Continuarei escrevendo
De outras formas, tantas bobagens...
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Corporificando as Transformações - por Alba Vieira

Enquanto me ocupava das tarefas diárias, deixando a mente aberta para quaisquer pensamentos, me ocorreu uma ideia bem interessante. Gostaria de escrever uma carta para mim mesma, como se fosse, agora, inevitável, um confronto definitivo com minha verdade. Não a verdade absoluta, a essência, o que gera todas as coisas. Mas, pelo menos, a verdade atual, como uma tomada de consciência, uma avaliação, como aquelas que se fazem no meio dos cursos para averiguar o aproveitamento.
Imagens então surgiram dentro da minha cabeça e foram acompanhadas do sentimento, quase com uma participação corporal, com os movimentos se insinuando em mim.
Imaginava minha situação atual como um predador espreitando a caça, rondando a presa, hipnotizando-a com o olhar, cercando-a com movimentos sincronizados, envolvendo-a aos poucos numa dança compassada, formando a teia à espera do bote certeiro ou compondo com fios invisíveis a armadilha que pegará, indefesa, a presa. Sou hoje, o caçador, predador e sou também a caça.
Também como imagem metafórica, vejo a dança da sedução. O encontro instintivo de animais, com o impulso da união; a aproximação, os ruídos, a exalação de odores agradáveis, o cerco, a atração dos olhares e, finalmente, a entrega, a submissão, a posse.
Tomo posse de mim nesse momento sabendo que tenho as rédeas da minha vida nas mãos, dando o destino que quiser às coisas, aos fatos, às pessoas.
Avalio agora cada acontecimento como uma possibilidade de escolha, uma opção, não deixando de ter a consciência do todo, de mim e dos que me cercam, me submetendo ao destino, mas ao mesmo tempo, podendo escolher como vivenciar cada coisa que me for destinada. A submissão e o poder juntos, inseparáveis.
Vivo o contato com a morte próxima, não a minha, que possivelmente ainda tardará. Entretanto, sempre remete a ela. Não a morte como o fim, a interrupção, mas como expansão, continuidade. Fico bem perto de minha mãe, talvez para absorver todos os conhecimentos que ela adquire a cada dia, agora que está no umbral, no portal para o outro lado. Não descuido de atentar para a restrição que vem junto, para as suas limitações cada vez maiores, que impõem maior vigilância, aceitação e trabalhos. Observo de perto o declinar do corpo, a deterioração das funções, o desgaste dos tecidos. Sofro pelo demasiado apego e apreço pelo corpo físico, mas consigo vislumbrar a libertação crescente da alma que vai ganhando mais leveza até, finalmente, conseguir alçar o voo.
Todo esse processo é carregado de detalhes, de aprendizados, de possibilidades de experimentar outras realidades.
Vivo uma saudade que é a presença sem corporificação, como uma possessão, em que somos tomados pelo que não podemos ver ou tocar, mas sentimos a presença, quando estamos abertos para poder canalizar, ao invés de concordar em sermos simplesmente afastados para que outro se manifeste em nós. A saudade é, contudo, uma canalização consciente. É algo que nos toma, que sentimos, mas que, se mais conscientes, conseguimos perceber como representação de outro alguém. Vivo a saudade de um amor que ainda sinto. Não do amor em toda a sua expressão como era antes, mas o amor pela pessoa, pela alma da pessoa, a vontade de compartilhar minha vida com ela, a vontade de ver, de conversar, de abraçar, dizer que sinto um enorme carinho por ela, que me preocupo, que a admiro, que sinto falta de sua companhia. Penso que ela deveria saber disso e imagino como. Sei que apesar de não nos falarmos há mais de um ano, nossas almas se encontram e conversam. Sei que ainda mantemos um vínculo que só o amor permite. Entretanto, avalio a cada momento, se isso deveria acontecer de fato. Opto por esperar que ela tenha condições de se aproximar, que busque o contato comigo outra vez. Mas não deixo de temer que por rigidez, medo, orgulho, sei lá o quê, ela nos prive dessa possibilidade tão frutífera e maravilhosa.
Vivo, nesse momento, um amor concretizado, o grande amor dessa minha existência (e de tantas, quem sabe, de todas), uma espera que se acabou. Eu me emociono só de pensar nele, de viver esse amor todos os dias, de perceber tudo que nos liga. A cada passo, eu avalio se vivo essa relação com o respeito, o cuidado, a dedicação, a consciência que merece. Às vezes, me sinto negligenciando, me acomodando ao curso dos acontecimentos, deixando, de novo, tudo nas mãos do destino. Mas, vejo que não, que estou ali todo o tempo, que se não posso me dedicar como gostaria, eu percebo isso e quero mudar a situação. Se não posso naquele momento, eu compreendo a limitação que temos para viver as coisas mais importantes de nossa vida, por incapacidade de nos dedicarmos mais a nós mesmos que aos outros. Compreendo e, ao mesmo tempo, tento me estruturar para tornar aquilo que desejo, que sinto como essencial, possível. E então percebo que caminhei, que não estou parada, tenho aprendido, evoluí.
Eu me relaciono com muitas pessoas, eu me dedico à família, eu busco a oportunidade de me direcionar, junto com o meu amor, para o trabalho mais importante de nossas vidas, mas sinto que o estágio atual é como uma preparação necessária para entrarmos num novo tempo, quando nossas energias se manifestarão de forma diversa da que têm hoje. É um tempo necessário e, se não nos fixarmos na frustração que acarreta essa aparente lentidão do momento, poderemos aproveitar melhor cada relação, cada fato da vida daqueles que nos cercam e teimam em fazer interseção com as nossas vidas por nossa permissão. É que, no fundo, percebemos como essas experiências de hoje na família, no trabalho, nas amizades, nos relacionamentos serão importantes amanhã, quando, com certeza, já teremos dado um salto quântico e estaremos prontos.
Dessa forma, meu momento atual é dúbio: é a luta pela sobrevivência num nível mais elevado, a sobrevivência do destino da alma, que expressei pela dança do sexo como símbolo de vida e a relação entre o predador e a caça trazendo o simbolismo da morte.
Ao final de tudo, vida e morte se confundem como sempre, se o olhar é mais amplo, se a consciência se alarga, se nos abrimos para o novo, se nos entregamos à vida para que ela nos possua e para que tenhamos o poder de ter a posse de nós mesmos. Isso é confiar na vida, na perfeição que existe em todas as coisas.



Visitem Alba Vieira
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A Fila - por Duanny

Já reparou como em todos os lugares tem uma fila? Fila para comprar pão, fila para pagar o pão, fila para pagar as contas, fila no hospital, fila para ver um show, fila para comer, fila até para morrer... enfim, o mundo atual é dominado por filas! Sim, ele é. E se não fosse, também, imagina só a zona!
Mas as filas não servem apenas para organizar. Você pode conhecer muito de uma pessoa em uma fila. Por exemplo, na fila de um mercado você praticamente conhece a vida e os hábitos das pessoas que estão na fila. Se no carrinho tem papinha, fraldas, verduras, margarina, bolachas e suco light, é sinal de uma família bem grande, provavelmente com a mãe preocupada com a saúde dos filhos e opta por verduras para um bebê que precisa da papinha e das fraldas, margarina para o irmão caçula que só come pão com margarina, e a filha mais velha, que se acha a maior gorda do mundo, precisa tomar suco light.
Também tem aquelas filas que denunciam, a fila do banco, por exemplo. Sabe quando você atrasa o pagamento de alguma conta? É lá que você tem que ir, e pior, você sabe que todos estão lá porque não pagaram suas contas no devido prazo, o que deixa tudo muito difícil para iniciar uma conversa agradável; o pior de tudo é que a fila demora, é uma das filas mais chatas de se frequentar, tem aqueles velhinhos que não seguram nenhum papel na mão e você acha que vai ser super rápido, mas é só chegar no balcão que o bendito tira uma pasta cheia de papel, aí vai uma meia hora só com o velhinho.
Às vezes fico pensando como seria o mundo sem essas filas, não ia ser uma coisa muito prática, nem organizada, claro que ia ser difícil de pagar suas contas ou comprar alguma coisa... dá para perceber: é impossível viver sem fila. Eu, por exemplo, não resisto a uma fila.



Visitem Duanny
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Arthur Schopenhauer e o Poder do Acaso - Citado por Penélope Charmosa

O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor.



In “Aforismos para a Sabedoria de Vida”.
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Dúvida - por Raquel Aiuendi

João Batista de Andrade, Milos Forman, Jean Jacques Annaud
Shintoni, queria saber porque de dentro de A Cela O Último Rei da Escócia tocou O Piano e como Um Estranho no Ninho conversou com Gandhi em plena Ameríndia; como O Grande Ditador agiu como Deus e o Diabo na Terra do Sol, mesmo contestado por Malcolm X em pleno Outono em Nova York, enquanto isso Beethoven compunha A Cor Púrpura; no final de tudo O Homem Que Virou Suco dançou Hair durante O Nome da Rosa?
Tarsem Singh, Kevin MacDonald, Jane Campion¸ Milos Forman, Richard Attenborough, Conrado Berning, Charles Chaplin, Glauber Rocha, Spike Lee, Joan Chen, Richard Rich, Steven Spielberg, Mahatma Gandhi

Convite - por Rodrigo de Souza Leão

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Reflexão - por Roger Amado

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O raciocínio dá ao homem a multiplicação do seu sofrimento.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

As Nossas Palavras XVI

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Wordle: As Nossas Palavras XVI
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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James Russell Lowell em As Nossas Palavras XV - Enviado por Adhemar

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Se a juventude é um defeito, é um defeito do qual nos curamos muito rápido.


Visitem Adhemar
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As Nossas Palavras V - por Ana

Vou tentar mais uma vez
As Nossas Palavras rimar.
Não é coisa muito fácil,
Mas lá vou eu me arriscar...

Hoje nove desafios: tão
Ofender ofensa alma
Procurarei elevar alguém
Chegue alto
. Muita calma...

Sem pretensão de ofender
Começo aqui meus versinhos
Tão infantis nas riminhas,
Tão singelos, tão bobinhos...

Quando são tão delicados
Escrevo sem ofender,
Saem palavras da alma,
Repletas de bem-querer.

Procurarei ser assim
Nas letras de hoje em diante,
Elevar os meus escritos,
Não xingar mais a xavante...

Se alguém sentir falta da briga,
Pode falar sem receio,
Eu desisto da bondade:
Meto logo a mãe no meio!

Ai, não nasci pra ser santa...
Já estou ficando animada!
Tô doida que chegue o dia
Do retorno da safada!

Transformar a natureza
É coisa que não dá certo:
Em mim o que fala mais alto
É o verbo rasgado e aberto!

Os homens são como navios:
Cada um se adequa a um porto.
O meu é o de Tubarão
E vitória é meu conforto.

Desisto da beatitude,
Não gosto de nada imposto:
Este pau aqui nasceu torto
E não desentorta nem morto!



Referência à saga A Ninja x A Samurai.
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Poeminha Irado - por Escrevinhadora

Passo as tardes no vazio
nem a Ana nem o Gio
entram quando estou plugada.
O Shintoni, esse então
deve ser assombração
pelo menos pra mim parece
que por aqui ninguém o conhece
as mensagens dele, eu acho
são todas psicografadas.
Onde essa gente se esconde?
Eu chamo e ninguém me responde...
A Aiuendi chega de repente
respondo e ela já saiu...
Conversa em tempo real
ou monólogo surreal?
Quando consigo acessar
mal começo a digitar e
a conexão caiu.
Dá vontade de xingar
mas a educação não permite
que eu perca a paciência, me irrite
e mande esse chat infernal
ir pra... que é isso, onde já se viu?



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Tirando o Bolor - por Fatinha

Querido Brógui:

Compelida pelo desejo de colocar uma saia sem ficar embaraçada pela exposição da minha cor amarelo-icterícia, depois longo e tenebroso inverno, fui à praia. Bem, o feriadão estimulou minha gazeta, embora não tenha resistido ao impulso de levar comigo o livro de Direito Tributário. Como é óbvio, não li uma linha sequer, mas minha consciência ficou deveras tranquila.
Acordei às seis horas da manhã. Tão cedo assim? É. Primeiro porque minha neurose urbana não consegue se livrar do pânico de ficar rodando em busca de uma vaguinha para o Tigrão. Depois, como não pego sol desde o início do ano, não seria conveniente encarar o Astro Rei no horário que ele está mais carniceiro. Por último, se eu acordo nesse horário para ir trabalhar, porque não acordar para ir me divertir?
Às sete, já estava a caminho, toda feliz. Quer dizer, fiquei meio chateada quando botei o biquíni e este revelou os três quilos a mais que acumulei nos últimos meses, mas ainda assim estava feliz.
Cheguei à praia antes do flanelinha, o que me deu a oportunidade de economizar uns trocados para comprar um biscoito Grobo e um Guaraprus. Enquanto tentava abstrair o frio miserável que estava fazendo, o vento intermitente que me gelava as entranhas, constatei mais uma vez que não há um vendedor ambulante que consiga falar corretamente o nome desses dois produtos. Nem unzinho pra remédio. Zero. Não sei se é apenas vício de linguagem ou se eles acham que se falarem direito ninguém mais vai comprar. Seja como for, praia no Rio sem biscoito Grobo é como praia no Recife sem caldinho. Aliás, é coisa que sempre me causou muita estranheza esse negócio de tomar caldinho quente na praia, mas enfim…
Sentei na minha cadeirinha e pairou uma dúvida: será que ela encolheu ou meus quadris aumentaram? Deve ter encolhido, tanto tempo sem uso… Em volta de mim, apenas bebês, papais e mamães. Graças a Deus que os bebês ficam confinados em suas piscininhas de plástico e não jogam areia em cima de vítimas inocentes. Tenho sempre o cuidado, ao chegar à praia, em fazer o mapeamento do território. Não sento perto nem de crianças, nem de cachorros.
Além de mim e dos bebês, alguns atletas, cheios de disposição, correndo na areia. O movimento dos barraqueiros arrumando suas coisas, os garis com seu trator recolhendo o lixo da areia (eita povinho porco), um policial fazendo manobras arrojadas em seu triciclo, um labrador correndo atrás de uma bolinha de tênis…
Não tinha dado dez horas ainda, levantei meu acampamento. Dei adeus ao paraíso.
Só para registro: fiquei meio rosa e meio ardida só de pegar esse solzinho de neném. Imagina se eu me animo e fico mais um pouco? Ia ter que dormir pendurada num cabide, ou então de cabeça pra baixo no teto, como uma morcegona. Foi-se o tempo em que eu ficava quarando no sol o dia inteiro e nada de mal acontecia, apenas um belíssimo bronzeado. É, a camada de ozônio tá indo pro cacete mesmo.
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Marco Aurélio e o Juízo da Perturbação - Citado por Penélope Charmosa

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Se estás aflito por alguma coisa externa, não é ela que te perturba, mas o juízo que dela fazes. E está em teu poder dissipar esse juízo. Mas se a dor provém da tua disposição interior, quem te impede de a corrigir? E se sofres particularmente por não estares a fazer algo que te parece certo, por que não ages, em vez de te lamentares? Um obstáculo insuperável te o impede? Não te aflijas, então, pois a causa de não o estares a fazer não depende de ti. Não vale a pena viver se não o poderes fazer? Parte, então, desta vida satisfeito, como partirias se tivesses logrado êxito no que pretendias fazer, mas sem cólera contra o que se te opôs.
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In “A Fortaleza Interior”.
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Estou Lendo... - por Escrevinhadora

Madonna 50 Anos - Lucy O’Brien



“Estou lendo Madonna 50 anos. É meio chatinho e está difícil de chegar ao final. A autora me passa a impressão de que foi contratada para falar bem da Madonna o tempo todo e quando falar sobre alguma falha, criar no próprio texto a desculpa. Vou me esforçar pra concluir a leitura, mas não recomendo e olha que adoro biografias.”
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E você? Que livro está lendo?
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segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Linha do Sol - por Alba Vieira

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Sobressair em meio aos experts
É como lançar areia no deserto
E brilhar sob intensa luz.



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Recado - por Ana

Escrevinha:
Já vi este filme [Um Dia de Cão] umas três vezes. Al Pacino está demais! E aquele cara que faz o irmão dele (o Fredo) no Poderoso Chefão também trabalha muito bem e faz um personagem estranhíssimo... Gostei muito deste filme porque trata de revolução, de revolta, de expor as próprias ideias, de se colocar contra o estabelecido, trata do posicionamento social, dos questionamentos que ele coloca acima da própria vida. É um filme ousado, crítico, magistral e chocante. Legal você ter falado sobre ele aqui!
Beijo!



Resposta a Um Dia de Cão, de Escrevinhadora.
Sidney Lumet, Francis Ford Coppola

Nunca Sempre - por Daisy

Durante quase 50 anos, exatamente 48 anos, nunca faltou uma palavra. Nunca. Sempre houve troca intensa de palavras. Sempre. O que não quer dizer que não tenhamos nos sentido só, às vezes. Mas só às vezes. Nunca sempre.
Durante o namoro, as palavras eram revestidas de mel. Eram tão doces! Mas juramos ser como pombinhos, era o que ele me falava, a vida inteira. Sempre.
Durante o noivado, morando em cidades distantes, as palavras vinham como era possível, então! Cartas diárias, dois telefonemas por semana (a telefonista fazia o contato e esperávamos, às vezes, duas longas horas!) e um fim de semana por mês (depois de uma viagem de 11 horas de ônibus!). A espera pelas palavras revestiam-nas de alguma coisa. Que não consigo expressar... para explicar, sempre falta uma palavra. Sempre. Mas nunca entre nós. Nunca faltou uma palavra. Nunca.
Durante os 46 anos de casamento, sempre juntos. Sempre. É verdade que atravessamos verdejantes planícies, verdadeiros precipícios, caudalosas quedas d’água, cálidos desertos. Sempre juntos. Sempre. Palavra foi o que nunca faltou. Sempre nunca.
Agora, porém, não há mais palavras. Faltam. Tudo falta. Só existe nada. Cartas, telefonemas, fins de semana. Acima de tudo, palavras. Nada!
Palavras que eram a tradução de carinho, cumplicidade, confiança, ciúmes até. Amor, enfim!
E, depois de quase 50 anos, exatamente 48 anos, falta uma palavra. Sempre falta. Sempre faltará. Sempre.



Visitem Daisy
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Eugène Delacroix in Diário - Citado por Penélope Charmosa

É preciso esconjurar, da forma que nos for possível, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espírito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho - e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que se divertir não encontrará nas suas distrações nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos - como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distração e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando temos uma certa disposição de espírito, é preciso ter uma imensa energia, de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar, graças à nossa força de vontade, à melancolia em que caímos continuamente. O prazer que sinto, neste momento, em dialogar consigo acerca deste sentimento é mais uma prova de como eu me procuro agarrar, avidamente, sempre que tenho forças para isso, a todas as oportunidades para ocupar o espírito (ainda que seja referindo-me a este tédio, que procuro combater).
Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão cotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito.
No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e veem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço.
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Momento Mágico - por vestivermelho e ZzipperR

No palco da vida atuamos em nossos papéis diários, num texto cotidiano onde tudo muda a todo o momento. No texto que a vida escreve com a habilidade de um mestre, nos reserva surpresas boas e más, porém um dia Deus reservou uma inesquecível para mim e para a Abelhinha.
A arte é mágica e nós somos dois palhaços atuando com amor, assim a nossa força do amor atraiu um momento mágico, reservando as pessoas certas para nosso espetáculo.
A Abelhinha chegou voando com um convite na mão, pedindo que fizéssemos uma festa surpresa para umas crianças no dia das crianças. Como somos palhaços, aceitamos imediatamente, porém pediam que fôssemos vestidos de palhaços.
No dia do espetáculo eu vesti palhaço e a Abelhinha vestiu palhacinha com uma maquiagem maravilhosa, pois não sabíamos quem eram as crianças e fomos de coração aberto para o palco que aquele dia a vida nos reservou.
Nossas mochilas estavam carregadas com pirulitos e os bonecos para divertir as crianças e ensiná-las a viajar no mundo da magia com o carinho e a habilidade que a arte proporciona.
Colocamos tudo dentro do carro e seguimos para o local definido apenas com o endereço. Não sabíamos mais nada, éramos dois palhaços lançados à sorte no palco da vida pela arte.
Chegando ao lugar indicado, tremi, pois era uma casa beneficente de crianças especiais. Um desafio para grandes atores, o momento de mostrar que sabemos atuar, e para isso tivemos que entrar no mundo deles, sair do nosso mundo materialista, individualista e mergulhar no amor, no carinho e na atenção de crianças brilhantes.
Olhei para a Abelhinha, aquela linda palhacinha, toquei com a minha mão em seu rosto, demos um beijo de palhaços e eu falei:
- A hora é essa! O show vai começar!
Facilitamos o máximo possível para que as crianças participassem do espetáculo e começamos a pintar o rosto das crianças, os meninos com bolinhas coloridas e as meninas com flores brilhantes e lindas. Cada rosto maquiado saía daquele mundo e voava na arte, transformando-se em verdadeiro artista. Porém um garoto deficiente visual se aproximou da abelhinha e falou:
- Eu quero ser palhaço também.
- Então você será um lindo palhacinho. Ela fez uma maquiagem maravilhosa nele e eu sentia que alguma coisa especial estava para acontecer.
A Abelhinha lhes ensinava a fazer arte com bexigas, fazendo cachorrinhos, capacetes, corações e pássaros. Elas chegavam a gritar de felicidade enchendo as bexigas coloridas. Quase chorei vendo a atenção e o amor deles pelos que não tinham possibilidades de chegar até as bexigas. Eles compartilhavam a alegria e a felicidade, levando bexigas para os outros e chegou a hora da história com os bonecos.
Eles participaram ajudando a montar o palco e, depois de tudo montado, um deles veio até mim e falou:
- Palhaço! Deixa-me ser um boneco?
Olhei e vi que ele era um deficiente visual, não enxergava nada.
- Deixo! Mas vou te ensinar. Preste atenção! Segura essa madeira. Você vai manusear o boneco na história, segura com a mão esquerda no canto do palco para você controlar a distância. Você vai ser o personagem principal e se eu falar: O menino está saindo da casa, você volta com ele para o palco. Certo?
- Certo!
A Abelhinha participava de cada movimento do garoto, desde a preparação até no ato da cena. Falando para ele assim:
- Quando o palhaço começar a contar a história, você manuseia o boneco como você imaginar que é a cena.
A história era ouvida com atenção, pareciam vivê-la, estar dentro da história e o garoto manuseava a marionete como se fosse ele, como se estivesse enxergando e durante o transcorrer da história não saiu com o boneco uma vez do palco, parecia viver naquele espaço há anos.
O espetáculo terminou e eles fizeram questão de guardar os bonecos com cuidado e atenção, como se estivessem guardando algo precioso, que invadiu seus corações e suas lembranças para sempre. Após terminarem, o garoto deficiente visual me abraçou e falou:
- Palhaço! Como é o nome do boneco da história? Você não falou o nome dele nenhuma vez, apenas falava que ele colecionava folhas.
- Ele não tem nome. Pode ser qualquer um, até você.
- Eu queria que ele tivesse um nome.
- Certo! Então você coloca um nome nele.
- Eu queria que ele tivesse o meu nome.
- Vamos colocar um nome nele. Qual é o seu nome?
- Jesus.
- De hoje em diante, o colecionador de folhas se chamará Jesus.
Agora vamos nos despedir estourando bexigas, que é para dar sorte e a gente voltar aqui mais vezes.
Todos começaram a estourar bexigas numa gritaria de felicidade inexplicável, com seus rostos maquiados, numa cena teatral, sem ensaios e numa atuação perfeita que o espetáculo da vida proporcionou.
Antes de ir embora falei:
- Agora vocês também são atores e podem fazer seus próprios espetáculos, basta deixar a imaginação fluir e a história sairá junto, proporcionando o espetáculo perfeito.
- Vamos, Abelhinha! Chegou a hora de voar, pois hoje a alma está mais leve e pura, carregada de carinho e amor puro.
O palhacinho se despediu tocando o meu rosto, como se estivesse desenhando em um papel, depois tocou o rosto da Abelhinha, sorriu e se despediu.
Saímos daquele lar deixando os atores atuando no palco, e nós éramos apenas telespectadores da vida que acabaram de assistir a um grande e excelente espetáculo, levando como bagagem experiência, ensinamentos e lição de vida, provando que a felicidade está além do que imaginamos.
Obrigado arte! Por mais esse momento mágico.
Um beijo de palhaços.



Zip... Zip... Zip... ZziperR e vestivermelho
VruummmmmmmmZuummmmmmmmm
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