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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 30 de abril de 2009

As Nossas Palavras VIII - por Lélia

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O comportamento dos outros nem sempre é leal, mas não altere seu modo de ser por isto: você deve se contentar, apenas, em estar bem consigo mesmo.
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Você - por Passa-Tempo

Você foi a inspiração para as minhas mais bonitas poesias de amor,
Você foi motivo de meu riso, e minha tristeza,
Foi a causa de minhas lágrimas,
Você foi meu nascimento em minha frieza,
Você foi meu desenvolvimento em um mundo sem cor,
Você foi meu tudo,
Meu azar e minha sorte,
Você foi a minha vida,
Você foi minha morte.
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Escrava Isaura e A Cabana do Pai Tomás - por Alba Vieira

A Cabana do Pai Tomás - Harriet Beecher Stowe
Escrava Isaura - Bernardo Guimarães



“Interessante romance de Bernardo Guimarães que aborda a questão da escravatura, já retratada em A Cabana do Pai Tomás, da escritora norte-americana Harriet Beecher Stowe.
A história é tocante para os corações compassivos. Para mim, a releitura dessa obra me trouxe de volta os devaneios da adolescência quando a li em capítulos ansiosamente aguardados todas as manhãs. Bons tempos...”
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.E você? Que livro gostaria de comentar aqui?
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Mistura - por Clarice A.

Hoje acordei inspirada, com vontade de fazer algo diferente. Como a cozinha é o meu xodó, foi para lá que fui. Lembrei-me daqueles pratos preparados por chefs famosos, enfeitadíssimos, indecifráveis para quem está acostumado ao bom e velho prato feito, e pensei: por que não? Eu uma boa cozinheira de trivial simples, decidida a inovar, dar um upgrade no meu currículo de rainha do lar, fazer aquele prato lindo, inesquecível, papa fina. Eles iriam ficar boquiabertos com a surpresa.
Decidi-me pelo peixe, mas o forte seria o molho. Misturar é a palavra chave.
Animadíssima, fui ao mercado comprar os ingredientes e o critério de escolha foi o nome exótico e as cores fortes ou suaves, mas combinando entre si.
Coloquei a melhor panela no fogo e não sei se me sentia uma alquimista ou uma poderosa bruxa e seu caldeirão, preparando algo fantástico. Nada de receitas, criação própria, minha chancela, tudo no olho, improviso total, confiando nos sentidos e na intuição. Nem provar para não estragar a surpresa.
Comida pronta e cheirosa, faltava cuidar da estética, que é parte importantíssima. Mais algumas misturinhas para enfeitar o prato. Modéstia à parte, ficou lindo!
Enfim a comida servida, eu na maior expectativa, eles incrédulos com a beleza e o odor do que lhes era servido. Eu me sentindo a rainha da cocada preta.
Às primeiras garfadas, o balde de água fria no arremedo de chef, a pergunta solta no ar: quem fez essa gororoba? Tá bonito mas ruim à beça. Respondi que não estavam acostumados, não sabiam reconhecer uma iguaria. Ato contínuo, provei a comida, e o pior: cheguei à mesma conclusão.
Restava o cachorro, este pelo menos não me decepcionaria. Ele, como fazem os cachorros, cheirou, cheirou e nem tocou na comida. Puxa! Nem o cachorro?
Pedimos uma pizza e o cachorro comeu a ração satisfeito da vida, dando-se ao luxo de comer o que gosta.
Passei o resto da noite ouvindo as gozações de praxe.
- Mãe, onde fez seu curso de gastronomia?
- Vai cozinhar bem assim lá na China.
É, na China pode ser. Não deve ser difícil estorricar lacraias e escorpiões num palito de churrasco. Resta saber como colocá-los no palito.
Até a próxima mistura que, jurei de pés juntos, não será na cozinha.
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Palavra - por Kbçapoeta

A palavra não é faca.
É navalha que não deixa fechar a cicatriz.
Palavra falada causa pranto,
E o mesmo jorra aos borbotões.
A palavra é branca,
Recebe diversas variações
O branco é como a palavra.
Pois o branco não é branco.
É a mistura de todas as cores.




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Provérbio - Enviado por Therezinha

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Uma águia não caça moscas.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Castigo - Leo Santos

Estranho o amor mal vestido
perdido entre tapas e beijos
primeiro forjando a mágoa,
depois dividindo o pão-de-queijo

Mas é assim o amor, esse louco
capaz de extremos, bem perto
inda que se faça pouco-a-pouco
qual o príncipe e a raposa no deserto

Quando vê defeitos e não quer ver
ou as virtudes ousa negar,
é doença que cada um quer ter
e só o tempo consegue curar

É estultice que espreita na porta
a forjar os deslizes dos lábios
o formigueiro onde senta e suporta
aquele que outrora fora sábio

Depois de umas doses de tempo
e uns goles de realidade
as alegres respostas são desalento
e as duras ameaças, verdade

Enfim, um quê de certa doçura
e ameaça constante de perigo
talvez por isso Cristo tenha dito
“Amai os vossos inimigos”.



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A Vida Continua... - As Nossas Poesias XIII

Dizem que a vida tem fim
(Não é nisso que eu acredito),
Dizem que é feita de ciclos
Com príncipio, meio e fim.

Pois nisso eu acredito
E estou contente no meio
Do ciclo da maturidade,
E te digo, sem receio:

Para uns isto é velhice
Para outros, terceira idade...
Como chamam não importa...
“É o mesmo que estar morta”.

Dou os sinceros pêsames
Para os que pensam assim,
Para mim isto é um bônus,
Pois vários ciclos vivi.

E sei que depois daqui
Minha sina é igual à tua:
Vamos pra outros lugares,
Pois a vida continua!



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Ocorrência - por Adhemar

As palavras se perderam cantadas ao vento,
escorridas pelo ralo do chuveiro
ou pelos ecos do pensamento...

As palavras se perderam foragidas, exiladas,
refugiadas do seu próprio sentido,
estranhas e mortificadas.

As palavras se perderam caladas,
embriagadas de desentendimento,
frustradas, entediadas pelo divertimento.

As palavras se perderam consagradas a um momento,
a um amor, uma paisagem,
uma passagem no portal do tempo.

As palavras se perderam confundidas,
misturadas aos gritos da torcida...

As palavras se perderam, se encontraram
e resolveram não dizer mais nada.
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Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados
para a versão coletiva Ocorrência - As Nossas Poesias XII.
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Classificados - por Alba Vieira

Procuro, para compromisso sério, mulher equilibrada, que seja ponderada, que fale pouco e me permita guardar silêncio por longos períodos, que acorde sempre de bom humor, que saiba fazer um mínimo das tarefas do lar e cozinhe o básico para garantir que eu não seja envenenado por fast food e que, acima de tudo, não tenha a expectativa de que eu seja a solução de seus anseios sexuais ou o encantado portador daquele cartão de crédito que tornará possível todos os seus sonhos de consumo.



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Terreiro de Pajé - por Kbçapoeta

Histórias de causar arrepio.
O índio bravio
Nessa sessão.
Copos, joguetes, enfeites,
Dois ramalhetes e
Um cavaleiro de gesso.
Ela recebe o guerreiro
Traz alvoroço ao terreiro
Pai de santo vira Pajé.
Charuto e cachimbo da paz.
Em dois rituais:
Dois filhos varões
De um mesmo pai.




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Acendem - por Manassés Diego

A venda que deveria estar nos olhos está na boca – ternuras!
Senhores divertidos, mitigarão paisagens na volta: nós, crianças de um novo circo, entregávamos aos prazeres as carnes desconhecidas, todos símbolos falsos – todos símbolos são verdadeiros!
Acreditávamos só no alojamento. Imitávamos os doces e injustos. De vez em quando, alguém se levantava desesperado “Eu quero ajudar minha família”... mas logo essa loucura era esquecida.
Passávamos mensagens.
Essa batida acaba com a lucidez.
Quando todas as manhãs abraçavam-nos, as cabeças, dentro desse arco, haveriam de apresentarem... mas a claridade daqui mistura nossas dores; mistura.
Ansiamos por um paraíso mal alimentado – onde queiram nos ver.

***

De dia, seremos substituídos, e a noite – nos atrairão para sempre.
Máscaras! Encantos! A pergunta é se, alguns jovens dedicaram sua vida e fortuna a pessoas como nós, serão recompensados. A amargura dançante de baile abraçados.
Almas cobertas! Suas experiências nascerão; sua calma, dilacerada por andróginos, tirem-nos desse quarto! R$ 200 ao mês!
O amor existiu...



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Crônica das 3 Horas - por Mellon

É curioso comentar um sentimento que muitas pessoas têm em seu íntimo. Muitas vezes estamos em meio a uma multidão e sentimos solidão, sentimos falta de simplesmente uma pessoa.
Tantas pessoas, prédios, carros ao redor e homens e mulheres mal se olham. Sendo que o verdadeiro gosto destes é da voz, do toque e mesmo do olhar. Tantos medos em comum, morte, desprezo e até uma noite vazia assombra os corações sozinhos em meio à multidão.
Muitos crimes e injustiças são cometidos, e o que realmente toca uma pessoa são paixões. O universo é tão infinito e imóvel para ser compreendido desta forma, pois quem faz a realidade individualista do mesmo são os próprios seres humanos.
São três horas da manhã nesse momento. Às vezes as pessoas pensam em recomeçar tudo. Tudo de novo. E aquela conversa que nunca tiveram com alguém, às vezes parece tão necessária. Está silêncio, e não tem ninguém por perto. Apenas o estrondo e a explosão dentro das pessoas, como se um anjo viesse em direção ao chão. Apenas o estrondo e a explosão, como se um anjo batesse no chão.
Quatro minutos passam, e parece ter passado uma década. As pessoas só influenciam umas as outras, elas só machucam um ao outro ainda mais. Onde nós estamos? Hoje a gente apenas ouve dizer de alguém que uma outra pessoa viu em algum lugar no centro da cidade. E na maioria das vezes nem nos lembramos de quem é. Não nos conhecemos mais na rua. Então aqui estamos nós, no mesmo mundo, mas sem notarmos um a presença do outro.

Talvez algum dia as pessoas se perguntem: “Algo não está faltando?”.



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Tirem-lhe o Mofo e as Teias! - por S. Ribeiro

Estive meio morto por estes dias. Assim, desconstruído, médio. Vocês sabem quando os pratos escorregam das mãos? Pois é quase isto.
É isto que te digo em meio aos laços da cidade. Saiba, pois, que estive pensando não mais repetir as palavras, vossos olhos estão cansados. Deixe que eu te leve ao silêncio pelo meu verso inaudito. Você perdeu muitos interesses pelos séculos, ainda te espero. Te cabem mais explicações? Sim, as deixo.
Hoje só existem poetas retóricos, em neon. Só surgem estas placas de ensimesmamento delirante, os poemas parecem pinturas... que não são as de Toulouse-Lautrec! Não me repreendo nem me esqueço. Minha lira é inclusive transição, tentativa, erro, esquecimento.
Tu que me colhes e me aceitas, entendes, que te esclareço (peço por esclarecer-te) que em minhas palavras te carrego e te faço inclusive surgir por entre elas! Me esqueça, se quiseres. Não te esqueça que ainda escrevendo sou pequeno, só subscrevo vossa pequenez. Tu que lês, não me mortifiques, pois sou somente a tentativa de nos unirmos.



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terça-feira, 28 de abril de 2009

As Nossas Palavras VIII

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Wordle: As Nossas Palavras VIII
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Imagem: Wordle
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Provérbio Indiano em As Nossas Palavras VII - Enviado por Adhemar

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Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio.


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Nossa História Vai Passar Outra Vez - por Alba Vieira

Pois é, você chegou e nem me falou porque é que vinha. Eu o olhei e me fascinou tudo o que eu via. Tudo era lindo, familiar, seus olhos verdes, meu verde mar. Tudo, a sua postura, envergadura de todo amor que me inspirou. Você me faz acreditar no prazer de amar, no prazer da vida, de uma vida tão conhecida de outro mar... Tudo de novo: o seu caminhar, sua doçura, o seu olhar... Sinto que, para sempre, na minha estrada você há de estar. Eu quero a sua vida emaranhada na minha. Assim vou resgatar o que se perdeu em outro mar...
A nossa história eu sei que de novo vai passar...



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Criação - por Escrevinhadora

Dá pra registrar, salvar tudo no pc, nos documentos digitais. Mas o processo de criação mesmo, esse só toma forma diante do papel. O preto no branco, as ideias fluindo conforme a mão desenha as palavras. É assim que funciona pra mim também.



Resposta a “Recado”, de Clarice A.
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Canção do Existo - por Raquel Aiuendi

Minha terra tem palmeiras
Com lamento triste a soar
Ao soar o clarim do dia
O lamento volta a chorar

Do lamento surgiu a unidade
A mistura do povo e liberdade
Criou-se a cultura no pé: sambar
Minha terra com palmeiras
Tem um povo a cantar
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Concepções - por Tércio Sthal

Há quem diga que se nasce pra morrer,
há quem diga que se morre pra nascer,
há quem diga que a morte é um desgosto,
há quem diga que a morte é um descanso.

Há quem crê que a morte é o fim de tudo,
há quem crê que é da porca, o parafuso,
há que crê que é só o passaporte,
há quem crê que nem existe morte.



Visitem Tércio Sthal
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