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Eróticos.)




sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Corpo, Espírito e Retorno - por Ana

O invólucro mortal é primitivo, pesado, sujeito a leis físicas e químicas altamente desagradáveis, e limitadíssimo em comparação às possibilidades que são atribuídas à alma.
No entanto, pode ser bonito, permite que apreciemos aromas deliciosos, percebamos sons adoráveis e tenhamos sensações extremamente agradáveis através do tato e do olhar.
São realidades diferentes, com suas características positivas e negativas bastante distintas que fazem com que, encarnados e com a consciência das vivências espirituais, tenhamos saudade do antes e, depois, sintamos falta de sensações corporais terrenas.
Acredito que o aspecto mais importante da crença na alma, além do consolo da imortalidade, seja o de que nos encontramos no meio de alguma coisa muito maior e que somos nós mesmos: assumimos um caráter tão sobrenatural perante nós que chegamos a nos desconhecer antes e depois.
Em termos de reencarnação, torno-me estranho a mim!…
Alguém que não era eu mas que eu fui fez com que eu fosse o que sou hoje e o que eu for hoje fará com que eu seja alguém que não sei quem será, mas serei eu também com novas im- e possibilidades.
Dessa forma, meu caminho torna-se mágico, eu sou humanamente imortal e meu crédito é várias vezes renovado (com cláusulas punitivas, obviamente, pois quem merece o Éden não anda por aqui, à exceção dos voluntários).


Resposta à Reencarnação, de Leo Santos.
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Aparição - por Alba Vieira

Já anoitecia quando algo me tirou de casa. Fui puxada por uma força diferente que me fez caminhar em direção à bicicleta e sair a passear pelos arredores de minha casa. Nunca fazia isso, por achar perigoso andar por lugares ermos àquelas horas. Uma vontade irresistível, quase um desejo que eletrizava meu corpo, me impulsionou a andar no meio da noite, descobrindo caminhos, guiada pelos olhos da intuição, sentido despertado pela noite, com vontade de ver não sei o quê.
Eu ia num esforço de enxergar no escuro, mas com a direção já traçada por aquele impulso louco que me conduzia. Pedalava, pedalava, dava pulos saltando obstáculos na estrada vazia. Varava a noite, suada, com o coração aflito, as pernas firmes, na certeza de chegar, não sabia aonde.
Sentia o vento arranhando meu rosto. Volta e meia esbarrava com insetos que se chocavam com meu corpo no seu vôo errante. Quase atropelei um pequeno lagarto que perseguia uma presa, ele que já estava habituado à escuridão.
As árvores se mexiam e eu não podia deixar de notar aqueles vultos que me assombravam. O suor me escorria pelo rosto, um suor frio que refrescava o calor da tensão.
De súbito estanquei, como que fosse brecada por uma força estranha. Eu não compreendia muito bem, mas de repente quis interromper a caminhada e, sentada na bicicleta, voltei a cabeça pata trás. Fiquei paralisada. Os meus olhos caíram direto nela, nos seus olhos verdes claros. Foi um susto e um prazer. Misto de surpresa e alegria. Ela era pequena, muito menor do que eu poderia imaginar e isto lhe conferia ainda mais candura. Era clara. Quieta me observava. Ela me seduziu. Aquele momento foi indescritível. Voltei-me para ela bem devagar. Eu que sempre tive adoração por elas, que guardo junto aos meus livros vários exemplares de todos os tamanhos, cores e materiais. Elas que para mim representam o mistério, o oculto, a noite. Elas que simbolizam o magnetismo, a profundidade e o poder das sombras. Vibrei. Meu corpo parecia ser percorrido por uma corrente de prazer. Fitei seu rosto pequeno, fixei meus olhos no seu olhar, me sentia atraída por aqueles olhos que queriam me prender, mas olhei mais profundamente, me transmutei e tentei dominá-la pelo olhar, seus olhos ficaram presos nos meus e, na tentativa inútil de me hipnotizar, ela cedeu. Não agüentou sustentar meu olhar e soltou um grito forte, sumindo para longe, desprendida do meu poder. Ela fugiu, não quis ficar, teve medo de uma profundidade talvez semelhante à dela. Não quis se perder num poço fundo de águas escuras, talvez mais escuras que as delas. Foi boba. Não sabia que era paixão, que foi por pura paixão que mergulhei naqueles olhos verdes, sedenta de beber naquelas águas, de sondar seus mistérios e me perder neles.
Quem sabe se ela permitisse ficar por mais um tempo estaria fecundada, mansa, e o som emitido seria então um grito de prazer?
Voltei para casa pedalando devagar no meio da noite, com a lembrança da figura de cor bege, com traços mais escuros nas asas, pousada sobre o mourão de uma cerca… a primeira coruja que vi na vida.
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Cássia - por Alba Vieira

Brilho que invoca a alma,
Calma que faz transbordar de alegria,
Sopro de vida em minha existência,
Emoção tanto tempo contida,
Desabrochando com sua chegada.
Amada menina, tão esperada,
Tão querida e tão linda,
Pinturinha traçada pelo Artista Maior.
Cássia criança,
Esperança de nova vida,
Fogo que queima e purifica
O coração lavado em lágrimas
Pela emoção de tê-la perto agora.
Linda flor acácia viçosa,
Mãos de princesa,
Olhos castanhos poderosos,
Boquinha vermelha e carnuda,
Miúda e já plena de grandeza.
Realeza absoluta
Entre nós, seus súditos, carregados de paixão.

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Redescoberta - por Raquel Aiuendi

“E ‘o tempo não pára’, portanto como voltar?”
Houve o tempo que no dicionário da vida achei a palavra ESPERANÇA e, simbolicamente, cheguei a experimentar tal sentimento; mas ter que criar e recriar símbolos, arquétipos, estereótipos, para brincar de ser feliz, parece-me bastante anormal quando exercitado a vida toda, principalmente na maturidade, tal catarse.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Amante - por Ana

Mergulhar no mar de sua boca;
minha vida,
enfim,
abandonada entre as ondas
que me afastam do mundo terreno de dor
e me embalam para dentro de seu universo
cujo portal se fecha após minha entrega,
última vontade do corpo,
primeiro desejo da alma,
que se concretizam
após vidas que passei em branco
antes de,
finalmente,
me afogar em você
para sempre.

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Consciência - por Alba Vieira

Vejo o céu claro de um azul apaziguador, com chumaços de nuvem algodão branco ao longe e corre um vento forte que balança os toldos nos prédios vizinhos ao mesmo tempo em que acaricia a pele do meu rosto espectador. Não há ruídos com personalidade lá fora. São apenas sons de pássaros que sobrevoam as árvores ou latidos de cães preguiçosos na hora do almoço, gritos de crianças nos apartamentos ou correndo nas ruas próximas. São barulhos de vida fora de mim que me acalmam, não me trazem nenhuma história conhecida, nem expressam os conflitos que me dizem respeito. É como se minh’alma planasse sobre a densidade das emanações das vidas de todas as pessoas que moram ou passam por perto de onde vivo. Da janela observo o mundo. Não com um olhar curioso como fiz tantas vezes, mas com todos os sentidos e além deles, tentando apreender as vibrações de vida em torno.
O céu distante me traz a consciência da vida além da materialidade. Tenho saudade de pessoas que já se foram e me eram caras e saudade antecipada das que ainda irão e, no mesmo momento em que aperta o peito a dor da perda, me sinto expandir para uma nova realidade, em que nada nos pode limitar, em que podemos chegar aonde o que somos permitir. Esta liberdade que a consciência da morte me traz perpassa todo meu ser, me revigora, me dá esperança, aquece meu coração humano. É vida, é plenitude, é equilíbrio e serenidade.
Hoje, meu olhar antes curioso pelo externo, mesmo que representasse aspectos do meu ser, se volta agora para dentro, onde encontra o silêncio e busca equilíbrio e paz. É nesta fonte que procuro as respostas para entender o que o olhar para fora encontra de perplexo.
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Simbiose - por Alba Vieira

Eu hoje estou tão frágil que o choro vem a qualquer descuido meu...
Acabei de reparar no sorriso de minha mãe. Por que será que o sorriso dela é capaz de encher de alegria o ambiente? Pode iluminar, incendeia o meu olhar e dispara a flecha do entusiasmo. Acho que meu interior é o espelho do que vejo no olhar de minha mãe. Sim, porque qualquer oscilação que eu perceba nela me atinge em cheio, modificando para melhor ou pior.
Que coisa estranha ser vinculada assim a outra pessoa! E é tão profundo, tão vital, tão louco... diferente até da mais profunda ligação amorosa, já que não depende do meu desejo. É como reação em cascata dos processos orgânicos: não se tem controle.
Como é bom, como me enche de vida o sorriso de minha mãe! Que alívio me dá olhar o brilho nos olhos dela, sentir o seu entusiasmo que me conecta com a melhor parte de mim!
Que coisa tão estranha... por ser tão forte, tão arrasadora e, por isso mesmo, tão frágil. Como é difícil ser tão vulnerável, ter meu ser dependente do ser de outra pessoa.
Mas que lindo! Que refrescante! Que alegria o sorriso de minha mãe!
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Consciência - por Raquel Aiuendi

A consciência traz ao humano, neste infinito mundinho, o poder de transformações e o privilégio sofrido de se sentir responsável por tudo quanto sucede a um ato seu. Lutar contra a consciência é um esforço vão, pois ela está para o humano como a morte está para todos os seres vivos no plano mater.
“Quando o enfoque altera a relação” é necessário que tentemos outros enfoques sobre um mesmo assunto se a proposta é de harmonia e não de ‘caos’.
O desenvolvimento da inteligência dificilmente se dá de forma isolada, talvez nunca. Todo ser pensante desenvolve, no mínimo, através de observações e o desdobramento dessas observações é a resposta interativa. Logo, a inteligência só poderá ser desenvolvida conjuntamente e não de forma individual.

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O Presente de Natal - por Adir Vieira

Recebi, hoje, meu primeiro presente de Natal desse ano.
Veio sem que eu esperasse, pois ainda faltam alguns dias para a troca de presentes.
Veio das mãos de pessoa que me preza, pois não temos relações de amizade que justifique tal ato.Mas não foi isso que me chamou a atenção no gesto. O que me impressionou foi o presente em si.
Para que vocês possam entender do que estou falando, é primordial que eu fale de mim. Sou uma senhorinha simpática com seis décadas bem vividas e bastante conservadora no meu agir.
O presente foi-me dado com todas as recomendações e com a absoluta certeza de que iria me agradar mais do que qualquer outro. Tratava-se de uma apresentação de um grupo de forró do Nordeste, em DVD, com músicas num ritmo alucinante, numa batida única e descompassada, fazendo rodopios com as poucas peças de roupas que lhes cobriam os corpos e exibindo gestos acentuados para provocar a sensualidade dos demais.
Sei que nunca compraria tal produto para ter em casa. Não pelo que assisti, mas por não me agradar tal apelo musical com versos mal construídos e rimas forçadas.
Pensei a respeito sobre o que levou meu admirador a ter tanta certeza de que o presente me agradaria.
Repassei na mente o que vi – vibração positiva, alegria, felicidade, despojamento e beleza nos corpos jovens e sarados.
Tive de repente um insight e fiquei superfeliz.
Não com o presente, repito, mas com o que viram em mim para crer que eu ia gostar.
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Natal... - por Adir Vieira

Faltam apenas poucos dias para o Natal e, desde o início do mês, como no passado, essa ansiedade, essa interrogação de não sei o que no ar, me causa um tremendo dissabor.
Afinal, no dia de Natal, toda a família deverá estar bem saudável, em paz, pronta para encerrar um ciclo e iniciar outro.
As esperanças deverão estar vívidas e plenas, presentes em todos, sem exceção, para que nenhuma energia em desacordo quebre a paz para se viver o Natal com todo o esplendor.
É uma sensação inconsciente e má, que me deixa em constante expectativa, como que cuidando, a cada minuto, para que nada de ruim aconteça até lá.
O calendário do mês, pendurado num canto da cozinha, mostra um aspecto amassado de tanto manuseio nervoso na eliminação de cada dia transcorrido em paz.
Com tanta coisa a fazer, com tanta programação para os preparativos, com tanta energia a despender na compra de presentes mínimos e de mínimos presentes, com e-mails, mensagens e cartões a enviar para os mais distantes, e minha cabeça parece estar sempre alerta ao que possa acontecer que não seja bom.
Há um desacordo constante e gigante entre preparar o bom e temer o ruim.
Esse “medo” me faz pensar que, quando criança, vivi essa mesma sensação, mas tinha motivos reais para tal.
A ansiedade era centrada no medo de não ganhar o presente pedido ao Papai Noel…
A ansiedade era centrada no medo de não ser aprovada na escola e, assim, não receber os aplausos da família…
A ansiedade era, enfim, gerada pelo medo de não concretizar desejos reais, palpáveis.
Hoje, os desejos são outros, desejos não palpáveis que não dependem de nós, desejos baseados em fatos que o destino traça e determina, sem nos consultar…
Lamentavelmente, chego à conclusão de que meu medo, nessa época do ano, vai persistir, para todo o sempre.
Que pena!
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Minha Música - por Adir Vieira

Minha música é como eu: calma, em alguns momentos, quase inaudível mesmo, nos dias em que me sinto triste…
É rápida, cheia de ritmos diversos e extremamente barulhenta, quando me sinto feliz.
Nunca nada se aplicou tão bem a mim, como o “danço conforme a música”. Para mim esse ditado é aplicado, sem constrangimentos.
Parece mesmo que me movimento pelos sons, sou uma caixa acústica ambulante.
Pensando nisso, relembro meus tempos de adolescente, quando vibrava com os programas de calouros apresentados nas rádios.
Sou desse tempo em que, sem Internet, a única forma de decorarmos as letras das músicas era ouvindo os calouros e suas diferentes versões para cada uma delas.
Aí viajávamos, literalmente. Eu, particularmente, via-me num palco. Um palco branco e brilhante, onde eu era a estrela. Ali, na sala da minha casa, enquanto limpava os móveis e encerava o chão, só eu reinava aos gritos de bis da platéia, aquela imaginária, que me transformava em estrela singular, como as famosas da época.
Sempre foi assim. Música para rir, música para chorar, música para emocionar e eu na cadência do seu ritmo, sempre em compasso com o vibrar da minha alma.
Letras de músicas antigas, então, são várias as que me vejo cantando, mesmo sem ouvi-las há séculos.
Minha música… qual seria?
Acho que não a tenho… procuro em pensamento e não acho… nenhuma em especial… mas todas as que me embalem a alma e mexam com a minha emoção, verdadeiramente.
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E Tenho Dito - por Luiz de Almeida Neto

Se me perguntares
Quanto tempo eu estudo
Quantas horas eu durmo
E se eu consigo relaxar

Vou te responder
Que te acho um intruso
Que é coisa de maluco
Querer xeretar

Se ainda por cima vieres tentar
Se fazer de amigo
Pra saber se eu digo
Pra vir dialogar
Vou dizer que é sem jeito
Que eu exijo respeito
Que sei me cuidar

E se vieres de banda
Como quem não tem trama
Como se tivesse ali por estar
Só pra saber se sou safado
Se não tenho costume errado
Que não vá te prejudicar

Confesso que até tenho
mas que também me empenho
na arte de disfarçar
E que não é da sua conta
se alguém nesse mundo apronta
ou se alguém sabe relevar

Porque eu pago minhas contas
E ainda se não pudesse pagar
Ia dar o meu jeito
Como sempre tenho feito
Sem lhe pedir pra me emprestar
cartão, cheque ou dinheiro
que não valem meu respeito
nem muito menos tenho pra lhe dar

Tenho dito.

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Parabéns, Minha Irmã! - por Ana

Há tantos anos sua alma
resolveu aqui aportar.
Mansa, doce, carinhosa,
com tanta coisa a ensinar.

Quando criança pequena,
ao falar era engraçada,
conversando com o irmão
em suas palavras erradas.

Se tatibitati na fala
na vida não era não:
sempre foi bem mais esperta
que os mais velhos irmã irmão.

Cresceu diferente de todos,
ainda jovem viajou
para tão longe de nós
em busca do que sonhou.

Seguiu assim pela vida:
criando seus horizontes,
indo, intrépida, atrás deles -
seus desafios, suas fontes.

Quase nômade - por opção -
sem raízes que a prendessem,
conheceu tantos lugares,
sem forças que a detivessem.

Sempre voltava ao lar,
à sua família saudosa,
contando as novidades
a quem a esperava, ansiosa.

E num destes seus retornos
o destino a fez ficar
por causa de uma pessoa
que ela resolveu amar.

Deste amor surgiu alguém
que há muito a observava
desejando ser sua filha,
mas com as viagens, não dava...

Seu navio lançou âncora,
mantém-se ansioso no cais
aguardando novos ventos,
pois de lá pra cá nunca mais...

Nunca mais índios, estradas,
aldeias, missões, viagens,
aventuras, vida cigana,
conhecer novas paragens.

Porque agora ela é mãe
da alma que a aguardara
com impaciência, insistência,
nossa querida Luara.

Ela segue a vida agora
com grande responsabilidade:
amar, orientar, velar,
atender às necessidades.

No caminho de sua vida
nada nunca foi em vão:
aprendeu a duras penas,
mas traz leve o coração.

Sofreu tantos desencontros,
dores, incompreensões,
mas resistiu bravamente
às várias desilusões.

Manteve-se sempre firme,
a si mesma tão fiel,
defendendo convicções,
incomparável Raquel.

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Feliz Aniversário - por Alba Vieira

Desde quando eu me lembro, você estava sempre a meu lado.
Na ida para a escola, com jeito protetor, guardava meus passos e mostrou-me, desde cedo, o que era bom. Nesta época já era uma professora.
Estudiosa, ensinou a mim e nosso irmão mais novo o gosto pela leitura, quando facilmente trocávamos o dinheiro dado para o pão doce diário para adquirir o fascículo semanal da enciclopédia “Conhecer”.
Vaidosa, gostava de pentear os cabelos longos, cheios e claros, durante a parada na igreja, todos os dias antes da aula.
Era a mais clarinha, a mais branda, a mais silenciosa. Original, independente e ambiciosa, desejava mais que todos... Queria e era capaz. Abriu caminhos para toda a família. Por querer aprender sempre, não enxergava limites e ia além dos impostos pelos temores maternos. Desta forma cresceu e nos provou que o destino almejado está sempre nas mãos de cada um de nós.
Nas questões filosóficas também se mostrava diferente. Sempre com muita fé - talvez herdada da avó de mesmo signo solar -, arriscou, persistiu e teve sucesso em todos os seus empreendimentos.
A maturidade lhe trouxe ainda mais calma e segurança diante da vida.
Amorosa e compassiva, você sabe auxiliar aqueles que necessitam - sem exageros e além do âmbito familiar.
Prossegue hoje sua caminhada iluminada pelo amor, pela lucidez, pela curiosidade e pelo espírito de pesquisadora que sempre teve.
Que seus caminhos sejam sempre abençoados.
Obrigada por tudo!
Parabéns!
Feliz Aniversário!
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Reencarnação - por Leo Santos

Sei que mexer em afetos,
Fere aos pais do rebento;
Mas quando quebra a vidraça
O amor, espera, da justiça o assento.

Isso posto viso expor
Outra arena mais que isso;
Que mesmo sendo o afeto real,
ainda pode ser enfermiço

Não carecem vários casulos
Pra uma borboleta apenas
Inda que postulado por Sócrates
O mais sábio de Atenas

Muito certo versou coisas,
Que até hoje certo está;
Mas, ler o espírito é complexo
A lupa natural não dá

Se um fantasma trouxe carmas
Que eu tenho que pagar
Fico impotente ante armas
Que não posso enfrentar

E se um pode quitar por outro,
Em nome, talvez, do amor
Que sucedeu em Jerusalém
Que terá feito o Salvador?

Me perdoem os que crêem
Não os quero ofender;
Só não vejo como vêem
E creio que posso dizer

Se sofrer é pagar contas
E mandamento o amor
Quem ama e socorre não afronta,
O direito a pagar, do sofredor?

Inda que degeneramos na queda
Por méritos do próprio punho
Não somos progresso de ameba
O Eterno não faz rascunho.

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Viagem a Vidas Passadas - por Alba Vieira

Eu sonho com a sua cara. Não a cara que você tem, mas a que poderá ter se quiser. Não um sonho de olhos fechados. Mas um sonho de esperança. Vejo estampada no seu rosto toda a verdade de suas vidas. E me deslumbro com o que é, sem rodeios, nem dissimulações, nem máscaras. Apenas o que é para quem sabe ver. Choro de olhar, porque me vejo também nas suas dores. Choro ao percebê-las porque posso compreendê-lo. Choro de alegria por também me ver no que é bom em você. E por constatar que em tantas coisas você já melhorou.
Mas o caminho é longo e, na maioria das vezes, sem atalhos. E há lobos enganadores que prometem o que não existe.
Mas é preciso prosseguir, sempre alerta e sem medo.
Deixar-se guiar somente por uma força maior, a intuição.
Assim seguiremos com a cara mais limpa, na busca da perfeição.
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É Natal! - por Alba Vieira

Pensei numa mensagem de Natal que fosse para todos, que pudesse alcançar tanto os que têm motivos para comemorar, que pensam nos presentes, nas festas, na ceia, no contato com parentes e amigos, mas que pudesse despertar um sentimento bom também nos que se encontram abatidos, doentes, economicamente menos favorecidos, nos miseráveis mesmo, nos que têm saudade por terem perdido seus entes queridos deixando de valorizar ou mesmo repudiando as festas de final de ano, nos marginalizados, rejeitados pela sociedade ou por si mesmos. Queria uma mensagem que tocasse a qualquer ser humano nesta época...

Então encontrei.

Natal é uma lembrança do que realmente somos, de nossa grandeza, beleza, capacidade de amar, acolher, ajudar, compreender, perdoar, uma lembrança da nossa perfeição. O Natal nos dá a compreensão de que somos seres espirituais, oferecendo a possibilidade de nos expressarmos em toda nossa magnitude, nos lembra que somos infinitos em nossas possibilidades e trazemos dentro de nós mesmos a solução para todos os nossos problemas.
Que seu Natal seja muito feliz e que em 2009 você colabore, se empenhe, se permita, não resista mais, se solte, para se expressar como você realmente é:
SÓ AMOR!
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Os Amores da Minha Vida - por Raquel Aiuendi

Os amores da minha vida
Não são senhores do meu coração
Os amores da minha vida
trouxeram inesquecíveis sensações
verdades que jamais se vão
os amores da minha vida
não são senhores do meu coração
mas acalentam a lembrança
de felicidade infinda
acalmam os dias de escolhida solidão
os amores da minha vida
não são senhores do meu coração
na história que construímos
fomos em um inteiros dois
uma eternidade à frente, a sós
luta, canto, dança e festa...
os amores que tive são
foram e pra sempre serão
mas não senhores do meu coração
o Senhor do meu coração
é Senhor da mente, corpo, emoção
é único, completo e absoluto
hoje sigo meu caminho
lembrando muito carinho
mas, afinal e em resoluto
os amores da minha vida
não são senhores do meu coração
não são o foco de meu culto.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Tardios Ventos - por Ana

Tardios ventos se aproximam em procissão.
Oferecem memórias, calam as línguas.
Surgem cegos, elevando os detalhes da terra, ruindo vidas.
Não se sabe dia, imperceptível é a noite.
Tragam a luz as densas nuvens que os acompanham.

Existir tornou-se um deslizar na escuridão,
existir tornou-se ser.

E eu sou um ser que vive para além dos ventos, das nuvens,
das memórias, das ruínas, do negror
porque tenho asas que me encaminham para você
e me permitem tocar o futuro de seus olhos ainda hoje,
embora esteja profundamente infeliz.

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Traição - por Adir Vieira

Sou eu que traio meus pensamentos não os deixando fluir da forma que vêm, sem qualquer censura, ou são os meus pensamentos que, na ânsia de me mostrar diferente do que sou,
são formatados por minha mente, à maneira dos outros e, com isso, me traem?
É a dúvida que assola minha vida, fazendo de mim uma eterna traidora.
Traidora dos meus desejos, pois não os realizo na medida dos meus anseios,
traidora dos meus projetos por perceber que pouco dependem de mim e sim dos outros,
traidora do abraço fraterno que não consigo dar para não ser mal interpretada,
traidora das palavras de carinho que não consigo dizer a um desconhecido,
traidora, enfim, de tudo o que de mais belo existe em mim e que não posso externar,
por culpa da própria vida.

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