Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 16 de janeiro de 2010

Caixinha de Costura - por Ana

Minha caixa de costura
auxilia muita gente:
o roto, o esfarrapado,
o mendigo, o indigente.

Sou notória costureira
na ONG da minha favela,
no bloco lá do meu bairro
e na escola da cancela.

Um dia vou ser famosa,
estar no Programa do Jô,
ir à Ana Maria Braga
e até conversar com o Clô.

Neste dia, meu amigo,
eu nem vou acreditar,
vou falar de tudo um pouco,
se não começar a chorar.

Mas o mais importante de tudo,
mais que a fama, que o glamour,
foi, com certeza, a obra
desenvolvida em Bangu.

Ensinando os pequeninos
a coserem com cuidado
artesanato lindinho
pr’eu vender no Corcovado.

Com o dinheiro arrecadado
foi construído um abrigo
para garotos de rua
que foram morar comigo.

Então eu posso dizer,
com toda satisfação,
que minha caixa de costura
não é só meu ganha-pão.

Ela é minha alegria
e de tanta gente também
que vive, feliz da vida,
no Lar de Dona Neném.
.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Beijo de Trithème - por Kbçapoeta

Já reparti meu coração em mil pedaços
Na intenção de oferecer-te
Um satânico sacrifício.
Desejar-lhe no calor do momento,
No próximo instante poder lhe deixar.
Ser apenas o átimo de vontade,
No segundo subsequente esvaecer,
Não deixar vestígios.
Como se nunca houvesse existido,
Peregrinei no caminho dos desalmados,
Almejando qual vampiro,
Eternidade,
Sangue e prazer.
O pentagrama em meu peito
Deseja sua alma lavada,
Seu sentimento impuro:
Fome de viver.
Possuir-te e levitar
Ao céu
Que estará na cor lilás,
Cor digna de um conto de Alan,
Cor digna de uma alma sem corpo,
Cor herege da transcendência do azul
Copulada à energia do vermelho.
Marca de seu batom.
.
.

.

.
.
.
..........................................Visitem Kbçapoeta
.
.

Você... Patrícia! - por Thiago de Sá

Vou ligar pra ver no que vai dá.
Vai que rola um bom papo,
E ela faz um Dia Especial acontecer!
Mostrar que tudo não é Nada Normal.
Por fim nos tornarmos Amigos Apaixonados.
Que digam ao telefone juntos: Quando te Encontrar…
Por Acaso o Fogo da paixão tome conta de nós.
.
.
.
Visitem Thiago de Sá...............................
.
.

Resposta - por vestivermelho

Gio:

Todo homem tem suas realizações e a mulher idem
Não existe um grande homem sem uma grande mulher por perto... isso é um fato.
Não existe mulher completamente feliz sem um homem por perto.
Não existe vida sem homem e mulher...
Não existe felicidade sem amor
Amor universal e bom rs
Mas o amor entre um homem e uma mulher e bom demais

Bem sou uma sonhadora e sonho com meu amor (meu rei), viver bem e minha grande conquista...

Hei, eu trabalho, estudo, escrevo, sou uma mulher super realizada, procuro ser feminina e não feminista.

Abraços.
.
.
.Comentário em Ser Homem Não é Fácil..., de Gio.
.
.
.Visitem vestivermelho
.
.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ser Homem Não é Fácil... - por Gio

.
.
.
.
Quando falei em “mundo feminista”, recebi muitos contra-argumentos (fico contente de não ter recebido xingamentos, só argumentações) de mulheres que discordavam, sendo que quase todos eles se baseavam em 3 pilares: salto alto, menstruação e arrumação. Em resumo, a mensagem que tentaram me passar foi “Conseguimos esses direitos, porque a vida de mulher é mais difícil. Nós merecemos mais!”. Permitam-me discordar.

Ninguém sabe ao certo a origem do salto alto, mas os primeiros a usar foram homens de baixa estatura, que queriam demonstrar imponência e poder. O salto foi adotado pelas mulheres por vontade própria, para realçar suas formas. Mulher que usa salto, é por vontade própria – ou determinação de uma chefe mulher. Gostamos? Sim, mas isso é consequência, e não causa.

Menstruação, gravidez e derivados são atributos da natureza característicos das mulheres. Elas passam por coisas que não passamos, mas nós também temos desvantagens biológicas (muitas derivadas de vantagens). Mulheres merecem crédito por isso... Mas os homens não? O homem moderno tem que saber lidar com a TPM da mãe, da esposa, da irmã e da filha. O homem moderno faz as vontades da gestante que tem o ritmo de vida diminuído, e acompanha a mãe que está de folga, enquanto ele volta ao batente depois de uma semana – e divide as tarefas de cuidar do bebê.

Quanto à arrumação, faz muito tempo que homem não pode ser desleixado. Homem tem que ter barba feita ou aparada, unhas feitas, ser perfumado, bem arrumado, pontual, inteligente, bom de papo-beijo-cama, sem barriga e de preferência sarado. As exigências aumentaram tanto que o antes tão importante romantismo acabou ficando para escanteio. O homem tem que se arrumar, se preparar, estar perfeito, ser um cavalheiro, e ir buscar a dama – tudo isso em dez minutos. Tudo isso para esperar os 50 minutos restantes da arrumação feminina.


O meu ponto principal – que talvez eu não tenha salientado como deveria – é que as mulheres lutaram não por uma transformação total, mas por uma agregação de direitos. O que se vê em muitos casos não é uma mulher que quis passar da antiga dona-de-casa para a mulher moderna, mas sim uma mulher que quis conquistar direitos novos, evitar os deveres que deveriam vir acompanhando, e ainda manter os direitos que a mulher antiga tinha.

Mulheres lutaram tanto para trabalhar, mais ainda acham irracionalmente que o homem é que tem que pagar as contas; mulheres lutaram pela independência, mas elas mesmas difamam as poucas que tentam tomar a iniciativa nas relações; mulheres lutaram pela igualdade no mercado de trabalho, mas ainda se utilizam de técnicas de sedução para conseguir facilidades; mulheres lutaram tanto para retirar o estigma de “sexo frágil”, mas recorrem a ele sempre que julgam necessário ou oportuno.


Mas o que mais me impressiona é ter que ouvir que, apesar de tudo isso, a vida da mulher não é nada fácil. Ser homem é moleza. Queria ver um homem ficar na pele de uma mulher durante uma semana. Pois bem, eu dou dois... quem sabe três dias para uma mulher ficar na pele de um homem.

Os homens naturalmente têm uma estrutura corporal mais forte, então o trabalho pesado sobra para nós. Trabalho braçal, cansativo, resistência: é nessa hora que o “sexo frágil” é reativado. Nós furamos, carregamos, subimos no telhado, pintamos debaixo do sol. Desculpem o sarcasmo, mas é realmente muito difícil ser uma mulher quando se tem que usar um salto alto para subir na mesa e pular enquanto corremos atrás do rato. E as poucas mulheres que fazem o trabalho pesado não falam que vida de homem é fácil.

O tempo passou, as coisas mudaram, mas ainda temos que ser o suporte emocional da família. A base sólida. A rocha. Devemos ser sensíveis, mas só no sentido de sermos compreensivos e ouvintes. Não podemos sacudir, não podemos estremecer, não podemos chorar. Nosso dever é estar sempre ali, inabaláveis, para que a mulher possa cair e ter onde se apoiar. Instintivamente, é o que toda mulher quer.

Há um concorrente bem forte para a gravidez: o serviço militar. Troque o exame acompanhado do marido pelo exame médico de admissão: digamos que ficar de roupas íntimas no inverno, junto com alguns desconhecidos e na frente de 5 militares e um médico, para falar (e provar o que se falou) sobre doenças pubianas não é uma festa. Troque os 9 meses de cólicas e contrações por 10 meses de reclusão: em vez do apoio da família, tem-se a pressão psicológica e humilhação pelos superiores; em vez do repouso, tem-se trabalho árduo e remuneração baixa; em vez de dores ocasionais, tem-se 12 horas por dia de sacrifício; e nem se pode pedir para o sargento sair no meio da madrugada buscar aquele doce que deu vontade de comer.

A exigência dos homens é virtualmente maior, isso é fato. Mulheres têm mais liberdade para serem, estarem, sentirem e demonstrarem. Homens têm a postura, os atos, o comportamento e todo o resto julgado, tanto por outros homens, quanto pelas mulheres. “Andar na linha” é uma expressão de uso exclusivamente direcionado ao público masculino.


Não somos melhores ou piores – somos apenas diferentes. E temos que respeitar essas diferenças, e parar de forçar a barra para anulá-las (principalmente se for de um lado só). Homens e mulheres são assim: opostos, únicos, mas seres que se necessitam, se completam. E todos nós nascemos dessa união, não é mesmo?
.
.
.
Visitem Gio
.

Estou Lendo... - por Alba Vieira

.
O Corpo Onírico, de Arnold Mindell
.
.
.

E você? Que livro está lendo?
.

Augusto dos Anjos e “A Noite” - Citado por Penélope Charmosa

A nebulosidade ameaçadora
Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios
E urde amplas teias de carvões sombrios
No ar que álacre e radiante, há instantes, fora.

A água transubstancia-se. A onda estoura
Na negridão do oceano e entre os navios
Troa bárbara zoada de ais bravios,
Extraordinariamente atordoadora.

À custódia do anímico registro
A planetária escuridão se anexa...
Somente, iguais a espiões que acordam cedo,

Ficam brilhando com fulgor sinistro
Dentro da treva onímoda e complexa
Os olhos fundos dos que estão com medo!
.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quimeras - por Leo Santos

O futuro que o passado negou,
ocupava a sala;
o presente bateu na porta,
desfazendo a quimera qual neblina;
no espaço, nova pauta, outro clima…

Sofrível coabitar com a nostalgia,
parceria que desloca o viver;
faz ver alguém onde não está,
talvez por estar, no jeito de ver.

O passado está escrito em um rosto,
que espreita na próxima esquina;
o futuro, tinta que a pena dos sonhos,
espalha, em escrita fina.

Ora, o agora, rumina os idos,
outra, faz o porvir latente;
na sua crise de identidade,
chame-o, ele nunca dirá: Presente.
.
.
.
Visitem Leo Santos
.
.

O Mal - por Maurício Limeira

O mal
por mais difuso
também tem latitude
e longitude.

O mal tem endereço,
fuso,
tem twitter e manda torpedo.

O mal jamais cai
em desuso.
Mas ainda não é esse
o seu segredo.
.
.

.
.

Augusto dos Anjos “À Mesa” - Citado por Penélope Charmosa

Cedo à sofreguidão do estômago. É a hora
De comer. Coisa hedionda! Corro. E agora,
Antegozando a ensanguentada presa,
Rodeado pelas moscas repugnantes,
Para comer meus próprios semelhantes
Eis-me sentado à mesa!

Como porções de carne morta... Ai! Como
Os que, como eu, têm carne, com este assomo
Que a espécie humana em comer carne tem!...
Como! E pois que a Razão me não reprime,
Possa a terra vingar-se do meu crime
Comendo-me também.
.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Nem Pollyanna Suportaria - por Fatinha

Querido Brógui:
Todas as células que compõem o meu corpo odeiam funk. Todas elas, sem exceção. Nada pior do que ouvir funk, como ouvi, quatorze horas seguidas, a ponto de eu desejar ardentemente ser surda. Acho que a nova arma de guerra dos traficantes que dominam o Morro dos Macacos é o enlouquecimento dos moradores das adjacências. Soube de um vizinho que ligou pra polícia. Sabe o que o atendente disse? Que já tinha recebido inúmeros telefonemas, mas a polícia só poderia ir lá verificar se o denunciante fosse junto. Agora, imagine a cena: chega o denunciante, vulgarmente conhecido como X-9, acompanhado de um PM e manda desligar o som. Tem noção?
Bem, voltando ao tema dessa edição, dizia eu que o funk era o que havia de pior no mundo. Mas, pensando melhor, há coisa pior: propaganda eleitoral. Cruel mesmo é constatar que, quando o Cão resolve fazer o seu trabalho, o faz direitinho. Que tal juntar as duas desgraças e divulgar o nome e número do infeliz do candidato, no ritmo do funk, usando um carro de som?
A essa altura, você, Querido Brógui, deve estar solidariamente meneando a cabeça e pensando que isso é o fim da picada. Eu lhe digo: não, não é. Tente figurar o que você sentiria ao ficar preso num engarrafamento, dentro de um coletivo, ao lado do tal carro de som? Achou ruim? Pois não acabou.
Depois de cinquenta minutos de tortura auditiva, levando guardachuvada e pisão no pé, você finalmente desce do ônibus. E o que faz imediatamente? Começa a cantarolar aquela coisa do Demo e quando percebe o que está fazendo finalmente se toca que a lavagem cerebral existe mesmo e você acaba de sofrer uma.
Não há células suficientes no meu corpinho para comportar tanto ódio. E olha que eu estou na minha fase zen-Pollyana-Heidi.
.
.
.
Postado, originalmente, em 16/09/2008.
.
.
.
Visitem Fatinha
.

Abre a Janela - por Duanny

.
.
.
.
Heey, abre essa janela e deixa tudo entrar, de forma brusca e consideravelmente relevante, me deixa ser a única que faço o que for preciso para o mundo acabar agora.

Deixa o vento, as lembranças, desejos e segredos entrarem pela janela, mas deixa aquela sua raiva sair por ela.

Faça com que meus olhos fiquem grudados nos seus, faça com que meu coração acelere, me faça ficar sem ação e tome uma atitude. Não se preocupe, já fui morta uma vez, obrigada por vir me ressuscitar, era disso que eu precisava.

Olha pra mim e diz que isso vai ser pra sempre, sorria escancaradamente e deixa todos aqueles desejos absurdos entrarem em mim, deixa todas aquelas palavras sussurradas descerem goela abaixo, e deixa que meu arrependimento escorra pelas minhas coxas para que eu possa me livrar dele.

Não se engane comigo, realmente não sou do tipo para casar, quero só você você, e hoje sei que tenho meus direitos. Não me trate como uma qualquer, não me trate como sua noiva, apenas me olhe e me enlouqueça, mas não se apaixone como na última vez.

Abre a janela, aumenta esse som e grita pra mim, grita comigo, deixa o sol entrar e refletir nessas paredes pichadas.

Quebre o que for preciso, destrua o que for preciso, não se importe com mais nada, apenas seja meu, é só isso.

Talvez eu não saiba te fazer feliz, mais você é um vício e está tirando a minha paz.

Abre logo essa janela e me deixa entrar, trazendo comigo o que você sempre sonhou.
.
.
.Visitem Duanny
.
.

Augusto dos Anjos e “A Luva” - Citado por Penélope Charmosa

Para o Augusto Belmont
.
.Pensa na glória! Arfa-lhe o peito, opresso.
- O pensamento é uma locomotiva -
Tem a grandeza duma força viva
Correndo sem cessar para o Progresso.

Que importa que, contra ele, horrendo e preto
O áspide abjeto do Pesar se mova!...
E só, no quadrilátero da alcova,
Vem-lhe à imaginação este soneto:

“A princípio escrevia simplesmente
Para entreter o espírito... Escrevia
Mais por impulso de idiossincrasia
Do que por uma propulsão consciente.

Entendi, depois disso, que devia,
Como Vulcano, sobre a forja ardente,
Da Ilha de Lemnos, trabalhar contente,
Durante as vinte e quatro horas o dia!

Riam de mim, os monstros zombeteiros.
Trabalharei assim dias inteiros,
Sem ter uma alma só que me idolatre...

Tenha a sorte de Cícero proscrito
Ou morra embora, trágico e maldito,
Como Camões morrendo sobre um catre!”

Nisto, abre, em ânsias, a tumbal janela
E diz, olhando o céu que além se expande:
“- A maldade do mundo é muito grande,
Mas meu orgulho ainda é maior do que ela!

Quebro montanhas e aos tufões resisto
Numa absoluta impassibilidade”,
E como um desafio à eternidade
Atira a luva para o próprio Cristo!

Chove. Sobre a cidade geme a chuva,
Batem-lhe os nervos, sacudindo-o todo,
E na suprema convulsão o doudo
Parece aos astros atirar a luva!
.Luís Vaz de Camões

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dilema - por Marília Abduani

Como fica um coração maduro
de abrir portas e varar os muros,
e bater, ainda assim, acelerado?
Coração que se enternece com a poesia
e rompe a morte, desabrocha o dia,
e ainda pulsa infantil, tão compassado.

Como fica um coração dormente
entre tantas tempestades e correntes,
que prendem, tocam, ferem, sem pudor?
e que sonhos através dos descaminhos,
mas na alma sempre o eterno passarinho,
nosso íntimo e eterno salva (dor).

Como fica um coração remanescente
olhar de vidro, puro, transparente,
tão palpável, tão sensível, tão feroz?
Mãos de ferro pra vencer a morte.
Mãos de Deus, para vencer a morte.
Mãos de bênçãos sobre todos nós.

Como fica um coração carente
entre pedras e sereias e serpentes,
tão poeta, tão perene sonhador?
Simplesmente fica. E tão somente espera,
inda ver brotar do inverno a primavera
florescendo a mansidão de todo amor.
.
.
.
...........................Visitem Marília Abduani
.

Desperdício de Energia - por Alba Vieira

Hoje, ao passar por várias academias de ginástica, me ocorreu que o que acontece ali é uma tremenda perda de energia e um comportamento antiecológico generalizado. E, pensando em termos da nova realidade planetária, é um contrassenso tanta gente passar tantas horas queimando energia sem produzir outra coisa que não suor.
Não que eu seja contra exercícios físicos, muito pelo contrário. Mas é que todo o esforço que é feito nesses locais, que faz tanto bem à saúde, bem que podia de quebra trazer benefício a outras pessoas também.
Ao pensar dessa forma, imediatamente me pus a delirar. Imaginei como seria interessante que as pessoas que malham depois do horário de trabalho, fizessem esta atividade, por exemplo, numa frente de trabalho voluntário na construção civil. No fim de algum tempo, elas teriam o imenso prazer de ver antigos desabrigados ocupando moradias construídas com sua participação. Outras, queimariam calorias à beira de um fogão numa cozinha onde seriam preparadas refeições comunitárias. Quem gostasse de se exercitar ao ar livre poderia correr atrás de pimpolhos numa creche para filhos de mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos. E as caminhadas poderiam ser feitas todas as manhãs, acompanhando pessoas da terceira idade que estão jogadas em asilos e passam semanas inteiras sem interagir com ninguém. Parece bem simples, mas sei que é difícil acontecer.
É que nós estamos cada vez mais obsessivos e essas opções são formas mais criativas de usar a energia.
Então, eu temo que continuarei a passar por salas envidraçadas cheia de gente solitária com fones de ouvido, correndo atrás de nada ou não sei do quê, fazendo movimentos repetitivos, sem um mínimo de consciência corporal, aguardando talvez um momento de azaração pra quebrar uma rotina insípida e vazia.
.
.
.
Visitem Alba Vieira
.

Pensando... - por Maurício Limeira

O cada um que de um jeito pensa,
ou pensa que pensa,
caotiza o cenário onde você,
mal localizado,
certifica-se de não estar onde deveria.

Eles se entendem,
você desconfia.
.
.
..........Visitem Maurício Limeira
.
.

Augusto dos Anjos e “A Máscara” - Citado por Penélope Charmosa

Eu se que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.

No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que a másc’ra eterna apouca
A Humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.
.

Mate - por Poty

Partilha esse chimarrão comigo?...
..Todo!
..Até o fim
..A última gota
..O último roncado
..A última chupada
E vamos papeando
Passando de mão e mão
..O mate amargo que faz bem
..A roda tá feita para o chimarrão circular...
.
.
.
.......................Visitem Poty
.
.

Isso Nunca Para - por Priscila Conrado

Me sinto sozinha
Abandonada completamente
Essa história é só minha
Com um passado ainda permanente

Desse passado não pude participar
Inconsequente foi e meu futuro desgraçado
Minha vida, conseguiu dissipar
Sou seu pedaço afastado

Dá arrepio só de pensar
Que talvez você não me queira
E que até tentou me matar
Essa ideia, a loucura beira.
.

Vírgula - por Thiago de Sá

.......Na paixão que vivemos nos encontramos com vírgulas que nos separam daquilo que desejamos. O sujeito acaba sendo separado do predicado. O que se pode fazer acaba sendo deixado pra depois, e talvez o depois não aconteça. O coração vira uma profunda reticência, na esperança de que algo mais... algo de bom retorne. Que o momento de antes seja vivido como o segundo anterior. Medos nascem e nos calam diante das vozes que nos rodeiam, e beijamos o desejo de nada fazer. O ciúme é a pausa que damos no dia a dia da paixão, às vezes é cômico, mas acontece com frequência. Faz de nós meros passageiros na nossa própria relação.
.......O sentimento de desconforto que brota em nós, nos leva para um lugar onde ninguém pode nos achar. Ficamos longe de todos os radares do sentimento alheio. Entramos em um baile de máscaras, escondendo a verdade e tentando de forma tímida apresentá-la. Em um piscar de olhos tudo se transforma e ficamos juntos novamente. Com um sorriso você muda tudo que eu pensava e me acolhe em seus braços.
.
.
.
Visitem Thiago de Sá
.