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Eróticos.)




sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escuro - por Kbçapoeta

Apesar do escuro
De toda a solidão,
Aplacável peça
Do teatro psicodélico
Da vida que vez ou outra
Entra em cartaz.
Saio às ruas
Ruminando meu pensar.
Deliciando-me com o gosto
Já conhecido, querendo mais do mesmo.
Sim!
Sempre o mesmo, nunca distinto.
Preciso pensar com a massa,
Imiscuir-me de qualquer responsabilidade
Pela provável catástrofe que se tornou
A convenção dos homens.
Convenções em nome de Deus.
Convenções em nome da terra.
Nada me interessa mais.
Quero apenas os instintos
Comer, beber, divertir e alienar-me.
Gritarei heroicamente em nome
Da suprema vontade de não existir.
Desaparecerei no meio dos comuns,
Apenas mais um rosto.
Serei todos e não serei nenhum
O tudo e o nada.
No limiar do escuro
De toda solidão.



Visitem Kbçapoeta
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Certeza - por Alba Vieira

Atenta, aguardo os sinais.
Em minha direção surgem indícios
De novos tempos, outras descobertas.
Sigo tranquila em direção ao meu destino.



Visitem Alba Vieira
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Aedo Cibernético: Maria Maria - por Cacá

.......Maria, minha mãe, possuía todas essas marcas. Quando aprendi a arranhar uns acordes no violão, era a música que ela mais gostava de me ouvir tocando. E cantava com uma profundeza, que parecia engolir os suspiros que lhe provocavam a letra, a melodia enredada em sua sina de Maria forte. Maria filha, mãe, mulher com toda a graça, manha, gana, beleza, pureza, orgulho de Maria, orgulho de mulher. Tinha a sensação que Milton Nascimento havia conversado com muitas Marias como ela, antes de compor essa canção. Vai ver teve uma Maria assim em sua vida, como eu tive na minha.



MARIA, MARIA........(Milton Nascimento)

Maria, Maria, é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria, é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida.



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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média, que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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Esmo - por Leandro M. de Oliveira

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A história vai, a história leva consigo o que quer, deforma, finge, fica. E eu, homem comum, estou para ela como está uma folha, inadvertidamente a boiar na corrente de um rio, que está a boiar numa placa de terra, que boia no magnetismo dum polo, que boia feito esfera na amplidão dum infinito. Quantos auges e decadências, quantas partidas e chegadas, quanta existência tenho ainda de suportar? Já vivi muitas vidas, habitei muitos corpos. A cada dia passado distancio mais dos sentidos de outrora. Permaneço solto pela campa onde muitas vezes não queria estar. O ser aqui vai fluindo em estado de sobrevida, acima dos modos locais e, ao mesmo tempo, emaranhado em seus meandros como raízes de um jardim suspenso. Pode ser que eternamente permaneça aqui atado, nesse estreito horizonte tendo das asas tão somente o delírio. Irremediavelmente na condição de uma pérola que cresceu por reação alérgica ou na de um objeto estranho que numa cúpula se entranha sem que ninguém o pressinta. Pra quebrar a rotina procurei trabalhar na encenação do próximo espetáculo, preparei um discurso de redentor, mas a mim só coube o papel do gentio. Não, não fui educado na casa grande. Não tive tempo apto a decorar o catecismo romano, pensei ser uma abstenção salutar o exercício de não aprender dos homens as formas tradicionais de autorrepulsa. Quis dar aos que se diziam meus um mundo novo, a mensagem não era exatamente didática, na impossibilidade do passo além recebi na fronte o selo agudo do anátema. Cresci como cedro por entre eucaliptos, ou seria o contrário? Caminhei descalço só pra ver como é sentir os pés em carne viva. Contestação como profissão de fé. Sempre o estreito ao invés do largo, porque há mais luz fora que dentro da caverna. Fartei-me das sombras dos seres, quero agora conhecer o ser, contato imediato. Não tenho etiqueta, obediência, dieta saudável. O que trago no alforje é espólio das resultantes de um carisma selvagem. Minha fúria, minha tragédia, meu cabelo mal cortado. Tenho a irrelevância do anônimo e a turba da multidão. E isso se me afigura grave e isso me confunde o jugo. No ermo das noites não dormidas, na amplidão das estradas desabitadas, ao passo que me encontro me perco. E sendo eu, não sou ninguém. E não sendo nada, sinto as humanidades mais improváveis. Meu coração é essa fenda delgada donde o sol não visita. Meu coração é o lar donde habitam os homens que não querem mais mentir a si mesmos. Eles estão aqui, eles vêm de toda parte, depositando por sobre o altar imaginário suas flores e suas cicatrizes.

Acordei com grandes planos. Como a vida é pequena, esqueci tudo e me dei a seduções gratuitas.
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O Motoboy - por Ninguém Envolvente



Mais uma quinta-feira normal e nublada, até que um estrondo entra pela sua janela, parecendo ser um atropelamento. Olhando para fora, você avista um motoboy e um destroço do que seria seu veículo de trabalho.
Um tumulto é então formado, todos querem saber e ver se está vivo ou morto entre outros pormenores. Mas a ambulância só é chamada quando uma pessoa NÃO SE ENVOLVE com a cena e tem a visão crítica de que o motoboy precisa de cuidados e não de curiosos.
Não se sabe porque e nem como ele caiu, mas já se escutam rumores de que o motoboy estava correndo, o motoboy estava errado, o motoboy isso e aquilo. Enquanto, decentemente, uma pessoa grita no burburinho “o motoboy escorregou no asfalto molhado pela chuva”, calam-se todos e aos poucos vão embora.
Trinta minutos depois, a ambulância aparece e o socorro é prestado. E a vida volta ao normal. Com o mesmo individualismo, egocentrismo e todos os ISMOS humanos. Até que outro motoboy caia e tudo recomece.


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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Quando as Coisas Conspiram... - por Gio

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Você está tentando dormir. É fim de tarde, início de noite, mas você passou acordado até altas horas fazendo trabalho e quer compensar o sono perdido do dia anterior antes da janta. Uma hora de paz e bom sono, até que...

Seu irmão entra no quarto. Discretamente, sem fazer (muito) barulho, só o suficiente pra te acordar. Então, ele tem a brilhante ideia de ligar o computador para jogar, e decide ficar por lá. Entre cliques, tiros e teclas, você pensa em relevar, afinal o som está baixo e a luz do abajur está virada pra ele, só que...

A porta do quarto fica aberta. A luz da sala ao lado, bem na sua cara. E as pessoas na sala ao lado, com TV, computador ligado e falando pelos cotovelos. A essas alturas, você já está xingando todas as divindades que conseguiu lembrar o nome, mesmo que não acredite em metade delas. Resolve pedir para alguém encostar a porta. Seu irmão atende ao pedido, porém...

Sua cachorra entra antes que a porta seja fechada. Sobe em sua cama, sem tomar o menor cuidado onde está pisando. Você escapa ileso – dessa vez – e não corre com a pobrezinha da cama. Ela se acomoda do seu lado pra dormir. Depois de um tempo, inquieta, resolve sair. Nada demais, não fosse...

O fato de seu irmão ter fechado a porta em vez de encostar. Você se levanta – praguejando mentalmente palavrões em línguas que nem sabia que existia até então – para abrir a porta para o bichinho. Você se recolhe, e pensa que vai dormir. Agora é a vez de o seu irmão sair do quarto (pelo menos esse sabe abrir a porta sozinho). Mais um flash de luz na cara, e a paz tão desejada. E então...

Quinze minutos depois, é hora da janta, e sua mãe vem te acordar. Parece que a soneca antes da janta foi pro espaço.

Não adianta lutar: quando as coisas conspiram, é melhor ficar de acordo com elas.


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Chutando o Balde - por Adir Vieira


Sei que às vezes bate uma vontade louca de extrapolar. Ignorar prazos, horários, programações, mas é muito difícil levar essa irreverência à frente, quando durante toda a vida fomos basicamente treinados para seguir o mundo, de acordo com o mundo.
Talvez tenha sido isso o que me levou a pensar em como essas situações, na vida, não são tão raras.
Tenho assistido, à minha volta, a casos e mais casos em que essa extrapolação se dá de uma hora para outra, sem avisos sequer.
A nós custa crer que aquele ser perfeitinho, completamente dentro dos parâmetros traçados pela família e pela sociedade, tenha se tornado, num piscar de olhos, aquela pessoa irreverente e absolutamente sem compromisso com o mundo.
Não sei se é a mudança de comportamento dentro do mesmo corpo ou se é a própria forma de se comportar que causa estranheza, mas o que sei é que essa nova performance assusta.
Às vezes penso que o ser humano sempre viverá em busca do que ainda não foi ou não fez e pode ser normalíssimo viver o não vivido, mesmo em formas radicais. Vai depender do almejado, se for estranho ou não.
Tive prova disso assistindo a uma entrevista na TV que mostrava uma anciã, sem cara nem jeito de anciã, aos setenta e nove anos, exibindo um corpo sarado e totalmente tatuado, gabando-se de que passava as madrugadas nas baladas e ainda viajava na garupa de motos dos rapazes adolescentes, seus colegas de “festa”. A despeito de sua grande alegria e exuberante vitalidade, ainda assim, por não ser comum, causa estranheza.
Essa mesma senhora, como a explicar-nos sua mudança comportamental, fazia questão de mostrar fotos dos tempos de jovem, de sua época de casamento, enfim, de vários momentos de sua vida certinha anterior e a todos nós pareceu estar mil vezes melhor agora, diante de toda a sua transformação.
Com meus pensamentos vagando em busca do que a modificou, acerto em cheio na minha hipótese: a busca do vigor físico, a busca da alegria de ser jovem, a busca da felicidade sem compromissos, a busca do viver por viver.
Graças a Deus, ainda existem pessoas que, não dando asas a preconceitos baratos, conseguem se realizar, mesmo que seja lá no “finzinho”.



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Saudade - por Alba Vieira

Hoje me recordo com saudade da sua presença entre nós, com seu jeito simples de quem adorava a companhia de pessoas, a boa conversa familiar, as risadas, as brincadeiras, a falta de compromisso. O seu modo de criança encantava a todos. Desde quando apareceu na família, foi amada como se nos conhecêssemos desde sempre. A sua simpatia trazia felicidade para nós e por isso você era bem-vinda todas as tardes. Quando nos trouxe de presente sua filhinha Cássia, aí mesmo é que se tornou mais querida de todos nós. Você guardava para si a gravidade da vida e só compartilhava a leveza, a brincadeira, os sorrisos, mesmo quando seria mais indicado e benéfico para você dividir as dores com os que a compreendiam.
Mas o inesperado aconteceu e a perdemos depois de muita dor e tristeza. Entretanto, existiu sempre a certeza de que os desígnios de Deus devem ser aceitos de forma incondicional, já que há alguma razão de ser para todos eles, mesmo que não compreendamos.
Seu aniversário seria hoje e estaríamos comemorando com você, saboreando todas as comidas gostosas que tanto lhe agradavam no meio de muita algazarra. É muito legal imaginar isto.
Encontrei com a Cássia na academia, de bochechas vermelhinhas e com a sua cara e seu jeito.
É bom constatar que aqueles que amamos estarão para sempre perto de nós. E assim, nunca esqueceremos de você e de tudo que compartilhamos nessa vida. Que onde estiver, esteja em paz.



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Enquanto Você Me Olhava - por Duanny

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Enquanto você me olhava, o vento soprava, minhas pupilas se dilatavam e você me constrangia.

Enquanto você me olhava, minhas pernas tremiam, meu coração palpitava e minha mente gritava, gritava seu nome, gritava pelo seu olhar, gritava por um ato.

Enquanto você me olhava, eu perdia as estribeiras, faria qualquer coisa por mais um pouco desse olhar penetrante, matador, massacrante, que mesmo no silêncio tedioso daquela tarde me fazia ouvir coisas absurdas.

Enquanto você me olhava me corroía, me destruía, tirava minha ferradura e fazia questão de mostrar a todos como você me deixa frágil.

Enquanto você me olhava, eu desejava não estar ali, desejava ser observada e, ao invés de ser despida pelo seu olhar, na verdade eu queria mesmo era ser capturada por ele.

Enquanto você me olhava, eu vomitava imagens incontidas, colocava descarga abaixo todos aqueles momentos, todas aquelas palavras, todas aquelas ações que você pateticamente ignorava.

Isso, quando você me olhava.

Me sentia mulher, me sentia assistida, acreditava em tudo que você ainda não havia me prometido; não sabia o que falar, não sabia te olhar, não sabia te assistir.

Enquanto você me olhava, você simplesmente me olhava.

Viu como você é Ridículo?!



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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Autorretrato - por Leo Santos

O tédio traz o não quisto,
o já visto e revisto,
algemando ânsias,
latentes de vida.

O ser a debater-se
por algo fora dele,
constatando que a vida segue bem,
sem ele; ah, a vida…!

Imanência detida no todo,
malgrado o denodo,
mera existência,
ausência no foco da vista.

Realidade adormecida,
minúcia omitida
na tela abstrata,
de um quadro impressionista.

Só restam águas da pena,
o trampolim do poema,
mergulho transcendente,
de novo, o abstrato;
no cinza-escuro do atelier,
ante monótono reflexo,
Van Gogh perplexo,
pintando o autorretrato.



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A Princesa e o Sapo - por ZzipperR e vestivermelho

Numa manhã linda de sol quente, uma princesa corria beirando o lago do pântano e chorando muito, assustando os pássaros e as borboletas.

Buáááááá!... Buáááá!.. Buáááá!...
Esse choro chamou a atenção de um sapo, que se aproximou.
Ploc!... Ploc!... Ploc!...
Bolhas estourando no lago do pântano atraíram a atenção da princesa que parou de chorar e começou a sorrir vendo as bolhinhas estourarem.
As bolhas estouravam no lago enquanto a princesa olhava cautelosamente em silêncio, tentando descobrir o que estava borbulhando.
Desconfiada ela se aproximou do lago, colocou a mão na água querendo pegar as bolhas e curiosa ela chegou seu rosto pertinho das bolhas, que explodiam espirrando gotinhas geladas em seu rosto, escutando as gotas explodirem.
Ploc!... Ploc!... Ploc!... Splashhh! Um sapo pula perto do seu rosto molhando seus longos cabelos negros.
Ela corre atrás do sapo querendo pegá-lo, mas ele salta rápido. Ela tenta pegá-lo e ele salta, tenta de novo e ele pula, então ela dá um salto e o agarra pelas pernas.
Ela o segura carinhosamente nas mãos e pergunta:
- Será que você é um príncipe?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
- Você é tão bonitinho!
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
- Se você é um príncipe fala alguma coisa?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
Ela olha fixamente para o sapo e ele olha com seus olhinhos para ela.
- Se você fosse um príncipe! Como seria?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
- Eu acho que você quer me dizer alguma coisa!
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
Ela abre a mão com o sapo livre na palma e ele não pula.
- Se eu te beijar, será que você vira um príncipe?
- Cloc!... Cloc!... Cloc!...
A princesa cria coragem, beija o sapo e fica observando, mas não acontece nada.
- Você não vai virar príncipe?
- Cloc!...Cloc!...Cloc!...
Ela perde a paciência e joga o sapo no meio do lago.
Quando o sapo cai no meio do lago, se transforma num príncipe gritando:
- Eu não sei nadar!
Ela mergulha no lago e nada até ele para salvá-lo.
Quando toca nele, ele fala:
- Brincadeira! Eu sei nadar e a beija no meio do lago.
Desta maneira eles ficaram juntos vivendo naquele pântano maravilhoso.

Uma lágrima de alegria cai sobre a página e a menina que estava lendo fecha aquele livro de amor pensando:
“Eu queria ser aquela princesa”

Zip...Zip...Zip...ZzipperR e vestivermelho
vruummmmmmmmmZummmmmmmm


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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Metamorfose Ambulante - por Fatinha

Querido Brógui:

Estava eu, há poucos minutos, conversando com uma grande amiga, HL. Nessa conversa, externei um pensamento. Tenho uma teoria (aliás, sou cheia de teorias) de que meus pensamentos tornam-se mais palpáveis quando os divido com um ouvido de confiança.

Fico muito feliz com a capacidade que tenho de me reinventar de quando em quando. Como sabiamente disse Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”. Então, de quando em vez eu me pego a mudar e essas mudanças me fazem sentir cada vez mais viva, cada vez melhor, cada vez mais consciente de que sou senhora do meu destino. Meu caminho não está traçado, minha vida é uma estrada em construção, parte asfaltada, parte já cheia de buracos, parte sendo já recapeada, parte ainda mero esboço numa planta.

Qual foi a grande mudança? Tentar encontrar um certo equilíbrio, como meu amigo André me alertou há alguns meses e na época eu não fui capaz de compreender. Ele disse que se preocupava comigo por achar que eu estava colocando todos os ovos em uma só cesta. Certíssimo.

A palavra de ordem agora é “diversificar”. Ou “ampliar”. Ou “abrir”. A vida pode ter mais cestas, mais ovos e ser mais legal.
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Publicado, originalmente, em 24/07/2008.


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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Semeança - por Marília Abduani

Com um grão de melancolia
e em terra de cimento,
eu planto a minha poesia
no vento.
Com um punhado de saudade
e um resto de esperança
eu planto a minha ansiedade
na dança.
Com uma réstia de paixão
um anelo, uma aliança,
eu envolvo a solidão
na trança.
Com um grão de esquecimento
meio luz, meio vingança,
eu bordo o meu pensamento:
semeança.


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Insônia x Flamengo - por Adir Vieira


Sempre me orgulhei de ter um sono tranquilo, pesado e constante durante toda a madrugada.
Hoje percebi que algumas coisas começam a mudar. Essa noite não foi assim. Inexplicavelmente, passei toda a noite em estado de alerta, sem um pingo de sono.
Nas primeiras duas horas de vigília forçada pela falta de sono, tentei imaginar o porquê. Não era admissível que o meu corpo, cansadíssimo dos passeios do dia, não reclamasse pelo seu descanso, sem a mente a lhe provocar, impedindo-o de ali ficar somente se recuperando da energia gasta pela atividade fora da rotina. Não consegui explicação. Nas horas seguintes atribui o fato a alguma preocupação inconsciente, ao que imediatamente rebati, posto que utilizo o sono para a fuga dos problemas mais corriqueiros. Se preocupada estou com o que quer que seja, aí durmo muito mais. Continuei sem explicação.
Com o marido ao lado, ressonando tranquilo e ao fundo uma briga de casal em um apartamento próximo, consegui enfim entender o porquê de não ter conciliado o sono: a discussão do casal.
Ontem,como todo mundo sabe, foi jogo do Flamengo e quase toda a população do Universo gritou MENGO o dia todo. O vizinho, flamenguista doente, não perdeu a oportunidade de assistir à partida no Engenhão que, para minha tristeza, a Prefeitura colocou a algumas quadras da minha residência. Com certeza, deixou mulher e filhos em casa sozinhos, nesse domingo lindo, de calor. Como não poderia deixar de ser, chegou em casa “tocado” pela bebida e pela alegria do seu time de coração ter ganho do adversário que, para dizer a verdade, nem sei qual foi.
Enquanto ele se divertia, a mulher, em casa, engolia a raiva sentida durante todo o dia apenas esperando-o para revidar. O infeliz (ou feliz) chegou em casa quase meia-noite, hora em que se iniciou o embate. O silêncio da noite trazia essa “família” para dentro do meu apartamento e junto com ela os palavrões e todos os barulhos agregados, provocados por cadeiras e almofadas voando uns contra os outros. E olha que a “guerra” ocorria no último andar do prédio em frente.
O relógio já batia cinco horas da manhã quando eu, finalmente, consegui conciliar o sono.
Viva o Flamengo!



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Por Onde Andei - por Esther Rogessi

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Extasiada, em retirada...
Com o espírito científico aguçado, tentando desvendar o que é mais complexo do que as descobertas primeiras; do que todos os labirintos e quebra-cabeças; mais opaco do que a visão nebulosa nas montanhas, em tempo invernal; mais profundo, do que o fundo do poço; mais frio que o calabouço; bem mais que o determinado em ser mortal!
Minh’alma se inquietou se constrangeu...
Que descobertas fiz... Feras à solta, humanidade insana...
Prazer em ser e fazer o outro infeliz!
Das entranhas, palavras fortes, transformadas em ecos de morte!
Visão espiritual: hemorrágico discursar... As línguas, tais quais punhais a ferir, dilacerar, matar!
Espalhar peçonha... Não posso em êxtase continuar. Deixar-me contaminar!
Água e óleo não se unem... Diferentes são! Consistência, cor, sabor, porém a existência de cada um tem um fim e no final, ao enxergarmos o espiritual, encontraremos nos inversos os afins...
A pedra que mata é a mesma que edifica. Pura questão de mãos e direção!
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domingo, 8 de novembro de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XVI) - por Paulo Chinelate

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Juvenato São José
(Hoje sede da Prefeitura de Uberaba.)
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Se em Mendes eu fazia parte dos “menores” porquanto estivera nas turmas ginasiais inferiores, aqui em Uberaba eu pertencia ao “staf” dos mais velhos.
Ser mais velho, aprendi logo, tinha suas vantagens e também responsabilidades. Eram os mais velhos que escolhiam os times na montagem dos campeonatos de futebol, vôlei, basquete, sinuca, natação etc. Isto dava status, muitas vezes eu era bajulado e paparicado. Verdadeiras lições no trato da vida. Por outro lado, tinha o dever de ser mais esforçado nos estudos. Não coadunava ser líder só das “peladas” e “rachas”, tinha que ter ascendência intelectual e, porque não dizer, moral. Por conta disto, minha colocação nas notas de aula aumentou. Era chamado pelos colegas a dar opiniões em diversas áreas.
Já com quatorze anos, notei mudanças outras que nem imaginava acontecer. O corpo de rapazinho se fazia notar. Comecei a ter dificuldades em participar do coral do colégio onde fora soprano desde que chegara ao Juvenato. Minha voz não obedecia às notas mais altas. Parecia pinto velho gogo transformando-se em frangote: nem piava nem cantava, era um cacarejo rouco.
Papai, congregado mariano, conseguira, para eu ler, desde os sete anos, uns livrinhos que pegava lá na igreja intitulados “Antes que aprendam na rua”. A cada ano de idade um livrinho diferente. Os primeiros informavam como as plantas se reproduziam, o trabalho das abelhinhas, e finalmente a sementinha que papai plantara em mamãe, sem contudo haver aprofundamento no assunto. Antes porém que eu viesse a saber de “outras novidades” saí para o Juvenato.
Se algo se modificava exteriormente em mim, o que diria sobre sentimentos interiores? Mas papai estava tão longe para dirimir minhas dúvidas e questionamentos... Foi quando recebemos a visita de lúcido Irmão Provincial. Com olhos da experiência de pedagogo e guia espiritual viu logo minha aflição. Chamou-me em conversa particular e compreendendo meu estágio de ignorância das coisas da vida pediu-me que elaborasse por escrito uma lista de perguntas sobre o que quer que fosse e que na entrevista seguinte mas responderia. Dito e feito.
Saí da conversação olhando o mundo diferentemente. Percebia agora os meus colegas menores com olhos de superioridade. Eu sabia de “coisas” que eles nem imaginavam. Olhava os mais velhos e adultos com a cumplicidade dos segredos da vida.
E os meus primeiros dias de puberdade foram passando.
Diferentemente de Mendes, pelo confinamento da fazenda, aqui saíamos a passear pela cidade em duplas ou trios. Fui conhecer o parque de exposição dos Zebus cuja capital brasileira da espécie era Uberaba. Terra dos arrozais a perderem-se de vista, identicamente ao feijão apelidado de uberabinha, traziam à cidade um ar de progresso que minha Juiz de Fora não possuía. E nós como que participávamos da vida extramuros.
Facilitados por antigos alunos do Diocesano, fazíamos piqueniques em suas fazendas, beiras de rio e cachoeiras. O Colégio Diocesano, o maior da cidade, oferecia-nos, com seus múltiplos campos de futebol rodeados de mangueiras, oportunidade para praticarmos as peraltices símias.
Findo o ano letivo, novidades bateram à porta. Não fora economicamente viável a manutenção de um seminário naquelas plagas. Voltaríamos no ano seguinte para Mendes.
Um misto de satisfação pelo retorno à antiga pousada. No entanto o medo de perder também a “pose” de maior. Aqui, em terra de cego, quem tinha um olho era rei, lá a coisa deveria ser diferente.
Pela metade do mês de dezembro empreendemos viagem de volta. Retornamos passando por São Paulo. Pelas cidades que cruzamos, Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo e outras, tivessem colégios Maristas, lá pousávamos. Conhecemos Aparecida do Norte. O bom, porém, foi trilhar as estradas já antes conhecidas entre Vassouras e Mendes. Entrar na fazenda de São José das Paineiras, nosso destino, foi uma sensação antes não experimentada.
O reencontro com antigos colegas e amigos, tomar conhecimento de outros tantos que tinham desistido da vida religiosa e que lá mais não encontramos, foi impressão mista que ia do contentamento à decepção.
E o ano de 1962 chega ao final com seus encontros, desencontros e reencontros.


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Contradição - por Ana

Eu te possuo.

Nas noites, nas tardes, nos dias de espera.
Eu te busco louca, rápida, faminta, voluntariosa, possessiva.
Onde estiver, te trago.
Enlaço, enrosco, envolvo, domino, aprisiono.
Com carícias brandas, definitivas e certeiras
te curvo ao meu desejo, e eu ao teu.
Te beijos apaixonados, revoltados, inconformados,
em lágrimas silenciosas às vezes.

Teu corpo clama libertação,
explodir um arco-íris de sensações talvez insuportáveis.

E eu te instigo, provoco, sem descanso,
perfumando tua pele com o aroma de meu prazer teu,
o mais profundo, incansável, infinito prazer,
ainda sem tua presença.

Minha língua te prova sob as roupas,
te enlouquecendo a vontade, turvando a visão,
confundindo os sentidos, nublando o pensamento.
Eu te exausto sem cansar, sem pesar, sem pressa,
te exausto de querer e cada vez mais querer.

Sem ter.

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sábado, 7 de novembro de 2009

Duelando Manchetes X: Crianças na Internet - por Ninguém Envolvente

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CUIDE BEM DO SEU AMOR


Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre - 9 anos.
Foi encontrada morta, dentro de uma mala, na rodoviária de Curitiba.

Um crime ainda não solucionado e com suspeitas de que o criminoso a tenha conhecido no site de relacionamentos: ORKUT.Não adianta haver uma lei sobre crimes contra crianças e virtuais, se os pais nada sabem sobre seus filhos.
9 anos - Foi negligência deixar uma criança tão nova, navegando na internet sem um supervisor?
Mesmo que o crime não tenha relação com internet, muitos já tiveram e serve de aviso aos responsáveis por menores... cuide bem do seu amor...


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Gentileza - por Alba Vieira

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Tantas oportunidades de sorrir
Perdem-se em gestos truculentos
Quando seria tão simples iluminar cada momento



Visitem Alba Vieira
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Sonhos - por madruga

felizes os que escutam
felizes os que querem
felizes os que tem
felizes os que gostam
felizes os que sonham
felizes os que acordam
felizes os que nascem
felizes os que namoram
felizes os que falam
felizes os que Beijam
felizes os que amam
felizes todos sejam

tento deixar verter o que por mim escorre
não impedirei o seu curso natural
extravasar de sentimentos que sejamos todos felizes
num plural redondo e abrangente

amemos-nos uns aos outros
já dizia há dois milênios
esse pregador do amor
sinto-me (sem cera)
pois de coração o digo
já mais haverá castigo para quem fizer o que digo

mais pesado, é o castigo de quem não ama!
porque amar não é singular
multiplica no plural e verás o quanto receberás
mas esquece o que dás, lembra-te apenas do que recebes
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Visitem madruga
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