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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Abandono - por Alba Vieira

Como o patinho feio que sendo cisne entre os patos, sem saber quem realmente era, sentia-se diferente e era quase sempre rechaçado pelos falsos iguais, eu vivi antes de encontrar você.
Mas, quando nos olhamos pela primeira vez e o impacto do encontro de almas iguais se fez sentir e foi com o tempo se manifestando e trazendo para nós duas a tranquilidade de saber que era possível sermos e nos expressarmos exatamente como éramos, tudo mudou e abriram-se portas para nós. Seguimos depois por caminhos diferentes. Entretanto, sabermos que cisnes existiam acalmou nosso coração que, apesar de participar de outras histórias, sempre bateu com a esperança do reencontro e, finalmente, a paz. E assim se deu num dia inesquecível em que foi possível explodir o amor verdadeiro e, desde então, entrelaçamos nossas almas e deslizamos suavemente no lago azul chumbo da vida, sendo o que somos, felizes, irradiando a luz de oitavas superiores. E o que parecia abandono, a sensação de estar perdido como um extraterrestre, mostrou-se reconhecimento e êxtase.



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Anti-abandono - por Ana

O amor chegou ao fim...
(Ai de mim!)
Minha vida está pelo meio...
(Que receio!)
E se eu ficar pra titia?
(Quem diria...)
Se nunca mais me casar?
(Que azar!)
Viajar com as amigas?
(Ai, que vida...)
Só cuidar dos filhos dos outros?
(Que desgosto...)
Morar sozinha com meu cão?
(Decepção...)
Nem um beijo, um abraço?
(Que fracasso!)
Só comida congelada?
(Que furada!)
Entrar na crise da meia-idade?
(Que maldade!)
Ir ao cinema só?
(Ai, tem dó!)
Invejar beijo de novela?
(Só velha...)
Só uma chave da porta?
Nem morta!

Vou é continuar por aqui!
(Ai de mim!)
Com o coração partido ao meio.
(Que receio!)
Prefiro ter companhia
(Quem diria...)
Que nunca mais vai me amar.
(Que azar!)
Passei de amada a amiga...
(Ai, que vida...)
Viverei como um rei deposto.
(Que desgosto...)
Enterrarei o coração.
(Decepção...)
Eu vou virar um bagaço.
(Que fracasso!)
Dona-de-casa e mais nada.
(Que furada!)
Até a terceira idade.
(Que maldade!)
Até que retorne ao pó.
(Ai, tem dó!)
Vou invejar beijo de novela...
(Já tô velha...)
Mas não há só uma chave da porta.
E estou morta.
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Abandonou-me - por Poty

Abandonou-me quando nasci...
Fui deixado em alguma porta de estranho...
Fui jogado na lata lixo...
Virei menino de rua,
Moribundo,
Maltrapilho,
Morei na FEBEM...
Assaltado,
Assaltante me tornei.

Fui aprendiz nos bancos da praça
Comi do lixo
Lavei carro no sinal
Me prostituí,
Violentado fui.

Fui rejeitado por tua intolerância de ser mãe...
Faltou afeto
Desde que era feto,
Sou desafeto
Sem teto.

Por causa do teu
Abandono
Nem vida tenho.

Em sua fúria repentina me abandonaste.



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Abandono - por Alba Vieira

Quantas de nós se abandonam
E já nem sabem ao menos quem são.
Deixaram pelo caminho perdidos
Crenças, sonhos, amores, vocação.
E foram sendo levadas
Pelo que era esperado delas.
Seguiam com a manada
Cegas, sem vontade, acuadas.

Hoje são encarquilhadas na mente.
E no coração em pedaços, sangram.
Viraram frangalhos, robôs dementes.
Enterraram fundo a natureza selvagem, o âmago.

É preciso tentar voltar a ser.
Descobrir quem somos na realidade.
Não há mesmo o que temer
Em se mostrar na sua verdade.
E isso é revitalizante para o corpo:
Voltar a ser animado pela alma liberta.
E, sem amarras, quebrando as defesas, inverter o jogo.
Brincar, fluir, soltar a voz, deixar as janelas abertas.

A mulher selvagem não segue regras simplesmente.
Espontânea e solta, olha para o abjeto com coragem.
Vive o amor, o sexo, solta o espírito, é coerente.
Expressa sua verdadeira natureza, não importa a imagem.



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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tô de Dieta - por Fatinha

Querido Brógui:

Estou de dieta. Tentando perder uns quilinhos indesejados que, além de me deixarem deprimida, arrasada e com a autoestima lá no pé, me impossibilitam de usar aquela calça jeans que, a duras penas, consegui comprar no ano passado. Como estamos em época de vacas magras (ou seriam vacas gordas?) e como eu me recuso a comprar uma calça tamanho 44, minha meta é perder cinco quilos (engordei só três depois da cirurgia, mas quero dar uma folga para eventuais e muito prováveis recaídas de comilança).
Minha dieta é muito simples: só tomo sopa. No almoço e no jantar. Já que não gosto de legumes, bato tudo no liquidificador e tomo papinha. Meus dentes praticamente perderam a razão de existir. Eles só entram em ação quando na hora do desespero ataco aqueles saudáveis biscoitos do Mundo Verde, que não têm gordura trans, não tem açúcar, não têm corante, acidulante, nem gosto, nem cheiro, não têm nada. Lembra-me biscoito de cachorro – se bem que duvido que a Ala comesse uma coisa tão horrível.
Cortei tudo o que eu gosto de comer, o que é, basicamente, porcaria. Não sou muito chegada a um prato de comida, mas amo pastel, empadinha, batata frita, chocolate, biscoito de pimentinha, todos os alimentos que contenham nada de nutrientes e tudo de engordantes.
Sim, eu vou voltar para a ginástica, ainda não deu, por motivos que vão além da preguiça. Está tudo planejado para o mês de junho. Enquanto isso, passo fome. Quer dizer: mais ou menos, que ninguém é de ferro.
Essa semana dei várias derrapadas. Sabe como é: aniversário, sempre rola uma torta para cantar parabéns. É óbvio que eu não vou gastar meu rico dinheirinho para comprar uma torta maravilhosa de chocolate com recheio de suspiros e morango e ficar babando em cima dela que nem cachorro quando olha para um frango de padaria. Comi. Moderadamente, três fatias.
Dias depois, minha mui amiga Valerinha me presenteou com alguns brigadeiros. Comi. Sem moderação alguma.
Para fechar com chave de ouro a semana heavy metal, fui comer um pastelzinho no bar do Adão. Comi cinco. Com duas Cocas. Light, é claro.
Ainda é domingo, não me pesei de novo para verificar se recuperei o quilinho que já havia perdido, mas provavelmente devo tê-lo novamente incorporado ao meu corpinho de sereia.
Tudo bem. Amanhã eu penso nisso (no melhor estilo Scarlet O’Hara).



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As Nossas Palavras XXVII

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Wordle: As Nossas Palavras XXVII
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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Provérbio em As Nossas Palavras XXVI - Enviado por Principe Encantado

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Uma vela nada perde quando, com sua chama, acende uma outra que está apagada.


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Duelando Manchetes VIII: Educação de Adolescentes - por Alba Vieira

O fato é que quando se corrige o filho, fica exposta a incompetência dos pais em educá-lo. E, ao invés de se mancarem e aprenderem com aquele que deu a lição, escamoteiam e passam a hostilizá-lo, fazendo o filho de pobre vítima. Só dando uma surra no filho e outra nos pais. E um puxão de orelha na professora, a não ser que tenha sido obrigada a tomar essa atitude sob pena de perder o emprego.


de Paulo Chinelate.
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Duelando Manchetes VIII: Educação de Adolescentes - por Escrevinhadora

Pois é, Chinelate. Também vi a matéria e fiquei perplexa. Penso que a professora deveria receber cumprimentos por sua ação pronta e didática. Mas como você mesmo diz, vivemos num mundo de inversão de valores. Os pais não cumprem a tarefa de educar seus filhos. E quando seus rebentos mal-educados recebem na rua o corretivo que deveriam receber em casa, sentem-se melindrados. A que ponto chegaremos?


de Paulo Chinelate.
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madruga - Citado por Violeta

Invadindo o silêncio de mim mesmo
escuto o som infinito de meus sentimentos
e perco-me na subtileza de cada afecto
que recebo ou distribuo...
Encontro sorrisos
que se eternizaram
nos olhos da minha alma
e lágrimas que lavaram
os dissabores do caminho...
Busco formas e cores
e encontro pessoas que
criaram raízes em mim
porque foram plantadas
no meu EU mais profundo...
Vejo luzes:
O brilho de um luar de prata,
e de estrelas incontáveis
e um raio de sol que ilumina
cada amanhecer da minha vida.



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Secretaria Judicial - por Violeta

Estou finalmente a ficar uma mulherzinha. Acabei de vir da Secretaria Judicial da Comarca do meu Concelho… Um episodio lindíssimo e digno, para que possamos perceber que até uma ida a um sitio destes pode ser “delicioso”…
Vamos? Secretaria ju-di-ci-al. Deve ser aqui. É pá!!!! Bem… eu espero que nunca, jamais, JAMAIS digam que a minha casa está desarrumada. Uau… que visão… aqui findam os meus sentimentos de culpa por ser desorganizada. Disse. A repartição é grande, muito cumprida, o balcão… revestido de uma fria pedra negra, mas não consigo descortinar de que tipo… dentro do balcão já não existe mais a típica senhora roliça de meia idade que vestia sempre a blusa de seda… nop… um simpático cavalheiro… que prima pela informalidade sem nunca deixar de ser formal… Espera. Estarei mesmo neste país? Não me lembro de ter viajado… por isso, deduzo que ainda aqui estou. Ah! O espaço. Um delicioso caos visual. Não sei como se consegue trabalhar nestes sítios, não faço a melhor ideia de como o fazem, mas estou certa que devem ter qualquer preparação académica nesse sentido. Uma disciplina na faculdade que se deverá chamar: métodos e técnicas de produção no caos. Delicioso caos. Se esta secretaria fosse um quadro seria de Jackson Pollock. Tela no chão, um furo no fundo da lata e… tinta a viajar pelo tecido. Linhas… Emaranhados de cordões… lombadas assimétricas (muitas delas bem tortas)… linhas labirínticas… as portas dos armários abertas… manchas de tinta… Muito bom… e as garrafas de água pelas secretárias dos funcionários… pingos de tinta… delicioso. O funcionário entrega-me a certidão que lhe pedi… simpático. Acabaram os meus minutos por ali… dez deliciosos minutos na Secretaria Judicial.




Visitem Violeta
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Exaustão - por Marília Abduani

O sol estático nos ilumina,
nossa careta viva, nossa sina,
nossa indefesa, lírica visão.
Rumor de mar nas ruas e nas casas,
casas sem portas, superfície rasa,
esqueletos de infância em combustão.

O sol, lunático, nos atenua,
nossa ferida, nossa rosa nua,
nosso inimigo, nossa mesma guerra.
A nossa ausência, nosso grão de milho.
A nossa crença, o nosso estribilho,
o que se pensa que acerta e o que se erra.

O sol extático nos contamina,
a nossa dor sem som, nossa ruína
nos atropela em cheio o coração.
A nossa chave para abrir respostas,
a nossa calma, essa candura morta,
no oceanomundo de nossa exaustão.
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...........Visitem Marília Abduani
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As Nossas Palavras XXIII - por Lélia

Ao abrir as portas de casa hoje, dei de cara com a magnífica virtude da natureza de nos presentear com esta esfuziante beleza que somente ela tem a oferecer. A natureza é perfeição que se impõe de tal forma que entra por todos os sentidos humanos e pode modificar nosso dia e até mesmo nossa vida para sempre.
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Olhares - por Ana

É noite de domingo. Da janela vejo vários televisores ligados em outros apartamentos. Algo me chama a atenção, observo melhor, entendo: as imagens são idênticas. Hora do Fantástico. Todos assistindo à Globo. Então viajo no tempo.
Certa vez, fui visitar uns tios que moravam no quinto andar de um prédio que não possuía elevador. Era noite também. Fui subindo as escadas e fiquei perplexa ao perceber que o barulho que ouvia, das salas, a cada andar, era sempre o mesmo. Ao entrar no apartamento de meus parentes, ouvi as mesmas vozes televisivas. Era o Jornal Nacional. Nisso lá se vão uns 30 anos.
Hoje não fico perplexa como antes, mas lamento. Pelo ser humano. Que é - potencialmente - tão rico, tão complexo, tão único e, no entanto, fica se espremendo na curva normal, num aglomerado hiperdemográfico descerebrado. Onde o poder de escolha, onde a capacidade de discernimento, onde as diferenças pessoais? Apenas no rabicho elitizado que quase se confunde com o eixo dos x?
Grupo, massa, gado... as mesmas (des)informações dolorosas senso comum, os mesmos valores, a mesma aculturação nivelada por baixo, as mesmas emoções maniqueístas, as mesmas noções improdutivas, os mesmos estímulos emburrecentes... Fazer o quê... aquilo que para esparsos é vomitável, para a multidão é aplaudível.
Assim se desencaminha a humanidade, enquanto seres esquisitos seguem na contramão, apesar dos infindáveis esbarrões da ignorância.
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Me Deixa - por Duanny

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Me deixa experimentar o gosto da vida, saborear os momentos doces e simples dela, e levar comigo lembranças que ainda irão se perder na eternidade.
Me deixa te abraçar e sentir seu corpo junto com o meu, pra sentir mais uma vez o cheiro daquele perfume, pra não me esquecer de como é forte seu abraço.
Vem comigo, não é preciso sentir medo. Vamos nos jogar no abismo da felicidade, sem levar culpa alguma, nos sentir leves mais uma vez, sem remorso, nos suicidar constrangedoramente felizes, por sermos tudo aquilo que dissemos.
Me deixa olhar mais uma vez aquela foto de um passado inexistente, de uma ocasião imaginária que explode em meu peito em forma de palavras.
Me deixa ouvir mais uma vez o som daquela voz que me enlouquece, que me obriga a descobrir caminhos onde minha inocência se torna cada vez mais estreita.
Me deixa vomitar todas aquelas palavras tolas que ficaram presas com as lágrimas. Palavras fatais com sons medíocres que te fazem sorrir assustadoramente.
Me deixa ser o que eu sempre quis, me fantasiar com a ilusão da perfeição, ser o inevitável, ser o inexplorável, ser seu sonho de consumo.
Não ligue para os outros, não te prometo nada e nem espero que você queira algo em troca de tudo isso.
Mas... me deixa.
Me deixa viver a minha vida, de forma única. Da minha forma.


Visitem Duanny
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Amargas Rosas - por Vicenzo Raphaello

Mulher agradável
O tempo havia passado por ela
Mas ainda um frescor de juventude
Corava seu rosto

Desce mais cedo numa manhã
Para o café

Amargo café

Seu marido bonachão
Médico afável
Abraçava a empregada
Dando às mãos todo uso
Que delas podia fazer

Em prantos ela se desmancha

Próximo
Um vaso com rosas
Levanta-o
Ele se abaixa
De um projétil que não vem

Trêmula
O vaso escorrega-lhe
Nas mãos ficam-lhe as rosas

Mastiga-as
Mastiga-as
Mastiga-as

As rosas
Que dele ganhara
No aniversário de casamento.
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domingo, 27 de setembro de 2009

A Gatinha e os Estudos - por Adir Vieira

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Rosada, olhinhos brilhando,
sorriso ainda tímido
é assim ao chegar...
Tenta adivinhar o que tem pro almoço
digo jiló, só pra atentar...
É assim que ela vem,
olhar distraído,
tramando outras coisas,
menos estudar...
São tantos os preparos
para o dia seguinte
e logo vem a noite,
tendo que descansar.
Não há tempo para nada
que não envolva estudos
e vai indo a vida, a deixar pra trás...
Que tempo difícil é esse de agora,
são tantas matérias,
mesmo no fundamental...
Já fico pensando daqui mais pra frente,
se haverá tempo para se coçar.



Visitem Adir Vieira
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Opinião

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Duelando Manchetes VIII: Educação de Adolescentes - por Paulo Chinelate

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PASMEM-SE
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O verbo do título não tem a pretensão de um imperativo, antes disso, é um convite a se espantarem juntamente comigo.
Bem cedinho, 06:30 da manhã, sentado à mesa do café matinal, já tendo encontrado a tv da cozinha ligada, não pude deixar de assistir a uma reportagem no primeiro jornal do dia: em um determinado colégio de São Paulo, depois de um mutirão de pintura pelos pais e alunos por ocasião das comemorações de 7 de Setembro, foram surpreendidos dois dias depois com salas e muros internos todos pichados. Até aí, pode o amigo que me lê, perguntar: “Onde o motivo para espanto? Afinal, destas notícias já estamos saturados”. Concordo e peço paciência, chegarei lá. Após a apresentação de alguns testemunhos de pertinentes reações ao mal feito veio a bomba: a professora responsável pelo patrimônio do colégio, descobrindo o malfeitor executor do estrago, fê-lo pegar rolo e tinta e apagar, consertar todo o desacato. Vivas, alvíssaras, parabéns disse eu, ainda com o gosto do último gole de café na boca. Muitos outros também devem ter dito o mesmo à desagravada professora. Só que a estória não ficou por aí porquanto a família do aluno, melindrada pela correção da dita cuja, deu queixa à polícia e o escambau! O filhinho querido fora exacerbadamente corrigido pela professora, disseram. Ela a partir de então foi tratada como uma praticante de verdadeiro estupro moral ao coitadinho do aluno, que declarou estar envergonhado e não querer mais ir ao colégio. Pai, mãe e agregados, tomando as dores do filho, imputaram a culpa à professora.
Logo em seguida a matéria jornalística apresenta a professora pedindo desculpas e se dizendo culpada pelo exagero do gesto.
Aí parei pra pensar, analisar os fatos em si.
O ato da professora foi espetacular. Não creio que pegar este aluno, levá-lo perante um juiz e aguardar uma punição por parte da justiça fosse o caso. Não vem ao caso apelar para nossa “justiça” tão assoberbada em pilhas de processos em um caso mesquinho e paroquial. Uma professora de fim de subúrbio tem capacidade de executar, sim, uma tarefa tomando para si a incumbência de uma punição modelar.
Paizinhos queridos, ofendidos pelo seu filhinho pivete, terem recebido de uma professora o que eles mesmos não conseguiram dar a seus rebentos não justifica a reação adotada.
Estabeleceu-se como ridícula a posição da professora pelo fato de ela vir a público e pedir desculpas pelo seu ato.
A aceitar-se tal posicionamento da mestra por ter praticado tal ato com sentimento de vingança, tudo bem. Não foi isso, porém, o que ficou evidente na matéria.
Considero uma tremenda inversão de valores.
Quanto ao melindroso moleque, é para perguntar-lhe se aqueles que tão amorosamente fizeram consertos e pinturas no colégio como ato cívico em 7 de Setembro também não podem se sentir melindrados pelo seu gesto infame, e qual seria então o direito de resposta de todos estes ofendidos. Pincel nele, professora, sem medos e sem receios.



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Convite - por Poty

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Passo aos amigos do Duelos o convite da festa de lançamento da COOPERARTE,
que ocorrerá no dia 01/10, às 20:30h.
Como sócio-fundador, venho convidá-los(as) para fazer parte deste momento importante.
Abraços.
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Visitem Poty
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