Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 29 de setembro de 2009

madruga - Citado por Violeta

Invadindo o silêncio de mim mesmo
escuto o som infinito de meus sentimentos
e perco-me na subtileza de cada afecto
que recebo ou distribuo...
Encontro sorrisos
que se eternizaram
nos olhos da minha alma
e lágrimas que lavaram
os dissabores do caminho...
Busco formas e cores
e encontro pessoas que
criaram raízes em mim
porque foram plantadas
no meu EU mais profundo...
Vejo luzes:
O brilho de um luar de prata,
e de estrelas incontáveis
e um raio de sol que ilumina
cada amanhecer da minha vida.



Visitem madruga
.

Secretaria Judicial - por Violeta

Estou finalmente a ficar uma mulherzinha. Acabei de vir da Secretaria Judicial da Comarca do meu Concelho… Um episodio lindíssimo e digno, para que possamos perceber que até uma ida a um sitio destes pode ser “delicioso”…
Vamos? Secretaria ju-di-ci-al. Deve ser aqui. É pá!!!! Bem… eu espero que nunca, jamais, JAMAIS digam que a minha casa está desarrumada. Uau… que visão… aqui findam os meus sentimentos de culpa por ser desorganizada. Disse. A repartição é grande, muito cumprida, o balcão… revestido de uma fria pedra negra, mas não consigo descortinar de que tipo… dentro do balcão já não existe mais a típica senhora roliça de meia idade que vestia sempre a blusa de seda… nop… um simpático cavalheiro… que prima pela informalidade sem nunca deixar de ser formal… Espera. Estarei mesmo neste país? Não me lembro de ter viajado… por isso, deduzo que ainda aqui estou. Ah! O espaço. Um delicioso caos visual. Não sei como se consegue trabalhar nestes sítios, não faço a melhor ideia de como o fazem, mas estou certa que devem ter qualquer preparação académica nesse sentido. Uma disciplina na faculdade que se deverá chamar: métodos e técnicas de produção no caos. Delicioso caos. Se esta secretaria fosse um quadro seria de Jackson Pollock. Tela no chão, um furo no fundo da lata e… tinta a viajar pelo tecido. Linhas… Emaranhados de cordões… lombadas assimétricas (muitas delas bem tortas)… linhas labirínticas… as portas dos armários abertas… manchas de tinta… Muito bom… e as garrafas de água pelas secretárias dos funcionários… pingos de tinta… delicioso. O funcionário entrega-me a certidão que lhe pedi… simpático. Acabaram os meus minutos por ali… dez deliciosos minutos na Secretaria Judicial.




Visitem Violeta
.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Exaustão - por Marília Abduani

O sol estático nos ilumina,
nossa careta viva, nossa sina,
nossa indefesa, lírica visão.
Rumor de mar nas ruas e nas casas,
casas sem portas, superfície rasa,
esqueletos de infância em combustão.

O sol, lunático, nos atenua,
nossa ferida, nossa rosa nua,
nosso inimigo, nossa mesma guerra.
A nossa ausência, nosso grão de milho.
A nossa crença, o nosso estribilho,
o que se pensa que acerta e o que se erra.

O sol extático nos contamina,
a nossa dor sem som, nossa ruína
nos atropela em cheio o coração.
A nossa chave para abrir respostas,
a nossa calma, essa candura morta,
no oceanomundo de nossa exaustão.
.
.
...........Visitem Marília Abduani
.

As Nossas Palavras XXIII - por Lélia

Ao abrir as portas de casa hoje, dei de cara com a magnífica virtude da natureza de nos presentear com esta esfuziante beleza que somente ela tem a oferecer. A natureza é perfeição que se impõe de tal forma que entra por todos os sentidos humanos e pode modificar nosso dia e até mesmo nossa vida para sempre.
.
.

Olhares - por Ana

É noite de domingo. Da janela vejo vários televisores ligados em outros apartamentos. Algo me chama a atenção, observo melhor, entendo: as imagens são idênticas. Hora do Fantástico. Todos assistindo à Globo. Então viajo no tempo.
Certa vez, fui visitar uns tios que moravam no quinto andar de um prédio que não possuía elevador. Era noite também. Fui subindo as escadas e fiquei perplexa ao perceber que o barulho que ouvia, das salas, a cada andar, era sempre o mesmo. Ao entrar no apartamento de meus parentes, ouvi as mesmas vozes televisivas. Era o Jornal Nacional. Nisso lá se vão uns 30 anos.
Hoje não fico perplexa como antes, mas lamento. Pelo ser humano. Que é - potencialmente - tão rico, tão complexo, tão único e, no entanto, fica se espremendo na curva normal, num aglomerado hiperdemográfico descerebrado. Onde o poder de escolha, onde a capacidade de discernimento, onde as diferenças pessoais? Apenas no rabicho elitizado que quase se confunde com o eixo dos x?
Grupo, massa, gado... as mesmas (des)informações dolorosas senso comum, os mesmos valores, a mesma aculturação nivelada por baixo, as mesmas emoções maniqueístas, as mesmas noções improdutivas, os mesmos estímulos emburrecentes... Fazer o quê... aquilo que para esparsos é vomitável, para a multidão é aplaudível.
Assim se desencaminha a humanidade, enquanto seres esquisitos seguem na contramão, apesar dos infindáveis esbarrões da ignorância.
.

Me Deixa - por Duanny

.
.
.
.
Me deixa experimentar o gosto da vida, saborear os momentos doces e simples dela, e levar comigo lembranças que ainda irão se perder na eternidade.
Me deixa te abraçar e sentir seu corpo junto com o meu, pra sentir mais uma vez o cheiro daquele perfume, pra não me esquecer de como é forte seu abraço.
Vem comigo, não é preciso sentir medo. Vamos nos jogar no abismo da felicidade, sem levar culpa alguma, nos sentir leves mais uma vez, sem remorso, nos suicidar constrangedoramente felizes, por sermos tudo aquilo que dissemos.
Me deixa olhar mais uma vez aquela foto de um passado inexistente, de uma ocasião imaginária que explode em meu peito em forma de palavras.
Me deixa ouvir mais uma vez o som daquela voz que me enlouquece, que me obriga a descobrir caminhos onde minha inocência se torna cada vez mais estreita.
Me deixa vomitar todas aquelas palavras tolas que ficaram presas com as lágrimas. Palavras fatais com sons medíocres que te fazem sorrir assustadoramente.
Me deixa ser o que eu sempre quis, me fantasiar com a ilusão da perfeição, ser o inevitável, ser o inexplorável, ser seu sonho de consumo.
Não ligue para os outros, não te prometo nada e nem espero que você queira algo em troca de tudo isso.
Mas... me deixa.
Me deixa viver a minha vida, de forma única. Da minha forma.


Visitem Duanny
.

Amargas Rosas - por Vicenzo Raphaello

Mulher agradável
O tempo havia passado por ela
Mas ainda um frescor de juventude
Corava seu rosto

Desce mais cedo numa manhã
Para o café

Amargo café

Seu marido bonachão
Médico afável
Abraçava a empregada
Dando às mãos todo uso
Que delas podia fazer

Em prantos ela se desmancha

Próximo
Um vaso com rosas
Levanta-o
Ele se abaixa
De um projétil que não vem

Trêmula
O vaso escorrega-lhe
Nas mãos ficam-lhe as rosas

Mastiga-as
Mastiga-as
Mastiga-as

As rosas
Que dele ganhara
No aniversário de casamento.
.

domingo, 27 de setembro de 2009

A Gatinha e os Estudos - por Adir Vieira

.
.

.
.
Rosada, olhinhos brilhando,
sorriso ainda tímido
é assim ao chegar...
Tenta adivinhar o que tem pro almoço
digo jiló, só pra atentar...
É assim que ela vem,
olhar distraído,
tramando outras coisas,
menos estudar...
São tantos os preparos
para o dia seguinte
e logo vem a noite,
tendo que descansar.
Não há tempo para nada
que não envolva estudos
e vai indo a vida, a deixar pra trás...
Que tempo difícil é esse de agora,
são tantas matérias,
mesmo no fundamental...
Já fico pensando daqui mais pra frente,
se haverá tempo para se coçar.



Visitem Adir Vieira
.
.

Opinião

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
.
.

Duelando Manchetes VIII: Educação de Adolescentes - por Paulo Chinelate

.
PASMEM-SE
.
.
O verbo do título não tem a pretensão de um imperativo, antes disso, é um convite a se espantarem juntamente comigo.
Bem cedinho, 06:30 da manhã, sentado à mesa do café matinal, já tendo encontrado a tv da cozinha ligada, não pude deixar de assistir a uma reportagem no primeiro jornal do dia: em um determinado colégio de São Paulo, depois de um mutirão de pintura pelos pais e alunos por ocasião das comemorações de 7 de Setembro, foram surpreendidos dois dias depois com salas e muros internos todos pichados. Até aí, pode o amigo que me lê, perguntar: “Onde o motivo para espanto? Afinal, destas notícias já estamos saturados”. Concordo e peço paciência, chegarei lá. Após a apresentação de alguns testemunhos de pertinentes reações ao mal feito veio a bomba: a professora responsável pelo patrimônio do colégio, descobrindo o malfeitor executor do estrago, fê-lo pegar rolo e tinta e apagar, consertar todo o desacato. Vivas, alvíssaras, parabéns disse eu, ainda com o gosto do último gole de café na boca. Muitos outros também devem ter dito o mesmo à desagravada professora. Só que a estória não ficou por aí porquanto a família do aluno, melindrada pela correção da dita cuja, deu queixa à polícia e o escambau! O filhinho querido fora exacerbadamente corrigido pela professora, disseram. Ela a partir de então foi tratada como uma praticante de verdadeiro estupro moral ao coitadinho do aluno, que declarou estar envergonhado e não querer mais ir ao colégio. Pai, mãe e agregados, tomando as dores do filho, imputaram a culpa à professora.
Logo em seguida a matéria jornalística apresenta a professora pedindo desculpas e se dizendo culpada pelo exagero do gesto.
Aí parei pra pensar, analisar os fatos em si.
O ato da professora foi espetacular. Não creio que pegar este aluno, levá-lo perante um juiz e aguardar uma punição por parte da justiça fosse o caso. Não vem ao caso apelar para nossa “justiça” tão assoberbada em pilhas de processos em um caso mesquinho e paroquial. Uma professora de fim de subúrbio tem capacidade de executar, sim, uma tarefa tomando para si a incumbência de uma punição modelar.
Paizinhos queridos, ofendidos pelo seu filhinho pivete, terem recebido de uma professora o que eles mesmos não conseguiram dar a seus rebentos não justifica a reação adotada.
Estabeleceu-se como ridícula a posição da professora pelo fato de ela vir a público e pedir desculpas pelo seu ato.
A aceitar-se tal posicionamento da mestra por ter praticado tal ato com sentimento de vingança, tudo bem. Não foi isso, porém, o que ficou evidente na matéria.
Considero uma tremenda inversão de valores.
Quanto ao melindroso moleque, é para perguntar-lhe se aqueles que tão amorosamente fizeram consertos e pinturas no colégio como ato cívico em 7 de Setembro também não podem se sentir melindrados pelo seu gesto infame, e qual seria então o direito de resposta de todos estes ofendidos. Pincel nele, professora, sem medos e sem receios.



.

Convite - por Poty

.
.
.
.
Passo aos amigos do Duelos o convite da festa de lançamento da COOPERARTE,
que ocorrerá no dia 01/10, às 20:30h.
Como sócio-fundador, venho convidá-los(as) para fazer parte deste momento importante.
Abraços.
.
.
.
Visitem Poty
.
. 

sábado, 26 de setembro de 2009

Natureza Morta - por Kalim Autuori

.
.
.
.
.
.
A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
.
.
.

Deixe-me Dormir - por Leandro M. de Oliveira

.
.

.
.
Ela conseguiu acabar com meu dia antes mesmo que começasse. Depois de dez anos entre convulsões sonambulísticas e dormidas desfalecentes como quando se toma uma pancada na cabeça, tive um sonho decente. Eu estava longe, liberto e bem-humorado mas, no clímax ela tinha mesmo que vir aqui como búfalo selvagem e invadir meu idílio imaginário. Não sei porque anjos ou diabos nada de bom vai do início ao fim comigo, ainda que seja mero hipotético. E agora ela me acorda, e agora o beijo na realidade, ainda sou prisioneiro. No sonho as pornografias são coisas tão cândidas, por que despertar pra esse mundo de teorias e maldades? Droga, ela é minha mãe, deveria supor meu subconsciente. Mas tinha que me acordar, e quando me reporto a ela perguntando o que quer, toda a motivação se condensa em uma palavra:

- Nada!!!!

Nesses primeiros momentos não estou indo bem em administrar o horror de há um segundo me sentir um Titã. Era enfim um homem livre que, pra seu desespero, logo após de um descerrar forçado dos olhos acorda, de volta à memória austera reavaliando que ainda permanece como aquela decadente massa de carne e sangue. Quanto à qualidade dos últimos dois itens, não posso atestar. Talvez isso mude ainda, um dia. É cômico, como uma pantomima do inferno, levanto sem ouvir ou falar, atado ao momento anterior. Tudo pela estupidez de um carinho maternal. Socorro, socorro, exílio, exílio; Morpheu “donde estás?” E pensar que quando era criança ela costumava me acordar com doces e bombons. Como diriam os pré-socráticos nada na vida tem perenidade; também nesse sentido, Lavoisier já advertira que na natureza tudo se transforma. Acho que ela tentou me dizer isso em outras palavras, num tom menos acadêmico. Pois bem, que os doces e bombons sejam lembranças remotas, que a doçura dos anos de inocência sofra a catarse do mal. Que eu me torne um sítio oblíquo e esquecido. Meu sono, meu assombro, minha fuga. Estou de pé, e as pessoas daqui seguem sem coisa alguma a acrescentar, insurtos de mim. Erro pela casa agora vazia, ninguém nunca tem nada a dizer.


.

Amigos - por Principe Encantado

O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele, por isso não vou fazer tal e qual o avozinho infeliz: em vão, por toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz! E eu aprendi que para crescer como pessoa é preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu. Obrigado por serem meus amigos.
Um bom final de semana para vocês.
Abraços fortes.


.

Virando a Página - por Thiago de Sá

Por muitas vezes nós prendemos e perdemos o que não deveríamos perder. A vida escrita e dialogada é mais fácil do que a que traduzimos em atos. Viver a vida é a difícil tarefa que não desistimos de realizar. Encontramos becos e curvas e nos prendemos em seus enigmas, no fim damos por conta de que não aprendemos a resposta e que precisamos seguir em frente. Embasamos os nossos dias nas experiências sofridas de quem está a nossa volta. Precisamos aprender a ser feliz. Colocarmos as mãos na cabeça e gritarmos: “Não aguento mais!”. Não é o caminho, vida só se encontra quando superamos o desafio de nos superarmos dia após dia. O orgulho por diversas vezes nos impede de pôr em posição contrária o que outrora foi estabelecido. Gostaria de olhar a vida com olhos do alto. Eu conheço o modo de olhar, mas encontro a dificuldade de viver esse olhar. Porque coloco em mim o desejo superficial de viver isso. Superficialidade não combina conosco: ou mergulhamos por inteiro ou saímos do rio. Somos superficiais em muitas coisas, na amizade, no amor, no trabalho, no estudo etc. Não se confunda, essa resposta eu sei dar. Não é preciso fazer apenas uma coisa de cada vez, mas sim fazer de uma só vez tudo. Seja tudo na sua amizade, nos poucos minutos que você tem com ela, pare e pense, e veja como o amanhã e o depois são escuros. Pois bem, pode ser o seu último tempo com aquela pessoa. Essa mesma regra se aplica a cada uma das outras coisas. Se o meu tempo chegar ao fim, quero a certeza de que fiz o melhor que poderia para que ele fosse excelente. Estamos nos afogando na superficialidade da vida! Somos raros por natureza, só existe um de nós. Faça valer a sua espécie em extinção. Chega de mesmice, chega de se iludir com drogas, chega de achar que a morte é a solução, chega de se desvalorizar. Encare a vida da maneira que ela é, e ame-se, pois se você amar a si mesmo, nunca conhecerá o mundo de ilusão que está a sua volta. Pois são poucos que desse mundo sobrevivem.



Visitem Thiago de Sá
.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Edgar - por Kbçapoeta

Poeta!
Observa as estrelas
Polvilhadas em um céu infindo.
Tal qual os flocos de neve dos anos
Que desponta em sua vasta cabeleira.
Quem diria?
Você futuro de ontem, passado do futuro,
Ausente no presente.
Há poeta!
Quantos endereços?
Quantas culturas?
Quantos amores platônicos?
A cornucópia dos iletrados
Escarnece de seu ofício,
Suas pífias letras, obsoletos versos
E um vasto coração.
Lastro do moderno e do antigo
Mergulhado com sutilezas, safadezas,
Destrezas e tristeza que estava
Selado,
Script ensaiado
Nas linhas de suas mãos.
O gato que ri de Alice,
Já foi preto e tinha uma forca desenhada no pescoço.
O contista foi encontrado morto no esgoto.
Até hoje ouço o seu corvo,
Que era o mesmo de Berger.
Ele gritava:
Nunca mais!
Nunca mais!
Nunca mais!



Visitem Kbçapoeta
.
Edgar Allan Poe, Lewis Carroll, John Berger

As Nossas Palavras XXII - por Lélia

.
Demorar para tomar consciência das coisas, para mim parece ser somente uma forma de se prender a sofrimento desnecessário, que às vezes dura uma eternidade. A felicidade não está em não enxergar aquilo que está errado, mas em ir, passo a passo, caminhando, de forma segura, em direção à verdade.
.
.

E Aí, Como Confiar? - por Adir Vieira

Norberto é um quase senhor de cinquenta anos. Mora sozinho, pois suas experiências amorosas anteriores com mulheres não prosperaram para levá-lo ao casamento. Viveu, até aqui, relações quase duradouras com as escolhidas, mas que não passaram de, no máximo, um ano. Entre idas e vindas ao seu apartamento - porque lá era o seu grande esconderijo -, aprendeu a cozinhar, lavar e até passar muito bem, de tanto que se esforçava para mostrar às mulheres como se administrava um lar. Acho que até foi por isso que não se grudou de fato em nenhuma delas. Nenhuma apresentou o seu esmero com as coisas e com a casa em si. Eram, quase todas, mariposas à cata do mel do seu dinheiro e das boas coisas em que ele lhes favorecia. E acho até que Norberto sempre foi ciente disso.
Hoje, já lá se vão três anos que decidiu se dedicar a ele mesmo. Arrumou mala e suas trouxas e retornou ao seu lar. Não esqueceu antes, meticuloso que é, de orná-lo com todos os aparatos necessários para o sem bem-viver e até decorou-o novamente como se fosse o primeiro.
Contratou o serviço de uma faxineira semanal, uma passadeira de quinze em quinze dias e quanto à comida, ia experimentando receitas deixadas pela mãe que, além de não lhe danificarem o estômago, lembravam-lhe, e muito, sua infância querida.
De uma coisa fazia questão. Embora a casa ficasse por conta das serviçais e totalmente aberta para a sua atuação, não permitia que nenhuma das duas tocasse em suas coisas - fossem as preciosas ou não. Isso, na contratação, foi diversas vezes repetido.
A faxineira, de toda a confiança, a partir do momento em que recolhia as chaves na portaria, não tinha permissão para manter contato com quem quer que fosse da vizinhança para que pudesse dedicar todo o expediente à limpeza da casa.
Quanto à passadeira, tinha lá seus “poréns” com sua atuação, embora com o apartamento todo fechado ela só tivesse acesso à cozinha e à área de serviço. Já tinha percebido que Dona Clotilde tinha o hábito de comer seus biscoitos importados e de mexer nas suas guloseimas na geladeira.
Por duas vezes notou e com muito cuidado indagou sobre o assunto, ao que ela sempre respondeu negativamente.
Disposto a elucidar de uma vez a questão, traçou medidas de detetive na véspera de sua visita quinzenal.
Colocou a vasilha do mamão em um ponto milimetricamente medido para que se ela, a passadeira, lá mexesse, ele logo descobrisse. Quanto ao pote dos biscoitos, teve o trabalho de esvaziá-lo para contar unidade por unidade e anotar em um papel.
Decidido a por fim àquela dúvida atroz, partiu para casa e após a verificação geral costumeira, ateve-se aos pontos estratégicos e, mais uma vez, constatou que metade do mamão papaia com creme de cassis e cinco unidades de biscoito tinham sumido das vasilhas. Teve um alívio ao constatar que não estava louco e que ela era mesmo quem se fazia valer de suas guloseimas.
Pensou e, com muito cuidado, telefonou para Dona Clotilde querendo saber se alguém esteve em sua casa enquanto ela lá estava, porque ele tinha percebido uma baixa na vasilha da sobremesa, inclusive deixando-a à vontade para confessar o delito, porque de forma alguma se importaria se ela tivesse comido. Como já esperava, a passadeira negou veementemente e ainda ficou ofendida com a pergunta de Norberto.
Agora está ele lá, confuso quanto ao que fazer, pois, mentirosa, como ele pode confiar sua casa?
Enquanto roubar somente a geladeira, tudo bem, mas se tomar gosto e arquitetar outras formas de atuar?
Conflito nos tempos de hoje!
.
.
Visitem Adir Vieira
.

Nó - por Alba Vieira

Não sei como acontece e porque,
Às vezes, tudo se complica e escurece.
E desanda, empelota e apodrece,
Deixando marcas difíceis de esquecer.

E o que mais causa espécie é o absurdo
De não se encontrar o responsável,
Embora pareça que somente o imponderável
Responde por esses ossos duros de roer...

A convivência pode ser algo extenuante,
Se não se atenta para o óbvio a aprender:
Que na relação com seu amante, na verdade,
Você se encontra cara a cara é com você.



Visitem Alba Vieira
.
.

Felicidade Não se Compra? - por Ninguém Envolvente

Folha de São Paulo: “Em 4 anos, venda de antidepressivos cresce mais de 40%”.

A sociedade está mais triste ou mais insatisfeita?

Independente da resposta feita para a pergunta acima, hoje tem-se uma enorme facilidade de comprar estabilizadores de humor; médicos despreparados tentam “dispensar” o paciente logo, e para que ambos fiquem felizes, é receitado ao paciente um estabilizador de humor à base de lítio ou algum outro metal perigoso.
Comprar tais pílulas da felicidade não basta. É preciso que as pessoas tenham em mente que todo medicamento “camufla” a doença, fazendo a dor ir embora.
Transtornos hormonais são a causa de muitos sintomas relacionados à depressão, é preciso bom senso do paciente e saber discernir o que é parte dele e o que está errado. Tem de conhecer o próprio corpo.
Felicidade momentânea está à venda nas farmácias.
Felicidade fixa, só você pode encontrar a sua.


.
.