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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 26 de setembro de 2009

Natureza Morta - por Kalim Autuori

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Deixe-me Dormir - por Leandro M. de Oliveira

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Ela conseguiu acabar com meu dia antes mesmo que começasse. Depois de dez anos entre convulsões sonambulísticas e dormidas desfalecentes como quando se toma uma pancada na cabeça, tive um sonho decente. Eu estava longe, liberto e bem-humorado mas, no clímax ela tinha mesmo que vir aqui como búfalo selvagem e invadir meu idílio imaginário. Não sei porque anjos ou diabos nada de bom vai do início ao fim comigo, ainda que seja mero hipotético. E agora ela me acorda, e agora o beijo na realidade, ainda sou prisioneiro. No sonho as pornografias são coisas tão cândidas, por que despertar pra esse mundo de teorias e maldades? Droga, ela é minha mãe, deveria supor meu subconsciente. Mas tinha que me acordar, e quando me reporto a ela perguntando o que quer, toda a motivação se condensa em uma palavra:

- Nada!!!!

Nesses primeiros momentos não estou indo bem em administrar o horror de há um segundo me sentir um Titã. Era enfim um homem livre que, pra seu desespero, logo após de um descerrar forçado dos olhos acorda, de volta à memória austera reavaliando que ainda permanece como aquela decadente massa de carne e sangue. Quanto à qualidade dos últimos dois itens, não posso atestar. Talvez isso mude ainda, um dia. É cômico, como uma pantomima do inferno, levanto sem ouvir ou falar, atado ao momento anterior. Tudo pela estupidez de um carinho maternal. Socorro, socorro, exílio, exílio; Morpheu “donde estás?” E pensar que quando era criança ela costumava me acordar com doces e bombons. Como diriam os pré-socráticos nada na vida tem perenidade; também nesse sentido, Lavoisier já advertira que na natureza tudo se transforma. Acho que ela tentou me dizer isso em outras palavras, num tom menos acadêmico. Pois bem, que os doces e bombons sejam lembranças remotas, que a doçura dos anos de inocência sofra a catarse do mal. Que eu me torne um sítio oblíquo e esquecido. Meu sono, meu assombro, minha fuga. Estou de pé, e as pessoas daqui seguem sem coisa alguma a acrescentar, insurtos de mim. Erro pela casa agora vazia, ninguém nunca tem nada a dizer.


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Amigos - por Principe Encantado

O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele, por isso não vou fazer tal e qual o avozinho infeliz: em vão, por toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz! E eu aprendi que para crescer como pessoa é preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu. Obrigado por serem meus amigos.
Um bom final de semana para vocês.
Abraços fortes.


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Virando a Página - por Thiago de Sá

Por muitas vezes nós prendemos e perdemos o que não deveríamos perder. A vida escrita e dialogada é mais fácil do que a que traduzimos em atos. Viver a vida é a difícil tarefa que não desistimos de realizar. Encontramos becos e curvas e nos prendemos em seus enigmas, no fim damos por conta de que não aprendemos a resposta e que precisamos seguir em frente. Embasamos os nossos dias nas experiências sofridas de quem está a nossa volta. Precisamos aprender a ser feliz. Colocarmos as mãos na cabeça e gritarmos: “Não aguento mais!”. Não é o caminho, vida só se encontra quando superamos o desafio de nos superarmos dia após dia. O orgulho por diversas vezes nos impede de pôr em posição contrária o que outrora foi estabelecido. Gostaria de olhar a vida com olhos do alto. Eu conheço o modo de olhar, mas encontro a dificuldade de viver esse olhar. Porque coloco em mim o desejo superficial de viver isso. Superficialidade não combina conosco: ou mergulhamos por inteiro ou saímos do rio. Somos superficiais em muitas coisas, na amizade, no amor, no trabalho, no estudo etc. Não se confunda, essa resposta eu sei dar. Não é preciso fazer apenas uma coisa de cada vez, mas sim fazer de uma só vez tudo. Seja tudo na sua amizade, nos poucos minutos que você tem com ela, pare e pense, e veja como o amanhã e o depois são escuros. Pois bem, pode ser o seu último tempo com aquela pessoa. Essa mesma regra se aplica a cada uma das outras coisas. Se o meu tempo chegar ao fim, quero a certeza de que fiz o melhor que poderia para que ele fosse excelente. Estamos nos afogando na superficialidade da vida! Somos raros por natureza, só existe um de nós. Faça valer a sua espécie em extinção. Chega de mesmice, chega de se iludir com drogas, chega de achar que a morte é a solução, chega de se desvalorizar. Encare a vida da maneira que ela é, e ame-se, pois se você amar a si mesmo, nunca conhecerá o mundo de ilusão que está a sua volta. Pois são poucos que desse mundo sobrevivem.



Visitem Thiago de Sá
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Edgar - por Kbçapoeta

Poeta!
Observa as estrelas
Polvilhadas em um céu infindo.
Tal qual os flocos de neve dos anos
Que desponta em sua vasta cabeleira.
Quem diria?
Você futuro de ontem, passado do futuro,
Ausente no presente.
Há poeta!
Quantos endereços?
Quantas culturas?
Quantos amores platônicos?
A cornucópia dos iletrados
Escarnece de seu ofício,
Suas pífias letras, obsoletos versos
E um vasto coração.
Lastro do moderno e do antigo
Mergulhado com sutilezas, safadezas,
Destrezas e tristeza que estava
Selado,
Script ensaiado
Nas linhas de suas mãos.
O gato que ri de Alice,
Já foi preto e tinha uma forca desenhada no pescoço.
O contista foi encontrado morto no esgoto.
Até hoje ouço o seu corvo,
Que era o mesmo de Berger.
Ele gritava:
Nunca mais!
Nunca mais!
Nunca mais!



Visitem Kbçapoeta
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Edgar Allan Poe, Lewis Carroll, John Berger

As Nossas Palavras XXII - por Lélia

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Demorar para tomar consciência das coisas, para mim parece ser somente uma forma de se prender a sofrimento desnecessário, que às vezes dura uma eternidade. A felicidade não está em não enxergar aquilo que está errado, mas em ir, passo a passo, caminhando, de forma segura, em direção à verdade.
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E Aí, Como Confiar? - por Adir Vieira

Norberto é um quase senhor de cinquenta anos. Mora sozinho, pois suas experiências amorosas anteriores com mulheres não prosperaram para levá-lo ao casamento. Viveu, até aqui, relações quase duradouras com as escolhidas, mas que não passaram de, no máximo, um ano. Entre idas e vindas ao seu apartamento - porque lá era o seu grande esconderijo -, aprendeu a cozinhar, lavar e até passar muito bem, de tanto que se esforçava para mostrar às mulheres como se administrava um lar. Acho que até foi por isso que não se grudou de fato em nenhuma delas. Nenhuma apresentou o seu esmero com as coisas e com a casa em si. Eram, quase todas, mariposas à cata do mel do seu dinheiro e das boas coisas em que ele lhes favorecia. E acho até que Norberto sempre foi ciente disso.
Hoje, já lá se vão três anos que decidiu se dedicar a ele mesmo. Arrumou mala e suas trouxas e retornou ao seu lar. Não esqueceu antes, meticuloso que é, de orná-lo com todos os aparatos necessários para o sem bem-viver e até decorou-o novamente como se fosse o primeiro.
Contratou o serviço de uma faxineira semanal, uma passadeira de quinze em quinze dias e quanto à comida, ia experimentando receitas deixadas pela mãe que, além de não lhe danificarem o estômago, lembravam-lhe, e muito, sua infância querida.
De uma coisa fazia questão. Embora a casa ficasse por conta das serviçais e totalmente aberta para a sua atuação, não permitia que nenhuma das duas tocasse em suas coisas - fossem as preciosas ou não. Isso, na contratação, foi diversas vezes repetido.
A faxineira, de toda a confiança, a partir do momento em que recolhia as chaves na portaria, não tinha permissão para manter contato com quem quer que fosse da vizinhança para que pudesse dedicar todo o expediente à limpeza da casa.
Quanto à passadeira, tinha lá seus “poréns” com sua atuação, embora com o apartamento todo fechado ela só tivesse acesso à cozinha e à área de serviço. Já tinha percebido que Dona Clotilde tinha o hábito de comer seus biscoitos importados e de mexer nas suas guloseimas na geladeira.
Por duas vezes notou e com muito cuidado indagou sobre o assunto, ao que ela sempre respondeu negativamente.
Disposto a elucidar de uma vez a questão, traçou medidas de detetive na véspera de sua visita quinzenal.
Colocou a vasilha do mamão em um ponto milimetricamente medido para que se ela, a passadeira, lá mexesse, ele logo descobrisse. Quanto ao pote dos biscoitos, teve o trabalho de esvaziá-lo para contar unidade por unidade e anotar em um papel.
Decidido a por fim àquela dúvida atroz, partiu para casa e após a verificação geral costumeira, ateve-se aos pontos estratégicos e, mais uma vez, constatou que metade do mamão papaia com creme de cassis e cinco unidades de biscoito tinham sumido das vasilhas. Teve um alívio ao constatar que não estava louco e que ela era mesmo quem se fazia valer de suas guloseimas.
Pensou e, com muito cuidado, telefonou para Dona Clotilde querendo saber se alguém esteve em sua casa enquanto ela lá estava, porque ele tinha percebido uma baixa na vasilha da sobremesa, inclusive deixando-a à vontade para confessar o delito, porque de forma alguma se importaria se ela tivesse comido. Como já esperava, a passadeira negou veementemente e ainda ficou ofendida com a pergunta de Norberto.
Agora está ele lá, confuso quanto ao que fazer, pois, mentirosa, como ele pode confiar sua casa?
Enquanto roubar somente a geladeira, tudo bem, mas se tomar gosto e arquitetar outras formas de atuar?
Conflito nos tempos de hoje!
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Visitem Adir Vieira
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Nó - por Alba Vieira

Não sei como acontece e porque,
Às vezes, tudo se complica e escurece.
E desanda, empelota e apodrece,
Deixando marcas difíceis de esquecer.

E o que mais causa espécie é o absurdo
De não se encontrar o responsável,
Embora pareça que somente o imponderável
Responde por esses ossos duros de roer...

A convivência pode ser algo extenuante,
Se não se atenta para o óbvio a aprender:
Que na relação com seu amante, na verdade,
Você se encontra cara a cara é com você.



Visitem Alba Vieira
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Felicidade Não se Compra? - por Ninguém Envolvente

Folha de São Paulo: “Em 4 anos, venda de antidepressivos cresce mais de 40%”.

A sociedade está mais triste ou mais insatisfeita?

Independente da resposta feita para a pergunta acima, hoje tem-se uma enorme facilidade de comprar estabilizadores de humor; médicos despreparados tentam “dispensar” o paciente logo, e para que ambos fiquem felizes, é receitado ao paciente um estabilizador de humor à base de lítio ou algum outro metal perigoso.
Comprar tais pílulas da felicidade não basta. É preciso que as pessoas tenham em mente que todo medicamento “camufla” a doença, fazendo a dor ir embora.
Transtornos hormonais são a causa de muitos sintomas relacionados à depressão, é preciso bom senso do paciente e saber discernir o que é parte dele e o que está errado. Tem de conhecer o próprio corpo.
Felicidade momentânea está à venda nas farmácias.
Felicidade fixa, só você pode encontrar a sua.


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Laços - por Gio

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Por mais cético que se seja, é impossível não perceber um certo nível maior de “ligação” que alguns seres humanos têm. Certas pessoas simplesmente parecem que foram destinadas a se dar bem.

Chame de afinidade, telepatia, ou “culpe” uma vida passada por isso: o fato é que há pessoas que parecem se prever, se conhecer profundamente desde o primeiro instante que tiveram contato, parecem saber cada necessidade do outro. Isto é raro, e, quando acontece, não se deve jogar fora. Amizades existem aos montes; pessoas que te entendam perfeitamente, nem tanto.

O problema é quando essa ligação é “tomada por garantida” - a pessoa acha que ela é base forte o suficiente para sustentar a relação - seja ela amizade ou relacionamento -, e desculpa boa o suficiente para perdoar e esquecer qualquer mancada.

Do contrário, ter uma pessoa que sabe como você é... ou melhor, que pensa como você, pode ser bem útil, e até mesmo divertido. É sempre bom saber que, no meio da multidão, ao menos alguém te compreende.

Ultimamente andam subestimando a minha inteligência, e abusando da minha já-não-tão-abundante paciência... Quando eu estiver prestes a estourar - escrevam - vou ouvir a velha história da “ligação especial”. Algo soando familiar pra você?

Laços fortes? ♪ Que se danem os nós... ♪, vou desamarrar o da minha tolerância, antes que ela estoure!



Visitem Gio
Ana Carolina, Totonho Villeroy

Chico Buarque em “Brejo da Cruz” - por Kbçapoeta

A novidade que tem no Brejo da Cruz
É a criançada se alimentar de luz
Alucinados, meninos ficando azuis
E desencarnando lá no Brejo da Cruz

Eletrizados cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária assumem formas mil
Uns vendem fumo, tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro cego tocando blues

Uns têm saudade e dançam maracatus
Uns atiram pedra, outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta de onde essa gente vem

São jardineiros, guardas-noturnos, casais
São passageiros, bombeiros e babás
Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças e que comiam luz

São faxineiros, balançam nas construções
São bilheteiras, baleiros e garçons
Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças e que comiam luz
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Comentário de Kbçapoeta em Viver de Luz, de Alba Vieira:
Não duvido do poder que transcorre em nossa mente, mas estamos tão condicionados ao hábito de comer, que hoje em dia torna-se quase impossível. Claro que sempre haverá quem consiga. E interessante que Chico Buarque tem esta música falando desse tema.
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As Nossas Palavras XXI - por Lélia

As pessoas que se vão, jamais voltam; como uma flecha perdida que não se encontra nunca mais no meio da floresta ou uma palavra dita que é lançada ao vento. Estas três coisas têm em comum o fato de terem sido afastadas de nós para sempre. Mesmo que as pessoas que se ausentaram retornem, não serão as mesmas, nunca. Por isso, quando estou com alguém que vale a pena, aproveito a oportunidade, sabendo que a pessoa naquele momento é única, irrepetível, assim como eu.
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Sentindo o Inesperado - por Alba Vieira

Meu grande amigo, desde que fiquei sabendo do que está acontecendo com você, só tenho um pensamento: que esteja agora sendo chamado a desenvolver um trabalho mais refinado em outras frentes de assistência, em outras esferas.
Pensei em como me sentiria se estivesse no seu lugar, tentando ter essa vivência. E então, me vi muito triste. Não por receio do que viria depois, mas em virtude da falta de opção na concordância em ir e pela tão súbita convocação.
Refleti e imagino que o tempo irá lhe trazer a compreensão e a calma para viver esse momento tão importante de sua vida. É que já está pronto e precisam de você agora atuando de forma diferente.
A sua essência, de tanto brilho, compassiva e evoluída, nada teme, lamenta ou fraqueja. É só alinhar-se com ela.
O trabalho que vem desenvolvendo por tantos anos em nosso hospital, tão diferenciado, competente e humanizado, marcou profundamente a vida de todos que um dia foram tratados por você e cada uma dessas pessoas, reflete o sentimento de Amor em sua direção. Existe, nesse momento, um entrelaçamento de auras e sendo assim, você não está sozinho, pode ter certeza.
Estarei a seu lado em pensamento e, se puder ser útil em qualquer circunstância durante esse processo, é só chamar que estarei perto.

E tudo que você tem sido permanecerá impresso em nossos corações.
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Visitem Alba Vieira
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Festa do 6º Barão - por Kbçapoeta

Venha para festa!
Receba versos, divagações,
Teorias abstratas e baratas
Junto com belas palavras.
Adorarias escutar?
Queixo-me a você,
Pois você nunca iria contar.
Pérolas e fases
Que a lua transcorre
Dentro desse estrangeiro coração.
Não posso evitar
As tardes de verão
Com aquele clima gostoso de outono.
Ceda seu carinho!
Seda é sua pele
Quando ouso tocar.
Murmuro em pensamento
Verdades e defeitos
Que não posso falar.
Deixo a caneta
Sem tinta, sem pauta.
Para ela não delatar
Com minha própria letra,
A palavra que me trai



Visitem Kbçapoeta
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Show-Mício - por Leo Santos

Os tonéis vazios estavam cheios,
cheios de sons, que o vazio propicia;
E as víboras surdas encantadas,
co’o som d’uma flauta que não se ouvia.

Cumplicidade pública patológica,
edificando um castelo de cartas;
Barcos velozes, sedutoras iscas,
pescadores jubilosos, redes fartas.

Águas tremeluzindo no leito das ruas,
e o domador estalando o relho;
No podium do palanque embriagados,
Narcisos amando o reflexo do espelho;

Insano quebra-cabeças do poder,
montagem lenta, previsível desenlace;
Roleta viciada fingindo escolher,
incautos vibrando co’uma nova face.

Não veem, não cheiram nem há tato,
e a maledicência soa como prece;
Mimetismo perfeito, a cobra e o mato,
e cada parte recebe o que merece…



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As Nossas Palavras XX - por Lélia

Andei refletindo sobre o valor do dinheiro, por estes dias... Isso porque eu tinha perdido alguns reais, não sei como, e comecei a pensar se moedas e notas são realmente importantes. Lembrei que, por perda de valor muito menor, já vi gente até perdendo a saúde, ficando deprimida, perdida mesmo, como se não tivesse mais nada na vida. Estranho isso... principalmente porque falo de pessoas que não passam necessidade, têm tudo de que precisam... pessoas de bom caráter, educadas, normalmente tranquilas que, de repente, por causa de uma coisa que eu considero tola, mudaram da água pro vinho (rascante).
Então eu fiquei me perguntando (e me achando uma pessoa muito esquisita): será que o dinheiro vale tudo isso?
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O Vestido de 52 Botõezinhos - por Adir Vieira

Minha mãe sempre foi uma excelente costureira. Gabava-se de ter tido uma professora de corte e costura por demais exigente que a fazia, sem dó e piedade, refazer todo um extenso trabalho de bainha caso um dos minúsculos pontos estivesse fora do padrão.
Era meticulosa em tudo, portanto, não sei se posso atribuir essa característica de personalidade à formação dessa professora.
Tentava, nos seus ensinamentos a nós, suas filhas, repetir esse comportamento, mas nós, vivendo em outra época mais flexível, a driblávamos e íamos dando nosso verdadeiro toque pessoal nas tarefas que empreendíamos.
Mãe de cinco meninas, em tempos de poder escasso, encarregava-se de nos vestir com esmero, com seus dotes profissionais.
Lembro que nunca costurou para estranhos, mas a família de primas e tias usavam e abusavam dos seus serviços de modista, iniciado para compor as despesas da casa, num momento de desemprego do meu pai.
Vejo agora, diante dos meus olhos, pilhas de papel pardo e alfinetes com que cuidadosamente embrulhava as peças encomendadas, depois de passá-las e engomá-las a ferro. Lembro das pessoas batendo à porta para buscar as roupas e até do recebimento do dinheiro tão esperado.
Nossas roupas eram feitas, muitas das vezes, com fronhas coloridas, desmanchadas e transformadas em tecido maravilhoso para ela criar seus modelos. Tinha prazer nisso e vejo hoje que se realizava compondo modelos de revista para as filhas de diferentes idades.
Passeando com minha imaginação, lembro que eu e minha irmã mais nova que eu apenas nove meses, quando começamos a trabalhar fora, tínhamos o frenesi de a cada segunda-feira exibir um traje novo. Nessa época, já comprávamos os tecidos com seu assessoramento e cuidávamos da casa, para que a coitada, todos os finais de semana, preparasse um novo vestido.
Isso era bastante comum e só me dei conta de como éramos “perversas” nesse pedido a ela quando ela mesma inventou, para mim, um vestido de cor verde-alface, estilo reto, sem mangas, com uma golinha “de padre” que, na frente, abaixo do decote, tinha, em par, cinquenta e dois botões miúdos.
Lembro dela arfando às nove horas da noite de domingo, ainda pregando aqueles inúmeros botões, e de mim, passando a ferro a vestimenta para me exibir na segunda-feira.
Era assim minha mãe. Quanta vida, quanta experiência, quanta criatividade e, sobretudo, quanto esmero em tudo o que fazia!
Como já era de se esperar, até na rua, naquele dia, me pararam para apreciar o traje, talvez estranhando aquele arsenal de botões encapados com o próprio tecido do vestido.
Belas e doces lembranças...



Visitem Adir Vieira
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Viver de Luz: a fonte de alimento para o novo milênio, de Jasmuheen - por Alba Vieira


“Na verdade, a base da experiência da autora é a conscientização de que ela é um ser de luz numa vivência material, exatamente como cada um de nós. E, como consequência desse processo, é possível prescindir do alimento material como sustento para a vida.
Então, o livro vai muito além de apresentar e discutir o processo de vinte e um dias para passar a viver de luz. O foco não está em comer ou não comer, nem no que se come e sim trabalhar com o sistema de crenças, realizando um processo de iniciação espiritual, em que se passa a viver em outro nível de vibração energética.
Mostra como integrar os corpos físico, emocional, mental e espiritual para gozar saúde e como a saúde de cada um de nós depende daquilo em que acreditamos, exatamente uma derivação de como a nossa realidade é moldada por nossos pensamentos e nossas crenças.
Fala dos processos de cura, imortalidade, regeneração celular a partir da conexão com nossa divindade interior (o Eu presença) e esclarece que esta realidade de sermos seres ilimitados é a nossa perspectiva para breve. E que há, entre nós, cada vez um maior número de pioneiros que servirão de exemplo, os trabalhadores da luz.
Chama a atenção dos médicos ocidentais para que compreendam que a fonte de energia para o corpo não provém somente do alimento material, mas também da luz solar que alimenta nosso sistema galáctico e do prana que absorvemos na respiração e pela pele. E demonstra que, uma vez que estejamos sintonizados perfeitamente com nossa porção divina, o prana poderá ser nossa única fonte de energia.
Esclarece ainda que é um processo inteiramente pessoal, em que a escolha e a responsabilidade são unicamente daquele que se propõe a fazê-lo e que se sustenta no grau de conexão que estabelece com a sua luz interior, sendo possível, em determinado momento, para uns e não para outros. Também fala que a passagem para viver de luz deve ser progressiva, de acordo com a natureza de cada ser, deixando de comer carne, depois só consumindo alimentos crus, depois só líquidos, até chegar a viver só de prana. E tudo isso interligado com o desenvolvimento espiritual através de meditação e prévio fortalecimento do corpo físico com saúde, condição muscular perfeita e estabilização do peso corporal, além de estabilização emocional e correção de pensamentos (reprogramação mental e reformulação de imagens). Inclusive relata que muitas pessoas que passaram pelo processo dos vinte e um dias com sucesso, experimentando a conscientização de sua natureza espiritual, depois voltaram a ter uma alimentação normal (embora mais cuidadosa), muitas vezes por questões de ordem social.
Enfim, é um excelente livro que nos fala do poder ilimitado da conscientização de nossa natureza espiritual com todos os seus efeitos benéficos, principalmente de aflorar a clarividência, a clariaudiência, trazer leveza para o corpo e a necessidade de menos horas de sono. E sinaliza que, com esse processo, haja a possibilidade de resolver a fome mundial.”
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E você? Que livro gostaria de resenhar aqui?
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Visitem Alba Vieira
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Momentos - por Duanny

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Sou uma menina, sim ainda uma menina, movida à base de momentos. Ainda assim sobrevivo dela, sabe porquê? Porque ainda a inocência me toma, a rebeldia me acalma e a irresponsabilidade me alimenta.
Os momentos calmos me entediam, na maioria das vezes eles chegam a ser patéticos, ou mesmo tranquilizantes, é bom um pouco de calma para se atingir os objetivos.
Os momentos felizes me possuem de uma forma contagiante, me fazem falar alto e querer mais e mais.
Os momentos tristes me destroem de forma constrangedora, eles tiram minha máscara e deixam as lágrimas rolarem de forma escancarada. Mas são dos únicos momentos que dou por mim mesma, e posso saber até onde minha mentalidade adolescente vai.
Os momentos intensos não sou eu, me torno meu próprio sonho de consumo, alguém que nunca vou ser.
Nos momentos desesperados sou aquela que grita, que chora, e depois ri, ri da vida, ri de mim mesma.
Nos momentos apaixonantes tiro a minha máscara, mas, sem deixar que lágrimas rolem, sou aquela mesma garota dos momentos calmos, felizes, tristes, intensos, desesperados, incontroláveis, alucinantes e até mesmo cínicos.
Mas, ainda assim, continuo sendo uma menina, uma menina movida a momentos.



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Mário Quintana, “Eu Queria Trazer-te Uns Versos Muito Lindos” - Citado por Penélope Charmosa

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!



In “Quintana de Bolso”.
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