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Eróticos.)




segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Toma.Amor - por Ju Blasina

Toma
Amor
O líquido doce
Que transborda
Este cálice ornado

Toma
Amor
Lave os lábios sedentos
Leve aos olhos vendados
Ao conteúdo desconhecido

Toma
Amor
Gole a gole, gota a gota
Sacie a sede que só
Tua’alma sente

Toma
Amor
Até que escorra
Lentamente, até
Adentrar-se-fundir

Toma
Amor
Até o mesmo pulsar
Em tuas veias pálidas
Até que possa aplacar

A insaciável e lasciva fome
Que em silêncio e entrelinhas
Nos consome, em noite cálidas
Por mim, por ti, eternamente
Toma.Amor



Visitem Ju Blasina
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Notícia de Terra Distante - por Leandro M. de Oliveira

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“É possível que uma pessoa se torne obcecada por outra sem nunca tê-la visto? E essa outra, poderia ver através de seu dilema e não sofrer? O que segue é um fragmento, extraído da história de um homem e de uma mulher que optaram por querer-se em plenitude livrando-se assim de uma existência vulgar...”

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Bom dia minha sempre cara,
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Foi ontem e foi há mil anos, tenho pensado em ti como não se deve pensar, meu espírito deixa a condição de sombra alçando um voo de condor, no pensamento, vou dar em paragens do desconhecido entrando por lugares que jamais ousei. Depois do pouso, é como eu passasse em revista a minha vida, ouvindo o eco dos perdidos sonhos. Como tudo já foi belo... Minhas mãos carregam diamantes desbotados, arrancados da terra distante da inocência; hoje, não brilham mais. E cada nome é um fantasma, e cada assombro traz na boca o sabor acre do sangue paralisado. Há um segundo tudo era azul mas, como é inútil eu tentar iludir a mim mesmo... Agora, depois desse tempo cinza, venho a uma sala que já não cria. Depois daquele horizonte baço não desejava mais que um pouco de luz, e tu colocaste o sol a meus pés. Mas como posso querer dizer como é se sentir vivo outra vez? Como é ser desacreditado na vida e ao passo do teu menor sorriso entender que tudo é possível?
Há pouco tempo vim saber teu nome, embora conhecesse a tua vinda desde antes do sempre. Eu conheço tua respiração e cada passo de tua estrada, sei que não posso evitar as feridas do caminho, mas posso oferecer meu bálsamo pra trazer conforto a seus pés. Às vezes me coloco em um ponto remoto e fico a observar nós dois, me perco e cismo que você é um anjo, porque o teu rosto me faz pensar em Deus. E tremo por cada polegada de teu corpo, e por cada sulco que o exílio tenha gravado em tua pele. Permaneço não aqui, estou no pretérito, revendo coisas que não existem mais... Rasgo o tempo com a memória, no regresso febril das impossibilidades, os nomes pelos quais chamei pensando ser você passam por mim, como um desfile de almas que passa ao purgatório. E reencontro minha confiança; meu escudo e lança, no teu nome sem nome, no teu santuário sem corpo.
Tenho em ti tudo quanto há de belo e puro nessa terra amaldiçoada. Todavia, a alma é vil e meus sentidos profanos. E, quando mais, saio louco por entre bosques e abismos, em noites sem lua e sem alento, me odiando por maculá-la em pensamento. Quero estar em ti antes mesmo de minha chegada, quero arrancar teu sexo com meus dentes pra que te conserves pura de mim. A alma bestial vacila ante o sacrário que és, dá-me de beber o teu sangue, dá-me de comer tua carne, morra em mim pra que eu renasça em ti. Imola-te em meu nome, e esse sacrifício será o sinal de um mundo novo...
Minha cara, meu não existir e meu Ser sem termo. A você tudo de melhor.

Porto Firme, 31 de agosto de 2009.


*Thay, a você o meu carinho e as minhas reverências.
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Apenas Diga Sim - por Lélia

Escrevo esta carta para dizer que depois de tantos anos tentando esquecê-lo, vi você ontem à noite saindo do shopping sozinho e era dia dos namorados. Naquele instante, tudo voltou: nosso esbarrão engraçado no parque de diversões, o primeiro encontro com aquele beijo desajeitado de despedida, os passeios, a primeira briga debaixo da chuva, os carinhos (muitos) e a separação quase sem motivo.
Ontem, ao ver você, percebi o quanto foi bom e que tenho saudade. Eu sinto falta. Havia algo entre nós que não encontrei em mais ninguém; uma coisa boa, um entendimento, uma cumplicidade difícil de explicar.
Gostaria de viver tudo de novo, de tê-lo a meu lado, de dividir com você esta outra parte da minha vida. Quero muito isso, com toda força do meu ser. E quero tanto assim porque descobri o quanto o amei e ainda o amo quando vi você.
Só te peço uma resposta: SIM.
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O Tema da Canção do Verdureiro - por Luiz de Almeida Neto

Amor,

..........Passei muito tempo pensando em como te dizer isso. E só há duas formas.
..........A primeira é um cãozinho, que eu comprei pra criar. Ele ia passando e avistou um brinquedo sujo, meio esculhambado, que eu até já pensava em jogar no lixo. Acabou que se apegou de tal forma a esta peça que não a larga mais. É o dia inteiro pra cima e pra baixo com o brinquedo em baixo do braço, ou melhor, da pata.
..........A segunda é aquele verdureiro imbecil, que fez de minha rua palco para suas vendas e que não para de gritar nem por um instante, querendo falar das ofertas a qualquer um dos transeuntes que lhe dê atenção.
..........Deu-se que eu acabei descobrindo que ele tem um entendimento com Dona Gertrudes, aqui do 375, e que os dois passam as noites a fazer peripécias. Pois é, certo dia eu também ia passando e, ao avistá-lo, escondi-me logo atrás de uma outra banca e fui dando a volta cuidadosamente para não ser abordado por um de seus berros.
..........Eis que o sujeito estava cantarolando uma melodia fraca, feia, e sem sentido, que falava coisas sobre cachaça, mulheres de caráter duvidoso e outras desgraças afins. Mas eu parei pra contemplá-lo e acabei descobrindo que ele não estava cantando aquilo. Na verdade ele estava feliz, apaixonado, e cantando a única canção que sua farta ignorância lhe pôs à mão.
..........Assim é o que sinto por você. Passava eu por você tal qual Aderbal pelo meu brinquedo velho, e desde então tenho tido muitas atitudes irracionais que minha grande estupidez me põe à mesa. Mas de todas as atitudes que eu tomo, no fundo, e depois de pensar bastante, vejo que o tema é você. E eu tenho que arrumar pelo menos uma canção para cantarolar.


P.S.: “É rapariga, é cabaré, é ‘bagacera’, muita mulher. De primeira qualidade...”.
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Carta de Amor - por Luiza

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Imagem: Galeria pública de Niamh

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Não sei o que faço aqui escrevendo-lhe estas linhas. Acho que não tenho mesmo vergonha na cara. Depois de tudo o que você me disse, ainda tenho coragem de lhe procurar!
Mas é que o amor é cego, é surdo, é idiota mesmo.
Na ausência do objeto do amor, fazemos tudo, tudo mesmo para tentar preencher este vazio que se instala e que nenhuma outra pessoa consegue preencher. E aí, escapam pela mesma fenda que se abre no nosso peito, o amor-próprio, a vergonha e a sensatez. E um grito desesperado se faz ouvir pedindo que volte aquele que se fez dono do nosso coração sem ter pedido licença.
Assim, estou aqui implorando para que volte pra mim, não para encontrar a pessoa que você pensou que eu era e que por não ter conseguido concretizar quando vivemos juntos, se decepcionou. Mas para descobrir aquela que sou na realidade, com luz e sombra, de carne e osso, de mãos ternas e unhas afiadas, que sabe calar e que pode gritar para que sua voz seja ouvida.
Eu tenho o direito de me fazer conhecer e de lhe pedir que seja homem e que enfrente o despertar de um sonho bom. Quero que acorde e venha comigo construir um amor verdadeiro, feito de acertos e erros e superação.
Estou aqui porque sei que nos amamos. Eu sei o quanto o amo e, como você talvez ainda não tenha compreendido a dimensão do seu amor por mim, sou eu quem deve pedir: volte, tente me encarar e encontrar no fundo do meu olhar o lugar que é só seu, onde nossas almas se encontram e se reconhecem.
Te amo.
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Carta de Amor... - por Manhosa

Meu eterno amor...

Saudades... Saudades... Saudades... São tantas que meu coração se contrai para segurar tua imagem...

Hoje é o teu quarto aniversário que passamos distantes...
Comprei cerveja e uma torta fria de atum e uma doce de chocolate... como gostavas... Ninguém mais lembrou...
Estou ficando forte... risos... não estou chorando... estou tomando uma cervejinha e te escrevendo esta carta... pois se ficar conversando... risos...
Tens uns filhos muito especiais... daqui a alguns dias se darão por conta e... vão procurar milhões de desculpas por terem me deixado sozinha...
Mas... era exatamente o que eu estava querendo... te escrever esta carta de amor...
Mesmo eu brigando contigo... dizendo que fugiste e me deixaste sozinha... sabes que meu amor por ti não diminuiu um grama se quer...
Hoje tenho uma vida não muito diferente... trabalho casa... casa trabalho... raramente saio com alguma amiga para jantar ou um show qualquer...
Minha maior saudade são nossos papos sobre coisa alguma... madrugada adentro... risos...
Não acho mais graça em ler... sem alguém para comentar... risos... Principalmente um “Advogado do Diabo”...
Hoje meu maior passatempo é juntar letrinhas... falar de amor... risos... te procurar nas estrelas...
Sabes... muitas vezes já pensei em ter outro companheiro... mas... risos... velho não quer velha...
...risos... alguém que gostasse de jardim... flores... frutas diferentes... temperos...
Vais dizer como sempre que sou uma bobona... que chame alguém e mande fazer... grgrgrgrgr...
Na verdade hoje tenho novos amigos(as) diferentes... chamo eles de Meus Amigos Virtuais do Coração... são através do PC... risos... isto descobri depois que partiste... e me ajudaram muito... muito mesmo...

Vou parar aqui... esta carta esta se estendendo muito e perdendo o sentido...
As lágrimas começaram a querer lavar meu rosto... risos...
Feliz Aniversário... um abraço de ursa... muito apertado... me segura forte um pouquinho...

Te Amo

Manhosa


Obs.: Olha pelo nosso menino que está longe de mim... sabes que ele é diferente...



Visitem Manhosa
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Morris West

Uma Carta de Amor - por Mari Amorim

Em tempos dominados por mensagens curtas, por torpedos de celular, conversas em MSNs e e-mails, as cartas de amor acabaram virando quase que peça de museu, coisas que a vovó fazia. Pergunte para alguém se escreve ou recebe cartas de amor, especialmente escritas de próprio punho, e veja a resposta. São poucas as pessoas que dedicam tempo, energia e atenção – que sentam para redigir um texto dedicado exclusivamente ao objeto da adoração. No dia 12 de junho, para fazer diferente, quem sabe vale colocar o “coração no papel”, deixar os bytes de lado por um tempo, e agradar a quem se gosta? O importante, neste caso, é não temer o ridículo, pois como escreveu Fernando Pessoa, a partir de seu heterônimo, Álvaro de Campos, “todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”.
Ainda não defini se o que escrevi é uma carta eletrônica de amor, que por razões pessoais não enviei, quem sabe por estar envolvida naquele momento no recente processo de desconstrução de um amor tão amigo, cúmplice, acreditando que houvesse muitas Manhãs e Amanhãs!
Ah! Grande menino, poeta, Lep e sorrisos, que tem a negação como afirmação...

Ouça-me...
Goste de alguém que te ame, que te espere que te compreenda mesmo nos momentos de loucura. De alguém que te ajude; que te guie, que seja seu apoio, sua esperança, seu tudo... Não goste do Amor...
Goste de alguém que não te traia, que seja fiel, que sonhe com você, que só pense em você, no seu rosto, na sua delicadeza, no seu espírito; e não no seu corpo, nem em seus bens... Não goste do Amor...
Goste de alguém que te espere até o final, que sofra junto com você, que ria junto com você. Que enxugue suas lágrimas, que te abrigue quando necessário, que fique feliz com suas alegrias e que te dê forças depois de um fracasso... Não goste do Amor...
Goste de alguém que volte pra conversar com você depois das brigas, depois do desencontro; de alguém que caminhe com você, que seja companheira, que respeite suas fantasias, suas ilusões... Goste de alguém que te ame... Não goste apenas do Amor...
Goste de alguém que sinta o mesmo sentimento por você. Enxergue esta pessoa, como eu te enxerguei...
Nosso desencontro nasceu quando encontrei Narciso cantando Djavan “Amar é perder o tom nos comas da ilusão...”



Visitem Mari Amorim
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Carta ao Amigo Distante - por Mari S

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Querido amigo

Que saudades de você, como sinto a sua falta. Há dois anos que não o vejo. Guardo grandes lembranças dos momentos em que passamos juntos, dos abraços apertados e das crises de risos intermináveis. Lembro-me das festas de aniversários. Você sempre esteve lá, comigo, para me abraçar, apagar a velas e segurar-me pela mão na hora de desejar um grande pedido.
Às vezes, quando fecho os olhos, ainda posso ouvir-te. Posso escutar aquela risada cativante que fazia qualquer pessoa sorrir contigo... Lembro-me das suas palavras e da imensa satisfação ao saber que havia conseguido realizar um dos meus grandes sonhos. Como seus olhos brilhavam... Comemoramos juntos a minha pequena vitória.

Naquela mesma noite, o telefone tocou. Para a minha alegria, era você. Estava feliz, radiante. Dizia-me palavras de ânimo, de motivação. Dizia-me que sempre acreditou em mim, em meu potencial. Como eram doces aquelas palavras.

Naquela madrugada, o telefone tocou. Como eu queria que fosse você... Era alguém que me dizia que você havia partido. Partido para sempre... Meu mundo havia desabado. E agora? Quem iria segurar a minha mão? Quem iria pegar-me no colo e me chamar de princesa? Não pude desperdi-me e minhas lágrimas sufocaram o meu grito de adeus. Dois dias depois, fui concluir mais uma etapa do meu sonho. Não sabia se me concentrava ou se fazia o meu melhor para cumprir a promessa que lhe fiz. Era o meu presente. Meu presente de despedida.
Infelizmente, eu não consegui. O tempo passou e a promessa ainda arde e urge vivamente dentro do meu peito. Sei que não poderemos comemorar juntos. Mas tenho fé e força de vontade para lutar. O corpo, às vezes, sucumbe de cansaço, mas a alma renasce todos os dias. Quando eu conseguir, em meios aos gritos e pulos de felicidade não pintarei meu rosto de tinta com dizeres APROVADA. Pintarei de verde e em letras garrafais: MANO, EU CONSEGUI...

Com amor,

Mari



Visitem Mari S
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Carta de Amor - por Mellon

Cair de costas na cama depois de passar o dia todo fora, trabalhando. Coca-cola numa praça de alimentação num dia à tarde. O cheiro do meu perfume em dias muito, muito quentes. Você encostando a boca na minha mão de leve, como se fosse dar um beijo. Robert Smith dizendo “inspire me the desire in me to never go home”. Falar com o Leite. Lembrar do sorriso do meu pai, sentado na poltrona enquanto me olhava brincando. Minha caixa de e-mails vazia. Livros novos. Livros antigos. Meu tênis sem cadarço. O sol batendo no rosto. A chuva batendo no rosto. Suco de maracujá. Ouvir um cd antigo, mesmo que seja Legião ou Paralamas. Cantar no banho. Um abraço de quem sabe abraçar. Trem apertado e eu sem conseguir controlar o riso, sozinha. Uma estrada vazia num dia azul como esse. Sair de casa sem rumo. Thom Yorke cantando. O computador travado. Crise. Crise. Quando você acorda e sente que não vai conseguir levantar.

O olhar que eu te dei quando você soube que eu poderia ser. Nós somos acidentes, esperando. Esperando acontecer.



Visitem Mellon
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Carta de Amor - por ParadoXos

carta de amor seria uma palavra só uma lágrima um suspiro meu de tudo o que na garganta me ficou colado carta de amor seria eu não escrever não ter sentir não sonhar a insónia que as noites me oferecem seria o que não consigo sorrir seria algo sério como o mundo que partiste em delícias de cacos não seria nada nem mesmo tu seria apenas uma carta de um amor sem vírgulas nem pontos finais seria minha loucura que é tua morada!



Visitem ParadoXos
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Milorad Pavitch e Uma Carta de Amor - Citado por Penélope Charmosa

Em algum lugar, no litoral dos mares do sul, lá onde as estrelas estão mais distanciadas de suas imagens, os passageiros de um navio comeram uma tartaruga gigantesca. Quinhentos anos depois, um marinheiro encontrou o casco sobre a mesma praia e nele se escondeu para passar a noite. Pela manhã, descansado e alegre, enfiou braços, pernas e cabeça através dos furos do casco e entrou no mar, brincando consigo próprio.
Depois de meio milênio, o casco de tartaruga novamente ecoa as batidas de um coração, e novamente consegue nadar.
É assim que o teu coração ecoa dentro de mim.



In “Paisagem Pintada com Chá”.
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Você Foi Embora... - por Renata Zonatto

Você foi embora e eu não tive a chance de dizer-lhe adeus. Não tive um minuto, não tive nenhum momento. Você foi embora, sem eu lhe dizer que o quanto o amava.
Não fui forte o bastante, estava confusa... com medo dos meus sentimentos.
A essa hora você deve estar muito longe, e eu não sei onde lhe procurar.
Você foi embora, eu pensei que não sentiria a sua falta.
Eu não queria que isso tivesse acontecido, eu não queria que acabasse assim.
Eu não tive coragem de lutar pelo meu amor, mas meu egoísmo não queria que você deixasse de lutar por mim.
Eu queria voltar no passado... Voltar o tempo.
Me sentir a dona do mundo... ao menos por um segundo!



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Lúdico - por S. Ribeiro

Sem vontade, murcho,
te digo inerme que enquanto vais e voltas,
desprezo ou alegria imensa,
tudo é a mesma coisa, a boca é a mesma, o corpo magro mas imensamente
desejado,
tudo isto misturado a esta lua que
parece ter sido feita em Dubai;
porém creia, que toda dor,
tesão em ódio
e inspiração ainda parecem com amor,
para que provem o contrário.

Uma tarde inteira está a ser aquecida com
as mãos que me tocaram neste sábado
e finalmente gemerei pensando em ti,
longe de qualquer rastro do Pornosleuth.

Ainda assim, e com tudo e nada e todos em ninguém,
te ter como amado é impreciso e fraco,
é como todos os versos que
tramei mas acabaram pifados;
ei, moreno,
ainda te quero longe de tudo,
longe dos sonhos inclusive,
quero finalmente saber o que a cegueira mundana
esconde sobre tuas formas e teus mitos.

Mais ou menos como poetou Meschonnic,
vou me esconder em computadores ou
biombos e vinho barato,
vou buscar todas as Stella Artois
do mundo pra relembrar esquecendo
minhas invenções por dois
anos, evocar no silêncio
de cravos ou rosas
aquela minha decisão unilateral
de te querer.



(RETIRADO DE MEU BLOG PARA VOCÊS, COM PRAZER!)
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Visitem S. Ribeiro
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Carta de Amor - por Saulo Rosa

Resisti a escrever-lhe por este tempo, já que palavras não teriam como expressar completamente o que sentia. Agora, sabendo que é a única forma de estar outra vez em contato com você, envio-lhe esta carta. Você pensa que o que senti por você esvaiu-se? Engana-se. É um fogo que se nutre com o passar das horas de sua ausência. E que ilumina até agora todo o meu ser que só sobreviveu à sua partida para reencontrá-la uma outra vez. E que espera ansioso por este momento, pode ter certeza disso.
Quando você me pediu um tempo, eu fiquei atônito por não entender como isso seria possível, uma vez que toda a minha existência estava voltada unicamente para você e eu supunha que era um sentimento recíproco, de mesma intensidade. Mas não me foi concedido o direito de recusar. Afastei-me de você e busquei sozinho a compreensão do que estava acontecendo. Supus que tivesse feito algo de muito errado, mas logo concluí que não era possível ser esta a causa, que você me amava profundamente e recebia feliz tudo que partisse de mim. Imaginei que seus sentimentos pudessem ter mudado sem que eu percebesse, que talvez estivesse envolvida com outro, mas descartei também esta hipótese porque o tempo passou e fiquei sabendo que você continuava sozinha.
Pensei muito em tudo que vivemos. Refugiei-me no trabalho enquanto, em minha mente, o mesmo filme montado com as passagens felizes de nossa vida se desenrolavam em segundo plano. Perdi o gosto por tudo, lutei muito para suplantar uma depressão que não me largava e que, finalmente, afetou meu desempenho profissional. Sobrevivi.
Nunca me conformei em perdê-la. Alimentei meu coração com as lembranças e vivi da esperança de um dia tudo ficar esclarecido e ser revertida esta ruptura descabida.
Tentei me desligar e até cedi ao assédio de outras mulheres. Acho que quem sofre de amor atrai pessoas em busca de afeto. Tentei, mas nenhum caso passou de algo fortuito que nunca pôde lançar raízes. E depois dos carinhos e de fazer amor com qualquer outra pessoa, o sentimento de perda ficava mais evidente, o rebote trazia ainda mais dor e desalento.
Depois de muito resistir, de tentar endurecer, viver distante da emoção, fui enredado em outra história que começou, hoje eu sei, por conta de muitas semelhanças físicas e de temperamento dessa mulher com você. Foi impossível ignorar um jeito tão semelhante ao seu de sorrir, os mesmos cabelos, o toque suave das mãos. Até uma voz que na expressão muito se assemelhava e quando dei por mim já tinha me envolvido e percebi que algum entusiasmo se insinuava em meus dias. Passei a ter sonhos com ela e em dado momento quem me aparecia era você. Quando percebi, já corria pros braços dela, mas era você que eu desejava encontrar. Fantasiei sem sentir que tínhamos nos reconciliado, estava feliz e um sorriso passou a ficar pregado em meu rosto, insistente. Daí para que ela também passasse a investir em nossa relação foi um pulo. E como eu andava todo enamorado, gentil, emanando uma vibração de puro amor, a moça deixou brotar em seu coração o mesmo sentimento.
Assim, eu chegava, ela sorria. Ficávamos juntos, era imensamente difícil nos afastarmos. Dormíamos juntos, queríamos mais: passar todo o dia juntos. Não demorou muito para percebermos que estávamos tão ligados que não era mais coerente morarmos em casas separadas. Nossas roupas já se misturavam nos armários da minha e da casa dela, nos encontrávamos muitas vezes “por acaso”, falávamos por telefone e e-mail repetidamente e já ousávamos fazer planos futuros juntos.
Posso dizer que voltei a viver novamente neste período, o que não acontecia desde que nos separamos.
Entretanto, em algum nível, eu sabia que não estava tudo bem. Havia em mim uma inquietação, uma ânsia, uma sensação de ferida que parecia ter cicatrizado, mas que voltava a sangrar de repente e ainda doendo muito, dizendo que ainda havia vida.
Levei esta história, este fogo fátuo somente até o dia em que acordei ao lado da moça depois de uma noite de amor e procurei por você na cama com a certeza de que era você e só você que eu queria, era você que eu amava nela sem que ela ou eu percebêssemos de pronto. Nesta manhã em que tive a certeza do que estava acontecendo comigo contei tudo a ela, me expus completamente e rompemos em definitivo, com marcas para ela bem menores do que o estrago que um casamento depois poderia trazer-lhe.
E, a partir daí, com este insight que me situou em relação a nós, decidi deixar de lado possíveis elocubrações que eu já tenha feito ou volte a fazer sobre o que motivou nossa separação e procurar você para me esclarecer.
Esta carta tem por objetivo mostrar a você o que aconteceu, como estou agora e lhe pedir que me diga o que de fato aconteceu com a gente, porque se separou de mim.Afinal, não é possível conceder um tempo pura e simplesmente, sem buscar a explicação, a alguém que despertou um amor que é tão imenso, que resistiu a um tempo grande demais e só aumentou. Te amo e te quero. Volte para mim ou então me liberte deste amor definitivamente.
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Promessas - por Soraya Rocha

31/08/09

.....Perdão, amor. Perdão por tudo que prometi e não cumpri até hoje. Por não te ouvir, por tentar impor a você minhas manias e complexos, por chorar tanto e não respeitar suas vontades. Por implicar sempre com sua diversão e seus amigos. Desculpe meu ciúme, minha infantilidade, minha falta de companheirismo no dia a dia. Desculpe meu egoísmo.
.....Para te ajudar a me perdoar, vou argumentar a meu favor: sou sincera, consciente, amiga nas horas difíceis, tenho a maior paciência com a sua mãe jararaca e entendo como ninguém aquele seu pai maluco. Sou provedora, cozinho bem, te dou de presente tudo o que você deseja e sou muito organizada.
.....Prometo tentar melhorar em tudo aquilo que causa conflito e que deixa por um fio a nossa relação. Prometo ouvir com atenção as histórias que você me conta quando chega do serviço; prometo que não vou querer mais que você seja uma cópia fiel de mim; prometo começar uma terapia para resolver estes meus problemas emocionais; prometo deixar de ser chorona; prometo não arrumar tudo o que é seu do jeito que acho melhor; prometo não me importar quando te vir feliz com outras pessoas; prometo não fazer mais cenas de ciúme; prometo te dar atenção no dia a dia e não ficar tão voltada para mim.
.....E prometo, sinceramente, que é a última vez que você lê estas promessas. Porque, desta vez, eu vou cumprir! (Deus me dê forças...)

..........Com amor,
....................Soraya
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Você Me Faz Tão Doce - por Theresa Russo

Não, não chore. Há dias em que eu somente queria ver e sentir o sol. Como se eu fosse uma árvore sábia e tranquila. Há dias que eu queria ser apenas uma folha brincando de cair na poça d’água da chuva mansa, da chuva brava. Não, não chore. Essa noite ainda vai acontecer. Deixa chover a chuva de dentro, espera ser gerado o novo entardecer. Ainda é muito cedo pra sofrer! Não, não chore agora. Espera esse sol brincar de ator principal nesse palco entre as montanhas dessa cidade tão pequenina e simples. Espera o barulho do sol apagando seu fogo dentro do rio doce que corre ao teu lado. Vamos, vem logo! Os pardais estão como enxame de loucas libélulas buscando sentir a mudança do planeta virando pro outro lado. Ainda está tão lindo esse nascer de mais uma noite! Vê as estrelas coladas num brilhoso papel azul marinho lá em cima? Elas caem e adentram o mar para serem estrelas-do-mar. Eu mesma já observei daqui algumas subindo por uma corda provinda dos braços da lua. E cada uma delas subia sem medo de cair novamente. Estrelas do céu, estrelas-do-mar, estrelas do céu, estrelas-do-mar. Olha - eu pertenço a você e você pertence a mim. Agora, nesse entardecer, você me faz tão doce...



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Fica Comigo... - por Thiago de Sá

Que tudo passe,
Mas você permaneça em mim.
Fica no meu peito como uma marca que o tempo não pode apagar!
Fica comigo nas noites frias e no pôr do sol do meu fim de dia.
Teu sorriso me refaz dos pés à cabeça,
Teu sorriso me deixa a pairar nos mais belos pensamentos.
Teu corpo é o repouso do meu,
É onde eu me conforto,
É onde eu me perco,
É onde me esqueço do que sou e passo a ser teu.
Sem medidas,
Sem formas,
Sou somente teu.
Teu agora e teu amanhã.
Sou teu no desejo de beijar,
No desejo de abraçar,
Em todos os teus desejos mais secretos eu sou teu.
Não tarde o nosso encontro,
Os segundos são lentos longe de ti.
Que o drama das minhas palavras te aproxime,
Mas se, por má ventura, eles te afastarem,
Restará em mim o desejo de reconquistá-la.
Doce e cheio de amor te espero ansioso!




........................Visitem Thiago de Sá
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Meu Rei - por vestivermelho

Querido amor

Que saudades! Estas letrinhas saem direto do meu coração que está melancólico com sua ausência.
Leia e depois venha correndo, estou te esperando.
Na nossa pedra, vendo nosso lago, ele está brilhando com os raios do sol.
Me enche os olhos de água disfarço e deixo as lágrimas correr...
Venha logo, senão morrerei...

Obs. Quem está te entregando essa carta é a nossa querida coruja.

Sua rainha



Visitem vestivermelho
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O Que Fazer, Meu Amor? - por Ana

Eu tenho um amor infantil de se jogar no sofá, me jogar no seu pescoço, brincar, te fazer cócegas, me esparramar no tapete, nos imprensar contra os móveis, lambuzar de mel ou marshmallow, fazer guerra de almofadas, amar sobre revistas e livros.
Mas você cuida das coisas que não podem se quebrar, sujar ou desarrumar.
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Eu tenho um amor adolescente que fica horas a fio deitado, agarradinho, a conversar mirabolantes e doces histórias que trazem este amor que morde, ataca, sacode, implica, aperta, agarra, arremessa, crava as unhas.
Mas você cuida que seu corpo não se machuque, não marque, não doa, não sofra nenhum dano.
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Eu tenho um amor jovem que pega com força, domina, possui, ama por dias a fio, exagerado, sem horas, sem compromissos, sem outro mundo que não o seu.
Mas você tem relógios, telefones, preocupações e fome inadiáveis.
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Eu tenho um amor mulher que se enrosca, aquece, envolve, aconchega, desliza um tigre sobre seu corpo, escorre calda que te penetra os poros, se deixa possuir pelas vontades, se perde de prazer a cada instante.
E você ama esta mulher com paixão.
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Mas o que fazer se não sou uma? Me diga, amor, o que fazer com aquilo meu que não há em ti? Me diga o que fazer se sou mesclada, indivisível? O que fazer se um negado impede todos?
Me diga, amor, o que fazer?
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Amor Único - por Esther Rogessi

Aproxima-se o final do ano, mais um ano que está sendo findo... sem que eu te veja, ou sequer, saiba algo de ti.

Durante anos, vi chegar natais e tantos outros festejos e feriados sem que eu pudesse ver-te. Estive em tantos lugares e a cada um deles te levei comigo... nas viagens, bem ao meu lado, coxa a coxa no carro, longos percursos fiz, conversando baixinho contigo. E, tu... sempre mudo - melhor assim... essa é a forma perfeita de ouvires tudo, sem contestar. Quantas vezes, no trânsito, meus olhos ansiosos buscavam encontrar-te... Outras tantas, num repente, surgias tão verdadeiro, tão forte... que eu apertava a fronte, querendo deletar-te. Deletar a quem eu mais quero!... É, que... se não posso ter-te, melhor não ver-te...

Quanta coisa acontece em um momento, de repente...
Quantas coisas aconteceram, nestes anos... fatos marcantes, boas surpresas, porém passageiras... muito passageiras...
E, mesmo assim, confesso: nada é realmente satisfatório, sem ti.

Por que será que as coisas que nos fazem felizes são sempre muito breves? E ainda... por que as coisas dolorosas permanecem?...
Estão sempre presentes, que queiramos ou não!
Por que absorvemos mais a dor? E, quando ao longo do tempo, esta passa, em seu lugar fica um amargor? Mesmo que sutil...

Estás tão perto, porém o imenso amor que por ti sinto, não é maior que o respeito e dignidade que tenho por mim mesma... não irei a ti! Se Deus é nesse amor, Ele te colocará a minha frente, no tempo e na hora Dele... Já fiz a minha parte.... Agora cabe a Deus!
Sei e creio que há coisas que o homem faz e há coisas que só Deus pode fazer!
Se Ele não fizer... se não mais nos encontrarmos, jamais estarei só... estarás sempre comigo. Afinal, ninguém morre de amor, vive-se por ele!



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