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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta de Amor - por Mellon

Cair de costas na cama depois de passar o dia todo fora, trabalhando. Coca-cola numa praça de alimentação num dia à tarde. O cheiro do meu perfume em dias muito, muito quentes. Você encostando a boca na minha mão de leve, como se fosse dar um beijo. Robert Smith dizendo “inspire me the desire in me to never go home”. Falar com o Leite. Lembrar do sorriso do meu pai, sentado na poltrona enquanto me olhava brincando. Minha caixa de e-mails vazia. Livros novos. Livros antigos. Meu tênis sem cadarço. O sol batendo no rosto. A chuva batendo no rosto. Suco de maracujá. Ouvir um cd antigo, mesmo que seja Legião ou Paralamas. Cantar no banho. Um abraço de quem sabe abraçar. Trem apertado e eu sem conseguir controlar o riso, sozinha. Uma estrada vazia num dia azul como esse. Sair de casa sem rumo. Thom Yorke cantando. O computador travado. Crise. Crise. Quando você acorda e sente que não vai conseguir levantar.

O olhar que eu te dei quando você soube que eu poderia ser. Nós somos acidentes, esperando. Esperando acontecer.



Visitem Mellon
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Carta de Amor - por ParadoXos

carta de amor seria uma palavra só uma lágrima um suspiro meu de tudo o que na garganta me ficou colado carta de amor seria eu não escrever não ter sentir não sonhar a insónia que as noites me oferecem seria o que não consigo sorrir seria algo sério como o mundo que partiste em delícias de cacos não seria nada nem mesmo tu seria apenas uma carta de um amor sem vírgulas nem pontos finais seria minha loucura que é tua morada!



Visitem ParadoXos
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Milorad Pavitch e Uma Carta de Amor - Citado por Penélope Charmosa

Em algum lugar, no litoral dos mares do sul, lá onde as estrelas estão mais distanciadas de suas imagens, os passageiros de um navio comeram uma tartaruga gigantesca. Quinhentos anos depois, um marinheiro encontrou o casco sobre a mesma praia e nele se escondeu para passar a noite. Pela manhã, descansado e alegre, enfiou braços, pernas e cabeça através dos furos do casco e entrou no mar, brincando consigo próprio.
Depois de meio milênio, o casco de tartaruga novamente ecoa as batidas de um coração, e novamente consegue nadar.
É assim que o teu coração ecoa dentro de mim.



In “Paisagem Pintada com Chá”.
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Você Foi Embora... - por Renata Zonatto

Você foi embora e eu não tive a chance de dizer-lhe adeus. Não tive um minuto, não tive nenhum momento. Você foi embora, sem eu lhe dizer que o quanto o amava.
Não fui forte o bastante, estava confusa... com medo dos meus sentimentos.
A essa hora você deve estar muito longe, e eu não sei onde lhe procurar.
Você foi embora, eu pensei que não sentiria a sua falta.
Eu não queria que isso tivesse acontecido, eu não queria que acabasse assim.
Eu não tive coragem de lutar pelo meu amor, mas meu egoísmo não queria que você deixasse de lutar por mim.
Eu queria voltar no passado... Voltar o tempo.
Me sentir a dona do mundo... ao menos por um segundo!



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Lúdico - por S. Ribeiro

Sem vontade, murcho,
te digo inerme que enquanto vais e voltas,
desprezo ou alegria imensa,
tudo é a mesma coisa, a boca é a mesma, o corpo magro mas imensamente
desejado,
tudo isto misturado a esta lua que
parece ter sido feita em Dubai;
porém creia, que toda dor,
tesão em ódio
e inspiração ainda parecem com amor,
para que provem o contrário.

Uma tarde inteira está a ser aquecida com
as mãos que me tocaram neste sábado
e finalmente gemerei pensando em ti,
longe de qualquer rastro do Pornosleuth.

Ainda assim, e com tudo e nada e todos em ninguém,
te ter como amado é impreciso e fraco,
é como todos os versos que
tramei mas acabaram pifados;
ei, moreno,
ainda te quero longe de tudo,
longe dos sonhos inclusive,
quero finalmente saber o que a cegueira mundana
esconde sobre tuas formas e teus mitos.

Mais ou menos como poetou Meschonnic,
vou me esconder em computadores ou
biombos e vinho barato,
vou buscar todas as Stella Artois
do mundo pra relembrar esquecendo
minhas invenções por dois
anos, evocar no silêncio
de cravos ou rosas
aquela minha decisão unilateral
de te querer.



(RETIRADO DE MEU BLOG PARA VOCÊS, COM PRAZER!)
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Visitem S. Ribeiro
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Carta de Amor - por Saulo Rosa

Resisti a escrever-lhe por este tempo, já que palavras não teriam como expressar completamente o que sentia. Agora, sabendo que é a única forma de estar outra vez em contato com você, envio-lhe esta carta. Você pensa que o que senti por você esvaiu-se? Engana-se. É um fogo que se nutre com o passar das horas de sua ausência. E que ilumina até agora todo o meu ser que só sobreviveu à sua partida para reencontrá-la uma outra vez. E que espera ansioso por este momento, pode ter certeza disso.
Quando você me pediu um tempo, eu fiquei atônito por não entender como isso seria possível, uma vez que toda a minha existência estava voltada unicamente para você e eu supunha que era um sentimento recíproco, de mesma intensidade. Mas não me foi concedido o direito de recusar. Afastei-me de você e busquei sozinho a compreensão do que estava acontecendo. Supus que tivesse feito algo de muito errado, mas logo concluí que não era possível ser esta a causa, que você me amava profundamente e recebia feliz tudo que partisse de mim. Imaginei que seus sentimentos pudessem ter mudado sem que eu percebesse, que talvez estivesse envolvida com outro, mas descartei também esta hipótese porque o tempo passou e fiquei sabendo que você continuava sozinha.
Pensei muito em tudo que vivemos. Refugiei-me no trabalho enquanto, em minha mente, o mesmo filme montado com as passagens felizes de nossa vida se desenrolavam em segundo plano. Perdi o gosto por tudo, lutei muito para suplantar uma depressão que não me largava e que, finalmente, afetou meu desempenho profissional. Sobrevivi.
Nunca me conformei em perdê-la. Alimentei meu coração com as lembranças e vivi da esperança de um dia tudo ficar esclarecido e ser revertida esta ruptura descabida.
Tentei me desligar e até cedi ao assédio de outras mulheres. Acho que quem sofre de amor atrai pessoas em busca de afeto. Tentei, mas nenhum caso passou de algo fortuito que nunca pôde lançar raízes. E depois dos carinhos e de fazer amor com qualquer outra pessoa, o sentimento de perda ficava mais evidente, o rebote trazia ainda mais dor e desalento.
Depois de muito resistir, de tentar endurecer, viver distante da emoção, fui enredado em outra história que começou, hoje eu sei, por conta de muitas semelhanças físicas e de temperamento dessa mulher com você. Foi impossível ignorar um jeito tão semelhante ao seu de sorrir, os mesmos cabelos, o toque suave das mãos. Até uma voz que na expressão muito se assemelhava e quando dei por mim já tinha me envolvido e percebi que algum entusiasmo se insinuava em meus dias. Passei a ter sonhos com ela e em dado momento quem me aparecia era você. Quando percebi, já corria pros braços dela, mas era você que eu desejava encontrar. Fantasiei sem sentir que tínhamos nos reconciliado, estava feliz e um sorriso passou a ficar pregado em meu rosto, insistente. Daí para que ela também passasse a investir em nossa relação foi um pulo. E como eu andava todo enamorado, gentil, emanando uma vibração de puro amor, a moça deixou brotar em seu coração o mesmo sentimento.
Assim, eu chegava, ela sorria. Ficávamos juntos, era imensamente difícil nos afastarmos. Dormíamos juntos, queríamos mais: passar todo o dia juntos. Não demorou muito para percebermos que estávamos tão ligados que não era mais coerente morarmos em casas separadas. Nossas roupas já se misturavam nos armários da minha e da casa dela, nos encontrávamos muitas vezes “por acaso”, falávamos por telefone e e-mail repetidamente e já ousávamos fazer planos futuros juntos.
Posso dizer que voltei a viver novamente neste período, o que não acontecia desde que nos separamos.
Entretanto, em algum nível, eu sabia que não estava tudo bem. Havia em mim uma inquietação, uma ânsia, uma sensação de ferida que parecia ter cicatrizado, mas que voltava a sangrar de repente e ainda doendo muito, dizendo que ainda havia vida.
Levei esta história, este fogo fátuo somente até o dia em que acordei ao lado da moça depois de uma noite de amor e procurei por você na cama com a certeza de que era você e só você que eu queria, era você que eu amava nela sem que ela ou eu percebêssemos de pronto. Nesta manhã em que tive a certeza do que estava acontecendo comigo contei tudo a ela, me expus completamente e rompemos em definitivo, com marcas para ela bem menores do que o estrago que um casamento depois poderia trazer-lhe.
E, a partir daí, com este insight que me situou em relação a nós, decidi deixar de lado possíveis elocubrações que eu já tenha feito ou volte a fazer sobre o que motivou nossa separação e procurar você para me esclarecer.
Esta carta tem por objetivo mostrar a você o que aconteceu, como estou agora e lhe pedir que me diga o que de fato aconteceu com a gente, porque se separou de mim.Afinal, não é possível conceder um tempo pura e simplesmente, sem buscar a explicação, a alguém que despertou um amor que é tão imenso, que resistiu a um tempo grande demais e só aumentou. Te amo e te quero. Volte para mim ou então me liberte deste amor definitivamente.
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Promessas - por Soraya Rocha

31/08/09

.....Perdão, amor. Perdão por tudo que prometi e não cumpri até hoje. Por não te ouvir, por tentar impor a você minhas manias e complexos, por chorar tanto e não respeitar suas vontades. Por implicar sempre com sua diversão e seus amigos. Desculpe meu ciúme, minha infantilidade, minha falta de companheirismo no dia a dia. Desculpe meu egoísmo.
.....Para te ajudar a me perdoar, vou argumentar a meu favor: sou sincera, consciente, amiga nas horas difíceis, tenho a maior paciência com a sua mãe jararaca e entendo como ninguém aquele seu pai maluco. Sou provedora, cozinho bem, te dou de presente tudo o que você deseja e sou muito organizada.
.....Prometo tentar melhorar em tudo aquilo que causa conflito e que deixa por um fio a nossa relação. Prometo ouvir com atenção as histórias que você me conta quando chega do serviço; prometo que não vou querer mais que você seja uma cópia fiel de mim; prometo começar uma terapia para resolver estes meus problemas emocionais; prometo deixar de ser chorona; prometo não arrumar tudo o que é seu do jeito que acho melhor; prometo não me importar quando te vir feliz com outras pessoas; prometo não fazer mais cenas de ciúme; prometo te dar atenção no dia a dia e não ficar tão voltada para mim.
.....E prometo, sinceramente, que é a última vez que você lê estas promessas. Porque, desta vez, eu vou cumprir! (Deus me dê forças...)

..........Com amor,
....................Soraya
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Você Me Faz Tão Doce - por Theresa Russo

Não, não chore. Há dias em que eu somente queria ver e sentir o sol. Como se eu fosse uma árvore sábia e tranquila. Há dias que eu queria ser apenas uma folha brincando de cair na poça d’água da chuva mansa, da chuva brava. Não, não chore. Essa noite ainda vai acontecer. Deixa chover a chuva de dentro, espera ser gerado o novo entardecer. Ainda é muito cedo pra sofrer! Não, não chore agora. Espera esse sol brincar de ator principal nesse palco entre as montanhas dessa cidade tão pequenina e simples. Espera o barulho do sol apagando seu fogo dentro do rio doce que corre ao teu lado. Vamos, vem logo! Os pardais estão como enxame de loucas libélulas buscando sentir a mudança do planeta virando pro outro lado. Ainda está tão lindo esse nascer de mais uma noite! Vê as estrelas coladas num brilhoso papel azul marinho lá em cima? Elas caem e adentram o mar para serem estrelas-do-mar. Eu mesma já observei daqui algumas subindo por uma corda provinda dos braços da lua. E cada uma delas subia sem medo de cair novamente. Estrelas do céu, estrelas-do-mar, estrelas do céu, estrelas-do-mar. Olha - eu pertenço a você e você pertence a mim. Agora, nesse entardecer, você me faz tão doce...



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Fica Comigo... - por Thiago de Sá

Que tudo passe,
Mas você permaneça em mim.
Fica no meu peito como uma marca que o tempo não pode apagar!
Fica comigo nas noites frias e no pôr do sol do meu fim de dia.
Teu sorriso me refaz dos pés à cabeça,
Teu sorriso me deixa a pairar nos mais belos pensamentos.
Teu corpo é o repouso do meu,
É onde eu me conforto,
É onde eu me perco,
É onde me esqueço do que sou e passo a ser teu.
Sem medidas,
Sem formas,
Sou somente teu.
Teu agora e teu amanhã.
Sou teu no desejo de beijar,
No desejo de abraçar,
Em todos os teus desejos mais secretos eu sou teu.
Não tarde o nosso encontro,
Os segundos são lentos longe de ti.
Que o drama das minhas palavras te aproxime,
Mas se, por má ventura, eles te afastarem,
Restará em mim o desejo de reconquistá-la.
Doce e cheio de amor te espero ansioso!




........................Visitem Thiago de Sá
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Meu Rei - por vestivermelho

Querido amor

Que saudades! Estas letrinhas saem direto do meu coração que está melancólico com sua ausência.
Leia e depois venha correndo, estou te esperando.
Na nossa pedra, vendo nosso lago, ele está brilhando com os raios do sol.
Me enche os olhos de água disfarço e deixo as lágrimas correr...
Venha logo, senão morrerei...

Obs. Quem está te entregando essa carta é a nossa querida coruja.

Sua rainha



Visitem vestivermelho
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O Que Fazer, Meu Amor? - por Ana

Eu tenho um amor infantil de se jogar no sofá, me jogar no seu pescoço, brincar, te fazer cócegas, me esparramar no tapete, nos imprensar contra os móveis, lambuzar de mel ou marshmallow, fazer guerra de almofadas, amar sobre revistas e livros.
Mas você cuida das coisas que não podem se quebrar, sujar ou desarrumar.
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Eu tenho um amor adolescente que fica horas a fio deitado, agarradinho, a conversar mirabolantes e doces histórias que trazem este amor que morde, ataca, sacode, implica, aperta, agarra, arremessa, crava as unhas.
Mas você cuida que seu corpo não se machuque, não marque, não doa, não sofra nenhum dano.
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Eu tenho um amor jovem que pega com força, domina, possui, ama por dias a fio, exagerado, sem horas, sem compromissos, sem outro mundo que não o seu.
Mas você tem relógios, telefones, preocupações e fome inadiáveis.
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Eu tenho um amor mulher que se enrosca, aquece, envolve, aconchega, desliza um tigre sobre seu corpo, escorre calda que te penetra os poros, se deixa possuir pelas vontades, se perde de prazer a cada instante.
E você ama esta mulher com paixão.
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Mas o que fazer se não sou uma? Me diga, amor, o que fazer com aquilo meu que não há em ti? Me diga o que fazer se sou mesclada, indivisível? O que fazer se um negado impede todos?
Me diga, amor, o que fazer?
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Amor Único - por Esther Rogessi

Aproxima-se o final do ano, mais um ano que está sendo findo... sem que eu te veja, ou sequer, saiba algo de ti.

Durante anos, vi chegar natais e tantos outros festejos e feriados sem que eu pudesse ver-te. Estive em tantos lugares e a cada um deles te levei comigo... nas viagens, bem ao meu lado, coxa a coxa no carro, longos percursos fiz, conversando baixinho contigo. E, tu... sempre mudo - melhor assim... essa é a forma perfeita de ouvires tudo, sem contestar. Quantas vezes, no trânsito, meus olhos ansiosos buscavam encontrar-te... Outras tantas, num repente, surgias tão verdadeiro, tão forte... que eu apertava a fronte, querendo deletar-te. Deletar a quem eu mais quero!... É, que... se não posso ter-te, melhor não ver-te...

Quanta coisa acontece em um momento, de repente...
Quantas coisas aconteceram, nestes anos... fatos marcantes, boas surpresas, porém passageiras... muito passageiras...
E, mesmo assim, confesso: nada é realmente satisfatório, sem ti.

Por que será que as coisas que nos fazem felizes são sempre muito breves? E ainda... por que as coisas dolorosas permanecem?...
Estão sempre presentes, que queiramos ou não!
Por que absorvemos mais a dor? E, quando ao longo do tempo, esta passa, em seu lugar fica um amargor? Mesmo que sutil...

Estás tão perto, porém o imenso amor que por ti sinto, não é maior que o respeito e dignidade que tenho por mim mesma... não irei a ti! Se Deus é nesse amor, Ele te colocará a minha frente, no tempo e na hora Dele... Já fiz a minha parte.... Agora cabe a Deus!
Sei e creio que há coisas que o homem faz e há coisas que só Deus pode fazer!
Se Ele não fizer... se não mais nos encontrarmos, jamais estarei só... estarás sempre comigo. Afinal, ninguém morre de amor, vive-se por ele!



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domingo, 30 de agosto de 2009

As Nossas Palavras XXIII - por Alba Vieira

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Ter virtude pode honrar alguém, mas abrir portas para o sucesso, somente se entrar junto a beleza.
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Visitem Alba Vieira
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O “Invocado” - por Adir Vieira

Não sei demonstrar carinho,
Só sei manifestar minha dor.
Quando o racional me bate,
Fujam, pois é um horror!

Às vezes tento ouvir
Pessoas experientes,
Mas no meio da conversa,
Afio logo meus dentes...

A outra pessoa, surpresa,
Finge não perceber, prá agradar,
Mas eu, com o pé atrás,
Dou outra só prá acirrar...

Será que ao longo da vida,
Por sorte ainda não surtei
Ou será que ainda melhoro
Esse belicoso poder?

Com certeza acho que não,
Pois já sou muito velhinho,
Penso que se eu mudar,
Só se for para os “anjinhos”!



Visitem Adir Vieira
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A Mulher Invisível - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Era uma mulher de estatura média, porém passava despercebida por onde quer que fosse. Ninguém a enxergava, ninguém a via.
Entrava nos gabinetes, nos palácios, nas mansões e nenhuma câmara a fotografava.
Dizem que era de outro planeta, de outra dimensão...
Há quem jurasse que ela era descendente do Drácula: nos espelhos e nas máquinas fotográficas, nos filmes que gravavam as pessoas, ela não aparecia...
Outros menos crédulos achavam que ela não era nada disso, mas sim que os equipamentos de segurança não funcionavam, como tudo falhava na República das Bananas e como tinham defeitos sérios, só registravam por um segundo e depois apagavam.
Tudo isso não seria motivo de escândalo, se não fosse a visita secreta que ela fez a Tia Mariquinhas. Foi escondido comer bolo durante a noite ou foi ouvir o pedido da tia para abandonar o vício de ficar verificando a vida dos outros.
Ninguém sabe, mas o que se sabe é que ela, atendendo ao pedido da tia, acelerou o processo. A tia disse que ela estava surda e que não ouviu direito. A prima jura que ela não esteve lá, que foi um sonho e que tia Mariquinha não pediu nada.
O tio, que era o dono da casa, considerou que ela estava mentindo ou que devia estar com Alzheimer e assim se lembrava de coisas muito antigas e confundia com o presente...
Como ninguém sabe quem estava com a razão, o caso foi levado ao Conselho de Astracam e contratado o maior de todos os detetives para tentar descobrir onde estava a verdade, com quem estava a verdade... E um moço de boné de xadrez e um cachimbo na boca, diante de tanta confusão, disse, do alto de sua sabedoria inglesa:
- O que acontece é que ela realmente é a mulher invisível, por isso não foi vista pelos sensores da casa. E no dia da visita ela se esqueceu de colocar a máscara nas mãos e na face e assim, diante de sua invisibilidade, ninguém conseguiu ter a chance de ver que ela estava realmente ali. Assim, ninguém a viu, mas as conversas foram ouvidas por ela que, acostumada a ajudar a tia, levou o pedido adiante.
E ele terminou dizendo:
- ELEMENTAR, MEU CARO WATSON... Elementar...



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Um Dia de Chuva... - por Duanny

Você, por acaso, já reparou como os dias de chuva são deprimentes?! Não, não é porque esses dias te inspiram um automático tédio, ou porque o céu nublado e aquele vento frio te fazem lembrar de coisas tristes ou no que você poderia estar fazendo se estivesse um sol daqueles.
Talvez seja porque a chuva seja como uma descarga de emoções, um furinho no barco da alma, o ralo dos sentimentos reprimidos... Sim, porque não? Quem nunca ouviu a expressão “Por mais que a chuva venha, sempre vem o céu azul” (ou algo parecido)? Ué... talvez porque depois de descarregar certas emoções, deixar vazar inconveniências da alma ou mandar ralo abaixo os sentimentos atormentados, vem o céu azul, como se você se sentisse leve, aliviado, por ter “descarregado”.
É como se a chuva de fato nos lavasse por inteiro, levando para os bueiros, para as ruas, de forma escancarada, tudo o que não desejamos de forma alguma, que nos negamos sentir ou acreditar.
Pessoas como eu acham a chuva deprimente. Pra mim, deixar certas emoções ou sentimentos vazarem estupidamente é como tirar uma parte de minha personalidade; sei que são inconvenientemente indesejavéis, mas fazem parte do meu ser, da minha opinião, do meu caráter. Mas há pessoas que simplesmente adoram a chuva, o vento frio perfeito pra filme e pipoca, o barulhinho da chuva pra dormir... Talvez a vida para essas pessoas seja de fato mais fácil, estão acostumadas a mudanças (ou não?), podem se livrar do que as incomoda e seguir seu caminho, como se nada houvesse sido jogado bueiro abaixo(?!). Acho que a resposta seria óbvia demais, não?!
Apesar de se livrar de tudo deliberadamente - ou deprimidamente (porque de qualquer forma você se livra) -, a bainha da sua calça vai continuar molhada, como se dissesse “certos sofrimentos, dores ou amarguras são essenciais para você entender o verdadeiro valor da vida”.
Por mais que você tente pular as poças, correr para se abrigar, aquela bainha vai continuar ali, molhada, te lembrando do esquecido, fazendo você sentir o que já se foi, mas não há com o que se preocupar, é só mais um dia de chuva.
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Visitem Duanny
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Fora, Racismo Camuflado! - por Esther Rogessi

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Belo é sonhar, acordado ou dormindo...
Terrível é ter pesadelo e fazer da vida um... Vivê-lo!
Como somos pequenos... Esquecemos o que ontem sonhamos,
E do que sonhamos há anos lembramos...
Sonhamos de forma clara, com pessoas e lugares desconhecidos,
Situações enigmáticas, mistérios jamais resolvidos.
Os nossos sonhos podem ser... A consequência dos nossos atos,
Desejos contidos, revelados no enigmático...
Ou o que há de vir, realidade futurista...
Ou ainda a deformação do caráter,
Através de um pensamento sombrio, enegrecido pelo mal...
Mesmo que sejamos brancos, caráter não tem cor!...
O pensamento do homem nem sempre é bom.
Porém o chocolate, branco ou negro, bom sempre será!

(O racismo camuflado só vindo de um perfil deformado, continua sendo crime!)


Nota: Este artigo é resposta a um infeliz pensamento racista, grosseiro e vil quanto à mulher negra, publicado de forma camuflada em um site. E ainda vem o tal sujeito se dizer filho de mãe negra e que vibrou com a vitória de Barack Obama, e que ainda admira o Rev. Martin Luther King, porém tem tesão pelas branquinhas, mas não descarta umas negrinhas vizinhas dele, para tocar “algo que não é música!”
Estudiosos dizem que Adolf Hitler, por parte de sua avó (Karla), tinha em suas veias sangue judeu. Foi isto que o levou a dizimar quase doze milhões deles, causando o maior genocídio da história?



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Temerário - por Kbçapoeta

Tanto medo do verso
Do resto
Do teto que ameaça cair.
O tijolo
O bloco
O concreto
O acabamento que ainda está por vir.
Tanto verso do medo
Do teto
Do resto que acaba de cair.
O acabamento concreto
O bloco
O tijolo que ainda está por vir.
Tanto verso concreto
O resto
O concreto que ainda está por vir.
O tijolo
O teto
O verso que acaba de cair.
Tanto medo do bloco
Do Baco
O resto que ainda está por vir.



Visitem Kbçapoeta
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Bruna Lombardi em “Sanha” - Citada por Penélope Charmosa

Eu vou te infernizar com minhas perguntas
e vou te seviciar com minhas malícias
vou te pulverizar com meus poderes
e vou te influenciar com meus abraços

e vou te transformar com meus pecados
e vou te conseguir com minha sede
e vais agonizar com meu verde
e vais me suplicar o meu veneno.

Eu vou te misturar à minha terra
e vou te possuir com meus desejos
vais aprender a rir com os meus dedos
e aprender a brincar com meu fogo.

E eu vou te salvar com minha loucura
e vou te remontar com meus pedaços
e vou te sacudir de imprevistos
e tu vais te soltar com meu galope
e aprender a voar com meus gestos.

Tu vais me aguentar com minhas pedras
e vais me esmagar com a tua força.
Tu vais me despertar o meu caminho
e vais me apontar sempre o teu norte.

E eu vou te enfeitiçar com as minhas manhas
e vou te sufocar com meus delírios
e vais me suportar com minhas lágrimas.
E vou te carregar dentro do sangue
e me embrenhar adentro da tua mata.

Eu vou silenciar sobre teu crime
e te esconder nas pregas do meu leito
e te afundar nas dobras do meu ventre
e te alimentar com a minha seiva.

E vou te atiçar com minhas propostas
vou te prender dentro das minhas coxas
te sussurrar no ouvido o meu segredo
tu vais te acostumar com o meu cheiro
e aprender a usar a minha faca.

Tu vais me atormentar com o teu peso
e me fazer cair no teu abismo
e eu vou me arrastar no teu tapete
com todo esse lirismo na barriga.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Fernando Pessoa em “Autopsicografia” - Citado por vestivermelho

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.



Visitem vestivermelho
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