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domingo, 5 de julho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XII) - por Paulo Chinelate

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LONGE DOS OLHOS ou NEM SÓ DE PÃO…


Estou chorando desde que aqui cheguei mas não são lágrimas de saudades nem tampouco de crocrodilo. Estou acometido de grave alergia nos olhos devido o cheiro e fumaça exalados pela Fábrica de Cigarros Souza Cruz, vizinha do colégio onde me encontro hospedado. Quando nos afastamos para um passeio longe da Tijuca e especificamente da Rua Conde do Bonfim, volto à normalidade.
A piscina, campo de futebol e outras atividades, enquanto na referida hospedagem, não estão sendo absolutamente aproveitados, sequer consigo abrir os olhos.
Alvíssaras, hoje vamos subir o Pico da Tijuca e amanhã jogaremos em pleno Maracanã. Em vista de o gerente atual do maior estádio do mundo ser ex-aluno Marista tivemos o privilégio de jogar uma pelada. O único problema é que estão jogando remédio no gramado. Por esta razão só utilizamos a metade do campo. Eu estou me habilitando em ser goleiro, dos bons.
Visitas às praias principais, ao zoológico e museu da Quinta da Boa Vista, às Igrejas da Candelária e da Glória no Aterro, escalar o Corcovado, andar no Bonde de Santa Tereza, estas e tantas outras atividades estão preenchendo os poucos dias de nossas férias.
Realmente não sinto mais a saudade familiar, aliás, já não sentia antes porquanto as atividades do internato não nos permitem parar para pensar.
Voltamos hoje para Mendes, nossa casa, nosso lugarzinho querido, o juvenato.
Neste retorno não tive boas notícias. Embora tenha tido muitas dificuldades no ano letivo por conta de não conseguir acompanhar os colegas oriundos de diversos colégios particulares, principalmente Maristas,conseguira passar do curso de admissão ao primeiro ano ginásio com a nota mínima “seis”. O que fiquei sabendo somente agora é que o Irmão Zeno, nosso reitor, escrevera ao papai dias antes de nossas lautas férias. A resposta só agora recebida me trouxe o conhecimento do teor. Pedira ele ao papai autorização para que eu repetisse o período escolar por conta de tomar maior base para enfrentar o duro ginásio do internato. Autorização dada.
Uma peculiaridade no ensino a que eu me exponho neste colégio é de nós não sermos somente aprendizes comuns mas, e principalmente, de formarmos futuros mestres. Daí a exigência do meu superior.
As alegrias das férias foram-se como por encanto. Tinha me enturmado com colegas tão especiais neste primeiro ano e agora além de separados do convívio mais íntimo da turma ainda teria que dividir as atenções com colegas novatos e menores. Enfim, tangido pela obediência, virtude muito apreciada no ambiente em que me encontro, aceito a determinação. E a vida continua…
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Primeiro dia sem posts

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Caríssimos amigos:
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Ontem não foi possível publicar no Duelos por problemas técnicos do meu provedor.
Hoje retomo as atividades, esperando não ter mais problemas.
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Um grande abraço a todos!
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Duelando Manchetes VI: Incesto - por Ana

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VÃOS


Em vão tento resgatar momentos bons de minha juventude. Encontro, tecidas em minha pele, vergonha, culpa e asco. Minha adolescência está soterrada: ruínas de tragédia, desmandos e luxúria esmagam meu corpo deformado pela violência. Escombros inúteis e irrecicláveis bloqueiam a luz, impedem o ar, protegem a morte. Desequilíbrio, tortura e insanidade são o amálgama decadente de uma família imatura e pervertida. Resulta disto meu cadáver jovem, agonizante, capitulado, desistente, decomposto e violado. Sem memória, sem momentos, apenas a dor lenta e interminável que aguarda o último suspiro. Em vão.
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Duelando Manchetes VII: Células-tronco - por Roberto Soares

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SOBRE O USO DE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS


O uso ou não de células-tronco embrionárias é uma questão difícil para se pensar, principalmente entre cristãos (ou não) que creem que a vida começa a partir do momento em que o espermatozóide encontra o óvulo formando o embrião.
Para quem acredita nessa teoria, usar os embriões dessa forma seria uma espécie de “aborto” ou “assassinato”.
Eu, embora creia que a vida possa começar no embrião, penso que a proposta acaba por ser “boa”, já que dá um destino mais nobre aos embriões descartados do que eles teriam se não fossem utilizados.
Os embriões de laboratórios de fertilização não ficam guardados para sempre, se não utilizados serão destruídos; por isso penso que melhor é que se use para pesquisas do que simplesmente se destrua.
Digo isso baseado no sistema que já existe, afinal a lei brasileira permite que existam essas formas de fertilização e são elas acabam condenando, mais cedo ou mais tarde, embriões à destruição.
É como se escolher entre doar ou não os órgãos de um ente querido que teve morte cerebral, a gente escolhe se vai deixar seus órgãos terem um fim mais útil, ou se preferimos que ele seja enterrado com todos os órgãos.
Não adianta lutar contra essas pesquisas, se fôssemos lutar contra algo, seria contra os laboratórios que criam os tais embriões in vitro porque a culpa pela suposta “morte” dos embriões seria deles e não dos que querem pesquisar células tronco.
Seria mais interessante, conforme citado por Geremias do Couto em seu artigo Células-tronco:porta aberta para o aborto, estimular a adoção de embriões não usados para evitar a sua destruição ou uso em pesquisas, mas, até que isso se torne uma realidade, acho que continua sendo melhor que sejam usados em pesquisas do que simplesmente sejam destruídos após certo tempo.

A Bíblia não diz quando a vida se origina?
Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos. Lucas 20:38
O pastor Ciro Sanches Zibordi afirma que a Bíblia diz quando a vida se inicia, mas eu discordo de que os versos citados tenham alguma afirmação real sobre isso, o que se diz é que Deus conhece o homem antes mesmo que haja qualquer vestígio dele, para Deus tanto faz se você nasceu, morreu ou ainda nascerá, “para Ele todos vivem”.

Conclusão
Eu penso que a proposta do uso das células-tronco embrionárias seja menos má do que a perda delas, embora preferisse que esses embriões não precisassem ser perdidos ou pesquisados.

E você, o que pensa acerca deste assunto?
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Heitor Villa-Lobos: “Bachianas Brasileiras No 5” (Ária) - por Clarice A.

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d’alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
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Hoje, Quer Saber? Senti Muita Pena dos Ambulantes! - por Adir Vieira

Vinha eu pela rua, meio assustada, em pleno meio-dia!
Tinha acabado de sair do banco e mesmo acompanhada do marido sinto aquele temor costumeiro que, creio, nem cinquenta anos de análise vão jogar por terra.
Como vivo sempre à cata de espécimes comestíveis, deparei-me com belos sonhos doces na vitrine de uma padaria e, para acalmar minha ansiedade, paramos para comprar.
Mais à frente, uma extensa barraca, tipo barraca de feira mesmo, fazia ponto na calçada e impedia o trânsito das pessoas, a não ser pela movimentada avenida. Várias pessoas aglomeravam-se ao redor do vendedor, pois as maçãs, frutas-do-conde, peras e até mesmo uma única couve-flor por ali perdida, chamavam a atenção pela sua excelente qualidade e baixo preço. Lógico que também ali paramos e fizemos a nossa compra habitual.
Um pouco mais adiante, cocadas pretas e brancas, parecendo que vieram de Itu, convidavam à compra e o sorriso do menino que portava o tabuleiro merecia que, ao menos uma, levássemos para casa.
O interessante é que normalmente não se vê, naquele local, tantos ambulantes.
Mas hoje, especialmente hoje, vários pareciam fazer ponto no mesmo espaço.
De repente, um grito se ouve e todos, numa dança conjunta, começam a desarmar suas tendas e a jogar seus produtos em caixas de papelão, sem se importarem com os danos que eles próprios possam causar às mercadorias. O tempo urge e todos, ao mesmo tempo, precisam fazer tudo sumir em segundos, para que os “fiscais” não levem embora aquilo que representa a sua sobrevivência e a de sua família.
Paramos assustados com tanta correria e confesso que demorei um pouco para entender o que se passava.
Nessa parada pude observar que, embora ativos, não pareciam nervosos nem temerosos com a situação. Tudo ocorre todos os dias, fazendo-os treinados para exercerem seus papéis de feiticeiros no momento em que o rapa aparece.
Explicou-me a moça que vende cocos, que alguém lá atrás emite um sinal qualquer, conhecido de todos os outros ambulantes, como se fosse um assobio ou um grito de pega!
Nesse momento, já sabem o que fazer. O material exposto vai para dentro de caixas vazias, estrategicamente colocadas atrás dos balcões e à espera do momento crucial.
Casas comerciais ou mesmo residenciais abrem suas portas para a guarda dos carrinhos de supermercados, nesse momento, apinhados de mercadorias que, devido à correria, são ali empilhados desordenadamente.
Fixo minha atenção numa ambulante que vende arranjos de flores em vasos de vidro. Até seu balcão, ornado com uma toalha de renda branca, demonstra a sutileza do seu coração. Parece inexperiente, talvez tenha se iniciado no ramo há bem pouco tempo. Na ânsia de fazer sumir seu patrimônio, esbarra em outro ambulante e um dos vasos espatifa-se no chão de paralelepípedos.
Esquecendo que não deve deixar rastros, para e lágrimas escorrem de seus olhos, fazendo-me crer que aquele vaso era o mais caro dos produtos que tentava vender.



Visitem Adir Vieira
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Macacos me Mordam - por Alba Vieira

Sei que o mundo anda cada vez mais louco,
Macacos me mordam se não for proposital...
O caos, a destruição são só mais um motivo
Para o reencontro com a alma e coisa e tal.

A aparente degradação do ser humano,
Macacos me mordam se não for ideia genial,
Para instaurar um novo tempo nesse universo,
Mudança de paradigma ou então vai tudo mal...

Macacos me mordam se não for verdade,
Que agora é o numinoso que vai reinar,
A supremacia do feminino, nova realidade,
Harmonia, cooperação, respeito, amor estão no ar.



Visitem Alba Vieira
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Férias

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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De Férias - por Escrevinhadora

Hoje, o primeiro dia das minhas férias. A natureza, meio que incomodada com meu ócio, parece que resolveu me sacanear: amanheceu um dia frio, chuvoso, cinzento.
Fazer o quê num dia como esses? Ficar na cama até mais tarde, é claro.
Mas o hábito de levantar pra ir trabalhar me fez acordar no mesmo horário de sempre. Tentei dormir outra vez, não consegui.
O jeito foi sair da cama e pensar numa forma de aproveitar o meu dia.
Pensei em ir ao cinema. Mas isso implicaria em sair de carro, enfrentar o trânsito. Num dia assim chuvoso?... não vale a pena.
Pensei em arrumar gavetas (odeio arrumar gavetas que, de qualquer maneira, não ficam arrumadas por mais de 48 horas) e logo desisti.
Ler um bom livro, então, seria a solução. Uma rápida olhada na estante me fez ver que já li quase tudo que lá está. O único que ainda não li é um chato, cuja leitura não consigo terminar. Não vou me atracar com um livro chato logo no primeiro dia das férias.
Acabei passando o dia metida num moletom surrado, arrastando inutilmente meus chinelos pela casa, ligeiramente deprê.



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Beleza, Impulso e Refúgio (Parte 1) - por Leandro M. de Oliveira

Desde sempre a humanidade é tiranizada pela busca da beleza, cada qual em sua leitura tem buscado entendê-la de maneira própria. A teoria dominante na Antiguidade Clássica provinha de Platão que propôs a beleza como um objeto com função dupla, ao mesmo tempo em que encerrava e convergia para si o afã do desejo era também um ponto de partida, pois a contemplação do belo era o que abria as portas para o transcendental. No medievo Tomás de Aquino, com uma leitura bem coerente à visão pudico-teológica da época, produz um conceito de beleza ligado à ideia de uma dádiva de Deus manifesta em atributo do ser, assim era a beleza uma de espécie elo teológico entre criador e criatura, fazendo o primeiro das últimas sua imagem e semelhança.

Decerto é a beleza bem mais que apenas uma tese continuadamente reformulada de acordo com o animus social de cada tempo, ela é, deveras, uma espécie de inconsciente coletivo que habita o arcabouço do desejo humano, muitas vezes sendo a peça que delimita o seu direcionamento. Então o que se pretende em verdade com esse breve comentário, não é listar dados históricos de um conceito dominante de beleza, mas sim lançar uma pergunta, sendo essa a pergunta fundamental. Que lugar deve ela, a beleza, ocupar em nossas vidas?

Grandes teóricos têm debatido a questão visando formular um conceito estético-funcional adequado ao nosso tempo, porém, embora haja muitas especulações, pouco se conclui a respeito. Particularmente quero crer na tese da beleza como um gatilho de acionamento do desejo, sendo ela uma espécie de combustível para a ação humana. Nesse sentido, seria lícito dizer que a vida converter-se-ia em algo que talvez não valesse tanto a pena viver, não fosse a beleza e o interesse (estímulo para a ação) que ela desperta. Não entenda o belo como algo meramente subjetivo, porém e mais acertadamente em forma de algum sentimento essencialmente abstrato, como o Platão ensinava na grande Atenas de outrora.

Esse mestre do mediterrâneo propunha um ponto de contemplação para a beleza, mas não encerrava na ação de culto visual àquela forma bela o único estágio da contemplação. Com efeito, era aquele ser idolatrado nada mais que um ponto de partida ou um gatilho de acionamento para a busca do aperfeiçoamento pessoal. Nesse foco poder-se-ia justificar o zelo do mestre para com seu pupilo e vice-versa na pederastia ateniense, por exemplo. Há também passagens na literatura universal das quais gosto muito que refletem o sentimento de zelo dado ao ser que se presta culto, como em “A Morte em Veneza” de Thomas Mann, onde o autor apresenta um determinismo obstinado sofrido por Gustav Aschenbach quando descobre a peste que prolifera em Veneza e quer a todo custo resguardar Tadzio, seu ser idolatrado, do contágio da mesma.

Todavia, trazendo o foco para formas mais cotidianas a nós, pode-se citar o caráter de busca da beleza como um exercício de elevação pessoal na situação muito comum onde, por exemplo, um homem se apaixona pela imagem de uma mulher e para chegar até ela tenta se melhorar como um todo, idealizando algo de mais elevado naquele ser e buscando evoluir em pontos difusos para se equiparar a ele. O homem então passa a praticar exercícios para melhorar seu físico, a ler poemas ou algo de literatura para fecundar ideias mais sensíveis em seu subconsciente etc. Com isso vem a segunda fase (insuspeitada) que é onde tudo fica mais abstrato: aquele homem antes sedentário toma gosto pela atividade física e torna-se com isso mais saudável, o antes extremamente racional e frio aprende a ser menos calculista e a ver a beleza dispersa pelo mundo, num pôr do sol, numa flor ou no rosto puro de uma criança, aprende o sentido de sensibilidade no conceito lato de ser-humano. Se o intento inicial de conquistar a mulher é ora conseguido ou não, no bojo da conjuntura isso tem papel de sorte incidental, a coisa em si é, com efeito, o grau de sublimação que aquele momento de frenesi causou.

Não há como negar, o impacto da beleza é sentido por todos, lembro de quando li meu primeiro livro por volta dos nove anos mais ou menos, era o “Livro de Sonetos” do Vinicius de Moraes, as palavras, a textura, o cheiro do papel, a densidade do ar naquela pequena biblioteca do colégio... É tudo tão presente em minha memória, como se tivesse sido ontem. Aquela experiência me impactou de uma forma que quando dei por mim era já um compulsivo por poesia, daquele momento até muitos anos depois. A descoberta de Vinicius, Pessoa, Bandeira, Quintana, Cecília e assim por diante, tenho certeza me protegeram de muitas coisas tão menos ou nada edificantes a que qualquer adolescente desses tempos está exposto. O milagre da força do belo se fez em mim. Não cabiam estereótipos, meias intenções ou qualquer outra tentativa de caricaturização intelectual. Naqueles anos eu não buscava a leitura como forma de justificar alguma superioridade ou de obtenção de poder por força dela, a beleza contida nas palavras era, a meu ver, autossuficiente. Como tenho sentido falta daqueles anos...



Esse comentário breve não encerra nossa discussão acerca da beleza,
em breve postarei novas considerações para se somarem a essas.
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São Tomás de Aquino, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles

Os Sertões e A Guerra do Fim do Mundo - por Kbçapoeta

A Guerra do Fim do Mundo - Mario Vargas Llosa
Os Sertões - Euclides da Cunha



“‘A Guerra do Fim do Mundo’, obra belíssima de Mario Vargas Llosa.
Esse livro nos faz retornar a guerra de Canudos porém no bando de Antonio Conselheiro onde, personagens de carne e osso, alguns reais, outros imaginados, transitam em meio à guerra de Canudos.
Leia ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha e depois delicie-se com essa obra.
Vale a pena!”
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E você? Que livro gostaria de comentar aqui?
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Duelando Manchetes II: Eutanásia - por Cacá

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EUTANÁSIA!


Para uns, Deus é a medida de todas as coisas. Outros, porém, estão sempre em busca de algo além de verdades prontas, pré-estabelecidas, os dogmas. Há ainda aqueles que vagueiam inseguros, por aqui e por ali à procura de algum significado para a existência humana.
Diante de determinados fatos de repercussão global, quem acaba colocando o assunto na roda dos debates são os meios de comunicação. Aqui vou falar da eutanásia. E vou tentar fazê-lo sem nenhuma opinião pré-concebida, sem nenhum fervor religioso, sem nenhum paradigma que possa direcionar a minha opinião.
Alguém, qualquer pessoa que seja, independente de sua condição sócio-econômica, cultural e religiosa, sexual ou cor da pele, encontra-se, pelos desígnios da vivência, absolutamente incapaz de se manifestar, de se locomover, falar, sorrir, chorar, se alimentar e fazer suas necessidades fisiológicas por conta própria. Passa a ser mantida viva como uma planta e com auxílio de aparelhos inventados pelo homem. E depois de muito tempo, feitos todos os esforços, todos os estudos, tentadas todas as terapêuticas, chega-se ao diagnóstico da impossibilidade de reabilitação ou cura. Não possui esta pessoa nem a capacidade de interferir naquilo que lhe é oferecido, ou seja, se aceita ou não esta condição. Até que ponto alguém pode decidir sobre seu destino? E decidir o quê? Se a mantém assim ou se abrevia a sua condição, praticando, neste caso, a tão controvertida eutanásia?
As leis no mundo em torno do caso não permitem praticar, em alguns lugares, a eutanásia “não consentida”, ao estabelecer a pena de morte? Inclusive de gente que não está em estado vegetativo? Pessoas que, segundo estas mesmas leis, têm direito à vida? Outro aspecto da lei com relação ao direito à vida: este direito, no caso em questão, tem que virar obrigação? Se se trata de um direito, a pessoa não pode abrir mão dele? E ela, não podendo, por falta de condições psicoemocionais, o seu responsável ou pessoa mais próxima pode abnegar do direito por ela?
Quanto à ciência, ela estaria dando uma contribuição à fé religiosa, comprovando pelos seus métodos e recursos técnicos que não há vida ativa naquele corpo? Se as pessoas religiosas creem em algo além da matéria, não estariam amparadas para permitirem a paz e o descanso dessa alma em sofrimento? Ou não, ela e quem mais a ama e lhe quer bem devem sofrer até que sua sina seja cumprida?
Não apoio, não recrimino, não julgo. Apenas me tirem os tubos, desliguem as tomadas, se for meu o caso um dia.
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Visitem Cacá
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O Balconista da Mercearia - por Adir Vieira

Somos nós que damos aos lugares o brilho natural ou são os lugares que, de acordo com sua performance, mudam nosso estado de espírito?
Eis uma questão que sempre me vem à mente quando passo na porta de uma mercearia próxima a minha casa.
O ponto, por si só, é de destaque, digno daqueles capazes de angariarem, só para si, a clientela geral. Localizado na esquina principal, abrange duas ruas populosas. Apesar de ter uma área pequena, todos sabem que lá vão encontrar as miudezas que na hora dos preparos de última hora são imprescindíveis. Ali tudo se mistura, do pão ao sabão em pó, mas parece que as pessoas não se importam muito com o fato. Já na entrada, rente ao único balcão, engradados de refrigerantes de dois litros quase que impedem a entrada dos clientes, visto que têm que se esgueirar para atingir o atendente.
Este, com o sorriso de Monalisa, nunca está à vista e, na maioria das vezes, está providenciando a troca de dinheiro na padaria em frente para consolidar a venda, enquanto o cliente atendido aguarda a sua volta e “toma conta” do negócio. Essa questão, tão repetitiva, demonstra a desorganização do comércio e mostra com firmeza o descomprometimento do balconista com o seu trabalho.
Via de regra, raramente um ou outro cliente, especialmente aqueles que tentam se fazer de amigos (privilegiam-se no “caderno de contas”), também usufruem do uso do banheiro que, pelo odor, deve justificar a ausência de clientes no local.
Todas as vezes que por ali passo, observo com detalhe a postura do balconista. Senhor de meia idade, bem apessoado, mas envolvendo em si uma tristeza tamanha daquelas que interferem na nossa energia. Fala baixo, olha o vazio, tem atos mecânicos no embrulhar o produto, abrir a gaveta de dinheiro para dar o troco etc.
As prateleiras sugerem uma arrumação imediata, embora nunca tenha visto baratas ou moscas, apesar da sujeira, mas ele, o balconista, parece sempre estar brincando de estátua junto à parede, quando presente no local.
Pergunto-me se ele é o dono ou mesmo o que mantém aquele comércio funcionando há tantos anos e pelo visto, sem prejuízos? Não encontro explicação, mas minha mente vaga e com a eterna mania de quem no trabalho selecionava a pessoa certa para cada atividade, imagino o “Lino sorriso” comandando aquela mercearia...



Visitem Adir Vieira
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Gente Miúda - por Alba Vieira

Quando eles chegam tudo em volta brilha.
É algazarra, brincadeira, festa e liberdade.
Não se pode ter sossego, muito menos tristeza.
Ter criança perto deixa sempre saudade.

Muito eles têm pra ensinar aos adultos,
Tão acostumados às vivências importantes.
Mas nada nesse mundo é mais fecundo
Que o que gera a convivência com os infantes.

Porém o aprendizado depende de atitude.
Acompanhar as crianças convida à mudança,
A gente deve se soltar, deixar que tudo mude...
Fazer bagunça, rir à toa e entrar na dança.




Visitem Alba Vieira
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DoidivAna - por Ana

Eu já nasci meio virada da cabeça. As pessoas diziam que eu era meio esquisita, estranha... A curva de crescimento foi subindo e trazendo adjetivos mais corpulentos: doidinha, pancada, amalucada, doida varrida, pirada, maluca, doida de pedra, 22, psicótica, alucinada, egressa, esquizofrênica, louca, alienada, demente, diazepina...
Fui encaminhada ao psiquiatra ainda na infância e recebi o diagnóstico do agnóstico: “Pode ser psicose ou alter ego.” Na dúvida, medicou. Com as pilulinhas, cortei vestidos, amarrei rabo de gato, estinlinguei vizinhos, esganei cachorro, iniciei criação de carrapato, fui de camisola pra igreja, fiz uma extensa coleção de origamis com os livros didáticos, vesti fantasia de fada que só tirava pra tomar banho, tosei o cabelo para ficar igual ao Kojak, entre outras pequenas coisas... Obviamente, a medicação foi suspensa. Não se falou mais em médico. Optaram pela versão alter ego.
Depois da adolescência eu sosseguei um pouco: chamada à responsabilidade, tentei não frustrar a família e a mim mesma. No entanto, sempre que podia, manifestava este lado irreverente, mal compreendido e ainda discriminado por todos que me conheciam.
Um dia, assistindo à TV com minha sobrinha, me deparei com um personagem de desenho animado que dirimiu todas as dúvidas e trucidou as minhas possíveis (e impossíveis) culpas. Descobri que não era psicose, não era alter ego. O que eu tinha era alter Helga!
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Linhas de Minha Mão - por Kbçapoeta

Existe destino?
Alguns o chamam de sina,
Outros de carma,
Os mais razoáveis de: soma de ações.

Alguns desfechos de vida
Não foram obra do acaso?
Seriam carmas
De suas pobres almas?

O destino de alguns
Foram ações subtraídas
Que não aconteceram
Por medos, nada razoáveis.

Desejos indesejados,
O pecado que morava ao lado,
O bem e o mal,
O vou ou não vou.

O destino é :
O galho que flutua sobre o rio,
O pólen que dança pelo vento,
Semente germinada do acaso.

O acaso não depende de você.
O destino depende do que o acaso
Irá lhe propor.
Você deve agradecer aos céus por isso.




.....................Visitem Kbçapoeta
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quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Autor de Junho

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PARABÉNS, JAIR ANTÔNIO PAULETTO!
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Wordle: O Autor de Junho
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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Uma Vez - por Leo Santos

Será o amor tão banal,
e eu sou complexo,
ou falta nexo àquilo que leio…?
Será mera espiral de fumaça,
que passa sobre o quintal
onde não há fogo?

Ou uma tocha que emana
na caverna da luxúria,
entre a estalactite e a lama?

É que a interpretação dos hieróglifos vem mal,
d’aquele que assina com a digital,
moeda tão falsa, que nem a aparência é real…

De paixão, cópula, até os bichos sabem,
cabem nos instintos as expressões;
Mas aquele que tantas vezes ama,
quantas deixa de amar, assemelha-se ao viciado,
que jacta-se de dez vezes ter deixado de beber;
Esquecendo que isso só foi possível,
porque outras tantas, voltou a fazer…

Quem muitas vezes ama, nunca o fez.
Aquele que para de beber,
só para uma vez…



Visitem Leo Santos
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Duelando Manchetes II: Eutanásia - por José Carlos Correia

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EUTANÁSIA, UMA PEQUENA REFLEXÃO


Ontem, eu e minha esposa estávamos sentados na sala, a falar das muitas coisas da vida; estávamos a falar sobre viver e morrer e a conversa recaiu sobre aquele caso da rapariga italiana. Então eu lhe disse:
- Nunca me deixes viver assim num estado vegetativo, dependendo de uma máquina e de líquidos. Se me vires nesse estado, desliga tudo o que me mantém vivo, ok?

Vocês acreditam que ela se levantou, desligou a televisão e deitou fora a cerveja que eu estava a beber?
ASSASSINA!...
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Falando Ainda do Reencontro com a Amiga de Escola... - por Adir Vieira

Exatamente há quarenta e quatro anos não nos víamos. Há quarenta e três, sequer nos falávamos.Favorecidas pelas comunidades do orkut nos localizamos.
No último ano do colegial, nos despedimos como melhores amigas que éramos e não nos reencontramos mais. Um poema de autoria dessa grande amiga, onde a última palavra era meu nome, foi a lembrança física a me acompanhar. Por anos e anos guardei-o dobradinho entre as minhas coisas mais queridas, mas o casamento, a mudança de casa, fez com que sumisse de meus olhos. Na minha mente as estrofes, antes recitadas por mim com facilidade, agora que o poema sumiu, parecia forçar o esquecimento.
Lembro daquela semana em que a localizei pela internet. Com a alegria da certeza de saber que era ela, no e-mail respondido, vieram povoar minha mente todos os repentes da juventude descomprometida e feliz.
Por semanas vivi aquela volta ao passado, no mesmo estado de ânimo dos quinze anos, todas as vezes que com ela falava pelo MSN.
Esgotamos, em demorados papos, a vida vivida por cada uma, sem nada esconder, no período de ausência uma da outra.
Novas alegrias vieram quando usamos a remessa de fotos e a câmera para nos falarmos ao vivo e a cores.
Vibrei com cada linha por ela escrita, pois sua alma poética se fortificou ao longo dos anos, levando-a até a publicar um livro. Senti de novo a sensibilidade de sua alma, pelos versos profundos e belos que dirigia aos filhos, sem censura, nas poesias que escondia no fundo da gaveta. Conheci diversos dos seus trabalhos inteligentes, fosse em poesia ou em forma de crônicas. Saboreei, diariamente, seu blog: atual, dinâmico, lúcido, perfeito...
Persegui seu dinamismo, como a me dar expressão nas coisas do dia a dia.
Por fim, valorizei o doce sabor de uma amizade de infância - aquela real, sem censuras, sem interesses, sem frescuras...
Em vários momentos senti o destino a nos aproximar, depois de tanto tempo.
Agora talvez vocês entendam minha ansiedade, durante esses dias de espera.
Enfim, ontem o reencontro aconteceu...
Como todos os encontros de alma, como tudo o que acontece sem explicação, sem planejamentos, revi minha amiga ontem.
Num momento mágico, como se o tempo não tivesse passado, ali estava minha amiga, como há tanto tempo atrás.
Passamos como o tempo, ganhamos algumas rugas, engordamos, deixamos de lado o rabo de cavalo, mas ali estávamos nós, como exatamente há tantos anos atrás - certas de que jamais perderemos o que temos de mais profundo em nossas almas - nossa grande amizade.



Visitem Adir Vieira
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