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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Linha do Sol - por Alba Vieira

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Sobressair em meio aos experts
É como lançar areia no deserto
E brilhar sob intensa luz.



Visitem Alba Vieira
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Recado - por Ana

Escrevinha:
Já vi este filme [Um Dia de Cão] umas três vezes. Al Pacino está demais! E aquele cara que faz o irmão dele (o Fredo) no Poderoso Chefão também trabalha muito bem e faz um personagem estranhíssimo... Gostei muito deste filme porque trata de revolução, de revolta, de expor as próprias ideias, de se colocar contra o estabelecido, trata do posicionamento social, dos questionamentos que ele coloca acima da própria vida. É um filme ousado, crítico, magistral e chocante. Legal você ter falado sobre ele aqui!
Beijo!



Resposta a Um Dia de Cão, de Escrevinhadora.
Sidney Lumet, Francis Ford Coppola

Nunca Sempre - por Daisy

Durante quase 50 anos, exatamente 48 anos, nunca faltou uma palavra. Nunca. Sempre houve troca intensa de palavras. Sempre. O que não quer dizer que não tenhamos nos sentido só, às vezes. Mas só às vezes. Nunca sempre.
Durante o namoro, as palavras eram revestidas de mel. Eram tão doces! Mas juramos ser como pombinhos, era o que ele me falava, a vida inteira. Sempre.
Durante o noivado, morando em cidades distantes, as palavras vinham como era possível, então! Cartas diárias, dois telefonemas por semana (a telefonista fazia o contato e esperávamos, às vezes, duas longas horas!) e um fim de semana por mês (depois de uma viagem de 11 horas de ônibus!). A espera pelas palavras revestiam-nas de alguma coisa. Que não consigo expressar... para explicar, sempre falta uma palavra. Sempre. Mas nunca entre nós. Nunca faltou uma palavra. Nunca.
Durante os 46 anos de casamento, sempre juntos. Sempre. É verdade que atravessamos verdejantes planícies, verdadeiros precipícios, caudalosas quedas d’água, cálidos desertos. Sempre juntos. Sempre. Palavra foi o que nunca faltou. Sempre nunca.
Agora, porém, não há mais palavras. Faltam. Tudo falta. Só existe nada. Cartas, telefonemas, fins de semana. Acima de tudo, palavras. Nada!
Palavras que eram a tradução de carinho, cumplicidade, confiança, ciúmes até. Amor, enfim!
E, depois de quase 50 anos, exatamente 48 anos, falta uma palavra. Sempre falta. Sempre faltará. Sempre.



Visitem Daisy
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Eugène Delacroix in Diário - Citado por Penélope Charmosa

É preciso esconjurar, da forma que nos for possível, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espírito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho - e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que se divertir não encontrará nas suas distrações nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos - como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distração e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando temos uma certa disposição de espírito, é preciso ter uma imensa energia, de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar, graças à nossa força de vontade, à melancolia em que caímos continuamente. O prazer que sinto, neste momento, em dialogar consigo acerca deste sentimento é mais uma prova de como eu me procuro agarrar, avidamente, sempre que tenho forças para isso, a todas as oportunidades para ocupar o espírito (ainda que seja referindo-me a este tédio, que procuro combater).
Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão cotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito.
No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e veem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço.
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Momento Mágico - por vestivermelho e ZzipperR

No palco da vida atuamos em nossos papéis diários, num texto cotidiano onde tudo muda a todo o momento. No texto que a vida escreve com a habilidade de um mestre, nos reserva surpresas boas e más, porém um dia Deus reservou uma inesquecível para mim e para a Abelhinha.
A arte é mágica e nós somos dois palhaços atuando com amor, assim a nossa força do amor atraiu um momento mágico, reservando as pessoas certas para nosso espetáculo.
A Abelhinha chegou voando com um convite na mão, pedindo que fizéssemos uma festa surpresa para umas crianças no dia das crianças. Como somos palhaços, aceitamos imediatamente, porém pediam que fôssemos vestidos de palhaços.
No dia do espetáculo eu vesti palhaço e a Abelhinha vestiu palhacinha com uma maquiagem maravilhosa, pois não sabíamos quem eram as crianças e fomos de coração aberto para o palco que aquele dia a vida nos reservou.
Nossas mochilas estavam carregadas com pirulitos e os bonecos para divertir as crianças e ensiná-las a viajar no mundo da magia com o carinho e a habilidade que a arte proporciona.
Colocamos tudo dentro do carro e seguimos para o local definido apenas com o endereço. Não sabíamos mais nada, éramos dois palhaços lançados à sorte no palco da vida pela arte.
Chegando ao lugar indicado, tremi, pois era uma casa beneficente de crianças especiais. Um desafio para grandes atores, o momento de mostrar que sabemos atuar, e para isso tivemos que entrar no mundo deles, sair do nosso mundo materialista, individualista e mergulhar no amor, no carinho e na atenção de crianças brilhantes.
Olhei para a Abelhinha, aquela linda palhacinha, toquei com a minha mão em seu rosto, demos um beijo de palhaços e eu falei:
- A hora é essa! O show vai começar!
Facilitamos o máximo possível para que as crianças participassem do espetáculo e começamos a pintar o rosto das crianças, os meninos com bolinhas coloridas e as meninas com flores brilhantes e lindas. Cada rosto maquiado saía daquele mundo e voava na arte, transformando-se em verdadeiro artista. Porém um garoto deficiente visual se aproximou da abelhinha e falou:
- Eu quero ser palhaço também.
- Então você será um lindo palhacinho. Ela fez uma maquiagem maravilhosa nele e eu sentia que alguma coisa especial estava para acontecer.
A Abelhinha lhes ensinava a fazer arte com bexigas, fazendo cachorrinhos, capacetes, corações e pássaros. Elas chegavam a gritar de felicidade enchendo as bexigas coloridas. Quase chorei vendo a atenção e o amor deles pelos que não tinham possibilidades de chegar até as bexigas. Eles compartilhavam a alegria e a felicidade, levando bexigas para os outros e chegou a hora da história com os bonecos.
Eles participaram ajudando a montar o palco e, depois de tudo montado, um deles veio até mim e falou:
- Palhaço! Deixa-me ser um boneco?
Olhei e vi que ele era um deficiente visual, não enxergava nada.
- Deixo! Mas vou te ensinar. Preste atenção! Segura essa madeira. Você vai manusear o boneco na história, segura com a mão esquerda no canto do palco para você controlar a distância. Você vai ser o personagem principal e se eu falar: O menino está saindo da casa, você volta com ele para o palco. Certo?
- Certo!
A Abelhinha participava de cada movimento do garoto, desde a preparação até no ato da cena. Falando para ele assim:
- Quando o palhaço começar a contar a história, você manuseia o boneco como você imaginar que é a cena.
A história era ouvida com atenção, pareciam vivê-la, estar dentro da história e o garoto manuseava a marionete como se fosse ele, como se estivesse enxergando e durante o transcorrer da história não saiu com o boneco uma vez do palco, parecia viver naquele espaço há anos.
O espetáculo terminou e eles fizeram questão de guardar os bonecos com cuidado e atenção, como se estivessem guardando algo precioso, que invadiu seus corações e suas lembranças para sempre. Após terminarem, o garoto deficiente visual me abraçou e falou:
- Palhaço! Como é o nome do boneco da história? Você não falou o nome dele nenhuma vez, apenas falava que ele colecionava folhas.
- Ele não tem nome. Pode ser qualquer um, até você.
- Eu queria que ele tivesse um nome.
- Certo! Então você coloca um nome nele.
- Eu queria que ele tivesse o meu nome.
- Vamos colocar um nome nele. Qual é o seu nome?
- Jesus.
- De hoje em diante, o colecionador de folhas se chamará Jesus.
Agora vamos nos despedir estourando bexigas, que é para dar sorte e a gente voltar aqui mais vezes.
Todos começaram a estourar bexigas numa gritaria de felicidade inexplicável, com seus rostos maquiados, numa cena teatral, sem ensaios e numa atuação perfeita que o espetáculo da vida proporcionou.
Antes de ir embora falei:
- Agora vocês também são atores e podem fazer seus próprios espetáculos, basta deixar a imaginação fluir e a história sairá junto, proporcionando o espetáculo perfeito.
- Vamos, Abelhinha! Chegou a hora de voar, pois hoje a alma está mais leve e pura, carregada de carinho e amor puro.
O palhacinho se despediu tocando o meu rosto, como se estivesse desenhando em um papel, depois tocou o rosto da Abelhinha, sorriu e se despediu.
Saímos daquele lar deixando os atores atuando no palco, e nós éramos apenas telespectadores da vida que acabaram de assistir a um grande e excelente espetáculo, levando como bagagem experiência, ensinamentos e lição de vida, provando que a felicidade está além do que imaginamos.
Obrigado arte! Por mais esse momento mágico.
Um beijo de palhaços.



Zip... Zip... Zip... ZziperR e vestivermelho
VruummmmmmmmZuummmmmmmmm
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domingo, 21 de junho de 2009

Estratégias Mirabolantes para Sedução de Mulheres - por Bruno D’Almeida

Lá estavam todos amontoados naquela salinha miserável para aprender a conquistar mulheres. Jovens na faixa de 16 a 97 anos, dos mais variados tipos, alguns com espinhas no rosto, outros com cabelos nas mãos. Entram os dois palestrantes do Instituto para Iniciação da Sedução. Silêncio. Quer dizer, um quase-silêncio: barulho do ventilador de teto rangendo, respirações fumegantes, dentes igualmente rangendo. O show vai começar.

Meus senhores, diz o palestrante Alex Gomes, este é o dia mais importante de suas vidas. De agora em diante, nada mais de dinheiro gasto com revistas masculinas! Nada de ficar chorando pelos cantos, agora todos vocês serão homens sedutores e saberão conquistar mulheres. Dediquei grande parte da minha vida nestes meus 34 anos de existência a entender o que se passa na cabeça de uma mulher. Tornei-me biólogo para compreender que os principais fatores que fazem uma mulher ser seduzida por um homem são puramente genéticos. Tomem nota, por favor.

O homem exala no seu suor feromônios. A mulher sente o cheiro do macho e se apaixona. Por isso algumas mulheres gostam de homens musculosos. Feromônio puro. Outras mulheres gostam de homens com dinheiro, mas não é apenas o dinheiro que as atraem. O componente ancestral da fêmea, por conta da reprodução, exige dela um comportamento de preservar a espécie. Ela gosta de homem rico porque ele é capaz de dar filhos com segurança e estabilidade para ter uma família. O primeiro passo, meus caros, é tirar a barriga ordinária e andar bem vestido. Eu mesmo conquistei minhas primeiras 14 namoradas assim. Agora, tem outra coisa importante, que meu colega André Costa Pinto vai ensinar, que é o fator psicológico. André, a palavra é toda sua.

Meu caros, diz André, eu já conquistei as mais belas mulheres do mundo usando a cabeça. Vocês precisam entender que mulher gosta é de atitude. Vou dar uma dica importantíssima. Escrevam. Faça o seguinte quando quiser pegar a uma mulher na escola ou no trabalho: Diga a ela pra esperá-lo lá fora quando sair. Se ela não estiver lá, esqueça. Ela não quer saber de você. Mas se ela estiver lá fora te esperando, com braços e pernas cruzadas, sorriso no rosto dizendo diga o que você quer falar comigo, não tem nada para falar: agarre e beije logo. Mulher gosta é de atitude.

A plateia estava mimetizada. Ontem de noite fui a um barzinho, continuava ele, mirei uma gata e disse: preciso de uma opinião sincera e peço que me ajude. Sinceramente, o que te atrai num homem? Ela gaguejando, olhando nos meus olhos, disse que gostava de homem sincero, bonito, fiel e foi olhando pra mim e projetando nos meus olhos tudo o que ela achava de um homem perfeito. Depois de 23 minutos estávamos nos beijando e nem queiram saber o que aconteceu duas horas depois. Entendam que ninguém se apaixona por outra pessoa, as pessoas se apaixonam pela imagem que projetam dessa pessoa. O segredo então, é projetar a imagem de homem perfeito que elas pensam de você.

Vamos ao teste prático. Alex chama a assistente de sala. Vanessa, se eu te dissesse todas essas coisas, o que você faria? Ah, diz ela suspirando, eu me apaixonaria por você na mesma hora, assim como por qualquer um destes homens da plateia que mostrasse metade de seus conhecimentos sobre a alma feminina. Pois é isso, meus caros, disse agora André, saiam pelas ruas a partir de hoje como novos homens profundamente conhecedores da arte da sedução. Hoje à noite vistam a roupa mais bonita, encontrem a primeira mulher interessante que vejam pela frente e tenho certeza de que será um sucesso. Na saída não esqueçam de pegar os diplomas de vocês. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. Aplausos demorados de pé.

Nem precisa dizer que todos saíram da palestra encantados. Receberam material didático e midiático para aprofundar os conhecimentos adquiridos e com tira-dúvidas on line durantes três semanas. O pagamento foi parcelado em 10 sem juros no cartão. Um sujeito mais afoito encontrou a bela Vanessa no ponto de ônibus e foi logo perguntando o que a atraía num homem. Quase soltando uma gargalhada, ela acenou um adeus com as mãos e entrou correndo no primeiro ônibus que passou. Quase consegui, pensou ele. Com a próxima não haverá escapatória. Maldito ônibus.



As Nossas Palavras IV - por Ana

Agora estou mais segura,
Acho que estou acertando
Usar as Nossas Palavras
Enquanto vou versejando.

Hoje cinco palavrinhas:
sete levante-se vezes
E também tem cair oito.
Publicadas há alguns meses.

Vamos então ver o que sai
Desta minha mente doida...
Nem eu mesma faço ideia
Menino! Sai cada coisa!

Sete são os pecados
Denominados capitais
Por São Tomás de Aquino,
Que o catolicismo nos traz:

Vaidade, inveja, ira,
Preguiça, gula, avareza
E luxúria... Coisas tristes
De se cultivar, com certeza...

Mas pessoas sempre erram,
Vão cedendo às tentações,
Confessando, recaindo,
Perdendo para as paixões...

Mas se você é cristão
E resvala sem querer
Não se culpe, meu amigo,
Estamos aqui para aprender...

Faz parte da natureza
Do humano (tu não sabe?)
Tropeçar nos próprios passos,
Perfeição aqui não cabe...

Se cair, por um descuido,
Levante-se, siga em frente,
Mas guarde a lição, corrija,
Procure ser diferente.

Às vezes é tão difícil!
Eu sei, estamos de acordo...
Mas os pecados são só sete...
Ainda bem que não são oito!
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A Música de Minha Vida - por Adir Vieira

Convidada para uma Blogagem Coletiva, fiquei surpreendida comigo mesma, por não ter, especificamente, uma música para determinado momento de minha vida.
Posso atestar que sou musical desde que nasci.
Se é sim, seja ela qual for, me embala.
Confesso que meu sonho principal era ser cantora. Logo...
Na adolescência, as músicas, todas as mais tocadas, viviam em meus lábios enquanto trabalhava ou mesmo estudava. Colecionei, ouvi, traduzi, decorei, cantei todos os inúmeros sucessos americanos que um curso de inglês editou e comercializou em discos de vinil.
Em todos os momentos importantes, felizes ou cruéis de minha vida, a música esteve em primeiro plano. Mas agora, para determinar a música da minha vida, não lembro, de pronto, nenhuma.
Não acredito nessa minha afirmação e só para contrariar rebusco na memória, em segundos, enquanto revivo as passagens de destaque no meu viver e, de súbito, mais uma vez me surpreendo, por encontrá-la. Ei-la diante de mim e dos meus ouvidos, completa, verdadeira, sutil e real: WHAT A WONDERFUL WORLD.
A história que a permeia é singular, única, sofrida e sentida com todo o fervor. Era eu Gerente de Recursos Humanos de uma empresa de confecção. Atuante na área há quase vinte anos, era gata escaldada - admitia, demitia quando havia baixa de produção, sem qualquer problema. Mas, justo naquele dia, havia assinado a demissão em massa, de cerca de oitenta funcionários. A vontade de não ocupar aquele lugar na empresa, de não ser a mão que assinou os desligamentos, a grande tristeza de me colocar no lugar daqueles chefes de família, tudo isso me fazia sentir ser a última das criaturas.
E foi com esse estado de espírito que cheguei em casa, depois de rodar de carro por mais de duas horas.
Como para me chamar para a vida, ao entrar em casa, tive a maior das surpresas - meu marido, que não havia voltado para a empresa após uma de suas costumeiras reuniões com a equipe, chegou em casa antes de mim, preparou um jantar à luz de velas e me esperava com o intuito de me surpreender.
Lembro-me que ao ouvir o bater da porta, acionou o controle remoto do som ambiente e a música que se fez ouvir foi What a wonderful world.
A noite foi tão fantástica ao som dessa música... cada verso parecia sentir a minha tristeza, e o fato só foi dividido com o meu marido dois dias depois.
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Visitem Adir Vieira
Louis Armstrong
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What a Wonderful World (Homenagem ao Dia da Música) - por Anônimo

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. Louis Armstrong

Urubus - por Alba Vieira

Manhã fria no asfalto...
Corpos enregelados, amontoados
nas calçadas frias e sujas.
Paisagem fria da cidade que acorda.
Trabalhadores rumam para as obras do PAC
em frios uniformes azuis,
robotizados, enganam os estômagos frios
com café quente nos bares das esquinas.
Crianças com blusas cor de laranja,
sonolentas, puxadas pela mão seguem para a LBV
pela longa estrada, atrás de mães disformes,
tentando vencer a sina dos dias duros e frios.
Restos do dia anterior abundam nas calçadas.
Restos humanos dormem no lixo;
fazem fogo perto da caçamba
e fumam guimbas que aquecem,
roubando o último fôlego.
Dois cavalos esquálidos descansam no muro da SUIPA.
No alto do prédio da igreja de crentes,
doze urubus pretos observam, se movimentam
e aguardam, na laje, o banquete.
Nesse recorte da comunidade, com carniça e podridão,
como no Planalto, os abutres agrupados confabulam...
Esperam para devorar o que restará dos homens de bem.



Visitem Alba Vieira...................................................
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Albert Einstein e o Milagre da Vida - Citado por Penélope Charmosa

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
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Estou Lendo... - por Alba Vieira

Corpos da Alma, de Chris Griscom.



E você? Que livro está lendo?
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sábado, 20 de junho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte X) - por Paulo Chinelate

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MEUS 12 ANOS


Três meses passaram tão rápido e ontem, dia da mentira, recebi a terceira carta do papai. Mamãe também escreveu uma página. À noite, na cama, chorei. Hoje acordei triste. Lembrei-me da carta de mamãe. Senti em seus olhos, escrevendo, lágrimas pela distância do filhote mais velho. Hoje é meu aniversário. Faltou ser acordado com um beijo dela. Aqui, ao contrário, o corre-corre matinal. Pelo pouco tempo talvez para estar pronto ou a falta de uma atenção personalizada, ninguém veio me dar os parabéns. Foi o meu mais triste dois de abril vivido até hoje. Estou completando 12 anos. Não que papai pudesse comemorar aniversários, ainda mais de uma prole de oito. Mamãe, porém, sempre nos brindava à noite com os pingos de chuva, bolinhos encantadores, de trigo, fritos e passados ao açúcar com canela. Não haveria de faltar um refresco de baunilha ou limonada com bicarbonato para dar um gostinho de soda limonada da José Weis.
Estou me enturmando legal. Tenho colegas com os quais me afino. Tem o Francisco Ozanan, o Otoni, o Dirceu, Argemiro e Sheib. Sem falar no Nilton de Carandaí, o Osmar de Patos de Minas, também o Fiúza e tantos outros que como eu, longe da família, nos elegemos irmãozinhos.
A rotina de um colégio aqui é sempre quebrada com as tardes de jogos às quartas e aos domingos e acampamentos lá no Tangarás, linda grota no meio da floresta. Os passeios disparados mata adentro tentando acompanhar os passos de sete léguas do Irmão Claudino.
De quando em quando piquenique em fazendas e cachoeiras. Sou sempre voluntário para trabalhar na cozinha. Somos os privilegiados que seguimos de caminhão. Os outros, a pé atalhando vales e montanhas. Quando o local é distante, a cozinha vai na frente. O caminhão volta a pegar o restante da turma. Desta forma aproveito por mais tempo os locais visitados. E como mais também. Fome de leão. Penso nos manos. Como estão lá em Minas? O que comerão hoje? Aposto que irão cantar parabéns pelo meu aniversário.
Já estou me tornando um ás em previsão do tempo. Lá em cima do telhado dos noviços tem um cata-vento com os pontos cardeais. Já sei que se a brisa está soprando de leste é chuva na certa. Consigo acertar com antecedência se vai chover no dia seguinte ou não. Com isso me adianto em saber se um piquenique dará certo.
O aproveitamento nas aulas está razoável, apesar das dificuldades de acompanhar a turma. Não sou dos últimos, mas estou lá na rabeira.
A novidade é que ingressei no coral. Cantamos em apresentações e nas missas solenes dominicais. Sou soprano ou primeira voz. De vez em quando dou umas arranhadas. Dizem que estou que nem canarinho: mudando a voz.
Estão se aproximando as férias de julho. O que mais está nos movimentando são as festas de São João.
Próximo dos campos de futebol tem um espaço aterrado muito grande. Poderia dizer, sem erro, que caberiam outros dois campos bem grandes. Foi fincado um tronco de cipreste de uns 15 metros aproximadamente. Em torno deste marco está sendo trançada uma fogueira de árvores secas caídas na floresta. Os encarregados da montagem são os alunos do juvenato, sempre os maiores da quarta série ginasial. Utilizam juntas de bois para arrastar os grandes paus. Os noviços e postulantes também participam. Cada qual em seus turnos, por não podermos nos encontrar. Nem podemos nos falar quando nos cruzamos nos corredores. Há uma regra que não vi ainda ser quebrada. Cada qual no seu canto e ponto final. Ah! sim, a festa. Lá na “minha” rouparia foram guardadas enormes caixas com fogos de artifício. Doação dos proprietários da fábrica de fogos Adrianino, lá de Vassouras. São nossos benfeitores. Sempre estão aos domingos na missa das dez. Têm sítio próximo daqui. Sei que quando voltam pra casa levam sacos de verduras da grande horta que fica do lado da capela.
Junto com uma equipe estou ajudando a fazer as divisões dos fogos. Os rojões e foguetes em sacos para os maiores. Os menores ficam com os estalos e bombinhas. Muito frisson por conta do evento.
Lá no alto do pau, no meio da fogueira quase pronta, colocaram um boneco recheado de foguetes. Dizem que é a cara do Fidel Castro, boneco barbudo. Parece que é o sujeito que invadiu Cuba. Não entendo muito disso. Mas que vai ser bonita a lambança das explosões, isso vai.
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Opereta para Gio - por Ana

Gente! Ganhei quindim!
Cês viram que genial?
Esse menino é demais!
Que mente sensacional!

E não foi quindim dos simples,
Foi doce bem requintado:
A aparência, perfeita,
O gosto, elaborado.

Foi receita de primeira,
De quem domina a ciência,
Assada nos altos fornos
Da sagrada inteligência.

Menino precoce, este,
Tal qual Mozart, aquele gênio
Que, com suas criações
Desde cedo ganhou prêmios.

E como agradecimento
A quitute tão divino,
Eu ofereço Opereta
Ao maravilhoso menino.

Sei que não é mesma coisa,
É algo bem diferente,
Mas da mesma forma é doce,
Alegra a vida da gente.

E digo mais uma coisa,
Totalmente emocionada:
Diante de vós, Dom Giovanni,
O Mozart não é nada!



Resposta a Duo-acróstico pra Ana, de Gio.
Referência à ópera “Dom Giovanni”, de Mozart.
Wolfgang Amadeus Mozart.

Recado - por José Ivo

Querida Ana Maria:
Pertencemos ao mesmo grupo de pessoas que nos revoltamos contra a injustiça social, e pomos em dúvida a capacidade de juízes que tiveram larga formação e mentalizados para aplicar justiça com coerência, consistência e prudência.
Quando deparo com um caso de injustiça me lembro logo de Salomão na BÍBLIA, que concedido um desejo por DEUS, LHE pediu inteligência, prudência e sabedoria para julgar com justiça.
E ASSIM ACONTECEU.
Até tenho visto muitos casos que um juiz aplica uma sentença, e outro de um Tribunal Superior, altera opostamente a sentença proferida.
Este mundo está um caos.
E até leigos na matéria judicial, como tu e eu e muita gente, critica com relevância, alguns juízes com problemas de atitude e falta de humanidade.
Alem de haver leis escritas e um juiz forçar a sua obediência, até assim, é preciso actuar com coração e humanidade.
Gostei do teu artigo.
Parabéns.
Um beijinho carinhoso
José Ivo



Resposta a “Mudanças Já!”, de Ana Maria Guimarães Ferreira.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Djavan, Orlando Morais e “A Rota do Indivíduo (Ferrugem)" - por Ana

Mera luz que invade a tarde cinzenta
E algumas folhas deitam sobre a estrada
O frio é o agasalho que esquenta
O coração gelado quando venta
Movendo a água abandonada

Restos de sonhos sobre um novo dia
Amores nos vagões vagões nos trilhos
Parece que quem parte é a ferrovia
Que mesmo não te vendo te vigia
Feito mãe que dorme olhando os filhos
Com os olhos na estrada

E no mistério solitário da penugem
Vê-se a vida correndo parada
Como se não existisse chegada
Na tarde distante ferrugem
Ou nada
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Charada - por Alba Vieira

Esta charada foi feita pra criança,
De tão facilzinha que ela é.
Mas se quiser entrar na dança,
É só tentar descobrir o que é.

Eu dou emprego ainda a muita gente.
Há quem não consiga pensar sem mim.
Durante o trabalho, sou motivo para encontros,
Jogar conversa fora, paqueras e afins.

Não sou preconceituoso,
Acompanho coisa à beça.
O fato é que sou tão gostoso...
Por mim, sempre alguém se interessa.

O meu perfume é inconfundível,
Uns seguem até descobrir de onde venho.
Mas tenho múltiplas personalidades,
Me aceitam fraco, forte e posso ser veneno.

Desperto, levanto até os desfalecidos.
Pareço inofensivo, mas posso viciar.
Nesse caso deixo o fulano irritadiço,
Com insônia e tremendo sem parar.

Eu sou aquele que aquece nos dias frios.
Mas também posso ser um preto de amargar.
Depois daquele pileque com estômago vazio,
Só eu mesmo é que consigo lhe acordar.

A minha companhia mais frequente,
Talvez seja meu jeito mais saboroso,
Que na História do Brasil se fez presente,
É com o que a mãe dá de mais precioso.

E aí? Se depois de tanta dica,
Não sabe ainda, é mané.
Então vou mandar a última:
ESSA COISA PRETA RIMA COM CHULÉ.



Visitem Alba Vieira
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Um Dia de Cão - por Escrevinhadora

Acabo de ver “Um dia de cão”. Al Pacino, muito jovem, está perfeito.
Curioso observar numa cena que um personagem diz shit e é repreendido por usar uma linguagem grosseira. Enorme mudança em relação aos filmes atuais onde fuck é repetido à exaustão.



Sinopse e trailer: Cinemateca Veja
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
Sidney Lumet

O Homem Livre - por Leandro M. de Oliveira

Existe uma gama de espíritos inferiores, os ressentidos e mal situados no fluxo da vida. Esses tentam a todo custo justificar o ato de existir com indulgências mentirosas e palavras construídas sob a égide da hipocrisia. Relutam incessantemente a tomar nas mãos o que a vida lhes deu de forma gratuita, e pagam o mais alto preço para que renunciem ao bem que lhes persegue em favor de alguém que julgam mais necessitados. Esses homens de sal, essas pessoas sem cor fazem isso não por caridade em seu sentido lato, mas antes para autoglorificarem-se. Absortos que estão, não percebem que o tempo é veloz e que a vida não hesita em tirar num dia aquilo que deu em outro. Preferem as penas aos horizontes, as lágrimas ao riso, isso não é apenas irracional, é uma blasfêmia contra a vida. Julgar que a esquiva do mundo por si só é uma forma de melhora, de elevação. E esses ditos puros nos olham do alto de suas torres de papel, imaginam em suas cabeças “Como sofrem essas pobres formiguinhas, tenho pena delas...” Homens puros eu vos abomino! Um homem desses poder-se-ia dizer um novo Prometeu, mas isso seria insidioso, esses grandes de outrora nunca aspiraram à própria grandeza, compará-los como desejam é dar vazão à mãe de todas as insídias. Todavia, a segunda espécie de homens, a dos Homens livres, em nada se coaduna com esse ideal de autoflagelo voluntário. O Homem livre ama a vida, a sua busca última é a realização plena. Ele é uma aspiração da vida por si mesma. Enquanto o ressentido diz, “você foi estigmatizado pelo pecado, arrependa-se!” O Homem livre diz, “a ti foi entregue o dom supremo, a medida de compaixão da vida que lhe permite recomeçar sempre, não importando tua falta consigo mesmo, celebre!”
A diferença básica entre esses dois tipos de seres reside sobretudo no radical de cada um, isto é, na raiz da crença de vida em cada um. O ressentido, aquele que teceu o próprio açoite, persegue o pecado original, luta incessantemente para dar testemunho de seu arrependimento por algo que nem ele e nem mesmo um antepassado distante cometeu. Aceita a hipótese em que pela privação de todos os prazeres torna-se muito superior, gosta de fantasiar em seu ego que a incapacidade que possui de apreciar a vida e sua pena por si mesmo podem levá-lo a um a um estado de sublimação ímpar. Todavia, o homem livre, aquele algo além que deve ser a busca última da humanidade não é apenas conflitante com esse indivíduo mas, com efeito, diametralmente oposto. Ele crê num conceito revolucionário, uma forma de ver que desafia toda a religião, toda a ordem social e qualquer outra sorte de apologia ao se sentir escravo criada para justificar a condição humana. O homem livre crê na pureza original, no viver a partir do coração, não importando o quanto esdrúxulo isso pareça. Ele descarta as palavras “feio”, “proibido”, “impossível”. Abomina a tradição do nosso tempo, essa culpa incriada, que foi nossa muleta ao sentirmos tanta pena de nós mesmos. Ele diz: “Lance fora essas escoras, deixe de andar como aleijo!”.



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Albert Camus e a Busca da Felicidade ou do Sofrimento - Citado por Penélope Charmosa

O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efetivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Exceto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus atos escapam-lhes noutros atos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo fato de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.



In “O Homem Revoltado”.
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