Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 16 de junho de 2009

François Fénelon em As Nossas Palavras XIV - Enviado por Adhemar

.
Fuja do elogio, mas tente merecê-lo.


Visitem Adhemar
.

O Dia Especial - por Adir Vieira

Ontem foi um dia especial.
Sabe aqueles dias em que você deixa de pensar nos outros para só visualizar você mesmo e seu âmago?
Dias assim são raros, mas acontecem.
Ontem acordei com o ímpeto de cuidar de mim! E como foi bom!
Como toda mulher que se preza, a maior das benfeitorias que você pode se fazer é ir até um salão de cabeleireiro - aparar os cabelos, revitalizar o corte, mudar a cor dos esmaltes de pés e mãos e, para concluir, uma boa limpeza de pele.
Nada, nada mesmo, concordo com as mais fúteis, para deixar você bem enquadrada na vida atual.
De repente, anos caem por terra no seu semblante.
Você rejuvenesce por dentro e por fora.
Como uma repaginada no visual não exclui de meus planos roupas e sapatos novos, decido ir ao shopping, mesmo que seja só para observar as novas tendências. Sigo em direção a minha loja preferida e constato, depois de meia hora por lá, que já estou de posse de três sacolas, haja vista que minha nova performance clamava por roupas de acordo.
Mas a alegria de quem amanhece com esse estado de espírito não termina aí.
É importante rechear a alma com o supérfluo, mesmo que seja só para usufruir de uma satisfação momentânea.
Com essa meta em mente, vou seguindo leve e solta pelo shopping.
Observo as pessoas em volta e noto-as, quase todas, ocupadas e preocupadas em correr. Parece-me que estão atrasadas, talvez trabalhando, e suas feições contritas exigem imediatismos que destoam por completo da minha forma de ser naquele contexto, a de total contemplação.
Compro um saco de pipocas - aquele saco grande e decorado com pipoca mista, leite condensado e amendoim - imenso, como a minha sensação de liberdade.
Vou caminhando e percebo que algumas pessoas se detêm em mim. Talvez alguma coisa no meu visual ou mesmo na forma de carregar as sacolas que, a essa altura da minha satisfação, esvoaçam como eu, ao caminhar.
Não me perturbo e sigo minha caminhada. Passo por uma livraria e decido entrar. Logo ali, onde eu vinha contendo, há meses, despesas não prioritárias... Deparo com aquele lançamento de dezembro do ano passado, ainda não lido, sorrindo para mim.
Imagino-me poderosa e entre uma pipoca e outra peço à vendedora que separe não só ele, mas mais dois outros livros que me chamaram a atenção.
Ainda extasiada com minha ousadia, ao sabor das pipocas, já parada no caixa, sou chamada à razão pela atendente que me pergunta - seca e irritantemente - pela forma de pagamento.



Visitem Adir Vieira
.

Como Traduzo a Ave Maria - por Alba Vieira

Vejo, nessa oração, o reconhecimento de nossa parte divina, imortal, o contato com o absoluto. Isso é feito através de uma figura feminina, como a forma mais fácil de desenvolver a espiritualidade ao contactar sua porção feminina, o lado receptivo. Ao abrigar em seu ventre Jesus, filho de Deus, ela une em si o mortal e o imortal, o contato do homem com Deus. Por isto ela está cheia de graça e o Senhor está com ela, ela é bendita entre as mulheres (quando fazemos a religação com nossa parte divina). Jesus veio salvar os homens do mundo da polaridade. Rogamos à Santa Maria que rogue ao Senhor por nós, os pecadores (o pecado é entrar no mundo das polaridades, da relatividade, sair do absoluto), agora e na hora da nossa morte. A morte representa voltar ao domínio do Absoluto, se reconciliar com Deus, voltar à fonte.



Visitem Alba Vieira
.

Eu Vi Hair de Novo - por Fatinha

Querido Brógui:

Não vi Tropa de Elite, mas vi Hair pela zilionésima vez. Você sabe que esse é O filme para mim. Quando o vi pela primeira vez, no cinema lá do Largo do Machado, fiquei encantada, saí flutuando do cinema. Encanto-me até hoje, cada vez como se fosse a primeira.
Quando assisto Hair, entendo perfeitamente as crianças que ouvem a mesma estorinha uma vez atrás da outra e se empolgam com ela todas as vezes, mesmo sabendo o início, o meio e o fim. Nem tente pular um pedaço pra acabar mais rápido. A criança sabe a estória e ela não vai permitir que você a mutile só porque está com pressa ou de saco cheio. O mesmo se diga quando descobrem a leitura e se agarram naquelas mesmas letras uma vez após a outra, decorando cada pedacinho e amando isso. Uma boa estorinha é uma boa estorinha e nunca tem gosto de comida requentada.
Por que Hair é O filme? Porque me dá uma ideia utópica de um mundo onde os jovens são rebeldes, mas não andam por aí rosnando como cachorros raivosos. A rebeldia se faz com flores, música, dança, paz, amor. Uma ideia que atendeu a um propósito. Não sei onde estão os sonhadores de hoje, que não conseguem encantar mais ninguém. Existe alguém ainda capaz de criar um movimento pacifista, fazer uma Marcha, greve de fome, resistir pacificamente?
Não, não vou queimar minha carteira de identidade, largar meu emprego e ir morar em Sana. Não vou parar de me depilar, deixar o cabelo do jeito que ele quer ficar e começar a me drogar. Não é nada disso. Sou caretona demais, enquadrada demais, completamente dominada pelas regras. Talvez por isso que o filme me encante tanto. Não tem nada a ver comigo e ao mesmo tempo tem tudo a ver comigo. A ideia de viver sem estar neurotizada com violência, com futuro incerto, com acumular bens materiais, com não ter saída, com não ter ponto de partida, é sedutora. Queria viver de bem com o mundo, de bem com meu próximo, de bem comigo, com meu corpo, com meu espírito. Queria acordar de manhã cantando para a luz do sol, fazer uma viagem de carro com meus amigos, dormir no gramado, tomar banho de rio e pronto.
Mas sem final triste.



Visitem Fatinha
Milos Forman.

Confúcio, as Riquezas e as Honras - Citado por Penélope Charmosa

As riquezas e as honras são objeto da ambição dos homens, mas se não podem ser alcançadas por meios retos e honrados, cumpre renunciar a elas. A pobreza e as posições humildes merecem a aversão e o desprezo dos homens. Se delas não se pode sair por meios retos e honrados, é mister neles permanecer. Se o homem abandona as virtudes humanitárias, como poderá merecer o nome que tem?
O homem superior não pode esquecer tais virtudes um momento que seja. Mesmo nas horas de maior apuro e confusão, deve pautar a sua conduta por elas.
Recuso-me a discutir com aquele que, pretendendo buscar a verdade, envergonha-se, ao mesmo tempo, de comer e vestir-se mal.



In “A Sabedoria de Confúcio”.
.

Criando Prosperidade: a consciência da fartura no campo de todas as possibilidades, de Deepak Chopra - por Alba Vieira


“Em essência, este livro mostra como a atenção faz com que algo se materialize no campo da realidade espaço-tempo a partir de um evento no campo das possibilidades. Tudo a que damos atenção cresce. A partir de um pensamento (onda) surge um neuropeptídio (matéria) em nosso próprio corpo. Assim embaixo conforme em cima. Mostra como podemos fazer mágica, isto é, transformar o invisível no visível, já que tudo no universo é inteligência. O campo das possibilidades é a porção divina que existe em todos nós. Se atuamos nesse campo, isto é, se nos voltamos para dentro e nos conectamos com a luz, com o Deus em nós, somos capazes de tudo. As qualidades desse campo são: é o potencial das leis naturais, tem infinito poder de organização, está plenamente desperto, faz correlação infinita com tudo, mostra perfeita organização, tem infinito dinamismo, tem criatividade infinita, é campo de puro conhecimento, é ilimitado, está em perfeito equilíbrio, tem auto-suficiência, é o campo de todas as possibilidades, é campo de infinito silêncio, é harmonizador, é evolutivo, tem auto-referência, tem invencibilidade, tem imortalidade, é manifesto, é nutriente, é integrador, tem simplicidade, é purificador, é campo de total liberdade, é campo de bem-aventurança (amor).
Para criar a prosperidade precisamos apenas ter conhecimento dos passos para chegar a ela, só ter essa consciência , sem esforço ou tensão para praticá-la racionalmente.
- Partir da fonte, atuar no campo de todas as possibilidades, o absoluto.
- Ser sempre melhor, querer o melhor.
- Ter desprendimento e caridade.
- Respeitar a oferta e a procura. Pensar: como posso servir?
- Esperar o melhor.
- A semente do sucesso no fracasso, sempre o aperfeiçoamento.
- Entender a manifestação dos desejos. Saber que se deve entrar no campo; afirmar a intenção, a meta de forma clara; desligar-se do objetivo e deixar o universo agir nos detalhes para concretizar o desejo.
- Querer felicidade para todos.
- Ter decisão e intenção.
- Não julgar. Estar no vão entre os pensamentos.
- Usar o poder organizador do conhecimento, ter nova percepção.
- Ter amor e buscar o luxo.
- Motivar os outros.
- Afastar a negatividade, pular para outro pensamento.
- Aceitar as polaridades, a coexistência dos opostos, para se permitir a criatividade, silenciando o diálogo interior.
- Saber qual o nosso propósito na vida (dharma).
- Questionar os dogmas, ideologias, autoridades externas, sair do condicionamento social, ouvir a si mesmo.
- Saber dar e receber não só coisas materiais.
- Fazer a riqueza circular.
- Praticar a transcendência e atemporalidade (fazer contato com o eu interior, estar no vão, ouvir a intuição, não pensar, sentir).
- Consciência da unidade por trás da diversidade, tudo ligado em teia.
- Prestar atenção aos valores, evitando o caos e a confusão.
- Ter riqueza sem a preocupação com ela.
- Ter gratidão pelo que já tem.
- Ter o vigor juvenil, identificar-se com o eu interior.
- Ter gosto pela vida, estar no momento presente e saber que tudo é perfeito.”
.
.
.
E você? Que livro gostaria de resenhar aqui?
.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Charada - por Alba Vieira

Quem conta comigo nunca fraqueja.
Sou eu quem o sustenta na desilusão.
Ando de braços dados com quem confia.
Empresto força aos que não têm pão.

Uma lembrança das crianças de outrora,
Um ser que hoje quase não se vê,
Um inseto em pose de quem ora,
Preciso dizer mais pra quê?

Quem me desconhece se deprime.
Sou o alento quando o pior ocorre.
Afinal não é o que sempre dizem:
Que eu sou a última que morre?



Visitem Alba Vieira
.

A Arte de Ser - por Aline

Durante anos, em minha vida, eu convivi com um espírito responsável e altruísta. Sempre afoito com o seu cotidiano, aflito com a tarefa de prover a boa ordem, irrequieto, mas fiel à composição dos painéis, dos vidros, das escamas e das relações.
Eu observava as superfícies reluzentes, as paredes alvas e das mãos muito limpas, extirpada a beleza que é fornecida pelo caos. Eu perscrutei, e não encontrei frestas no ego hermético, empertigado, doce e lúcido.
Mas eis que com o auxílio do temperamento plácido da gradação, o teto da cabana quer ruir. Os muros descobrem a dança, os cômodos se travestem com texturas excêntricas, inventam tessituras, gestam hálitos e sabores coloridos.
As formas geométricas são as primeiras a dobrarem o corredor. O violeta frio nos lampejos, as telas pequenas e tímidas.
E o olhar do espírito se desvia, cria, na matéria e na fantasia, as rotas alternativas, os abismos gélidos e as escarpas sinuosas.
As torrentes de calor e do laranja se apropriam da expressão, em forma de ciranda, de deserto e de travessias tropicais.
Os quadrados se arredondam, se deparam com a perfeição do réprobo. Os pincéis se esgotam com a destreza dos dedos. A inspiração torrencial satura os seus veículos: a caldeira transborda.
Céus, faunas e floras se misturam à noite, aos sóis, à neve e ao marítimo. A espátula constrói naus, passageiros e valsas no convés. As rachaduras despontam com os cães azuis fantasmáticos: as linhagens de cérberos esparsas pelo inconsciente, cada cabeça abocanhando um destino.
A verdejância de pepinos bem americanos dentro de um cândido celeste.
O espírito, talvez, não se reconheça nesse ato. Talvez duvide da realidade das mãos brancas e calejadas.
As tarefas se desmembram e se abrigam no irrisório.
A pulsação é mais vívida. E como comprovação máxima para esse espírito racional e telúrico, o prestidigitador da existência se enlaça à Energia, e a velocidade traz o amor, com seu suporte e sua expansão.
Então nascem olhos luminescentes de Febo nos núcleos das margaridas. E no centro da Terra, as sacerdotisas velam a Deusa-mãe.
Os Xamãs enlaçam o vento e golpeiam a tempestade. Os curandeiros tremem e explodem em lilás.
Eu, um espectador assombrado e atônito, crescendo e assistindo à maturação.
As gargantas profundas abarcam as dores, a entrega e a grandeza do retorno. As Iabás desfalecidas, nas areias, encantam os passantes; fazem feitiços e sopram o pó mágico da transcendência sobre os olhares duros.
O clã dos espíritos também se aquece e se auto-permite. Migra de encontro ao calor. Atravessa túneis e acende lamparinas.
As maçãs cor-de-rosa narram os romances, a tragédia e o final feliz. As pétalas se eximem do engajamento, na unidade da flor. O firmamento afasta as cortinas, e o que se vê é um sistema só de sóis e de luz pura. O ventre da Grande Mãe nutre falos, fantasmas e bolas de fogo. Pavões bebericam, curvados sobre o lago, e nasce o Penacho.
Esse espírito vive dentro de Alba, que espera, pinta, teme, treme e ama. É a noviça que alcançou o desfecho físico do Mundo, e com um pé na terra e outro no nada, tomou a flauta de Hermes e invocou as brumas; entrou na canoa, transpôs as águas e chegou à Ilha, à imensidão do ser.



Referências a diversas pinturas de Alba Vieira.
.

Você é Tão Gay... Mas Não Gosta de Meninos - por Duanny

Me sinto tão humilhada, por não conseguir atrair sua atenção.
Estou tão brava, porque você prefere o seus “amigos”. Puttz eu nem acredito que cheguei a gostar de você.
Agora você gosta dela, e ela usa mais maquiagem do que uma ...

Porque você não se enforca em um de seus lencinhos!???
você anda por ai como se fosse tão charmoso...
derruba qualquer uma com seus olhos azuis.
Infelizmente, seu gêmeo não é tão idêntico quanto eu queria que fosse.
Arrgh!!!

Você é tão gay, e nem gosta de meninos.

Por que você não pode ser como antes?!



Visitem Duanny
.

Andante - por Kbçapoeta

Ouço passos no corredor.
Não imagino quem seja.
Já foram tantos ruídos...
Muito deles eu os via
Como a mais bela das melodias,
Dignas de um “Trenzinho caipira”.
No final desse movimento,
Não era um rufar de tambores
Ou uma diminuição da marcha,
Era estrondo, explosão.
Após a explosão:
O agudo
Sem fim




Visitem Kbçapoeta
Heitor Villa-Lobos

Machado de Assis e a Quimera da Felicidade - Citado por Penélope Charmosa

(...) do alto de uma montanha, inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, através de um nevoeiro, uma coisa única. Imagina tu, leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas. Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do homem e da terra tinha assim uma intensidade que não lhe podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim - flagelos e delícias - desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura - nada menos que a quimera da felicidade -, ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.



In “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.
.

Albert Einstein, o Sucesso e o Trabalho - Citado por Therezinha

.
O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.
.
.

Radiestesia - por Alba Vieira

Radiestesia Médica Fácil y Práctica - Profesor D’Arbó
A Ciência e a Arte do Pêndulo - Gabriele Blackburn


“São dois livros bem interessantes que falam sobre a aplicação da radiestesia na medicina. O primeiro é mais completo, mostrando os vários campos de aplicação dessa ciência, os fundamentos e as técnicas. O segundo enfoca principalmente o uso do pêndulo no diagnóstico e cura. A leitura de ambos nos permite aprender a utilizar a radiestesia e deixa claro que esse trabalho é uma forma de manifestação psíquica onde o pêndulo auxilia a expressar a capacidade sensitiva do radiestesista, através das alterações no seu sistema neuromuscular que vão produzir o movimento do pêndulo.”
.
.
.
E você? Que livro achou interessante?
.

domingo, 14 de junho de 2009

Cobras e Contas de Folhas de Bananeira - por Bruno D’Almeida

Na escola, Dentinho era apenas a criança desobediente, “que não queria nada com a hora do Brasil”. Era motivo de risos e de babas meladas na carteira. Tinha uma rotina que começava bem antes de chegar cedo na escola. Ninguém imaginava a aventura absurda a que aquela criança se lançava todos os dias com a família em busca da própria sobrevivência. Vinha direto do trabalho, sentava na cadeira da sala de aula e dormia solenemente.

Todos os dias era a mesma coisa. Adentrar a mata fechada, arranhar as canelas finas, ouvir a sinfonia dos sapos, o canto da coruja, o arrastar de cobras farfalhando folhas secas pelo chão. Levantava às 3h30 da manhã com o cheiro de café que d. Zica fazia na cozinha. Acordava no chuveiro frio e depois comia mecanicamente um pedaço de cuscuz com margarina. Seu pai já estava amolando os facões e separando os sacos de alinhagem.

Todos prontos, saíam às 4h da manhã e desciam pela encosta do fim de linha do bairro do Iapi em direção ao 19º Batalhão do Exército. Pulavam o muro e entravam num pedacinho remanescente de Mata Atlântica para colher folhas de bananeira, que servia para embalar o abará, um bolinho de feijão vendido pelas baianas de acarajé. Não podiam demorar mais do que meia hora para que não fossem encontrados e presos. Cada um saía de lá com dois sacos cheios.

Chegavam em casa antes de amanhecer completamente o dia. D. Zica cortava as folhas de bananeira em quadradinhos e seu Zé passava um por um na brasa acesa do fogão de lenha para que a folha ficasse amolecida e pudesse empacotar os abarás. Dentinho, já com a roupa da escola, contava as folhas e fechava os pacotes com cem peças cada. Beijava sua mãe, comia uma pamonha de carimã e ia embora vender as folhas para outras baianas da região com seu pai.

D. Zica ficava em casa para moer o feijão fradinho do tipo olho de pomba, que ficou boiando na água dentro de uma bacia de alumínio grande até que as cascas se soltassem. Lavou na água corrente até ficar bem limpinho, passou pelo moinho motorizado, misturou com cebola triturada, pedacinhos de gengibre, azeite de dendê, pedaços de camarão seco e pimenta. Bateu a massa até ficar homogênea, colocou sobre a folha de bananeira, embalou com desenvoltura como se fizesse dois cones invertidos e foi colocando um por um no caldeirão de fundo falso, onde o vapor da água cozinhava cento e cinquenta abarás para serem vendidos à noite.

Dentinho ia com seu pai batendo na casa das outras baianas de acarajé da região, pelos bairros do Pero Vaz, Largo do Tamarineiro, Caixa D’água, Cidade Nova e Pau Miúdo. Sobrou quase metade naquele dia e tiveram que pegar um ônibus e vender o restante na Feira de São Joaquim. O preço do cento da folha dependia da procura. Por sorte o material estava em falta no momento e conseguiram vender por um preço bom. Seu pai ia explicando pra Dentinho que, se ele aprendesse tudo direitinho, já teria um ofício quando ficasse adulto. Ganhou uma moeda de cinquenta centavos e foi contente para a escola, onde no intervalo poderia comprar uma banana real.

Pronto. Era por isso que, naquele momento, Dentinho estava dormindo na escola. Por isso ele chegou atrasado, com a roupa suja e todo suado. Sua professora estava preocupada, porque de vez em quando ele acordava nas aulas de matemática, resolvia contas com desenvoltura e voltava a dormir. Ficava fazendo contas sozinho nas raras vezes em que acordava, mesmo no horário das outras matérias. A professora escreveu na caderneta: esquizofrênico? Dentro de si, tão distante da escola quanto a escola estava dele, Dentinho lutava contra cobras, serpentes, lagartos gigantes para conseguir pegar folhas de bananeira, naquele sonho de fantasia e de singela verdade.



Karl Marx em 1867 e a Crise em 2009: O Profeta - por Adhemar


.
.
Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado.
.
.
.
In “Das Kapital”.
.
.
Visitem Adhemar
.

Domingo sem Segunda-feira - por Alba Vieira

É um dia colorido que convida
A viver de tudo um pouco de bom
É liberdade, vontade de fazer visita,
De ir à praia, tomar chopp, ver televisão,
De conversar, ler, ir ao teatro,
De rir, fazer esporte e amar de montão.
Às vezes estudar, preparar trabalho atrasado,
Mas essas coisas, restos da semana, isso é nada bom.

Hoje o domingo é bem diferente.
Faço o que dá vontade, sem pressão,
Sem a pressa, pra que o dia não se acabe logo,
Sem aquele sentimento de fim de tarde no Leblon.
É que estou de férias no trabalho,
Livre como um passarinho e sem tensão,
Voo pelos bons momentos de minha vida hoje,
Amanhã acordo tarde, fico em casa, não é segunda-feira não.



Visitem Alba Vieira
.

Solidão - por Ana

Solidão da falta?
Aquele vazio dentro de você que te define, te envolve, te massacra?
Aquela dor com a qual você luta segundo a segundo, imerso num desespero cego?
Aquela revolta de não ser mais dono de seus dias e noites sofridos, de seus pensamentos agora insistentemente fixos?
Aquele debater convulso e irracional na areia movediça da paixão?
Aquele peso de infindáveis lágrimas que não te deixa caminhar e te apavora?
Aquilo que te arranca de você completamente e te leva à “Inanição”?
Não dá pra rever nada, pensar nada, concluir nada...
Só depois que todo o esforço se transforma em cansaço, em desistência...
depois que o corpo e a mente capitulam por absoluta falta de energia...
que tudo se acalma pelo poder hegemônico da tristeza...
é que então se consegue olhar de novo o que está à volta, retornar ao mundo real, às exigências, aos compromissos e sentir que existe um você para além do vazio, da dor, da revolta, das lágrimas, da inanição.
Daí, então, talvez possa lembrar que possui vida, conceitos e valores próprios, além de expectativas frustradas.
E faz isso lambendo os próprios difíceis machucados, enquanto gane baixinho... e só.



Resposta a “Solidão”, de Gio.
Referência a “Inanição”, de Leo Santos.
.

Amar - por Kbçapoeta

Que delícia amar
Nem que fosse uma vez
Como se fosse a última
Mesmo com medo
De que a última
Fosse a próxima
E que ao dar
Um passeio com a única
Isso se tornaria público



Inspirado na serigrafia Construção, de Anita Bastos.
.
.
.
Visitem Kbçapoeta
.

Poesia - por Laila Braga

uma forma da incógnita,
do nulo,
da dúvida,
da poesia retorcida,
em versos inversos,
em formar sem formas,
em gestos...
de palavras neutras que não querem dizer nada,
mas tudo falam,

somos assim uma fonte vaga do x.
um foque em foque.
uma foca, uma fofoca,
um boato, um ato
uma mentira sobre a verdade dita,
uma verdade sobre a mentira ouvida.

humanos,
seres estranhos
diferentes uns dos outros,
iguais uns aos outros.
normais,
anormais
depende tudo,
enfim
do ponto de vista,
dos óculos que você usa,
do ângulo em que se vê.

seja como for
esteja onde estiver.
já vi isto em algum lugar
é assim uma forma em formato,
um formato sem forma
e segue então, o que você acha de
tudo isto?
sei! nada né?
é melhor não se envolver.



Visitem Laila Braga
.

Clarice Lispector e a “Saudade” - Citada por Alba Vieira

.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
.
.