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Eróticos.)




sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aprender com a Perda - por Jair Antônio Pauletto

Na semana passada, recebi um e-mail de uma amiga, perguntando se eu tinha um livro chamado Perdas Necessárias da autora Judith Viorst. Infelizmente não tinha o livro para emprestar e lamentei não tê-lo lido, pois já havia recebido várias recomendações. No entanto, o título ficou marcado na minha mente e comecei a pensar na grandeza destas palavras: Perdas Necessárias.
Parece contraditório, especialmente para nós ocidentais, acostumados a querer ganhar e ganhar sempre mais, todavia mergulhei nos meus pensamentos e percebi o extraordinário aprendizado que podemos extrair diante de uma perda. Obviamente que não aceitamos perder e sequer gostamos de ver alguém que amamos perdendo algo, nem mesmo o nosso time de futebol.
Porém, a perda é uma experiência necessária ao desenvolvimento do ser humano e importante para que possamos adquirir experiência e maturidade. Tudo começa quando nascemos e perdemos a tranqüilidade, o bem-estar que o ventre materno nos proporciona, quando aprendemos a lutar pela vida sem a constante presença da mãe e assim sucessivamente a vida nos impõe perda e desafios que nos impulsionam para seguirmos em frente. Algumas vezes não percebemos a perda, pelo simples fato de temermos a mudança, como no caso da passagem da fase de criança para a adolescência. A busca pela independência nos fascina tanto que esquecemos que não podemos mais exigir, ou melhor, que perdemos aqueles benefícios do tratamento de criança, sem grandes responsabilidades e obrigações.
Geralmente percebemos a perda de alguém apenas com a morte. Nesta hora pensamos nas pessoas que amamos e nosso íntimo imediatamente manifesta um desconforto. Mas a perda vai além, ela abrange muitos outros aspectos na nossa vida. O simples fato de mudar, por exemplo, causa perdas, uma vez que deixamos coisas para trás, sejam materiais ou sentimentais. Perdemos os objetivos, os sonhos e as expectativas, seja de forma consciente ou inconsciente, mas em algum momento essas perdas ocorrem, mesmo quando estes são substituídos ou modificados existe uma perda, que é necessária ao crescimento, ao aperfeiçoamento.
Outra perda importante é a das ilusões, que se vão conforme amadurecemos; uma das mais importantes para o nosso desenvolvimento, uma vez que a ilusão é um grande obstáculo ao desenvolvimento da própria consciência; que nos faz perceber que o amor que nossas mães nos dedicam não é só nosso, que um dia vamos perder quem amamos e que existem muitas dores que já não passam com um simples beijo.
Com o passar dos dias, também percebemos que a juventude deu lugar às rugas e que definitivamente somos mortais; que estamos no mundo numa caminhada individual; que descobrimos que somos limitados essencialmente pelo próprio pensamento, pela culpa e autonomia. Observamos que existem falhas em qualquer relacionamento humano, que por mais sábios e encantadores que possamos ser nunca vamos agradar a todos e que nossa passagem por este planeta é apenas transitória. Todas essas percepções e muitos outros aprendizados estão relacionados à perda e, consequentemente, ao autodesenvolvimento.
Muitas vezes precisamos desistir, deixar de lado, perder algo para poder crescer, pois é através da renúncia que podemos nos tornar mais fortes e melhores. O rompimento de um laço afetivo causa uma dor mortal, mas pode ser o aprendizado que necessitamos para cultivarmos o verdadeiro amor. O afastamento de um amigo, que considerávamos essencialmente bom, devido a uma grande maldade nos mostra que temos que aceitar que as pessoas e nós mesmos somos um misto de amor e ódio, de bem e mal. A perda inesperada de uma pessoa amada nos coloca frente a frete com uma realidade da qual não podemos fugir, que é o nosso limitado poder de evitar a dor do outro, que somos completamente incapazes de proteger as pessoas e a nós mesmos do sofrimento, da velhice e da morte.
Perder sempre é difícil e doloroso, não importa a idade ou o desenvolvimento pessoal de cada um, mas é através das perdas que crescemos. É preciso compreender as perdas para entender a vida, para ter forma, coragem e determinação para seguir em frente e tornar-se um ser humano melhor. É através deste aprendizado que determinamos o que somos e a vida que vivemos, ou seja, é o que vai nos transformar para melhor ou para pior. Não estou dizendo que perder é bom, simplesmente mostra que a perda faz parte da vida e através dela podemos aprender e crescer. Obviamente que ganhar é melhor, mas percebam que a perda está definitivamente ligada ao crescimento; embora muitas vezes dolorosa, é fundamental para nos tornarmos pessoas melhores.
Dessa forma, espero que as perdas em sua vida sejam leves e cheias de aprendizado, e assim possam minimizar o sofrimento sem prejuízo ao seu crescimento. Que o saldo final seja positivo, no qual as perdas tenham se transformado em lucrativo aprendizado. Boa semana.



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O Velho - por Leandro M. de Oliveira

Ele olhou pela janela dos fundos como quem olhasse através do tempo. Inspirou o hálito externo àquela cela, como em milagre ou sonho sentiu por um instante que tudo tornara a ser simples outra vez, aquele homem havia desafiado o destino e o que lhe restou era nada mais que a lembrança de um tempo que há tempos se foi. Cada ruga em sua face conservava a insígnia daquele nome, cada polegada de sua alma sentia ainda fresco o hálito daquela que poderia ter sido companheira, mas não, era tarde demais. Ali estava um homem marcado pela calamidade da própria grandeza, com os olhos perdidos nada ambicionava além do nada sem termo. Cheguei manso como chega a morte aos enfermos, ao notar que ele percebera a minha presença prontifiquei-me logo em me apresentar, ele continuou inerte, absorto em si. Depois por um instante me olhou com relutância, porém alguns minutos depois a minha presença era algo já pacífico. Foi como se eu estivesse por muito tempo naquele lugar, tudo soou comum de repente. O homem me falou da vida com tal gravidade que desejei por um momento nunca ter nascido; embora tivesse o olhar cândido, as nuances de seu rosto pesavam como mil bigornas de Hefesto. Perguntei ao velho qual a melhor e a pior coisa da vida, ele me disse que falaria, mas era necessário ter ouvidos para “sentir”. Então ele começou:

“Escuta que quero falar como dois olhos, pra que você veja através de mim. Uma palavra define o melhor e o pior da vida, é uma chave que pode abrir todas as portas ou fechar outras mil. Desejo! Esse é o mestre de toda ruína e de toda exaltação humana. Desejo ardente é consumido nas próprias chamas, o resignado raro é suficiente para o impulso necessário à manipulação do Kairós¹. O desejo é como a mão que segura o grão de areia: se a deixas relaxada a areia se esvai com o vento, se contrai a fim de segurar mais firme, a areia escapa por entre os dedos e igualmente põe tudo a perder. Luz não existe sem treva assim como bem sem mal. Faz da parte de teu desejo que é besta escolta para a parte que é mansidão, pede a essa que seja conselho para a outra que tão alto se põe a rugir. Não te enganes pela minha aparência, hoje sou decadente é verdade, mas já fui jovem como tu, já tive mulheres, admiradores, paixões... Nada posso te ensinar senão isso, guarda teu desejo como uma relíquia sagrada, esconde-o sob o alforje de tua montaria quando reiniciares o caminho. Se queres amar alguém, ame um pouco menos a si próprio, transforma teu desejo de amar em devoção pelo amor e serve a esse Deus humildemente com a constância do sol de janeiro. Se queres conhecer, transforma teu desejo por sabedoria em compaixão pelos ignorantes, compartilha desambicionado o que sabe, imita a fé do jardineiro que semeia em campos incertos. Se queres crescer, desejas ser pequenino, aprende passo a passo, não permita que a soberba de teu coração te converta em alguém intoxicado de si ou nunca ultrapassará o teu próprio tamanho, lembra que a planta sem sol definha e morre... A vida nunca será para homem nenhum uma equação resolvida, ela é quando mais amena um fluxo interminável de questionamentos aos quais só as eras mais remotas poderão responder. A prudência diria, o melhor é resignação com o mundo, aprende com urgência a não contabilizar com tanta dureza o não vivido, glorifica o que há diante de ti, os acontecimentos mais singelos são o passaporte de teu milagre, crê na força da vida, ela te trouxe até aqui e pode te conduzir além. Eu poderia ter tido uma trajetória comum, filhos, netos, me ver continuar através deles, mas não, quis o perigo, o inusitado. À minha maneira tive meus triunfos mas, agora que tento remoldar o meu mundo pasmo em ver que tenho as mãos decepadas... Como é difícil, como é difícil dominar o leão que carregamos no peito. O tempo é veloz! Sonha e realiza, ou vive e resigna...”

Senti um nó na garganta. Interrompendo perguntei quem era ele. E ele me respondeu:

“Eu sou o teu futuro.”

Naquele momento meus olhos umedeceram... Não pude mais continuar.



1. Kairós: Do grego antigo, genericamente justa medida, podendo ser empregado como tempo oportuno.




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Perdão - por Alba Vieira

Sinto-me atordoada. Há tempos não saio de casa, exceto para o trabalho, percorrendo os mesmos lugares sempre. Vindo novamente a esse lugar, onde tantas vezes estive no passado, o percebo agora inteiramente diferente. As pessoas me assustam e caminho trêmula por estes corredores de gente que com suas auras esbarram na minha. Não sei se conseguirei voltar para casa sem me sentir tão exaurida, sugada nas minhas energias. Essa praça me traz a sensação de familiaridade, pois há exatos quatro anos, fazia parte do meu dia a dia. Agora, passando por aqui, penso que posso encontrar aquela pessoa que há tanto tempo eu espero ver, para tentar redimir a culpa que ainda sinto, mesmo sabendo que não se justifica. Tenho a impressão de estar perto de reencontrar o elo perdido. Só quero revê-la e tentar remediar, corrigir o que sem intenção eu causei. Parece que estou bem perto dela, embora não consiga encontrá-la. É como se seus radares internos pudessem captar a minha presença e, voluntariamente, fugisse de mim. Mas, talvez não a veja porque apenas sinta que está perto, que seja só a minha vontade a me impressionar. É como algo que ficou inacabado e não sai da nossa mente. Devemos cuidar de resolver na vida, todas as pendências do nosso coração. Mas, se é coração, pressupõe ligação e, consequentemente, outra pessoa envolvida. E aí é que a coisa degenera. Porque nem sempre o que é necessidade para nós atinge o outro da mesma forma. Questões que envolvem outra pessoa acabarão por ter que ser resolvidas dentro de nós mesmos.
A culpa é um entrave desnecessário na vida de qualquer pessoa, que efetivamente, não leva a nada, que só suga a nossa energia, faz doer e turva a mente, nos deixando num estado de estar sem estar ali, sempre, no lugar que se relaciona aos fatos que geraram esse sentimento limitante.
O que importa na verdade, é compreender os fatos, do nosso ponto de vista, vendo então onde acertamos e onde erramos, porque erramos, se naquele momento era só aquela opção que tínhamos ou se podíamos ter agido diferente. Em qualquer dos casos, terá sido o que conseguimos fazer. Devemos aceitar isto e nos perdoar, depois de reconhecer o erro e dessa forma, aprender com ele.
A outra pessoa não precisa nos redimir, ela terá condições de avaliar sozinha a questão e depois do tempo que for necessário para ela, também nos perdoar (ou não) e, principalmente, se perdoar por ter acreditado demais, de acordo com suas fantasias e desejos em relação a nós.
Eis a origem da traição. Na verdade, cada vítima de traição se trai a si próprio, por ter acreditado demais, às vezes seduzida pelo traidor em questão, às vezes pela própria fantasia.
De fato, os nossos acertos serão sempre apenas conosco mesmos.
Assim é que não era necessário para trabalhar esta questão, ter reencontrado aquela pessoa.
Foi tudo apenas impressão motivada pelo desejo de resolver essa culpa pendente e pela volta ao lugar que representava o elo com o passado.



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quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Morte Não Manda Recados - por Ana Maria Guimarães Ferreira

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Invisível, sorrateira,
ela chega sem pedir licença e leva quem ela quer...
Recém-casados cheios de amor e de esperança.
Crianças, puras e inocentes flores desabrochando...
Homens e mulheres produtivos e operantes trabalhadores e visitantes.
Gente de férias e gente que queria ter férias...
Um monte de sonhos, de desejos ainda não realizados.
Sonhos e mais sonhos se esvaíram no ar...
e sumiram, desapareceram,
como todos os que estavam no voo 447 para Paris...
Cidade Luz, cidade do amor...
Rio, Senegal, França...
Onde ficaram esses seres?
Onde ficaram nossas crianças?
Onde ficaram seus sonhos,
suas esperanças?
Onde ficaram seus corpos,
sua nudez interior,
sua alma,
sua vida,
sua força?

No mar?
No ar?
No céu?
Ao léu?

Para eles a nossa homenagem.
Um mar de flores,
Um oceano de amor.
As nossas flores,
as nossas dores,
a nossa imensa saudade,
o nosso amor.




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Desta Vez, Acho que Dancei - por Escrevinhadora

Fui vítima de um mau comerciante.
Ou, pra usar o Português corretamente, de um estelionatário.
Foi assim: comprei janelas e portas de uma loja intitulada “Casa das Esquadrias” (nome fantasia, é claro). A razão social é Eduardo dos Anjos Lemos-ME, estabelecida na cidade de Bragança Paulista.
Loja funcionando com portas abertas, mercadorias expostas, clientes entrando e saindo, não havia razão pra nenhum tipo de desconfiança.
Comprei, paguei, saí satisfeita com a compra, levando em mãos recibo de pagamento e uma cópia do pedido.
O prazo previsto para entrega transcorreu e nada das mercadorias chegarem. Liguei, reclamei, recebi a resposta de que havia um pequeno atraso e a promessa confortadora de que tudo se resolveria em poucos dias. Esperei, como é bastante comum nesses casos. Espera em vão. As mercadorias não chegavam. Voltei a ligar. Novas desculpas, problemas com o fornecedor, um atraso na indústria. Nova promessa de entrega, que obviamente não foi cumprida.
Decidi voltar à loja, pronta pra desistir da compra e pedir a devolução do meu dinheiro.
Qual loja? Encontrei as portas fechadas. Ninguém para dar qualquer satisfação.
A pessoa física que aparece como titular da empresa? Provavelmente sumida, já que não consigo encontrá-la. Nenhum número de telefone, nenhum endereço, nada. Sumiço total.
Prejuízo total também. Além do dinheiro perdido, tempo perdido, atraso na obra e mais uma trabalheira enorme para comprar outra vez, em outro lugar, aquilo que eu já considerava comprado.
Vou correr atrás do prejuízo, tentar a via judicial para ver se consigo ao menos reaver meu dinheiro. O dano moral sofrido pelo desgaste de não receber o que comprei mais a perda de tempo, esses dificilmente serão ressarcidos.
Mas deixo o registro porque se alguém conhecer essa pessoa ou se tiver qualquer contato com essa empresa, caia fora, porque é uma gelada.



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Assim... É a Vida... - por Manhosa

Detalhes... momentos...
Assim é feita a nossa vida...
Do passado... guardamos as saudades...
O hoje até pode não ser tão perfeito...
Devemos ser humildes e aprender...
Aplicar no futuro... com confiança... apostar...
Sei... tudo tem o seu momento... exato...
As alegrias... as tristezas... vêm e vão...
Com alguns detalhes... diferenciam-se...
Devemos ser ágeis e atentos...
Saber driblar os obstáculos
Enquanto tivermos vida...
Teremos recomeço...

Novo recomeço...
Experiências... adquiridas pelas dificuldades... vencidas ou não...
Nos dão a armadura... para enfrentar novas dores...
A coragem... para não barrar as lágrimas... deixá-las rolar...
A elegância do andar com galhardia...

Não podemos nunca... perder o ponto direcional...
O cansaço será suplantado pelo querer...
A feridas que se formarem... irão cicatrizar...
Se...
Alguém que amamos nos abandonar...
Devemos respirar fundo... não nos desconsiderar...
Termos a confiança... que outras pessoas especiais surgirão...
Não devemos nos deixar surpreender pelo sofrimento...
A revolta... as mágoas... não nos trazem nenhum benefício...
Acreditar em nós mesmos... sempre...
Tudo tem um porquê...

“Esta existência terrena... é a infância da eternidade...”
“Cuidemos de nossas asas... para no dia certo podermos voar...”

Para tal... não podemos nos esquecer de sermos justos...
Nunca a ninguém desprezar... ou deixar de ajudar... por desleixo...
Mesmo tendo por nossa meta maior... a nossa felicidade...
Temos o dever de ser... honestos e justos...
De nós depende o sucesso... de nossa trajetória...

O ontem são nossos degraus... somos donos do nosso amanhã...
Colheremos exatamente o que plantamos...
Seguindo sempre os ensinamentos de nosso Pai maior...
Assim... é a Vida...
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Aos Eternos Seios... - por Poty

... Amá-los não sei
Apreciá-los pode ser,
Pegá-los talvez...
Observá-los eu poderei, não há como impedir...
Desejá-los eu sei
Não vai poder esconder...
Adorá-los sempre!



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A Roseira e o Formigueiro - por vestivermelho e ZzipperR

Você acha que trabalha demais? Então olhe os pássaros, as abelhas e as formigas.
Essa história poderia acontecer em qualquer cidade do mundo, poderia estar acontecendo na sua cidade, no seu quintal, mas aconteceu em Atibaia, uma cidade no interior de São Paulo.
Nós estudávamos na mesma escola e desde que nos conhecemos, ficávamos sempre juntos, como dois namorados, mas éramos muito crianças para namorar, assim namorávamos escondidos na praça.
Certo dia, nós chegamos à praça correndo até o banco. Esse dia não sai da minha memória... Ela estava com seu vestidinho branco, eu sentei no banco e ela deitou, acomodando a sua cabeça em minha perna. Eu ainda a amo.
Eu falava de super-heróis e ela ouvia, com atenção, as histórias lindas do super-herói Ziperman; assim ela flutuava nas histórias, sempre acrescentando emoções vindas do inconsciente e inesperado, que fluía do imaginário dela; até o momento em que ela começou a falar das rosas, comentando sobre os diferentes tons e cores. De repente ela levantou e falou:
- As formigas estão destruindo as roseiras.
Levantamos e fomos investigar de perto e eu falei:
- Calma, Indiana! As formigas não iriam destruir as roseiras. Vamos segui-las. Como elas são inteligentes, umas cortam e as outras recolhem carregando num sincronismo organizado e, por onde elas passam, fica marcado o caminho como uma trilha e todas passam dividindo esse caminho num só objetivo, a continuidade da espécie.
- Nós também marcamos o nosso caminho, caminhando lentamente em nossos passos, mas sempre disputando os espaços e às vezes até tirando pessoas do nosso caminho. Nós temos muito a aprender com as formigas.
- Vem, Índio! Olha uma enorme fila.
Ela apontou para aquela trilha de formigas enfileiradas. Deitamos olhando as formigas de perto e Indiana falou:
- Olha, Índio! Elas estão carregando folhas, flores e galhinhos, subindo e descendo caminhando juntas, uma atrás da outra. Aiaiaiaiai! Uma me mordeu.
Não conseguimos ver o final da trilha, somente o começo. A roseira era linda, carregada de folhas verdinhas e rosas de um vermelho forte.
- O que vamos fazer, Índio? Matá-las? Desviar a trilha para outro lado?
Indiana ficou esperando a resposta dele e observando o que ele ia fazer.
Índio pegou na grande folha que uma formiga estava carregando e levantou.
Incrível! Ela não solta a folha. Colocou-a na palma da mão e ela continuou com a folha, entregue ao destino e focada na sua função dentro do formigueiro, pois o grupo necessita do empenho de cada uma para sobreviver.
Ela caminha na minha mão, como eu caminho na mão da vida. Eu agacho e mostro para Indiana a linda formiga saúva, vermelha como fogo e com uma força surpreendente, tão surpreendente que destrói a roseira, que não se importa de oferecer a elas as suas folhas, parece até que vivem uma para a outra num círculo da vida.
Indiana pega a formiga da minha mão com cuidado para não machucar e coloca de novo na trilha com tanto carinho que a formiga parece agradecer e continua caminhando rumo ao seu destino, que é o buraco do formigueiro.
Nós corremos e ficamos admirados com os tamanhos das folhas que elas carregam e levam para dentro do buraco. Dava até vontade de ajudar e ali ficamos horas na companhia delas.
A noite chegou e as formigas continuavam trabalhando sem parar um momento, então decidimos ir embora e voltar no outro dia para ver de novo.
Ao chegar, no dia seguinte, nós tivemos uma surpresa: o formigueiro estava doido, parecia estar em festa e a praça estava forrada de formigas
Do buraco saíam grandes formigas com uma bunda imensa, que batiam suas asas fazendo um barulho lindo e depois levantavam voo sumindo no céu em busca de um destino indefinido, entregues à sorte, para em outro lugar dar origem a um novo formigueiro e nós curtíamos cada decolagem das formigas com emoção, desejando sorte a elas.
Os dias passaram e voltamos à praça. Eu sentei no banco como era de costume e Indiana deitou com a cabeça apoiada na minha perna. Enquanto eu contava uma história, ela falou:
- A roseira está cheia de folhas novamente, esperando as formigas, como se nada tivesse acontecido e nós também continuamos no nosso banco da praça namorando, esperando as flores que, com certeza, a roseira vai dar para nós, enfeitando o nosso amor.
- Olha, Índio! Já tem botões de rosa.
- Elas serão vermelhinhas, perfumadas e cheias de amor, igual a você.
Assim, Indiana e Índio continuaram na praça. Índio contando histórias e ela deitada com a cabeça apoiada em sua perna, sonhando com as histórias dele até hoje.



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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Finados - por Leo Santos

Morosa a travessia, o passo triste,
rastejando na senda da vida,
a mirar a sina que avessa resiste,
incisivos cortes, exposta ferida.

O poeta, um esquisito que fala,
em mágico idioma, de extravagâncias;
Afinal, veste trajes de gala,
para fúnebres circunstâncias.

Na verdade, póstumas medalhas,
tributadas a um morto em peleja;
Médium que “recebe” as próprias falhas,
enganado pelas palavras que deseja.

Numa lápide de páginas tantas,
quantas lembranças o têm visitado;
Lágrimas nem profanas nem santas,
todo dia é dia de finados.

E aqueles que homenageiam os mortos,
põem suas flores e suas preces;
No fundo, barcos que erram os portos,
mas ante um náufrago, esquecem…



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Charada II - por Gio

Odiada e tão temida
Motivo de preocupação
Te sigo por toda a vida
Eu existo, e com razão

Do mais forte ao pequenino
Eu consigo derrubar
Como alerta, eu ensino
O desatento a se cuidar

Grande, curta, duradoura
Ou mesmo insignificante
Resultado de alguns anos
Ou apenas de um instante

Há quem faça mesmo tudo
Pra tentar me evitar
Mas a verdade é só uma:
Zelo por seu bem-estar

Há até quem me aprecie
Sade me sabia bem
De uma forma - desconfio -
Que falar não me convém

Quem me sente, só reclama
Diz que não sirvo pra nada
Ironia - até na cama
Às vezes dou uma passada

Do meu valor, eu creio
Você não se convenceu
Mas me diga, pelo menos:
Já descobriu quem sou eu?




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As Nossas Palavras XIII - por Alba Vieira

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Os homens que são formadores de opinião, fazem com que suas ideias sejam responsáveis pela evolução do pensamento da comunidade.



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As Nossas Palavras II - por Ana

As Nossas Palavras II...
Lá vou eu tentar de novo...
Estas são muito difíceis...
Please, paciência, meu povo...

Vou ter que usar estas três:
Compreende longa olhar
E ainda estas duas:
Tampouco compreenderá.

Vamos lá, tô preparada!
Cês tão preparados também?
Já se passou meia hora
E a inspiração não vem...

Eu vou de qualquer maneira,
Não vou esperar mais não...
Vou engatar a primeira,
Mesmo que na contramão....

Algum de vocês compreende
Como é longa a agonia
De ficar a olhar palavras?
E nada de vir a Sofia...

Aquela Sofia das letras
Que é de muitos companheira,
Que é a muitos indiferente
E a mim joga na lixeira.

Lixeira que trago em mim
De palavras sem sentido
Misturadas, isoladas...
Arrumar é um castigo...

Se alguém já passou por isto
Com certeza entenderá
O que digo nestes versos,
Com eles concordará;

Mas aquele que não sofreu
Esta tortura sem par
Não me dará ouvidos,
Tampouco compreenderá.
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Cata-vento de Meninos - por Alba Vieira

Manhã fria na calçada imunda do Jacarezinho.
Amontoados, mijados, dormem meninos ao léu
Formando um cata-vento, deitados, tão sozinhos,
No ponto de ônibus, entre pessoas, debaixo do céu.

São pás sem cor, sem futuro. Só solidão, desamparo.
Aconchegam o rosto nas costas do companheiro
E as pernas no calor da bunda de outro desgraçado
Que com um outro compõe a roda do mesmo jeito.

Quando é madrugada, os corpos caídos são a figura
Do abandono da família e da omissão do governo.
Eles carecem de proteção e fogem da realidade dura
Pelas drogas que só aumentam o seu desespero.

Cata-ventos devem rodopiar e alegrar a quem passa.
Meninos precisam brincar, dormir em cama quente,
Comer, rir, estudar, de uma vida sem tanta desgraça...
Quem poderá lhes salvar, se quem deve está ausente?

Penso todo dia, quando por ali passo na condução:
Poderia, sem esforço, dos meninos cuidar do sustento,
Usando o que pago ao Leão todo mês, sem opção,
Trocando futura corrupção por coloridos cata-ventos.



...................Visitem Alba Vieira
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Comentando... - por Ana

Outro dia, ali no chat,
Falamos do Soletrando,
Um dos programas globais
Que o povo está adorando.

Participam estudantes
Que vêm de todo Brasil,
Vão soletrando palavras,
Pro ganhador, uns tantos mil.

Eu acho que este negócio
É assim que funciona...
Nunca vi, não faço ideia,
Tô sabendo de carona.

E assim soube, também,
Que as pobres criancinhas
Que erram a soletração
São humilhadas, tadinhas!

Com sons de burro ao fundo
Após o erro fatal,
Recriminações ao vivo...
Isto não é nada legal!

Sei que é programa copiado
Do americano Spelling Bee,
Mas pelo que sei, acho que lá
Há mais respeito do que aqui.

Copiar aqui foi bom,
Penso assim porque se vê
Só besteira o tempo todo
Na telinha da TV.

Então existir um programa
Que focaliza o português
É algo bem diferente.
Acho legal... Não sei vocês...

Mas maltratar as crianças
Como faz o Soletrando,
Isso não dá pra aturar...
Se é desse jeito... só matando!
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Oitenta e Oito Anos - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Será que alguém viveu tão intensamente como minha mãe?
Dia 27 de junho de 2009 comemoraremos oitenta e oito anos de vida de minha mãe.
Quando falo assim, sem que as pessoas que leem a conheçam com certeza, pensam e imaginam uma velhinha caquética, sentada numa cadeira de balanço, com um xale de crochê sobre os ombros e o rosto enrugado onde apenas um par de olhinhos sem brilho apareceria.
Imaginamos uma senhorinha meio surda, levemente esclerosada que diante de uma mesa de aniversário sequer sabe que estão comemorando o seu aniversário de oitenta e oito anos.
Mas não conhecem minha mãe; aqueles que a conhecem sabem bem do que estou falando. Alguém que ainda hoje cozinha, lava e passa, que viaja sozinha de encontro aos netos, que não falta a um casamento dos netos, aos nascimentos dos bisnetos e, com esforço, às formaturas.
Que faz suas palavras cruzadas, que dá respostas ao Silvio Santos, no seu programa na TV, que faz bolsas de crochê para as filhas, que inventa, acrescenta e constrói.
Que criou netos e até hoje supervisiona tudo.
Que toma conta dos filhos que não tiveram a sorte de se darem bem na vida, que ajuda a todos os vizinhos, parentes e aderentes.
Que cede suas horas para ouvir as tristezas alheias e tem sempre um sorriso franco e uma resposta para tudo.
Que abençoa e nunca amaldiçoa.
Que se dá por inteira e nunca aos pedaços.
Que suplanta as dores físicas sem alarde.
As dores da alma em silêncio.
Uma mulher guerreira que ensinou-nos a difícil arte de amar.
Que amou intensamente a única pessoa com a qual se casou – meu pai.
Que nos amou aos cinco filhos, que teve doçura e paciência conosco e com nossos filhos.
Que, aonde quer que vá, constrói amigos, pessoas que a amam e que querem curtir momentos com ela.
Essa é minha mãe, mas, na verdade, é mais do que isso – é a grande amiga de todos
Sua pele é doce e suave e suas rugas são imaginárias, ninguém as vê.
Seus cabelos teimosos nunca ficam brancos.
Seu corpo ereto nunca se curva nem para a idade nem para os problemas da vida.
Suas mãos nunca se cansam de oferecer apoio, amor e carinho.
Sua paciência foi a de Jó, que Deus deixou de herança para ela.
Até seu nome parece ser feito para ela – DIVA. Nunca conheci outra mulher com esse nome, acho que ninguém merecia esse nome a não ser ela.
E agora, dia 27, todos estaremos presentes nesse reviver, nesse aniversário de Diva, a Guerreira, a Mulher mãe, a Irmã, a Amiga, a Avó ardorosa, a Bisa.
Com certeza nossos desejos serão unânimes – que Deus nos perdoe o egoísmo, mas queremos que ela comemore conosco muitos outros aniversários e que possamos sempre estar perto para aprender um pouco mais de como viver a vida dessa forma doce e forte, corajosa e honesta, leal e amiga.
PARABÉNS MAMÃE – NÓS TE AMAMOS



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Duo-Acróstico II - por Gio

Homens, que seguem Newton ou Nazaré
Unidos na diversidade que os separou
Mentes que sempre se confrontam
Através da guerra e da palavra
Ninguém é culpado? Eu já não sei
Ideias divergem, é natural
Discorda a História, que ensinou
Arcamos com o que somos responsáveis
Decaem os que têm, na vida, passagem vã
Elevam-se os que fazem dela aprendizado




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Oscar Wilde Sleeping - Citado por Mellon

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Life is a dream that keeps me from sleeping.
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William Shakespeare: “Soneto II” - Citado por Penélope Charmosa

Quando tiveres completado teus quarenta anos,
E cavado sulcos profundos onde agora és bela,
Essa tua juventude tão orgulhosa, que agora todos fitam maravilhados,
Será somente um resto pisoteado, a que ninguém mais se virará para ver;

Então, indagada sobre que beleza era aquela,
Que tesouro aquele de teus dias encantadores,
Dizer que se encontram afundados nos teus olhos já opacos,
Isso seria ridículo e um elogio ninguém entenderia.

Poderias merecer mais elogios,
Caso pudesses dizer, “Esse meu filho
Resume toda minha reputação, e com isso me desculpa”,

Provando com sua beleza tua herança!
Isso seria te sentires renovada quando ficares velha,
E ver teu sangue quente, ao senti-lo já gelado.
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When forty winters shall beseige thy brow,
And dig deep trenches in thy beauty’s field,
Thy youth’s proud livery, so gazed on now,
Will be a tatter’d weed, of small worth held:
Then being ask’d where all thy beauty lies,
Where all the treasure of thy lusty days,
To say, within thine own deep-sunken eyes,
Were an all-eating shame and thriftless praise.
How much more praise deserved thy beauty’s use,
If thou couldst answer “This fair child of mine
Shall sum my count and make my old excuse”,
Proving his beauty by succession thine!
.....This were to be new made when thou art old,
.....And see thy blood warm when thou feel’st it cold.

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