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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 12 de maio de 2009

Provérbio em As Nossas Palavras IX - Enviado por Adhemar

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Lamentar o passado é correr atrás do vento.


Visitem Adhemar
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Duelando Manchetes VI: Incesto - por Alba Vieira

Vejo este texto como uma possibilidade de despertar, em cada um de nós, a necessidade de nos mantermos alertas para acontecimentos deste tipo que frequentemente podem estar mais próximos de nós do que podemos imaginar. Penso que mais do que pensar em pena capital, nos torna responsáveis, no sentido de proteger os que estão perto, simplesmente admitindo que estes horrores existem.



Resposta a “Duelando Manchetes VI: Incesto”, de Ana.
Referência a “Duelando Manchetes VI: Incesto”, de Kbçapoeta.
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Das Letras do Big Casé - por Ana

Casé, meu caro Casé,
Não se fala em gratidão...
Tudo aquilo que comento
É com total convicção

De que li texto bonito,
Li poesia original,
Li pensamento profundo
Ou haikai sensacional.

Eu leio tintim por tintim,
Cada ideia com atenção,
Maravilho-me com algumas,
Concordo com outro tantão.

Às vezes sou breve mesmo,
Pois tempo pra mim é tão raro...
Mas nas mesinhas do Duelos
Sempre paro e bato papo.

Minha brevidade, gente,
Não desconsidera, não,
É só pressa, nada mais,
A impedir dissertação

(Para alegria de todos,
Diga-se aqui, de passagem...
Se eu tivesse mais tempo,
Maior festival de bobagem...)

E quanto à sinceridade,
Dela podem ter certeza,
Pois não vou dizer que é belo
No que não vejo beleza.

Então aqui me despeço,
Agradecendo a você,
Casé, meu dileto amigo,
Que se dispôs a escrever

Quadrinhas elogiosas,
Tão lindas e emocionantes,
Que comentar no Duelos
Nunca mais foi como antes!

Quando digito respostas,
Quando dou as boas-vindas,
Quando converso também,
Quando escrevo “Valeu!”, “Linda!”,

Agora penso, risonha,
Rindo da minha gracinha:
Sou Mestre de Cerimônia,
Quase assino MC Aninha.

E para você, grande autor,
Aqui no liter café
Eu grito emocionada:
ADOREI! DEMAIS, CASÉ!



Resposta a “bacANA”, de Casé Uchoa.
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Fim da Estrada - por Daisy

Tenho conhecimento, portanto meios para entender.
Tenho sentimentos, portanto desculpas para sentir.
Tenho sabedoria, portanto razões para viver.
Tenho pensamentos, portanto idéias para exprimir.
Tenho amor, portanto amigos com quem compartilhar.

Vou aumentar o meu conhecimento.
Vou usar a minha sabedoria.
Vou expressar todo o meu sentimento.
Vou escrever as ideias e pensamentos com maestria.
Vou compartilhar meu amor com os amigos.

Andarei por um seguro terreno.
Onde o cuidado estará atento
E onde olharei e verei com clareza
Os amigos, o caminho e a beleza.

Chegarei ao fim da estrada.
Levando tudo ou nada.
E a vida terá sido vivida.
Multiplicada e dividida.




..................Visitem Daisy
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Murilo Andrade - Perfil

Cidade Aracaju
Estado Sergipe
Idade 20
Influências Stephen King, Machado de Assis e qualquer outro que eu tiver lido há pouco tempo.
Hobbies Ler, escrever, filmes, aprender cada vez mais. Observar o mundo. Acredito que meus hobbies, além de divertidos, servem como aprendizado para meu ofício de escritor.
Trabalhos Alguns contos e romances inacabados.
Descrição Sou um cara que estuda muito e por conta disso nem sempre tem tempo de escrever. Mas sempre que posso atualizo meus blogs e rabisco no Duelos Literários. Se achar que não tem nada melhor pra fazer, procure meus textos.
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Jean-Paul Sartre: Albert Camus - Citado por Penélope Charmosa

Camus era uma aventura singular de nossa cultura, um movimento cujas fases e cujo termo final tratávamos de compreender. Representava neste século e contra a história, o herdeiro atual dessa longa fila de moralistas cujas obras constituem talvez o que há de mais original nas letras francesas. Seu humanismo obstinado, estreito e puro, austero e sensual, travava um combate duvidoso contra os acontecimentos em massa e disformes deste tempo. Mas, inversamente, pela teimosia de suas repulsas, reafirmava, no coração de nossa época, contra os maquiavélicos, contra o bezerro de ouro do realismo, a existência do fato moral. Era, por assim dizer, esta inquebrantável afirmação. Por pouco que se o lesse ou refletisse a respeito, chocávamos com os valores humanos que ele sustentava em seu punho fechado, pondo em julgamento o ato político.
Inclusive seu silêncio, nestes últimos anos, tinha um aspecto positivo: este cartesiano do absurdo se negava a abandonar o terreno seguro da moralidade e entrar nos incertos caminhos da prática. Nós o adivinhávamos e adivinhávamos também os conflitos que calava, pois a moral, se se a considera, exige e condena juntamente a rebelião. Qualquer coisa que fosse o que Camus tivesse podido fazer ou decidir a sua frente, nunca teria deixado de ser uma das forças principais de nosso campo cultural, nem de representar a sua maneira a história da França e de seu século.
A ordem humana segue sendo só uma desordem; é injusta e precária; nela se mata e se morre de fome; mas pelo menos a fundam, a mantêm e a combatem, os homens. Nessa ordem Camus devia viver: este homem em marcha nos punha entre interrogações, ele mesmo era uma interrogação que procurava sua resposta; vivia no meio de uma longa vida; para nós, para ele, para os homens que fazem com que a ordem reine como para os que a recusam, era importante que Camus saísse do silêncio, que decidisse, que concluísse. Raramente os caracteres de uma obra e as condições do momento histórico exigiram com tanta clareza que um escritor viva.
Para todos os que o amaram há nesta morte um absurdo insuportável. Mas teremos que aprender a ver esta obra truncada como uma obra total. Na medida mesmo em que o humanismo de Camus contém uma atitude humana frente à morte que havia de surpreendê-lo, na medida em que sua busca orgulhosa e pura da felicidade implicava e reclamava a necessidade desumana de morrer, reconheceremos nesta obra e nesta vida, inseparáveis uma de outra, a tentativa pura e vitoriosa de um homem reconquistando cada instante de sua existência frente à sua morte futura.



Escrito um dia após a morte de Camus.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Albert Camus (Biografia) - Enviada por Ana

Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 - Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) foi um escritor e filósofo nascido na Argélia. Na sua terra natal viveu sob o signo da guerra, fome e miséria, elementos que, aliados ao sol, formam alguns dos pilares que orientaram o desenvolvimento do pensamento do escritor.
Filho de um francês e de uma descendente espanhola, cedo Camus já conhece o gosto amargo da morte. Seu pai morreu em 1914 na batalha do Marne durante Primeira Guerra Mundial. Sua mãe então foi obrigada a mudar para a cidade de Argel, para a casa de sua avó materna, no famoso bairro operário de Belcourt onde, anos mais tarde, durante a guerra de descolonização da Argélia houve um massacre de árabes.
O período de sua infância, apesar de extremamente pobre, é marcada por uma felicidade ligada à natureza, que ele narra nao só em o “Avesso e o Direito”, mas também em toda a sua obra. Na casa, moravam, além do próprio Camus, seu irmão (que era um pouco mais velho), sua mãe, sua avó e um tio, um pouco surdo e tanoeiro. Profissão esta que Camus seguiria se não fosse pelo apoio de um professor da escola primária M. Germain, que viu naquele pequeno pied-noir um futuro promissor. Sua família, no começo, não via com bons olhos o fato de Albert Camus seguir para a escola secundária. Fazendo parte de uma família pobre, o próprio Camus diz que no começo foi difícil para ele essa decisão, pois ele sabia que a família precisava da renda do seu trabalho, que ele deveria ter uma profissão cedo, e que trouxesse frutos, como a profissão de seu tio. No fundo, Camus também gostava do ambiente da oficina onde seu tio trabalhava. Há um conto escrito por ele que tem como cenário a oficina e no qual a camaradagem entre os trabalhadores é exaltada.
Sua mãe trabalhava lavando roupa para fora para ajudar no sustento da casa. E durante o segundo grau, ele quase abandonou os estudos devido aos problemas financeiros da família. Foi neste ponto que um outro professor foi fundamental para que o ganhador do prêmio Nobel de 1957 seguisse estudando e se graduasse em filosofia: Jean Grenier. Ambos os professores ganham livros dedicados a eles. Jean Grenier, por exemplo, tem “O Homem Revoltado” dedicado a ele.
A tese de doutoramento de Albert Camus, assim como a de Hannah Arendt, foi sobre Santo Agostinho.
Mas, neste momento, o absurdo da existência se manifestou mais uma vez na vida de Camus. Após completar o doutoramento e estar apto a lecionar, sua saúde lhe impediu de se tornar um professor. Uma forte crise de tuberculose se abateu sobre ele nesta época. Ele era tuberculoso havia já algum tempo. Esta doença lhe deu a real dimensão da possibilidade cotidiana de morrer, o que é fundamental no desenvolvimento de sua obra filosófico-literária. A tuberculose também o impediu de continuar a praticar um esporte que tanto amava e lhe ensinou tanto: Camus era o goleiro da seleção universitária. Conta-se que um bom goleiro. E seu amor para com o futebol seguiu-o durante toda a vida. E uma das coisas que mais o impressionou quando da sua visita ao Brasil em 1949 foi o amor do brasileiro pelo futebol. Conta-se que uma das primeiras coisas que Albert Camus fez ao pisar no Brasil foi pedir para que o levassem para assistir a uma partida de futebol. Um pedido bastante incomum para um palestrante.
Sob estas diretrizes, não é sem sentido que sua obra (filosófica e literária) tenha o absurdo como estandarte. Grosso modo, seus livros testemunham as angústias de seu tempo e os dilemas e conflitos já observados por escritores que o precederam, tais como Franz Kafka e Dostoiévski. Esta proximidade entre Camus e estes dois autores evidencia uma cadeia que se estende até os dias atuais, indica a fonte de um movimento heterogêneo - abrange arte, teatro, literatura, filosofia -, que por conveniência poderemos identificar como a estética do absurdo. Alguns ilustres filiados a este movimento cujo foco é o absurdo são eles: Samuel Beckett e Eugène Ionesco.
Camus mudou-se para a França em 1939, pouco antes da invasão alemã. Mudou-se principalmente devido às polêmicas com as autoridades francesas na Argélia. Ele havia publicado uma série de ensaios sobre o tratamento que os árabes recebiam por parte dos franceses na Argélia, pois os árabes não eram considerados cidadãos franceses e, portanto, eram subjugados a um governo no qual nem ao menos podiam votar. Crianças árabes morriam de fome, não tinham atendimento médico. Camus nessa época também fazia parte do Partido Comunista, do qual se desvinculou pouco tempo depois. Sua esposa e filhos permaneceram na Argélia e, devido à guerra, nem Camus pôde voltar à Argélia, nem sua esposa e filhos puderam ir para a França. Ele ficou em Paris durante o começo da ocupação nazista, trabalhando em um jornal. Devido à censura e à vigilância constante dos nazistas, a maior parte dos jornalistas franceses mudou-se para a região da França de Vichy. Camus começou, então, a participar do Núcleo de Resistência à ocupação chamada Combat, tornando-se um dos editores do jornal de mesmo nome.
Seu primeiro livro, “O Avesso e o Direito”, assim como “Bodas em Tipasa”, foram publicados quando ele ainda residia na Argélia. Mas durante o tempo da ocupação, além de trabalhar em jornais e editar o jornal clandestino, Camus se dedicou a outra de suas paixões: o Teatro. Ele já havia participado de um grupo de teatro ligado ao partido comunista quando ainda morava na Argélia e, ao sair do partido comunista, montado um outro grupo que apresentava peças clássicas de teatro aos trabalhadores.
Conhece Sartre em 1942 e tornam-se bons amigos no tempo de pós-guerra. Conheceram-se devido ao livro “O Estrangeiro” sobre o qual Sartre escreveu elogiosamente, dizendo que o autor seria uma pessoa que ele gostaria de conhecer. Um dia, em uma festa em que os dois estavam, Camus se apresentou a Sartre dizendo-se o autor do livro. A amizade durou até 1952, quando a publicação de “O Homem Revoltado” provocou um desentendimento público entre Sartre e Camus.
Camus morreu em 1960, vítima de um acidente de automóvel. Em sua maleta estava o manuscrito de “O Primeiro Homem”, um romance autobiográfico. Por uma ironia do destino, nas notas ao texto ele escreve que aquele romance deveria terminar inacabado. Ao receber a notícia da morte de seu filho, Catherine Hélène Camus apenas pôde dizer: “Jovem demais.” Coincidentemente, ela também morre no mesmo ano que seu filho: 1960.
Uma curiosidade sobre o acidente de automóvel: Camus não deveria ter feito a viagem para Paris de carro junto com os Gallimard (Michel, Janine e a filha deles, Anne). Ele iria fazer esta viagem com o poeta René Char, de trem. Mas, por insistência de Michel, ele resolve ir de carro com eles. Char também foi convidado, mas não quis lotar o carro, além de já haver comprado sua passagem (Camus também já tinha seu bilhete de trem comprado). No acidente de automóvel, o Facel-Véga de Michel se espatifou em uma árvore. Apenas Camus morreu na hora. Michel, seu editor, morreu no hospital cinco dias depois. O relógio do painel do carro parou no instante do acidente: 13:55h.

Estudos sobre o autor
BARRETTO, Vicente. Camus: vida e obra. [s.l.]: José Álvaro, 1970.
GONZÁLEZ, Horacio. Albert Camus: a libertinagem do sol. São Paulo: Brasiliense, 2002.
GUIMARÃES, Carlos E. As dimensões do homem. Rio de Janeiro: Paz e Terra: 1971.
PINTO, Manuel da Costa. Albert Camus: um elogio do ensaio. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998.

Bibliografia
Révolte dans les Asturies
O Avesso e o Direito
Núpcias
O Estrangeiro
O Mito de Sísifo
Le Malentendu
Lettres à un Ami Allemand

Calígula
A Peste
O Estado de Sítio
Actuelles I
Actuelles II
O Homem Revoltado
L'été
Requiem pour Une Nonne

A Queda
O Exílio e o Reino
Os Discursos da Suécia (publicado juntamente com “O Avesso e o Direito”)
Os Possessos
Resistance, Rebellion, and Death
A Morte Feliz
O Primeiro Homem
Jean-Paul Sartre
Fiódor M. Dostoiévski
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Fonte: Wikipédia
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As Nossas Palavras IX - por Alba Vieira

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Atrás do vento vêm as tempestades e inundações. Não adianta correr nem lamentar o que havia no passado. O jeito é reconstruir tudo.



Visitem Alba Vieira
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Duelando Manchetes VI: Incesto - por Kbçapoeta

Quando leio esse tipo de matéria, repenso sobre a pena de morte.
Sempre fui contra a pena capital ainda mais em um país como o Brasil.
Mas é difícil não pensar quando nos chegam esses assuntos.



Resposta a “Duelando Manchetes VI: Incesto”, de Ana.
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A Mulher e a Batedeira - por Alba Vieira

Era uma senhora de olhar vivíssimo. Sentada em sua cadeira de balanço, tomava conta de tudo que se passava na casa. Não era uma cadeira comum, dessas austríacas. Não. A sua cadeira era corpulenta, como ela. Mais parecia um trono. E girava, para que a visão do mundo se assemelhasse à do gavião. Não era uma ave de rapina, essa mulher no alto dos seus oitenta e um anos. Era antes uma mãe, na concepção mais antiga da palavra, imagem de proteção calorosa por debaixo de suas asas, mas sem esquecer da visão aguda, da percepção do todo que era a sua marca e, principalmente, do olhar hipnotizador.
Agora, reinava em sua cadeira, de onde saía somente para o banho, descansar durante o dia, as horas de sono da madrugada ou para um ocasional passeio de carro que era o seu êxtase. No mais, permanecia sentada, atenta, interagindo com todos na casa, dando idéias, ensinando a fazer a comida do seu jeito, pois sessenta e tantos anos de cozinha não eram para se jogar fora e, afinal, queria a comida exatamente ao seu gosto.
Ela era meticulosa sim. E exigente. Tudo devia correr dentro do previsto. Acompanhava as horas. Havia em sua casa inúmeros relógios, em todos os cômodos, até no banheiro, em alguns lugares mais de um. Era justificado. Passara toda a sua vida, prisioneira do relógio ou, quem sabe, estimulada por ele, desdobrando-se nas tarefas domésticas. Tivera doze filhos e sempre se queixava, pois, desses, dois nasceram prematuros e não vingaram por falta de cuidados médicos. Os outros dois, de uma gravidez de trigêmeos, tiveram morte intra-útero, no sétimo mês, tendo sobrevivido só uma das filhas, hoje magrinha, mas muito forte e corajosa. Ah, seus filhos, sua criação, muitos, pois que sempre fora exagerada. Exagera ainda hoje, velhinha. Não é daquelas anciãs sábias, sequinhas. Ela é roliça. O neto diz que parece um bujãozinho. O rosto é redondo, vermelhinho com os dois olhos pretos como azeitonas. São olhos tímidos. Mas quando não se olha para eles - que então ficam envergonhados e fogem - são firmes e atingem os olhares mais difíceis.
Ela é minha mãe. Talvez por isso mesmo a conheça tão bem. Ou melhor, só passei a conhecê-la assim depois que afastei a idéia de que justamente era minha mãe. E mais, só pude vislumbrar a sua riqueza quando deixei de adivinhá-la; eu que sempre sabia o que esperar dela, presenteei-a com a liberdade de dela nada mais esperar, permitir que depois de tantos anos de vida pudesse ser o que realmente era.
Pois que essa senhora não era só a mãe prestimosa, aquela que fazia milagres com os parcos recursos do marido padeiro. Nem somente aquela que “batia” na máquina de costura madrugadas inteiras para poder formar os filhos em colégios particulares, seu maior orgulho. Ou alguém de extrema competência que arrumava, lavava, cozinhava, costurava para a família e para ganhar dinheiro, orientava, acarinhava e ainda estimulava a independência e auto-suficiência nos filhos. Só não lhe sobrava muito tempo para amar. Com a chegada dos filhos foi sufocando dentro dela o amor de mulher. Assim o seu corpo foi engordando de desejo represado. Distanciou-se de si mesma e do marido, seu amor. Não poderia vê-lo de fato, não poderia dispor de tempo para ela com tantos filhos sob sua proteção. E para não amá-lo com o desejo que tinha que sepultar dentro de si, só não o enxergando. Passou com os anos a ignorá-lo, a despeito de amá-lo tanto. E não olhando para ele deixava de olhar também para si. E dessa forma o tempo foi passando e essa distorção foi sendo tida como a realidade. Mas não era. A realidade que trazia em si era um amor forte, intenso, daqueles que o corpo parece não suportar de tão profundo.
Essa mulher escondeu-se de si por tantos anos que quase apagou o resto de doçura que guardava em seu peito, ainda hoje macio e acolhedor. Acho que por isto teve um infarto.
O amor motivou toda a sua vida. Mas escondia dos filhos e talvez do próprio marido o sentimento forte. Passava por alguém pragmático, que só se importava com as obrigações, que se fazia refém das culpas vindas não se sabe de onde. Escondia o fervor que tinha pela vida, a tendência romântica. Eu mesma, a caçula, cresci sem assistir uma vez que fosse a uma demonstração explícita de carinho entre os meus pais. Nunca presenciei um beijo, um abraço, salvo nos aniversários e no Natal, verdade seja dita. Pode-se dizer que ela endureceu para se proteger de si mesma. Que bobagem! Ninguém consegue fazer isso para sempre.
Agora essa mulher roliça, de olhos vivos, deixou-se florescer. Imaginem que se libertou depois que teve um acidente vascular cerebral! Deixou que caíssem por terra todas as suas resistências. É certo que somente depois de muito brigar e espernear, tentando manter-se como sempre tinha sido. Finalmente suavizou-se. Agora os seus movimentos são mais lentos, eu diria mesmo que ganhou uma certa sensualidade. A fala não é mais aquela rajada de metralhadoras de antes, quando ficava irritada. Fala pausadamente. E o ganho maior e mais surpreendente: a lesão cerebral deixou que sua emoção aflorasse. Que sábio é o organismo! Minha mãe chora com facilidade, emociona-se frequentemente, exagera como sempre, é certo. Esse coração, antes lacrado, escorre amor por toda ela que se derrama em doçura todo o tempo. Passou a ouvir músicas românticas, presta atenção às letras e proclama o amor com entusiasmo. Diz que todos os filhos precisam ouvir, que suas vidas, principalmente na área conjugal, melhorariam sensivelmente se eles seguissem os conselhos de Zezé di Camargo.
Em sua cadeira-trono ouve músicas de amor o dia todo. E se perto dela surge uma discussão mais inflamada, aumenta o som para abafar a confusão tão desnecessária. Essa sábia senhora continua ensinando a todos nós.
Minha mãe é assim, arrebatadora e surpreendente. Não é dessas velhinhas que esclerosam e passam a falar coisas sem muito nexo, se bem que, sabendo-se ouvir, nenhuma manifestação na velhice é de todo descabida. Ela mantém a coerência, só que consegue a transformação quase imediatamente, deixando os filhos atônitos por mudar de forma tão rápida seus pontos de vista de tantos anos.
Antes, ela ignorava a necessidade da vida afetiva dos filhos. Hoje, ela estimula. Antes, ela era rígida e agora é mais flexível do que a neta consegue ser. No passado, se torturava com o excesso de trabalho e hoje, se deleita com o lazer e faz questão de se presentear com passeios, descanso e festas. Quis festejar seus 80 anos, depois 81 e no próximo ano terá a festa dos 82 anos. Vejam só, ela que nunca fazia para si nem um bolinho de aniversário, só para os filhos, é claro.
Nessa jornada que foi a sua vida, o marido se foi há três anos. A propósito, ela teve o derrame enquanto ele estava internado numa clínica para idosos. Perdeu o seu amor com uma compreensão invejável. Aceitou a vontade da Vida. Depois de 63 anos juntos ele se foi. Não aconteceu de repente. Ele ficou preparando sua partida por cinco anos. Tão ligado a ela, não poderia ir assim rapidamente. Acho que ela foi-se acostumando a não tê-lo mais nos seus dias, pois que o guardava como um cão, sem muito espalhafato, mas acompanhando o dono com o olhar de um enorme carinho. Brigava com ele o dia todo, implicava pelas mínimas coisas ao invés de declarar logo seu amor, com palavras e gestos. Aprendeu, enfim, a duras penas, a demonstrar o seu afeto.
Por tudo isso, não me surpreendo de agora vê-la, quase todas as manhãs, de pé junto à bancada do armário da cozinha, de frente para a batedeira, sentindo o cheiro que vem dela dizendo palavras entre dentes, como se conversasse com alguém. E pasmem, até já a vi beijando a borda do eletrodoméstico! A primeira vez que presenciei a cena não entendi nada. Depois, observei o que fazia e lhe perguntei com quem falava. Ao que ela me respondeu: com o seu pai, ele vem aqui todos os dias. Sente só o cheiro na batedeira, disse-me ela. Agora ele está aqui. Quando não está, o cheiro some.
Ocorre que meu pai, antes de ser funcionário público, agente administrativo no Ministério do Trabalho, era padeiro. Foi gerente de padarias por muitos anos. Em toda a sua mocidade fazia pães deliciosos e no primeiro encontro com a minha mãe, onde trabalhava, ofereceu-lhe um lindo pão doce que naquele tempo vinha recheado (alguns exemplares, de surpresa para os fregueses afortunados) com aneizinhos. Nada mais coerente do que o que ela estava dizendo. Ele tinha cheiro de farinha, era o perfume daquelas mãos grandes e habilidosas, lindas que eu bem conhecia, e ela, muito melhor do que eu.
Passei a observar. Por várias vezes já senti o cheiro do meu pai naquela batedeira que hoje já não é quase utilizada, em ocasiões e datas importantes para a família. Às vezes, nem estou prestando atenção, conferindo se o perfume está ali e é o aroma que me atrai, me avisando que ele está presente naquele momento e acabo entendendo o porquê da sua visita. Confesso mesmo que, por várias vezes, conversei com o espírito do meu pai naquele lugar, em situações difíceis de nossas vidas, como se faz num santuário.
E para a minha mãe é simples assim: ele se foi, ela tem saudades, o amor permanece e liga os dois. Para ela, ele vem, ainda vive fora do corpo, ela sente o seu cheiro e o seu coração se alegra: ele está ali.
Minha mãe, a batedeira, meu pai, o amor unindo as pessoas, antes e depois da vida. A morte não existe mesmo, concluí.



Visitem Alba Vieira
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Mudanças Já! - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Hoje, vendo a TV, como sempre me estressei ao ver a nossa política para adolescentes infratores.
Matam, violentam, deixam famílias de luto e no fim... são presos e soltos.
Vejo a polícia querendo prender bandidos e, pela lei mal feita, tendo que soltar.
Vejo filhos matando pais, pais matando filhos e tendo como justificativa imbecil que não os queriam deixar ficarem aqui sofrendo.
As pessoas estão perdendo muita coisa: emoções, afetos, valores.
A TV e a Internet, às vezes, são, entre outras coisas, escolas boas e escolas ruins.
A cadeia muitas vezes serve como uma grande escola de formação de marginais. - Aprenda a ser ruim ou morra!E me lembrei de um caso, em Brasília, de um homem que foi ao Parque da Cidade e, vendo patos nadando, achou mais que lógico que levasse para sua casa, com certeza para servir de jantar.
Evidentemente que foi preso e pela Lei - Que lei é essa, senhor? - preso por roubar um pato -, inafiançável, segundo o IBAMA.
Ele, com os patos debaixo do braço, o olhar faminto e a desculpa de que ia criar os patinhos...
Mas cadê uma lei como essa que fosse inafiançável quando o cara rouba, mata, estupra e violenta os patos que somos nós?
A esses uma lei branda - réu primário, endereço conhecido... Acho que devíamos inserir o ser humano na lista de animais em extinção e aplicar a pena inafiançável para quem rouba ou mata outro ser humano.
Acho que devíamos rever nossas leis. Afinal temos tantos deputados, senadores, ganhando MUITO BEM e que podiam fazer seus deveres com mais frequência e frequentar mais as sessões “escolares” e apressar os resultados.
QUEM ROUBA UMA GALINHA É PUNIDO.
QUEM ROUBA UMA VIDA é premiado, principalmente se for menor infrator.

VAMOS FORÇAR ESSES NOSSOS PARLAMENTARES ELEITOS POR NÓS A TRABALHAREM EM PROL DOS CIDADÃOS DECENTES E NÃO EM PROL DOS DELINQUENTES.
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Paulo Coelho e Fernando Gabeira - por Kbçapoeta

Crepúsculo do Macho - Fernando Gabeira
O Diário de um Mago - Paulo Coelho
Veronica Decide Morrer - Paulo Coelho



“Oi, Ana!
A relação na verdade seria entre o livro ‘O Diário de um Mago’ e ‘Crepúsculo do Macho’ que são depoimentos.
Paulo Coelho, gosto muito como letrista, como escritor não acompanho sua obra, li alguns livros, e ‘O Diário de um Mago’ eu gostei.
O último que eu li dele foi ‘Veronica Decide Morrer’, em 1998 (faz tempo) e achei puro clichê.
Mas o ‘diário’ achei legal, acredito que eu seja o único aqui no Duelos que fala bem de algum livro dele.
O café fica por minha conta.
Beijão!!!”
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Inteira - por Poty

Não quero pela metade, quero por inteira

Para que a metade
Se posso tê-la inteira?

Se você vier pronta
É melhor!

O pedaço não serve
Se tenho em mãos você integral


Como ficarei com uma parte?!

Quero toda perto de mim!
Seu todo é meu complemento

O meu inteiro
É o seu terço,

Então seremos complemento

Entre o meu todo
Como o teu também

O resquício não serve para ninguém
Não aceitarei também

Venha de mente e alma
É plena que me convém!



Visitem Poty
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domingo, 10 de maio de 2009

Marcianos Verdes e Todos os Devaneios do Mundo - por Bruno D’Almeida

O filho de três anos de Geysa e Léo sumiu na multidão de um shopping center. Bastou desviar a atenção por um minutinho, vendo os modelos de aparelhos celulares numa loja, e quando o papai foi mostrar o aparato móvel a Zezinho, um artefato com câmera, filmadora, rádio, tocador de música, transferência de dados, função pipoca de microondas e tudo mais, eis que o menino não estava mais do lado do casal. Saem os dois correndo feito loucos da loja.

Imagine um corredor com visão ao infinito cheio de formigas humanas andando pra todos os lados e a ausência de um cotoco de gente. Nunca na vida Geysa viu tantas pessoas juntas e, ao mesmo tempo, sentiu uma solidão tão grande no peito. Léo pensou que tinham sequestrado seu filho, que ele podia estar nas passarelas de acesso ao shopping com uma pessoa má segurando apertado as mãos suaves e tenras de seu precioso filho. Ele podia estar sendo vítima do tráfico internacional de crianças, do tráfico internacional de órgãos, podia ter sido abduzido por marcianos verdes que pousaram no teto daquele palácio de consumismo, todas as desgraças do mundo pairavam na cabeça do jovem casal naquele momento de desespero.

Os seguranças do centro de compras fizeram um esquema especial de busca. Relato físico-psicológico feito pelo pai e passado pelo rádio: criança linda, com cabelos castanhos encaracolados de anjinho do céu, olhos pretos faiscantes de jabuticaba, sorriso encantador, corpo gordinho, vestido com um conjunto azul do Cebolinha e um par de alpercatas bege de couro. Choro. Abraços apertados. Orações e promessas a Deus de nunca mais desgrudarem os olhos do seu maior tesouro. Foram intermináveis quinze minutos de ansiedade, até que um segurança relata aos pais a presença de uma criança com descrição compatível nas Lojas Americanas, ao lado da loja de celulares.

Suspense. Estava lá a criatura pequenininha, com um carrinho de plástico debaixo do braço, escolhendo outro, com um segurança ao lado de braços cruzados e sorriso largo no rosto de dever cumprido. A mãe agarra a criança falando meu filho o que você está fazendo longe de papai e mamãe? Eu tava comprando meu brinquedo, diz o projeto de gente com a maior naturalidade. Mas você não tem dinheiro, Zezinho, retrucou papai. Tenho sim, disse o menino tirando uma moeda de cinquenta centavos do bolso. Flash back. Como um raio, as coisas começaram a fazer sentido.

Almoço de formatura das secretárias executivas. Geysa, amigas da faculdade, respectivos maridos e namorados. Depois dos comes e bebes, um amigo do casal deu uma moedinha ao menino. A família feliz vai em seguida ao shopping, passa pela porta das Americanas, o guri pede um carrinho de presente, o pai diz automaticamente que não tem dinheiro e vai pra loja de aparelhos celulares gastar dinheiro. A criança pensa então em fazer uma surpresa aos pais e comprar seu próprio brinquedo com todo dinheiro do mundo de uma moeda niquelada.

Isso aconteceu há dois anos. E foi justamente numa nova reunião das secretárias, ao rever o dileto amigo do casal que deu a moedinha, que o assunto veio novamente à tona. O causador da confusão disse com sorriso sarcástico que se sentia feliz em ter mostrado a importância de prestar atenção aos filhos e de também revelar o espírito decisório, independente e autônomo do menino. E para eternizar aquele momento, nada melhor do que tirar uma foto dele com a criança segurando uma moedinha. Léo então, humildemente, sacou o celular-câmera-filmadora-máquina-de-lavar do bolso e registrou para sempre a foto predileta do álbum de família.



À Procura da Felicidade - por Ana

Bom. Com Will Smith e filho. Baseado numa história real, conta as desgraças de um pai “solteiro” que se dá bem... Bem no final.



Sinopse e trailer: Cineclick
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
Gabriele Muccino

Mães Possíveis - por Alba Vieira

Veio à minha mente a seguinte conexão: mãe-guardiã. Pensei no significado de ser mãe. Que complexidade! Que multiplicidade de formas de ser! Como vai além do estereótipo vinculado às campanhas comerciais! Que responsabilidade é ser mãe! Quantas cobranças! Que o digam os que frequentam consultórios de psicanalistas. E como é simples ser mãe deixando-se conduzir apenas pelo instinto!
Mãe é a que concebe, a que geralmente gesta, a que cuida, a que forma, a que guarda e protege (ou deveria). Cabe aos pais, à mãe, em particular, guardar o filho até que ele possa caminhar sozinho pela vida. E, neste aspecto, persiste a diversidade, cada filho tornando-se capaz no seu próprio tempo.
No seu dia as manifestações de apreço se multiplicam, seus valores ficam enaltecidos, a emoção transborda naqueles que contam com suas mães a seu lado e naqueles que a perderam por morte ou afastamento de qualquer tipo. E falam delas como se todas tivessem apenas aspectos positivos. E onde ficam a mágoa, o rancor, a rejeição, a omissão, a maldade, as perversões e tantas variáveis que fazem parte do humano? Porque cada mãe é de um jeito. E todas têm o direito de ser o que são nesta vida de aprendizados. Por que não concebê-las dentro da realidade de cada uma, ao invés de endeusá-las? Até porque a categoria mãe está intrincada numa teia complexa das relações humanas regidas por suas leis naturais, entre elas a de causa e efeito.
Entretanto, quando se fala de mãe, é certo que se acende em nós um grande letreiro luminoso onde se escreve AMOR. E a mãe de cada um expressa este amor dado em abundância, restringido, negado. Seja o que for, no fundo é amor.
Então não seria melhor, ao invés de idealizarmos, dificultando a relação, aceitarmos a mãe que temos, compreendendo, tentando perdoar, adorando, agradecendo de joelhos por ela, engolindo, caminhando ao lado, relevando, odiando, mantendo longe, substitindo etc., todas estas coisas juntas ou separadamente?
Todas as mães são importantes nas vidas dos filhos, mas nem todas são apenas anjos ou demônios. São humanas em toda a sua complexidade e diversidade. Há as que têm vocação para corresponder ao estereótipo, há as que são o oposto dele, há as que grudam nos filhos e exageram, há as que são distantes e omissas, há as chatinhas, as malvadas, as inúteis, as desajeitadas, as competidoras, as depressivas. Há tantas que não caberia aqui citá-las.
Mas para todas elas, as que trouxeram o filho à vida, as que cuidaram e criaram, as substitutas, as de consideração, aos pais-mães, a todos que representam esta categoria, cabe o respeito de todos nós.
E, certamente, cada um de nós, neste dia, terá a quem dedicar o amor e agradecer por ter honrado o título de mãe em sua vida.
Parabéns a todas as mães possíveis deste planeta.
Que possam ter sempre a liberdade de apenas ser.



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Duelando Manchetes VI: Incesto - por Ana

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ESTUPROS INCESTUOSOS


Estou caminhando por entre paredes de casas infernais, onde encontro crianças ingênuas e envergonhadas que desejam cobrir sua nudez com possibilidades inexistentes. Convivo com demônios vorazes, gargalhantes e locupletados que avançam cruéis ante a discordância e a ação protetora. Estou só. Passos isolados, de um cômodo a outro, buscando tecidos que escondam a carne que provoca fome nos olhos injetados de desejo. Sou a que não nega o que existe, a que enfrenta, com medo e asco, todos os detalhes cotidianos de uma vivência homicida. Há palavras e atitudes que matam aos poucos, um horror interminável que se refina com o desenrolar dos prazeres experienciados. Há desespero mudo, contido, suicida, imerso numa eterna noite de flagelos e gritos lancinantes das almas para o céu dos desenganados. Há revolta que se engole inteira, enorme, rasgando por dentro e que se alastra pelo corpo, tornando-o, torneando-o, transformando-o, transpassando-o e transfigurando-o. Há satisfação e alegria que saem de bocas gozantes, de peles gordurosas, de cheiros detestáveis, de salivação excessiva que escorre sobre os limpos. Há crianças tocadas, roçadas e soterradas. Há crianças enterradas vivas torturadas nos quintais e sob os alicerces destas casas. Há crianças mal formadas, mal queridas, mal tratadas. Crianças e demônios e nenhum olhar. Crianças e demônios isolados do mundo, participando de uma festa particular. Crianças que nasceram para o prazer, para a luxúria e a tortura. Crianças que vieram para as delícias da carne, para a secreta volúpia do sexo e da dor. Crianças com sangue e corpos tenros que fazem brilhar os caninos sedentos. Demônios... compreendem-se os demônios. Existem. Mas... crianças? tantas? Que permissão admitiria este cárcere dantesco, esta orgia fúnebre? Que força no universo senão a do acaso e da ausência de lógica? Imolam-se os cordeiros sem tirar-lhes a vida apenas pela perpetração do prazer selvagem. Sem altar, sem ritos, apenas profanação e carnificina. Eu cuido das inocências ensanguentadas, chorando vergonha e pavor. Que lugar é este, me pergunto, que lugar é este?
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Mãe, Instrumento Divino - por Jair Antônio Pauletto

Quando os antigos gregos tiveram a idéia de homenagear Rhea, a mãe dos deuses, sabiamente escolheram o início da primavera como a data mais propícia. Nada mais justo que associar esta maravilhosa estação com o papel de mãe. Desde aquela época, passando pela criação de uma data oficial e sua exploração comercial, tudo o que se fez visa tentar reconhecer a importância da mãe no desenvolvimento da humanidade, porém, por mais criativas e calorosas que sejam as homenagens é impossível retribuir a dedicação e o amor que as mães dedicam a seus filhos.
Dotada de um sentimento proveniente do fundo da alma, ela é a responsável pelo abrandamento das tensões entre os homens e, consequentemente, do progresso da civilização humana. Foi através das atitudes e gestos maternos que o homem se afastou da selvageria e brutalidade do desejo de guerrear. A delicadeza e suavidade da mãe permitiram ao homem descobrir a força do amor que, com o passar dos tempos, floresceu em cada nova geração, frutificando-se nos dias atuais, como o alicerce dos mais elevados princípios da humanidade.
Foram as mães as responsáveis pela sobrevivência da humanidade, não somente por reproduzirem em seu ventre a vida e assim garantirem a multiplicação da espécie, mas principalmente por elevar-nos como seres diferenciados, afastando-nos do domínio dos instintos animalescos, humanizando-nos. Sem este gesto, possivelmente não evoluiríamos como seres humanos e certamente os sentimentos de afeto, aconchego e proteção não seriam experimentados.
O desenvolvimento da força da maternidade foi fundamental para frear a brutalidade masculina que, embora importante em épocas mais remotas, teria colocado em risco ou até extinguido a própria espécie, já que a experiência do aconchego materno experimentado logo nos primeiros momentos de vida foi e é fundamental para o desenvolvimento da personalidade, fato hoje comprovado cientificamente. No entanto, é o sentimento, o afeto que a mãe transmite ao filho, que marca e os liga para a vida toda; esse amor materno é tão importante quanto o alimento que todos necessitamos para viver; nele encontra-se o DNA de todas as formas de amor e alegria que a vida nos oferece. É, também, através da pureza e intensidade da energia amorosa que liga mãe e filho que o ser humano encontra forças para trilhar seus caminhos pelo resto da vida.
A mãe é o instrumento utilizado pelo Alto para promover o crescimento humano, despertando-o como ser espiritual, uma vez que ela é o elo entre o corpo e a alma, ou seja, ela nos abriga e molda fisicamente em seu ventre, enquanto Deus nos atribui a alma. Dotada de uma alma especial, a mãe consegue estabelecer uma conexão permanente com o filho, isto faz com que a dor ou a alegria do filho se tornem extensão da própria alma. Acordar em plena madrugada, cansada pela exaustiva dupla jornada de trabalho e atender ao filho sem reclamar é um ato de amor que somente as mães são capazes de cultivar em seus corações.
Todo o trabalho dos grandes mestres da humanidade, especialmente dos lideres espirituais, não teria alcançado e prosperado no coração do homem se não fosse o papel da mãe. É ela que dá as primeiras direções na vida; é ela que introduz os princípios e valores que nortearão os passos do filho, que o incentiva a aperfeiçoar-se e a buscar novos ensinamentos. Por mais distantes que possam estar fisicamente, jamais perderão o vínculo, assim como os ensinamentos maternos sempre servirão de base para a orientação dos próprios filhos ou simplesmente para efetuar as escolhas da vida.
A multiplicação dos valores e ensinamentos dos grandes mestres deve-se muito mais ao papel das mães em plantar, no coração dos filhos, as primeiras sementes que o papel dos diferentes missionários contemporâneos ou da leitura de livros sagrados. É a mãe, que nem sempre é reconhecida e insuficientemente valorizada, a primeira a semear os principais valores humanos que posteriormente constituem no caráter do homem. Portanto, homenagear as mães é tarefa impossível, mas mesmo sendo impossível expressar o que ela significa na vida de cada um nós, devemos manifestar constantemente todo o nosso amor, de forma que ela possa sentir um pouco da nossa imensa gratidão. Beijos, abraços e todas as manifestações de carinho possíveis estão liberadas e devem ser usadas em abundância neste domingo.
Desde criança, sempre desconfiei que a mãe tivesse uma ligação divina para poder desempenhar um papel tão importante: na família, na sociedade e em toda a história da civilização humana. Mas, somente agora, percebo isso com mais clareza o que me permite dizer de todo o coração: Mães, Obrigado! Sem sua presença nossa existência não teria o mesmo sentido. Feliz Dia das Mães.



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José Régio e seu Nascimento - Citado por Penélope Charmosa

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
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Mãe Para Sempre - por Poty

Mãe, dar colo
Dar nanar/ninar
Acalentar
Dar de mamar

Mãe é carinhosa
Amorosa
Talentosa
Cuidadosa

Mãe é sempre protetora

Nem vou chamar de santa,
Mas é caridosa
Atenciosa

Sempre pronta
Para cuidar
Nem se sente cansada
Prontifica-se
E nem quer saber como vai ficar.

Nós, marmanjos,
Pra ela um bebê

Se possível
Nenhum sai de perto dela

Mãe sempre à disposição
Não tem tempo ruim
É capaz de tudo,
Vai seguindo a sua resignação.

Mãe
Mamã, ama-de-leite/babá/criadeira
Mãezinha é só minha
Mamãe, genetriz/genitora/progenitora
Mãe de coração imenso sempre cabe mais um!



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