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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Agatha Christie (Biografia) - Enviada por Ana

Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de setembro de 1890 — Wallingford, 12 de janeiro de 1976), nascida Agatha Mary Clarissa Miller e mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica, autora de mais de oitenta livros e coleções de pequenas histórias, dezenove peças e seis romances escritos sob o nome de Mary Westmacott. Seus livros são os mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de William Shakespeare. É conhecida como Duquesa da Morte, Rainha do Crime, dentre outros títulos.
Os seus livros venderam mais de um bilhão de cópias em inglês, além de outro bilhão, em línguas estrangeiras. Agatha foi pioneira ao fazer com que os desfechos de seus livros fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino.
Casou-se pela primeira vez em 1914, com o Coronel Archibald Christie, piloto do Corpo Real de Aviadores. O casal teve uma filha, Rosalind, e divorciou-se em 1928.
Em sua autobiografia, Agatha descreve o crescente distanciamento entre ela e o marido após a compra de uma casa no campo, quando ele se tornou afeito ao golfe, dedicando a maior parte dos seus fins-de-semana ao desporto. Mas a crise sobreveio quando, após a morte da sua mãe, Agatha precisou assumir a organização da propriedade da família, Ashfield, em Torquay. Ela e o marido combinaram que iriam fechar a sua casa, e ela passaria o verão em Ashfield com a filha Rosalind, enquanto Archibald Christie, que trabalhava em Londres, passaria a pernoitar no seu Clube, na cidade. Com a missão concluída, a família reencontrar-se-ia para uma viagem à Itália.
Agatha passou cerca de três meses separando, sozinha, os documentos e objetos antigos da família, decidindo o que seria doado, jogado fora, distribuído entre os parentes – tarefa que, combinada com o seu sofrimento pela morte da mãe, a mergulhou numa profunda depressão. Na data combinada, Archibald Christie chegou e disse que não desejava mais viajar; por fim, acabou por confessar que, durante a sua temporada sozinho em Londres, se envolvera com outra mulher (Nancy Neele) e queria o divórcio para se poderem casar.
Esses eventos levaram ao colapso nervoso, que culminou com o famoso desaparecimento da escritora.
Em dezembro de 1926, o carro de Agatha foi encontrado abandonado, com as portas abertas, à beira de um lago, sem nenhum bilhete ou indício de seu paradeiro. Foram feitas buscas intensas, sem sucesso; falou-se de rapto, suicídio e assassinato; o marido infiel virou suspeito. No entanto, depois de 12 dias, o empregado de um hotel na cidade de Harrogate contactou a polícia, informando que uma hóspede do hotel parecia-se muito com as fotos divulgadas da escritora desaparecida. Chegando ao local, os investigadores constataram que tratava-se de fato de Agatha Christie, que se havia registado no hotel sob o nome de Theresa Neele (o mesmo apelido da amante do seu marido).
A despeito das diversas teorias aventadas sobre o episódio – inclusive a acusação de que se tratara de um golpe publicitário – a autora jamais entrou em detalhes sobre o acontecido; a declaração oficial foi de que ela tinha sofrido um colapso nervoso, que provocara uma crise de amnésia temporária.
Embora em seus livros autobiográficos não haja quase nenhuma informação sobre o epísódio de seu desaparecimento, acredita-se que, em O Retrato, publicado sob o nome de Mary Westmacott, Agatha conte muito da sua história através da personagem Celia, que pensa em suicídio após ser abandonada pelo marido.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Agatha trabalhou em um hospital e em uma farmácia, funções que influenciaram seu trabalho: muitos dos assassinatos em seus livros foram cometidos com o uso de veneno.
Em 1930, casou-se com o arqueólogo Sir Max Mallowan. Mallowan era 14 anos mais jovem que a escritora, e suas viagens juntos contribuíram com material para vários de seus romances situados no Oriente Médio. O casamento duraria até a morte da escritora.
Em 1971 ela recebeu o título de Dama da Ordem do Império Britânico.
Agatha Christie morreu aos 85 anos de idade, de causas naturais, em sua residência. Ela está enterrada no Cemitério da Paróquia de St. Mary, em Cholsey, Oxon.
A única filha da autora, Rosalind Hicks, morreu em 28 de outubro de 2004, também com 85 anos, de causas naturais. Os direitos sobre sua obra pertencem agora a seu neto, Mathew Prichard.

A autora e sua obraAgatha começou a escrever sob influência da sua mãe, que a incentivou a criar um conto, para passar o tempo, enquanto Agatha, entediada, se recuperava de uma forte constipação que a deixara de cama. Ela chegou a duvidar da sua capacidade, mas conseguiu. Continuou a escrever, encorajada por Eden Phillpotts, um teatrólogo amigo da família. Quando já era famosa, disse que, durante muitos anos, se divertiu escrevendo histórias melancólicas, em que a maioria dos personagens morria.
“Dentro de alguns anos, só quero ser lembrada como uma boa escritora de casos policiais.” - Disse ela. E é assim que Agatha Christie permanece na memória de seus fiéis leitores em todo o mundo. Passou a infância e a adolescência num ambiente quase recluso, pois sua mãe se encarregou de dar-lhe formação cultural, proibindo-a de frequentar escolas públicas. Tinha trinta anos quando conseguiu publicar seu livro de estréia, O Misterioso Caso de Styles.
Agatha Christie criou dois tipos inesquecíveis: o detetive belga Hercule Poirot, com suas prodigiosas “celulazinhas cinzentas no cérebro”, e Miss Marple, uma solteirona simpática, observadora sagaz e tão cerebral quanto o detetive belga. Antes de morrer cuidou também de preparar a morte de Miss Marple; e voltou à mansão Styles, cenário de seu primeiro livro, para encerrar a carreira de Poirot em Cai o pano.
Agatha Christie morreu de causas naturais, deixando inconsoláveis milhões de leitores fiéis, e uma fortuna calculada em 20 milhões de dólares.

Romances e contos
1920 - O Misterioso Caso de Styles
1922 - O Inimigo Secreto
1923 - Assassinato no Campo de Golfe
1924 - O Homem do Terno Marrom
1924 - Poirot Investiga
1925 - O Segredo de Chimneys
1926 - O Assassinato de Roger Ackroyd
1927 - Os Quatro Grandes
1928 - O Mistério do Trem Azul
1929 - Sócios no Crime
1929 - O Mistério dos Sete Relógios
1930 - Assassinato na Casa do Pastor
1930 - O Misterioso Sr. Quin
1930 - O Cadáver Atrás do Biombo
1931 - Um Furo Jornalístico
1931 - A Morte do Almirante
1931 - O Mistério de Sittaford
1932 - A Casa do Penhasco
1933 - O Cão da Morte
1933 - Treze à Mesa
1933 - Os Treze Enigmas
1934 - Assassinato no Expresso do Oriente
1934 - O Detetive Parker Pyne
1934 - O Mistério de Listerdale
1934 - Por que Não Pediram à Evans?
1935 - Tragédia em Três Atos
1935 - Morte nas Nuvens
1936 - Os Crimes ABC
1936 - Morte na Mesopotâmia
1936 - Cartas na Mesa
1937 - Assassinato no Beco
1937 - Morte no Nilo
1937 - Poirot Perde uma Cliente
1938 - Encontro com a Morte
1938 - O Natal de Poirot
1939 - O Caso dos Dez Negrinhos
1939 - É Fácil Matar
1939 - O Misterio da Regata e Outras Histórias
1940 - Cipreste Triste
1940 - Uma Dose Mortal
1941 - Morte na Praia
1941 - M ou N?
1942 - Um Corpo na Biblioteca
1942 - A Mão Misteriosa
1943 - Os Cinco Porquinhos
1944 - Hora Zero
1945 - Um Brinde de Cianureto
1945 - E no Final a Morte
1946 - A Mansão Hollow
1947 - Os Trabalhos de Hércules
1948 - Seguindo a Correnteza
1948 - Testemunha de Acusação
1949 - A Casa Torta
1950 - Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias
1950 - Convite para um Homicídio
1951 - Aventura em Bagdá
1952 - Um Passe de Mágica
1952 - A Morte da Sra. McGinty
1953 - Cem Gramas de Centeio
1953 - Depois do Funeral
1954 - Um Destino Ignorado
1955 - Morte na Rua Hickory
1956 - A Extravagância do Morto
1957 - A Testemunha Ocular do Crime
1958 - Punição para a Inocência
1959 - Um Gato Entre os Pombos
1960 - A Aventura do Pudim de Natal
1961 - O Cavalo Amarelo
1962 - A Maldição do Espelho
1963 - Os Relógios
1964 - Mistério no Caribe
1965 - O Caso do Hotel Bertram
1966 - A Terceira Moça
1967 - Noite Sem Fim
1968 - Um Pressentimento Funesto
1969 - A Noite das Bruxas
1970 - Passageiro para Frankfurt
1971 - Nêmesis
1971 - A Mina de Ouro
1972 - Memória de Elefante
1973 - Portal do Destino
1974 - Os Primeiros Casos de Poirot
1975 - Cai o Pano
1976 - Um Crime Adormecido
2008 - Poirot Sempre Espera e Outras Histórias
2008 - A Teia da Aranha

Teatro1930 - Black Coffee (Adaptada para o formato de romance por Charles Osborne, publicado em 1997.)
1931 - Chimneys (Adaptação para o teatro de seu romance The Secret of Chimneys, de 1925.)
1937 - Akhnaton (A ação se passa no Egito Antigo, na época do faraó Akhenaton ou Amenófis IV, sua esposa Nefertiti e seu sucessor, Tutancâmon. Publicada em 1973.)
193? - A Daughter’s a Daughter (Escrita no final da década. Adaptada em 1952 para o formato de romance, que foi publicado sob o pseudônimo de Mary Westmacott.)
1943 - O Caso dos Dez Negrinhos (Adaptação para o teatro de seu romance Ten Little Niggers/And Then There Were None, de 1939.)
1945 - Encontro com a Morte (Adaptação para o teatro de seu romance do mesmo nome, de 1938.)
1946 - Murder on the Nile/Hidden Horizon (Adaptação para o teatro de seu romance “Morte no Nilo”, de 1937.)
1951 - O Refúgio (Adaptação para o teatro de seu romance do mesmo nome, de 1947.)
1952 - A Ratoeira (Não se baseia em nenhuma outra obra anterior. Apresentada ininterruptamente desde 1952 em palcos londrinos.)
1953 - Testemunha da Acusação (Baseada no conto constante do volume Witness for the Prosecution and Other Stories, de 1948.)
1954 - Spider’s Web (Não se baseia em nenhuma obra anterior. Adaptada para o formato de romance por Charles Osborne, publicado em 2000.)
1956 - A Hora H (Adaptação para o teatro de seu romance Towards Zero, de 1944. Escrita com Gerald Verner.)
1958 - Veredito (não se baseia em nenhuma outra obra anterior)
1958 - Um Hóspede Inesperado (Adaptada para o formato de romance por Charles Osborne, publicado em 1999.)
1960 - Retorno ao Assassinato
1962 - Rule of Three (Três peças de um ato cada: Afternoon at the Seaside, The Rats e The Patient.)
1972 - Fiddler’s Three (Originalmente escrita com o título de Fiddler’s Five, não chegou a ser publicada.)

Material não publicadoNeve no Deserto (novela romântica)
O Pateta de Greenshore (romance policial, com Hercule Poirot, expandido para a novela “A Extravagância do Morto”)
Chamada Pessoal (novela de rádio em tom sobrenatural, introduzindo o Inspetor Narracott - o “British National Sound Archive” (Arquivo Sonoro Britânico) dispõe de uma gravação)
Manteiga num Prato de Alta Posição (novela de rádio de suspense policial, adaptado de The Woman and the Kenite)
O Portão Verde (sobrenatural)
A Noiva de Guerra (novela romântica/sobrenatural)
O Caso da Bola do Cão (conto, com Poirot, expandido para o romance Dumb Witness e relacionado com o conto: “Como Cresce o Teu Jardim?”)
A Mulher e o Kenite (horror)
Mais Forte que a Morte (sobrenatural)
Sendo Voluntário Demais (novela romântica)
A Última Sessão de Espiritismo (peça de teatro)
Alguém à Janela (peça de teatro policial, adaptada do conto The Dead Harlequin)

Adaptações para o cinema
A obra de Agatha Christie foi sempre bem-vinda ao cinema. Ao longo dos últimos 78 anos, Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, Mr. Quin, Parker Pyne, e muitos outros personagens têm sido retratados em inúmeras ocasiões:
1928 - Die Abenteuer G.m.b.H. (“O Adversário Secreto”)
1928 - The Passing of Sr. Quinn
1931 - Alibi
1931 - Café Preto
1934 - A Morte do Senhor Edgware
1937 - Amor de um Estrangeiro
1945 - Os Dez Negrinhos
1947 - Love from a Stranger1957 - Witness for the Prosecution
1960 - The Spider’s Web
1962 - Crime, Disse Ela (Baseado em 4.50 from Paddington)
1963 - Murder at the Gallop (Baseado em “Depois do Funeral”)
1964 - Murder Most Foul (Baseado em Mrs. McGinty’s Dead)
1964 - Ahoy, Assassinio! (Um filme original não baseado em nenhum dos livros, embora utilize alguns elementos do livro “Um Passe de Mágica”)
1966 - 10 Pequenos Indianos
1966 - Os Assassinios do Alfabeto (Baseado em “Os Crimes ABC”)
1972 - Noite Infinita
1974 - Crime no Expresso do Oriente
1975 - O Caso dos Dez Negrinhos
1978 - Morte no Nilo
1980 - Espelho Quebrado
1982 - Morte ao Sol
1984 - Ordeal by Innocence1988 - Um Encontro com a Morte
1989 - O Caso dos Dez Negrinhos



Fonte: Wikipédia
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A Surpresa Geral - por Adir Vieira

Aparentemente ele chegou como menino de igreja – serviçal e solícito ao extremo – absolutamente preocupado em atender com a maior presteza aos condôminos do prédio.
Aos poucos foi ganhando a confiança geral e, exercitando sua habitual esperteza, foi se beneficiando de agrados e favorecimentos de grande parte dos habitantes do local.
Sua rotina diária, prescrita pelo síndico, não lhe dava tempo para folgas, pois entre suas tarefas fixas estavam a entrega dos jornais nos apartamentos, a limpeza dos corredores e escadas, a lavagem dos banheiros, o armazenamento do lixo geral e sua retirada para a área de evacuação, além da varrição do pátio e garagens.Não sabemos como, apesar dessa rotina pesada, permanecia fixo, durante quase todo o expediente, no quartinho dos empregados. Via-se que cultivara com muita rapidez a amizade de várias faxineiras que o visitavam em rodízio, ao longo do dia. Tal local situava-se de forma discreta, numa área um pouco retirada, de forma que só alguém bastante curioso e atento iria dar atenção ao fato.
No entanto, um casal de idosos aposentados que fazia de sua varanda sua sala de estar, tamanha a frequência com que o fato se dava, começou a reparar as entradas e saídas das empregadas domésticas no tal quartinho.Umas traziam lanches embrulhados, outras verdadeiros almoços em marmitas, bem como refrigerantes em litro e outras, ainda, camisas nos cabides, passadas com o maior esmero.
Sem chamar a atenção do síndico e de outros empregados, o casal passou a fiscalizar, com insistência, os serviços do tal faxineiro e, de pronto, constatando que deixavam muito a desejar, iniciaram um exército de reclamações em cima do síndico que não lhes deu ouvidos, achando-os por demais exigentes.
Sem as ações positivas esperadas, reuniram-se com um grupo de moradores respeitados e usaram dos livros de reclamações da administração, o que gerou uma assembléia extraordinária onde o grupo conhecedor da questão convocou também os patrões das empregadas domésticas envolvidas.
Posteriormente, os patrões, mediante o que ouviram na assembléia, verificaram armários e despensa de suas casas, constatando grande baixa nos estoques e ao confrontarem contas de energia elétrica comprovaram a elevação dos valores.
Decidiram, quase por unanimidade, dispensar suas empregadas, alegando crise financeira, desemprego etc.
Questionado quanto ao empregado relapso, o síndico não aceitou fazer o mesmo, dizendo que as visitantes eram de maior idade e se ali permaneciam não era culpa do empregado do prédio.
Às indagações de serviço mal feito e vadiagem, respondeu que não eram motivos para demissão.
No entanto, foi grande a devastação e, surpreendentemente, no dia seguinte à reunião, o silêncio era geral no prédio e mesmo quem não compareceu à Assembléia cochichava pelos corredores que algo de muito sério teria acontecido.
Foi aí que ficamos sabendo de um telefonema da Administradora informando sobre o pedido de demissão do faxineiro. Contaram que ele, antes de sair no dia anterior, fez questão de divulgar que era o agenciador do síndico que usava o dinheiro do condomínio, emprestando-o a juros às empregadas e a outras pessoas.
Cada vez mais me convenço de que gente boa e honesta hoje em dia é como agulha em palheiro. Muito difícil de encontrar!



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Analogias - por Alba Vieira

Para bom observador, tudo são analogias, similaridades...
Depois da perda, o dia seguinte é como o sol que nasce e estala de tão quente, após a chuva pesada.
O tempo de chuvas foi triste, sombrio, porém deu fluxo à vida, limpou as folhas velhas das árvores, arrasou, destruiu muitas coisas que já não tinham mais razão de ser. Esfriou, fez os corpos gélidos, contraídos em dor.
E agora, o sol que chega outra vez, traz vida nova aos corações e, da mesma forma que seca as gotas de chuva nas folhas mais vivas, resistentes que sobraram nas copas das árvores, enxuga as lágrimas das faces que, após os soluços de dor, ganham novo brilho e luz para esperar um novo dia.
Tudo na existência é manifestação da perfeição.
Os símbolos nos auxiliam a compreender onde se encontra o belo.



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Caetano Veloso e a Individualidade - Citado por Clarice A.

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Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.
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Franz Kafka, Sem Retorno - Citado por Penélope Charmosa

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De certo ponto em diante, não há retorno possível. E é nesse ponto que é preciso chegar.
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Poços de Caldas - por Theodiano Bastos

Poços de Caldas está localizada ao sul de Minas Gerais, bem próximo da divisa entre São Paulo e Minas Gerais. O município está a 1.186m de altitude, na Serra da Mantiqueira e fica dentro de uma cratera de um vulcão adormecido há milhões de anos, informam os geólogos que levaram equipamentos modernos e atestaram: “O vulcão está extinto”... A cidade possui mais de 155 mil habitantes e cerca de 70 milhões de metros quadrados de áreas verdes, além de reservas da Serra de São Domingos.
Poços de Caldas, ou Poços, como carinhosamente chamam seus simpáticos e acolhedores habitantes, conta com uma série de pontos turísticos de grande beleza natural, entre os quais destacamos o Recanto Japonês, o Cristo Redentor, que só perde para o do Rio em tamanho, Fonte dos Amores, o teleférico, Relógio Floral, Thermas Antônio Carlos, Basílica N. S. da Saúde e as lindas majestosas praças e parques com expressiva qualidade ambiental e paisagística e um povo hospitaleiro. Poços tem uma grande rede de bons hotéis, destacando-se o majestoso Palace Hotel e o Hotel Minas Gerais, no qual nos hospedamos por três dias. A cidade é muito frequentada pelos paulistas, principalmente os que vêm de Campinas e lotam os hotéis de quinta a domingo e na alta temporada.
Poços faz parte do Circuito das Águas e no passado a cidade era procurada por pessoas doentes por suas águas sulfurosas. O tratamento era de 21 dias para diversas enfermidades. Chama a atenção dos que visitam a cidade o moderno monotrilho, cujos pilares margeiam o rio que corta a cidade, talvez o único do Brasil, desativado há mais de cinco anos, e que foi construído por uma empresa local para ligar o moderno Terminal de Linhas Urbanas ao Terminal Turístico e Rodoviário; dois modernos e lindos vagões estão abandonados no Terminal de Linhas Urbanas. Conversamos a respeito com a primeira dama do município, Sra. Marlene, com o assessor do prefeito, José Paulo e por e-mail apelamos ao prefeito Paulo César Silva para que encontrem meios para reativar o monotrilho, porquanto será mais um importante atrativo turístico para a cidade.



Theodiano Bastos é escritor, autor dos livros:
O Triunfo das Idéias, A Procura do Destino e coletâneas, e é fundador e presidente

Provérbio - Enviado por Therezinha

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A posse é a sepultura do desejo.
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domingo, 3 de maio de 2009

Troque suas Amizades por um Mp3 - por Bruno D’Almeida

O formato mp3 revolucionou a indústria fonográfica, por compactar arquivos e possibilitar sua reprodução em dispositivos portáteis, e também criou uma legião de pessoas com um fone nos ouvidos. Os agora jurássicos gravadores e tocadores de discos a laser eram uma prévia de que uma pessoa pode ouvir música enquanto estuda, trabalha, dorme, acorda, escova os dentes, namora, pensa, não pensa ou faz qualquer outra atividade. Somos agora um bando de pessoas conectadas com suas predileções musicais e desconectadas com as outras pessoas do mundo.

O mais bacana disso tudo é poder ouvir as músicas que quiser. Posso carregar toda obra do The Beatles no bolso. Isso é muito legal. Não tenho saudades daquelas fitas-cassete que desmagnetizavam e se partiam sem meu consentimento, estragando um presente que recebi com recomendações do tipo “coletânea de músicas românticas”. Não tenho saudades dos discos de vinil que empenavam e arranhavam. Eu ficava ouvindo Renato Russo repetindo “temos todo, temos todo, temos todo” até empurrar a agulha e completar a frase “tempo do mundo”. Nada de saudosismo.

O xis da questão é o individualismo que essa onda provoca. Temos a oportunidade de coexistir sem conviver com as pessoas. Eu não preciso saudar as pessoas ao entrar no elevador ou sair de casa, basta virar o rosto e acompanhar Roberto Carlos expressar sua rebeldia comedida e planejada em “se você pretende saber quem eu sou, eu posso lhe dizer”.

Posso fingir que presto atenção no teorema de Pitágoras durante uma aula, com meus fones escondidos por uma jaqueta ou outro agasalho. O trabalho vira um módulo individual espacial, onde posso balançar a cabeça no vazio hermético da minha sala, sem precisar sequer cumprimentar meu colega. Se alguém quiser balbuciar duas palavras já acho que se trata de um tagarela em potencial. Estou até pensando em colocar uma plaquinha ao meu lado com os dizeres “cuidado, não dê comida aos animais”.

Vamos então lançar a campanha “Troque suas amizades por um mp3”. Temos várias frases de efeito altamente persuasivas: Não perca tempo com pessoas tão descartáveis e desimportantes na sua vida. Torne-se uma pessoa arredia, adote um comportamento estranho e anti-social. Pare de contemplar a beleza das coisas. Não faça amigos, você já tem toda companhia e ideologia de que precisa guardadas no seu tocador. Só fale com alguém depois de vários gritos de atenção ou quando alguém ficar sinalizando feito um palhaço na sua frente (não subentendam aqui nenhuma ofensa aos profissionais que trabalham no circo).

Eu que gosto tanto de falar, trocar idéias, fazer amizades, jogar conversa fora, namorar, viver e sei lá o quê, agora me vejo trancado no mundo da própria existência. Queria até pensar um pouco mais sobre isso e mudar minha vida, mas agora não dá. Não porque eu tenha vontade, isso até que não me falta, o problema é que estou aqui no trabalho ouvindo música e meu chefe está estourando suas cordas vocais de tanto me chamar. Tiro os fones do ouvido e ouço ser chamado de surdo, relapso, vagabundo e irresponsável. Já viram, vou ter que me explicar.



Visitem Bruno D’Almeida
Legião Urbana.

As Nossas Palavras VIII - por Alba Vieira

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Não altere seu comportamento genuíno para contentar aos outros, cada um deve estar em paz consigo, ser leal apenas a si mesmo.



Visitem Alba Vieira
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A Ginástica das Velhinhas - por Adir Vieira

Faço parte de um grupo de velhotas na faixa de 55/65 anos que, para seguirem a moda e cumprirem o que os clínicos receitam, tiram quase metade do seu dia na maratona em prol da saúde.
Para começar, ao acordar, após os primeiros cuidados com a higiene, troco as roupas de dormir pelo uniforme de ginástica e após o café magro – para justificar a minha necessidade de emagrecer – caminho até a praça principal e lá me encontro com as quinze colegas, ensaiando exercícios já ministrados pelo instrutor da associação de bairro em dias anteriores.
Afinal, se é para seguir a moda, todas temos que, a exemplo do que ocorria em nossa juventude, exibir nossa melhor performance na concorrência umas com as outras.
Quando a aula se inicia, já quase metade do grupo mostra-se cansada, com a alma saindo pela boca, deixando de lado, forçosamente, a capacidade de fazer um bom papel para o instrutor.
Começo a reparar que, de umas semanas para cá, o uniforme composto de calça comprida azul-marinho e camiseta branca de meia manga, com o logotipo da associação estampado na frente, apresenta-se agora adornado, segundo sua dona, de uma forma diferente. Umas exibem faixas coloridas na cintura, outras o enfeitam com grandes colares de penas, sem contar ainda com as várias pulseiras plásticas que, em cada braço, lançam no ar música compassada ao ritmo dos movimentos pelas batidas dos pés e mãos.
As calças compridas, agora, assumiram comprimentos diferenciados, a fim de mostrarem parte das pernas mais definidas pelo bom resultado dos exercícios.
As blusas, antes tão idênticas no grupo, mesclam-se com camisetas cavadas e tops listrados numa tentativa de diminuírem anos de vida, se possível fosse.
Todas nós, no entanto, beneficiadas com o aquecimento, ao final de cada aula, extrapolamos na medida exata dos sorrisos abertos, das palestras sobre qualquer assunto, enfim, da alegria inconfundível de estarmos vivas.
E timidamente eu me pergunto – resistiremos até quando?



Visitem Adir Vieira
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Revivência - por Alba Vieira

Chão de paralelepípedos unidos por grama verdinha no pátio do lugar onde trabalho. Mangas maduras caídas, manchando o chão meio coberto de folhas secas, deixando no ar o odor adocicado da infância, quando existia um quintal com a copa da frondosa árvore, a mangueira da casa do vizinho, debruçada para além do muro.
Imediatamente estou outra vez lá. Experimento a segurança e o conforto do cheiro de manga pisada, caída do pé, ao mesmo tempo em que o corpo adulto se arrepia de medo, enquanto a menina sente nos cabelos e no rosto, a mesma ventania que sacudiu os ramos da árvore e abalou uma tarde calma de fim de primavera.
Foi assim que transpus, no mesmo instante, a ponte para o passado, expressada pelo conjunto de lembranças impregnadas de emoção e ancoradas nas impressões dos sentidos.
A partir de então, por todo o dia eu estaria habitada por recordações do tempo de menina naquele quintal e repassaria todos os acontecimentos que me viessem à mente, agora com a perspectiva da mulher, domando as emoções ainda deslocadas, podendo compreender e reescrever essa parte da história da minha vida.



Visitem Alba Vieira
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Para Alba - por Escrevinhadora

Prezada Alba
nunca trocamos uma palavra sequer
mas por causa de um pronome “qualquer”
criou-se o mal-entendido.

Eu não queria ter ofendido
nem a você nem a ninguém
não é esse o meu feitio.

Minha batalha neste blog
é apenas de brincadeira
gosto de mexer com a Ana
de provocar a guerreira
porque ela aceita o desafio
e com seu talento literário
sempre responde a contento.

Tenho outro argumento
quem for lá no dicionário
vai ver que qualquer quer dizer
pessoa indeterminada
portanto não é xingamento
não serve para ofender.

Feito o esclarecimento
pelo desculpas sinceras
não pretendi ser grossseira
e pra não dizer mais besteira
de agora em diante garanto
ficarei quieta no meu canto.



Resposta a comentários em “De Novo para Ana”, de Escrevinhadora.
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Pensamento Anônimo - Enviado por Therezinha

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Assim como a ostra, na profundeza dos mares, recobre o grão que a importuna e fere e o transforma em jóia, o homem construirá, sobre a experiência de seus erros, um mundo melhor.
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sábado, 2 de maio de 2009

Duelando Manchetes V: Violência Contra Idosos

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VIOLÊNCIA É A SEGUNDA MAIOR CAUSA DE INTERNAÇÕES DE IDOSOS NO SUS


Dados do Ministério da Saúde apontam que as violências e os acidentes são responsáveis por 3,5% das mortes de idosos. No Brasil, 93 mil idosos são internados a cada ano no SUS (Sistema Único de Saúde), em consequência de quedas (53%), violência e agressões (27%) e acidentes de trânsito (20%).
Pesquisa realizada pela UCB (Universidade Católica de Brasília) indica que 12% dos 18 milhões de idosos brasileiros já sofreram maus-tratos e que 54% das agressões são causadas pelos próprios filhos. Para monitorar esse quadro, o Ministério da Saúde está desenvolvendo um sistema de vigilância de violência contra o idoso.
De acordo com o coordenador de Saúde do Idoso do ministério, José Luís Telles, o sistema vai permitir notificar e qualificar o tipo de agressão sofrida pelo idoso.
“Se um indivíduo entra na emergência, vítima de violência, no processo de registro do caso será possível saber quem foi o autor da agressão, qual foi o grau de dano causado, enfim, dados sobre o perfil desse autor, que hoje nós não temos, só temos pesquisas locais que dão uma dimensão de quem são os agressores, mas essa dimensão está longe de ser real.”
Para o coordenador, o número de idosos que entram no SUS por maus-tratos é “muito subestimado”. “Muitos desses maus-tratos não chegam ao hospital, não chegam sequer ao serviço de saúde, então não são registrados por agressões ou maus-tratos. As situações de violências são muito maiores do que as que nós vemos nos serviços de saúde.”
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Leia mais
O que acontece quando são os filhos que passam a cuidar dos pais?
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Fonte: Folha Online, 11/06/08
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Duelando Manchetes V: Violência Contra Idosos - por Alba Vieira

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DA DIFICULDADE DE ENXERGAR O MAL


Vivemos num mundo de polaridades. Mas, porque é tão difícil para alguns de nós enxergar a escuridão? É necessário estar aberto para a possibilidade do mal, para poder lidar com ele e proteger suas vítimas que não se restringem aos que sofrem, incluindo também o agressor. É rotina nos pronto-socorros, lesões em crianças e idosos, decorrentes de violência ou negligência por parte de pais, familiares e cuidadores.
Crianças e idosos sofrem agressões e lesões decorrentes da falta de proteção por parte de seus responsáveis. Desatenção, esquecimentos, verdadeiras ciladas e armadilhas representadas por situações e utensílios e móveis existentes na própria residência ou fora dela, custam muito caro para quem em determinada época da vida precisa de proteção.
E cabe aos profissionais de saúde buscarem informação, quando na sua vivência não encontram experiências desse tipo para ajudarem no diagnóstico. Há quem se comporte como se vivesse na ilha da fantasia e deixa passar, atribuindo ao acaso ou acidente, lesões corporais em crianças e idosos por violência explícita ou abuso sexual, por não terem tido contato no meio em que foram criados, com estas práticas abomináveis. Precisamos admitir que como humanos (irrc!), todos nós e qualquer um de nós é capaz de qualquer coisa, desde que haja condições propícias.
Admitindo que a maldade faz parte de nós, estaremos nos protegendo mutuamente: vítimas e agressores.
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Visitem Alba Vieira
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Atitude - As Nossas Histórias X

A vida é o que fazemos dela. O resultado de nossa equação: do que adicionamos, subtraímos, multiplicamos e dividimos.
Nós somos o que a vida faz de nós. Nós somos sua equação: ela adiciona, subtrai, multiplica e divide, quando não tomamos as atitudes que deveríamos para sermos fiéis a nós mesmos.
Aprender a dizer sim ou não, que é tarefa difícil e requer determinação, é o que faz a diferença.
A vida é o que fazemos dela ou somos o que ela faz de nós? Acho que é faca de dois gumes, é estrada de duas mãos, por vezes somos levados, às vezes temos opção...
Mas, em ambos os casos, temos responsabilidade sobre nossas escolhas e atitudes. E as nossas escolhas ou atitudes interferem na vida dos outros, e o que a vida faz de nós não é nada mais do que o que os outros fazem, que em nós interfere. A vida nos conecta uns aos outros, visto que não vivemos sozinhos (com maior ou menor número de conexões), e é em função de nossas relações, escolhidas ou não por nós (porque é assim que a vida é), que vivenciaremos tudo que a nós pertence, a raça humana.
E se é estrada de dois sentidos, só nos resta, a cada momento, escolher se iremos pra cá ou pra lá, visto que isto é o que menos importa. Se constatamos que a direção foi errada, é só mudar. A mudança é a única certeza que teremos sempre, já que não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. E acabamos chegando ao mesmo ponto: a vida é o que fazemos dela.
Enfim, tudo é questão de atitude.



Texto criado por Alba Vieira, Clarice A., Ana, Lélia, Aaron Caronte Badiz e Gio.
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Sensações (Misturas e Cores) - por Alba Vieira

Misturar. Esta ideia me veio de súbito. Parte de um com parte do outro: coisa nova que surge. Comunhão. Talvez. Tão clara em mim esta sensação hoje.
Fazemos parte de um todo que depende de cada um de nós. A vibração do mundo que é formada pelas emanações de cada um de nós. A responsabilidade que há nisto, em cada ato nosso, em cada pensamento. Olhar para os outros com o amor e a consideração que devemos dispensar a nós mesmos. Gosto de misturas, do resultado das combinações em tudo. Mas mistura de partes que têm algo em comum, que podem compartilhar, que são abertas para permitir entrar no outro e serem invadidas, diferente de água e óleo.
Óleo me lembra tela que me traz tintas. Vejo a tela branca e as tintas coloridas que vão sendo colocadas no branco, que dançam levadas pelo pincel e se juntam às cores de outras e explodem em tons novos, multicoloridos. É vida nova despontando.
Os cheiros que se combinam, das peles que se tocam e se modificam pela delícia do contato, exalando perfumes que se misturam e impressionam olfatos de novas formas tão particulares, com mudanças às vezes tão sutis, mas que marcam e tocam uma profundidade tão imensa e especial.
Meus sentidos se assanham com as cores e penso que assim é com todo mundo: primeiro os olhos, mas as coisas têm cheiro e gosto e textura também. Um prato cheio de cores é recebido pela língua de forma totalmente diversa da comida monocromática. Gosto de ter todas as cores que puder no mesmo prato e ir provando cada uma delas, sentindo a temperatura da cor, o gosto da comida, me sentindo arrepiar toda pelas cores ácidas ou picantes e me deixando amansar pelas cores doces. E sentir, ao mesmo tempo, mais de uma cor na mesma parte da língua é especial. É certeza de novo sabor, nova vida que se percebe, é mais uma parte de mim que se aguça.



Texto cujos título e início foram utilizados para Sensações - As Nossas Histórias IX.
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O Aniversário - por Adir Vieira

Não sei que menu escolher,
Decidir, listar e comprar,
Parte pronta,
Parte a fazer,
Mas em tudo me programar...
Tenho que rápida ser,
Pois a festa acontecerá
Em pouco menos de um mês
E não sei como começar...
Pensei fazer um almoço,
Troquei por um lanche frugal,
Mas não quis dar pinta de pobre
E um churrasco ao ar livre não é mal.
Organizei quantos convidados,
Local, apetrechos, mesinhas,
Barris de chope, refrescos
E para acompanhar, ninharias...
Ninharias de empadinhas,
Ninharias de legumes,
Farofa com ameixas secas
E maionese com presunto.
Não esqueci das batatas
Que fritas das latas despencam
Sempre onde haja crianças
Ou qualquer tipo de gente.
Encomendei salsichas várias
De frango, peru e porco,
Os galetos temperados
Levam alho, sal, pimenta e no espeto
Parecem estar tão prontos.
O pão com alho na brasa,
Refrigerantes de cola,
Mas o bolo do parabéns
Não pode faltar na base.
As bolas de cores diversas,
Por si só já fazem festa
E se um petiz as estoura,
O ruído se dispersa.
Já que por trinta ou mais decidi,
O local será o play.
A mesa grande ornarei
Com bandejas, copos e flores...
Vou colocar na entrada,
Na faixa de boas-vindas:
“Feliz aniversário, amor,
quem deseja é sua rainha!”



Visitem Adir Vieira
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Desassossegado - por Ana

Meu coração está triste,
Batendo bem devagar,
Quietinho, tão cansado,
Falta pouco pra parar.

Tudo começou assim,
Com uma agonia danada,
Tremendo desassossego...
O motivo? Era nada...

Nada me acontecera,
Nenhuma desilusão,
Nada de problema novo
No meu velho coração.

Mas fui desassossegando
Cada vez mais e demais.
Minha vida só suspiros,
Lamentos, dores e ais.

Os olhos fitando o nada,
O corpo sem se mover.
Uma depressão terrível!
Tinha nada o que querer.

Olhava a casa, as pessoas,
A TV, fotos, paisagens,
Mas tudo era esquisito...
Eu via como miragens.

Pois é, fui parando aos poucos
Até ficar só deitado
Sem lembranças, pensamentos,
Sem futuro, sem passado.

Até que um dia entendi
O que me acontecia:
Olhei para o lado e vi
A Morte, em nada sombria.

Ela me disse baixinho,
Num leve sopro de voz:
- “Venha comigo, querido,
Venha e junte-se a nós.

Acalme seu coração
Que anda tão abalado.
Vim te levar daqui,
Vamos para o outro lado.”

Deixei a vida devagar,
Ligeiramente assustado,
Mas onde estou nunca mais
Vivi desassossegado.



Inspirado em “Desassossegado”, de Marcello Amorim.
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Thomas Buckle e a Liberdade - Citado por Therezinha

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A liberdade é vermo-nos livres das coisas que nos aborrecem para sermos escravos das que nos agradam.
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