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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 2 de maio de 2009

Duelando Manchetes V: Violência Contra Idosos - por Alba Vieira

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DA DIFICULDADE DE ENXERGAR O MAL


Vivemos num mundo de polaridades. Mas, porque é tão difícil para alguns de nós enxergar a escuridão? É necessário estar aberto para a possibilidade do mal, para poder lidar com ele e proteger suas vítimas que não se restringem aos que sofrem, incluindo também o agressor. É rotina nos pronto-socorros, lesões em crianças e idosos, decorrentes de violência ou negligência por parte de pais, familiares e cuidadores.
Crianças e idosos sofrem agressões e lesões decorrentes da falta de proteção por parte de seus responsáveis. Desatenção, esquecimentos, verdadeiras ciladas e armadilhas representadas por situações e utensílios e móveis existentes na própria residência ou fora dela, custam muito caro para quem em determinada época da vida precisa de proteção.
E cabe aos profissionais de saúde buscarem informação, quando na sua vivência não encontram experiências desse tipo para ajudarem no diagnóstico. Há quem se comporte como se vivesse na ilha da fantasia e deixa passar, atribuindo ao acaso ou acidente, lesões corporais em crianças e idosos por violência explícita ou abuso sexual, por não terem tido contato no meio em que foram criados, com estas práticas abomináveis. Precisamos admitir que como humanos (irrc!), todos nós e qualquer um de nós é capaz de qualquer coisa, desde que haja condições propícias.
Admitindo que a maldade faz parte de nós, estaremos nos protegendo mutuamente: vítimas e agressores.
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Visitem Alba Vieira
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Atitude - As Nossas Histórias X

A vida é o que fazemos dela. O resultado de nossa equação: do que adicionamos, subtraímos, multiplicamos e dividimos.
Nós somos o que a vida faz de nós. Nós somos sua equação: ela adiciona, subtrai, multiplica e divide, quando não tomamos as atitudes que deveríamos para sermos fiéis a nós mesmos.
Aprender a dizer sim ou não, que é tarefa difícil e requer determinação, é o que faz a diferença.
A vida é o que fazemos dela ou somos o que ela faz de nós? Acho que é faca de dois gumes, é estrada de duas mãos, por vezes somos levados, às vezes temos opção...
Mas, em ambos os casos, temos responsabilidade sobre nossas escolhas e atitudes. E as nossas escolhas ou atitudes interferem na vida dos outros, e o que a vida faz de nós não é nada mais do que o que os outros fazem, que em nós interfere. A vida nos conecta uns aos outros, visto que não vivemos sozinhos (com maior ou menor número de conexões), e é em função de nossas relações, escolhidas ou não por nós (porque é assim que a vida é), que vivenciaremos tudo que a nós pertence, a raça humana.
E se é estrada de dois sentidos, só nos resta, a cada momento, escolher se iremos pra cá ou pra lá, visto que isto é o que menos importa. Se constatamos que a direção foi errada, é só mudar. A mudança é a única certeza que teremos sempre, já que não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. E acabamos chegando ao mesmo ponto: a vida é o que fazemos dela.
Enfim, tudo é questão de atitude.



Texto criado por Alba Vieira, Clarice A., Ana, Lélia, Aaron Caronte Badiz e Gio.
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Sensações (Misturas e Cores) - por Alba Vieira

Misturar. Esta ideia me veio de súbito. Parte de um com parte do outro: coisa nova que surge. Comunhão. Talvez. Tão clara em mim esta sensação hoje.
Fazemos parte de um todo que depende de cada um de nós. A vibração do mundo que é formada pelas emanações de cada um de nós. A responsabilidade que há nisto, em cada ato nosso, em cada pensamento. Olhar para os outros com o amor e a consideração que devemos dispensar a nós mesmos. Gosto de misturas, do resultado das combinações em tudo. Mas mistura de partes que têm algo em comum, que podem compartilhar, que são abertas para permitir entrar no outro e serem invadidas, diferente de água e óleo.
Óleo me lembra tela que me traz tintas. Vejo a tela branca e as tintas coloridas que vão sendo colocadas no branco, que dançam levadas pelo pincel e se juntam às cores de outras e explodem em tons novos, multicoloridos. É vida nova despontando.
Os cheiros que se combinam, das peles que se tocam e se modificam pela delícia do contato, exalando perfumes que se misturam e impressionam olfatos de novas formas tão particulares, com mudanças às vezes tão sutis, mas que marcam e tocam uma profundidade tão imensa e especial.
Meus sentidos se assanham com as cores e penso que assim é com todo mundo: primeiro os olhos, mas as coisas têm cheiro e gosto e textura também. Um prato cheio de cores é recebido pela língua de forma totalmente diversa da comida monocromática. Gosto de ter todas as cores que puder no mesmo prato e ir provando cada uma delas, sentindo a temperatura da cor, o gosto da comida, me sentindo arrepiar toda pelas cores ácidas ou picantes e me deixando amansar pelas cores doces. E sentir, ao mesmo tempo, mais de uma cor na mesma parte da língua é especial. É certeza de novo sabor, nova vida que se percebe, é mais uma parte de mim que se aguça.



Texto cujos título e início foram utilizados para Sensações - As Nossas Histórias IX.
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O Aniversário - por Adir Vieira

Não sei que menu escolher,
Decidir, listar e comprar,
Parte pronta,
Parte a fazer,
Mas em tudo me programar...
Tenho que rápida ser,
Pois a festa acontecerá
Em pouco menos de um mês
E não sei como começar...
Pensei fazer um almoço,
Troquei por um lanche frugal,
Mas não quis dar pinta de pobre
E um churrasco ao ar livre não é mal.
Organizei quantos convidados,
Local, apetrechos, mesinhas,
Barris de chope, refrescos
E para acompanhar, ninharias...
Ninharias de empadinhas,
Ninharias de legumes,
Farofa com ameixas secas
E maionese com presunto.
Não esqueci das batatas
Que fritas das latas despencam
Sempre onde haja crianças
Ou qualquer tipo de gente.
Encomendei salsichas várias
De frango, peru e porco,
Os galetos temperados
Levam alho, sal, pimenta e no espeto
Parecem estar tão prontos.
O pão com alho na brasa,
Refrigerantes de cola,
Mas o bolo do parabéns
Não pode faltar na base.
As bolas de cores diversas,
Por si só já fazem festa
E se um petiz as estoura,
O ruído se dispersa.
Já que por trinta ou mais decidi,
O local será o play.
A mesa grande ornarei
Com bandejas, copos e flores...
Vou colocar na entrada,
Na faixa de boas-vindas:
“Feliz aniversário, amor,
quem deseja é sua rainha!”



Visitem Adir Vieira
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Desassossegado - por Ana

Meu coração está triste,
Batendo bem devagar,
Quietinho, tão cansado,
Falta pouco pra parar.

Tudo começou assim,
Com uma agonia danada,
Tremendo desassossego...
O motivo? Era nada...

Nada me acontecera,
Nenhuma desilusão,
Nada de problema novo
No meu velho coração.

Mas fui desassossegando
Cada vez mais e demais.
Minha vida só suspiros,
Lamentos, dores e ais.

Os olhos fitando o nada,
O corpo sem se mover.
Uma depressão terrível!
Tinha nada o que querer.

Olhava a casa, as pessoas,
A TV, fotos, paisagens,
Mas tudo era esquisito...
Eu via como miragens.

Pois é, fui parando aos poucos
Até ficar só deitado
Sem lembranças, pensamentos,
Sem futuro, sem passado.

Até que um dia entendi
O que me acontecia:
Olhei para o lado e vi
A Morte, em nada sombria.

Ela me disse baixinho,
Num leve sopro de voz:
- “Venha comigo, querido,
Venha e junte-se a nós.

Acalme seu coração
Que anda tão abalado.
Vim te levar daqui,
Vamos para o outro lado.”

Deixei a vida devagar,
Ligeiramente assustado,
Mas onde estou nunca mais
Vivi desassossegado.



Inspirado em “Desassossegado”, de Marcello Amorim.
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Thomas Buckle e a Liberdade - Citado por Therezinha

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A liberdade é vermo-nos livres das coisas que nos aborrecem para sermos escravos das que nos agradam.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Nossas Músicas

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Conforme adiantei no comentário deixado em “Nossos Recados” quando do encerramento da enquete referente à postagem de músicas no Duelos, foi realizada análise estatística aprofundada a fim de definir a frequência ideal de postagem de músicas, com base no resultado da votação.
Terminados os estudos avançados, informo que os cálculos definiram a frequência semanal como sendo a que melhor atende ao desejo dos votantes.
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Portanto, a partir desta semana, às sextas-feiras, “Nossas Músicas” volta ao ar.
Quem quiser participar desta categoria, envie suas músicas preferidas para shintoni@terra.com.br.
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Abraços e agradecimentos a todos.
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Humberto Gessinger, “Às Vezes Nunca” - por Kbçapoeta

‘tô sempre escrevendo cartas que nunca vou mandar
pra amores secretos, revistas semanais e deputados federais
às vezes nunca sei se “AS VEZES” leva crase
às vezes nunca sei em que ponto acaba a frase (.,;?!...)
você sempre soube (eu não sabia)
toda frase acaba num riso de auto-ironia
você sempre soube (eu não sabia)
toda tarde acaba com melancolia
e, se eu escrevesse “SEM” com “S”, ou escrevesse “CEM” com “C”?
?por acaso faria alguma diferença?
?que diferença faria?
?o que você faria no meu lugar...
... se tivesse pr’aonde ir e não tivesse que esperar?
?o que você faria se estivesse no meu lugar...
... se tivesse que fugir e não pudesse escapar?
você sempre soube que eu não conseguiria
quando a frase acaba tarde, tudo fica pr’outro dia
você sempre soube, eu não sabia
toda tarde acaba em melancolia
às vezes não entendo minha própria letra
minha própria caneta me trai
às vezes não entendo o que você quer dizer quando fica calada
você sempre soube (eu não sabia)
quando a frase acaba o mundo silencia
às vezes não entendo onde você quer chegar quando fica parada
é como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
não vão chegar com “X” nem vão chegar com “CH”
é como ficar esperando horas que custam a passar
enquanto ficamos parados, andando pra lá e pra cá
é como ficar desesperado de tanto esperar
olhando pela janela até onde a vista alcançar
é como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
é como ficar relendo velhas cartas até a vista cansar
você sempre soube - eu não sabia
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Para tempos de acordo ortográfico
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O Autor de Abril

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MURILO ANDRADE
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Wordle: 1a Quinzena de Abril
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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As Nossas Palavras VIII - por Lélia

Querido, você é apenas um rapaz latino-americano, mas estar ao seu lado é um não contentar-me de contente. Para sempre te amarei e serei leal contigo, pois diante de você os outros são os outros.
Mas naquele karakoê você tentou inovar e imitou o comportamento geral, o que me causou muita estranheza. Por isso te digo: nunca mais altere o samba tanto assim, pois quando você faz estas coisas eu não consigo entender sua lógica.
Caetano Veloso, Belchior, Gonzaguinha, Renato Russo, Leoni, Paulinho da Viola, Legião Urbana

Traição: A Busca Equivocada pela Transcendência no Amor - por Alba Vieira

O que nos levaria, num nível mais profundo, a trair, mesmo nos relacionamentos em que há um amor inquestionável?
Porque mesmo em casamentos, com e sem aspas, em que há harmonia, complementariedade, paixão, amizade, companheirismo e outros ingredientes indicadores de profundidade em relacionamento amoroso, ainda assim, o fantasma da traição insiste em rondar?
Ainda que a traição não se concretize, é inegável que alguma vez já se fez presente nas fantasias, mesmo daquele parceiro mais convicto, que tem a certeza de ter encontrado a sua alma gêmea e estar feliz e realizado com ela.
A Astrologia nos explica que buscamos no outro aquilo que nos falta e a vivência de um relacionamento profundo, ao longo do tempo, irá preenchendo nossas lacunas com um aprendizado do outro, de forma que nos transformamos e o interesse só permanecerá se ambos evoluírem, permitindo que possamos sempre encontrar no outro, novas possibilidades de crescer e mudar. A estagnação de um faz o casal alcançar um equilíbrio pernicioso onde o desinteresse mútuo é solo fértil para a traição.
Não falo em motivações menores, nos jogos de sedução, no troca-troca ensejado pelo próprio aprendizado no mister do amor. Desejo sim entender as raízes da traição nos relacionamentos maduros e bem sucedidos. Nem me importo com as traições de fachada, em que na realidade nem relacionamento de fato há. Também não me ocupo aqui das traições fugazes, devidas ao ciúme, às vinganças, à afirmação de personalidade ou outras questões relacionadas à imaturidade. Ou ainda daqueles que, por natureza, precisam de mais de um objeto de amor.
A interrogação e o questionamento aparecem ao ter conhecimento na vida de outras pessoas ou experimentar, na própria vida, um sentimento que domina, que ultrapassa a razão, que clama e que faz tão bem, porque expressa mais que tudo o estar vivo, receptivo, ainda que venha associado ao enorme desconforto de estar magoando alguém tão próximo, tão querido, tão vital para nós, de quem não desejamos nos afastar, embora quase sempre resulte em separação, culminando numa culpa que sufoca e faz surgir baixa estima, exatamente quando experimentamos a felicidade de ceder à espontaneidade.
Como lidar com a liberdade da alma, o êxtase que tanto atrai e faz retornar um estado só experimentado na infância, quando ainda não estamos peritos em nos reprimir?
Tenho a certeza de que esta traição é uma condição arquetípica e, como tal, deve ser compreendida para nos redimir da culpa e sanar a dor de nossas “vítimas” que em outra oportunidade poderão ser os “algozes”.
O entendimento de que nesta vivência, a questão não é pessoal, retira todo o peso e reatividade. Temos que examinar a situação da mesma forma como numa regressão à vivência de uma vida passada, como meros observadores, mesmo que durante o processo de encarar os fatos possamos nos permitir a revivência para esvaziar a dor emocional. Aquele que trai, o faz por motivações próprias que mesmo estando também relacionadas ao parceiro, representam a tentativa de concretização dos anseios de sua alma.
Traímos porque é bom encontrar alguém que encarne o poder de nos tirar da razão (talvez pela sedução do proibido), de nos hipnotizar a ponto de nos largarmos, cedendo aos apelos de nossa alma. Quando traímos, não estamos menosprezando ou desrespeitando quem ainda amamos. Estamos sim, valorizando e dando vez a uma parte nossa que é vida, é ânsia, não se consegue reprimir. E quem o motiva, não é que seja sempre nem tão especial assim, exceto pela capacidade de despertar em nós a vontade de ir além, de transcender, de sermos levados por algo maior que nós, que não ouve nossa mente crítica e politicamente correta, mas somente deseja expressar todo o amor que tem e que em dado momento extravasa a relação primordial, acompanhando a expectativa do novo, do desconhecido, o salto do louco, prenúncio de felicidade. No fundo é só a expressão do amor num sentido mais amplo.
Não nos julguemos pois. Apenas compreendamos nossa força que nos pode permitir fraquezas como esta, ainda que, concretamente, sejam equivocadas.
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Visitem Alba Vieira
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Reflexão - por Passa-Tempo

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Esquecer o passado, às vezes, é o melhor remédio pra espantar os males.
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Memórias de um Seminarista (Parte III) - por Paulo Chinelate

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O ENXOVAL


Não consigo dormir. Já lá se vai a metade da madrugada. Abraçado ao travesseiro, totalmente coberto pelos edredons, frio intenso, a imagem do jantar, a conversa, as atenções todas dirigidas a mim. Tudo isso me excitou. Confesso ainda estar meio atordoado com toda a novidade. Mamãe deixou transparecer tristeza. Acho que são coisas de mãe mesmo porque papai era só alegria. Trocadas as necessárias informações papai desarrolhou uma velha garrafa de vinho do taberneiro Seu Tonico. Sopas servidas, devoradas. O homem, cruzes, o padre, foi-se embora.
Me lembro agora, é mesmo, tinha me esquecido: viajarei em janeiro. Estamos em final de outubro. Tempo bastante para o enxoval. Nossa, que significa isso? Amanhã cedo vou perguntar pra mamãe.
Não sei como dormi, sei o quanto: quase nadinha. Olhos ainda vermelhos fui, apesar do sono, o primeiro a chegar na cozinha. Mamãe como sempre já ligara o novo fogão a querosene. O cheiro do combustível entra ardoso em minhas narinas. Mamãe se surpreende comigo, sempre o recalcitrante ao se levantar da cama. Vem de lá em minha direção e larga um quente, não costumeiro, beijo em minha testa. Agora noto que não são só meus olhos que estão vermelhos. Os dela, além da cor de carmim, estão inchados. Acho que ela estava chorando, igual quando tinha suas enxaquecas. Me lembrei do seu olhar sizudo durante a conversa no final da noite. Acho que chorava já de saudades do filho mais velho que partiria em breve.
Serve meu café com o pãozinho que o padeiro, de madrugada ainda, deixou na janela.
Pergunto a ela o que era o tal enxoval. Responde-me que eram roupas e objetos necessários no novo colégio, seminário, que eu ia ingressar.
Fiquei calado, sem mais perguntas, só angústia. Roupas e demais objetos… Uniformes? Sapatos? O que mais seria? Puxa vida, logo agora que papai está praticamente sem trabalho! O que fazer?
Hora de ir para o Grupo Escolar.
Uai! Que está havendo? Fiz a inspeção da turma hoje e apesar de muitas unhas sujas e camisas amarrotadas não obtive nenhuma ameaça de me pegarem lá fora. Ao contrário, por onde passei os olhares eram de respeito. Até a minha professorinha peguei-a apontando-me à diretora e cochichando. Acho que já me consideram um cardeal.
Como é sexta-feira, vou passar depois da aula na casa da minha catequista. Vou pegar os jornais para vender na igreja, domingo, à saída da missa.
D.Ana é uma maternal tiazona. Solteira, dedica-se à nobre causa de ensinar religião. Dizem que é hábito antigo. Ela já tem uns sessenta anos. Meiga, mãos tremosas, mas sempre afáveis. Voz também tremeluzente, muito emotiva. Mais uma que demonstrou pungente alegria pela notícia sobre minha ida para o seminário. Mas, nem sei porque, confessei a ela minha preocupação com o tal enxoval. Talvez eu nem pudesse completar o intento de tal aventura.
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Paulo Coelho e o Inevitável - Citado por Therezinha

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Não há tragédia na vida, mas o inevitável. Tudo tem sua razão de ser, só precisamos distinguir o que é passageiro do que é definitivo. Passageiro é o inevitável, definitivo são as lições do inevitável.
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quinta-feira, 30 de abril de 2009

As Nossas Palavras VIII - por Lélia

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O comportamento dos outros nem sempre é leal, mas não altere seu modo de ser por isto: você deve se contentar, apenas, em estar bem consigo mesmo.
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Você - por Passa-Tempo

Você foi a inspiração para as minhas mais bonitas poesias de amor,
Você foi motivo de meu riso, e minha tristeza,
Foi a causa de minhas lágrimas,
Você foi meu nascimento em minha frieza,
Você foi meu desenvolvimento em um mundo sem cor,
Você foi meu tudo,
Meu azar e minha sorte,
Você foi a minha vida,
Você foi minha morte.
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Escrava Isaura e A Cabana do Pai Tomás - por Alba Vieira

A Cabana do Pai Tomás - Harriet Beecher Stowe
Escrava Isaura - Bernardo Guimarães



“Interessante romance de Bernardo Guimarães que aborda a questão da escravatura, já retratada em A Cabana do Pai Tomás, da escritora norte-americana Harriet Beecher Stowe.
A história é tocante para os corações compassivos. Para mim, a releitura dessa obra me trouxe de volta os devaneios da adolescência quando a li em capítulos ansiosamente aguardados todas as manhãs. Bons tempos...”
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.E você? Que livro gostaria de comentar aqui?
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Mistura - por Clarice A.

Hoje acordei inspirada, com vontade de fazer algo diferente. Como a cozinha é o meu xodó, foi para lá que fui. Lembrei-me daqueles pratos preparados por chefs famosos, enfeitadíssimos, indecifráveis para quem está acostumado ao bom e velho prato feito, e pensei: por que não? Eu uma boa cozinheira de trivial simples, decidida a inovar, dar um upgrade no meu currículo de rainha do lar, fazer aquele prato lindo, inesquecível, papa fina. Eles iriam ficar boquiabertos com a surpresa.
Decidi-me pelo peixe, mas o forte seria o molho. Misturar é a palavra chave.
Animadíssima, fui ao mercado comprar os ingredientes e o critério de escolha foi o nome exótico e as cores fortes ou suaves, mas combinando entre si.
Coloquei a melhor panela no fogo e não sei se me sentia uma alquimista ou uma poderosa bruxa e seu caldeirão, preparando algo fantástico. Nada de receitas, criação própria, minha chancela, tudo no olho, improviso total, confiando nos sentidos e na intuição. Nem provar para não estragar a surpresa.
Comida pronta e cheirosa, faltava cuidar da estética, que é parte importantíssima. Mais algumas misturinhas para enfeitar o prato. Modéstia à parte, ficou lindo!
Enfim a comida servida, eu na maior expectativa, eles incrédulos com a beleza e o odor do que lhes era servido. Eu me sentindo a rainha da cocada preta.
Às primeiras garfadas, o balde de água fria no arremedo de chef, a pergunta solta no ar: quem fez essa gororoba? Tá bonito mas ruim à beça. Respondi que não estavam acostumados, não sabiam reconhecer uma iguaria. Ato contínuo, provei a comida, e o pior: cheguei à mesma conclusão.
Restava o cachorro, este pelo menos não me decepcionaria. Ele, como fazem os cachorros, cheirou, cheirou e nem tocou na comida. Puxa! Nem o cachorro?
Pedimos uma pizza e o cachorro comeu a ração satisfeito da vida, dando-se ao luxo de comer o que gosta.
Passei o resto da noite ouvindo as gozações de praxe.
- Mãe, onde fez seu curso de gastronomia?
- Vai cozinhar bem assim lá na China.
É, na China pode ser. Não deve ser difícil estorricar lacraias e escorpiões num palito de churrasco. Resta saber como colocá-los no palito.
Até a próxima mistura que, jurei de pés juntos, não será na cozinha.
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Palavra - por Kbçapoeta

A palavra não é faca.
É navalha que não deixa fechar a cicatriz.
Palavra falada causa pranto,
E o mesmo jorra aos borbotões.
A palavra é branca,
Recebe diversas variações
O branco é como a palavra.
Pois o branco não é branco.
É a mistura de todas as cores.




Visitem Kbçapoeta
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Provérbio - Enviado por Therezinha

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Uma águia não caça moscas.
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