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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amor em Dose Dupla - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Queria te contar que estou muito feliz com sua vinda. Não sei se saberei te fazer entender o quanto já és importante em minha vida.
E eu que não tinha nada, apenas a esperança de que um dia você viria, de repente recebo a notícia, em um bar movimentado, que você ia chegar.
Sua mãe trouxe-me os seus sapatos - pés sempre foram sinônimos de segurança... sapatos então que protegem os pés me dizem que são a proteção, a segurança da segurança.
Junto com os sapatos havia um bilhete de três frases curtas, mas que soaram a meu ouvido como um coro de um canto gregoriano: Música, Imagem, magia, iluminação.
Poesia, amor, emoção.
Tudo isso passou por mim em instantes e me fez tão feliz que se eu não estivesse ali, no meio de um bar, teria gritado:
- Eu sou feliz!
Sua mãe estava radiante e seu pai com um ar de rei, como se me dissesse:
- Não te falei que ele viria?
E eu ali, no meio das mesas do bar, me senti rainha única e poderosa diante das minhas amigas...
Eu ali é que reinava, pois você estava vindo.
Sorri o sorriso dos vencedores.
Eu teria você em meus braços, poderia curtir o tempo que eu quisesse.
Iria cobrir você de beijos, e à noite falaria para você, só para você, no seu ouvido, sussurrando como foi o meu dia, até sobre a saudade que eu viesse a sentir de você.
Lembrei dos meus planos para quando você chegasse, assim como seu primo.
Iríamos passear, acampar, escalar sonhos, curtir locais novos, ver cores e o arco-íris e ir atrás do pote de ouro que existe no final de cada um deles.
Com certeza alguém terá ciúme do nosso amor, mas o que importa isso?
Não sou egoísta, posso até aceitar que me rotulem de ciumenta e carente, mas egoísta nunca!
Lógico que se você deixar de me ver, de me procurar, de me telefonar, de me visitar, morrerei aos poucos de ciúme, mas mesmo assim nunca deixarei de te amar.
Fico sonhando com a cor dos seus cabelos, com a cor dos seus olhos, com o seu jeito de ser.
Fico imaginando o seu sorriso como aquele riso cristalino que sem querer coloquei no meu celular. Acho mesmo que foi ele que te chamou para mim.
Acho que Deus ficou com pena da minha solidão, dos meus desejos e dos meus sonhos e os transformou em realidade.
Acho mesmo que Ele ficou com tanta dó que resolveu me dar em dose dupla o que eu tanto queria e assim eu não podia reclamar nem questionar e só teria que ter tempo para amar e não poderia dizer que estava me sentindo sozinha.
Você estava ali pronto para me receber, para me amar.
E eu ali, ansiosa, esperarei o tempo previsto para ouvir o seu primeiro choro. Acho mesmo que o primeiro choro será assim:
- Cadê a vovó Ana?
E depois o primeiro riso, a primeira gargalhada, aquela que trará de volta a alegria de um passado distante onde eu ouvi a gargalhada primeira de sua mãe.
Também poderei estar presente quando você for para a escola e na porta, se chorar, tentarei convencer sua mãe a deixá-lo voltar. Se não der certo, fico ali esperando por você para que você saiba que não está sozinho.
Estarei por perto quando as gengivas coçarem e incomodarem e te fizerem chorar - talvez um dos seus primeiros contatos com a dor.
E pelo método antigo, coçarei com a chupeta ou com brinquedos de borracha ou outro brinquedo macio.
Estarei também por perto quando o dentinho romper as gengivas e sair aquele pontinho branco que será a alegria de todos.
Estarei por perto quando você estiver crescendo, amando e sofrendo.
Terás meu colo para as dores das palmadas que porventura vieres a receber.
Terás meus braços para te ampararem quando iniciares os primeiros passos e tiveres medo de cair.
Terás meu colo para as febres infantis que quiserem te incomodar e te abater.
Terás meus braços para te receberem sempre que quiseres ir para a casa da VOVÓ - onde tudo pode.
Terás meus sonhos, meus olhos atentos ao menor sinal de tristeza tua e se preciso me transformarei em palhaço, mágico, ator ou dançarina e o que preciso for para trazer de volta ao teu rosto o teu sorriso maroto.
Terás meus ouvidos atentos a todas as tuas causas e que podem te fazer crer que sempre terás alguém disposto a te ouvir.
E terás, acima de tudo, essa avó coruja e que pretende ser, se possível, a avó que todos os netos sonham ter: aquela de colo macio e olhar terno, aquela que tem de sobra paciência e um colo acolchoado.
E, mais do que tudo isso, terás sempre em mim muito mais do que uma simples avó - terás uma eterna amiga!

Sua avó ANA.



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Fuga - por Bruno D’Almeida

Ao tilintar da hora marcada,
o dia nasce maquinal.
Cordas, cerdas e engrenagens
pregam o dia na parede.

Pastando pela pobre rua
pessoas pisavam nos passos;
colisões, contrições de passagens
do cidadão da cidade insentida.

Fui trair a cria no trabalho
medindo calado coisas e casos,
fazendo coisas que não gosto,
fingindo casos que não invento.

O fim da tarde foi meu fim.
Embriagado pelo breu da técnica
já não via, apenas oculava
já não vivia, apenas vegetava.

À noite, cansado, caído,
desabei implodido nos teus braços,
que como eu, clamavam
a fuga do dia maquinado.

Senti então, aliviado,
do fundo da pele cansada,
beijos e suspiros;
recompondo,
reerguendo na alma
a tímida certeza,
de que dentro do corpo,
ainda sou sangue,
ainda sou carne.



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Frota - por Kbçapoeta

Como podes ver
A frota está de partida
Não são piratas
Tão pouco Vikings
São mais que isso
Guerreiros das águas
Sua rede não é digital
Mas se ela cair
Não terá comida na mesa.



Inspirado em “Esperas”, de Raquel Aiuendi.
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Jorge Amado - por Ana

Jorge Amado... Li Jubiabá, Mar Morto (gostei), Capitães da Areia (gostei muito!), Terras do Sem-Fim (gostei), Seara Vermelha (gostei), Gabriela, Cravo e Canela, A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água (Gostei demais!), Teresa Batista Cansada de Guerra, Tocaia Grande.



Resposta a “Obras”, de Leo Santos.
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E você? Que autor você gostaria de comentar?
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Convite - por Poty

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Este vai ser um momento inusitado em minha vida...
Estarei como convidado e participante deste show com voz,
recitarei poesias e ainda mais: com uma música composta a partir de minha poesia!
Vai ser dezzzzz, vão lá!!!

ZARABATANA CAFÉ
CENTRO CULTURAL HENRIQUE ORDOVÁS FILHO
CAXIAS DO SUL
DIA 1° DE MAIO - 21 HORAS
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Amargarás o Teu Futuro Passado - por Vagner Heleno

nossa chibata falará mais alto que o grito de todos os povos
estes já ensurdecidos pelo próprio grito de pavor e segredo
nossos açoites serão tão largos como fendas na terra
nossa dor tão doída que nem a última gota cairá
a firme certeza que teremos é que a morte tardará a chegar

é pecado morrer, é proibido amar, falar, pensar, escrever, divagar
nossa miséria é fundida entre a fuligem de nossos ossos
e a memória irreacionária de nosso passado incrédulo
crêreis somente na vã filosofia do outono-inverno
crêreis somente que o futuro é premissa de melhora
afora discorro entre os becos, a fim de chorar
mas colho infortuito perigo, meu choro é inimigo
o estado não o quer!



Visitem Vagner Heleno.

Banho - por Vicenzo Raphaello

Era um dia nublado, pesado, destes que doem na alma. Inquieta, com nuvens ainda mais escuras dentro de mim, procurava resolver aquela aflição de forma racional. Impossível... Minha alma estava cinzenta, dolorida, o coração batia com dificuldade, como se quisesse parar diante de tanto esforço. Resolvi não pensar, sentar e me acalmar aos poucos. Fiquei quieta, olhos no nada, mente vazia, enquanto os olhos se inundavam de uma dor que eu jamais conhecera. As lágrimas escorriam pesadas, abundantes, mostrando-me um sentimento que havia em mim num lugar intocável, numa tristeza anônima. Sem soluços, sem desespero, sem compreensão, banhei-me naquela fonte repentina e, lavando-me em dor, clareei minha alma, libertei meu coração e perfumei meu dia. Ao levantar, era um outro alguém que se despedia de uma realidade interior absolutamente desconhecida e enigmática.

Esse meu lavar de dentro para fora me fizera compreender que a angústia tão profunda era que, na verdade, ficara ainda aquele gosto amargo da minha incompreensão do meu próprio eu.
Não há como fugir das nossas limitações a não ser racionalizando aquilo que não compreendemos e aí algum alívio dar ao coração.




Complemento a “Banho”, de Ana.
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Chegou o Neném! - por Alba Vieira

Trazido por sábia cegonha zen
Lá vem o bebê em meio
A uma revoada de borboletas multicoloridas.
Já vem sorrindo, balbuciando barulhinhos
Esticando braços e perninhas
Chegou em dia auspicioso,
Delicadamente encomendado pela família toda em festa:
Os corações extravasando amor
Compondo no astral nuvem rosada onde certamente
Ele se lançará para a vida
Com total confiança.
Seguro de ser amado, cuidado
E conduzido por um caminho florido e iluminado,
Observado por seus pais que nele renascem felizes.



Visitem Alba Vieira
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Esperas - por Raquel Aiuendi

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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As Nossas Palavras VI - por Alba Vieira

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Certas coisas que parecem impossíveis, podem ser conseguidas somente com resistência pacífica. A teimosia em buscar a paz é o último recurso para lidar com a violência.



Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras VI - por Lélia

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Podem ser consideradas impossíveis as coisas conseguidas através da minha teimosia pacífica, mas são possíveis e estão ao alcance de qualquer um, basta querer.
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Duelando Manchetes I: Aborto - por Kbçapoeta

Olá Clarice!
Respeito sua opinião.
Acho enriquecedor ponto de vista distinto, e o seu está bem alicerçado.
Por isso digo amiúde, o aborto não sendo mais crime, teremos liberdade de escolha. Ninguém em sã consciência quer uma banalização do aborto, e pelo contrário; nenhuma mulher queria passar por tal experiência.
Por isso o senhor presidente, Luiz Inácio Lula da Silva disse:
“Eu como cidadão cristão, sou contra o aborto. Mas o chefe de Estado tem que ser a favor por questões de saúde pública.”
Dessa forma quem for contra o aborto nunca irá fazer e quem achar que essa é a única alternativa, poderá fazer sem nenhum pecador jogar pedras, como queriam fazer com Madalena.
Agradeço pelo debate de alto nível.
Abração!



Resposta a “Duelando Manchetes I: Aborto”, de Clarice A..
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Duelando Manchetes I: Aborto - por Escrevinhadora

É isso, Kbçapoeta, ninguém vai obrigar uma mulher a fazer aborto. Mas para aquelas que por qualquer razão queiram ou necessitem fazer, deve existir a possibilidade de escolha. E os dogmas religiosos não devem ser os norteadores da decisão do Estado de legislar sobre a matéria, porque os dogmas religiosos só se aplicam aos praticantes de uma determinada religião, enquanto as leis atingem a todos os cidadãos independentemente de credo.



Resposta a “Duelando Manchetes I: Aborto”, de Kbçapoeta.
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Batman - por Ana

Não gostei mesmo!



Sinopse: Cineclick
Trailer: Youtube
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Resposta a Um Estranho no Ninho, de Luiz de Almeida Neto.
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E você? Que filme gostaria de comentar aqui?
Tim Burton

O Exterminador do Futuro - por Clarice A.

Lembrei de um filme que demorei a ver só porque era com o Arnoldão mas quando vi gostei: “O exterminador do futuro”.



Sinopse: Cineclick
Trailer: Youtube
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E você? De que filme gostou?
James Cameron

Eu, Te Amo - por Ana

Estou só. Irremediavelmente só. E esta solidão me condensa... as tragédias, a resultante de meus dias até aqui, tudo o que foi - além do inevitável - escolhido ou equivocado.
Não é necessário que me volte para dentro com a intenção de perceber e compreender onde cheguei e como: eu, sendo, evidencio a conclusão inacabada do todo vivido.
Nao é necessário o olhar no espelho ou refletir incessantemente sobre tudo: estou só. E esta condição me traz paz e silêncio, independência de ser, de estar não estando no mundo, isolada de obrigações, quanticamente existindo.
Solta, absoluta, densa imperatriz de meus dias, sigo confiante e mansamente feliz, única em mim, casa vazia, janelas abertas, claridade deslumbrante, portas trancadas, cachorros tranquilos, gestos delicados em pulsos fortes, olhar firme... Suspiro imensamente satisfeita por não mais refletir ou espelhar nada ou ninguém. Apenas eu.
Sou original e cópia, senhora e domínio, epicentro do tao, exato instante do nascer da estrela na sua máxima gravidade e infinita explosão.
E tudo isto só é possível porque estou irremediavelmente só.
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Suicídio, Homicídio ou Genocídio? Eis a Questão. - por Fatinha

Querido Brógui:

Sabe aqueles dias em que você tem certeza de que não deveria ter saído da cama? Pois é, esse é um daqueles, mas, infelizmente, não tive opção, já que às sete horas da madrugada a equipe da companhia de gás recomeçou a escavar a cratera para tentar localizar um vazamento. Como a tubulação de gás da nossa cidade remonta aos tempos de Cabral, fui informada do singelo fato de que há váááááários buracos nos canos, ou seja, as imediações de onde moro está prestes a explodir. Com isso, há três dias vejo o buraco se expandir, acho até que a essa altura já chegaram ao centro da Terra e estão a caminho da China (ou será do Japão?).
Enfim, os trabalhadores começaram cedo hoje, o que não é de todo mal, não fora o fato de o buraco se localizar a dois metros da minha janela. Tentei em vão esticar minha dormida, mas não consegui, levantei com o meu habitual mau-humor matinal potencializado pela ira. Já que estava acordada, fui fazer um café pra ver se conseguia raciocinar e planejar o meu dia iniciado prematuramente. Logicamente, não tinha gás, ele havia sido desligado pelos nobres funcionários e eu vi meu instinto assassino aumentar em proporções geométricas.
Dirigi-me ao banheiro, pronta para o banho. Sem café, sem cérebro, não me dei conta de que o chuveiro é a gás. Soltei mentalmente aquele palavrão catártico e mais uma vez mudei de planos. Banho frio já é demais! Acordada, sem café, sem banho, o que fazer? Vou aproveitar para ir ao laboratório colher sangue.
Consegui executar essa missão, não sem sofrer mais uma vez uma carnificina nas mãos da criatura que não conseguiu achar minha veia. Procurei não esfaquear o açougueiro disfarçado de técnico de laboratório e sugeri docemente que, da próxima vez, ao invés de ficar me futucando com a agulha já enfiada no meu braço, que ele a retirasse e tentasse furar em outro lugar, ou então que fosse furar o braço da mãe dele (essa última parte é mentira, eu só pensei, não verbalizei).
Voltei a casa, já havia gás, tomei meu cafezinho, banhozinho, tomei coragem para ir ao dentista. Na saída, começou a chover (claro que São Pedro também tirou o dia pra me pôr à prova). Lá fui eu. No meio do caminho, toca o celular. A dentista, mortificada, me comunicou que meu bloco não havia sido entregue. Ela não tem culpa, o material deveria estar no consultório dela na quinta-feira passada, mas, sabe como é, né, véspera de feriado, segunda-feira é pós-feriado, hoje é terça e nada de bloquinho.
Para não perder a viagem, fui resolver uns probleminhas burocráticos no centro da Cidade e, sobre essa parte, vou me abster de comentários. Basta eu confessar que quase caí em prantos na frente da funcionária quando ela me contou a zebra que tinha dado.
Cheguei há pouco em casa. Já pensei em suicídio, homicídio e genocídio. Ainda não decidi, mas assim que o fizer, mandarei notícias, nem que seja do além.
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Visitem Fatinha
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Memórias de um Seminarista (Parte I) - por Paulo Chinelate

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TERMINANDO O PRIMÁRIO


Ano de 1959 e estou terminando meu 4º ano primário. Tenho muitas dificuldades para isto. Fui acometido de crupe, doença cruel que me deixara mudo por meses. Perdi aulas demais. Mas valeu o esforço de minha professorinha D. Maria Magela pelas aulas de reforço e boa quantidade de paciência comigo. Senhora distinta, mora em frente ao Grupo Escolar Batista de Oliveira, “entra burro e sai caveira”, trocadilho naturalmente cantado por nós próprios alunos. A escola fica no Bairro Costa Carvalho em Juiz de Fora, ponto final do bonde “Costa Carvalho / Centro”.
Ah! o bonde… quantas vezes consigo safar-me de apanhar de colegas, franzino que eu sou, por ter anotado o nome deles pelas unhas sujas e cabelos piolhentos. Faço parte do pelotão de saúde cuja obrigação é anotar o nome dos infratores imundos. Ao pongar, tomar carona no bonde, os sugismundos não conseguem me pegar… e vou levando a árdua função de dedo duro.
Tenho que chegar cedo em casa para o almoço e ainda levar a marmita para o papai. Geraldo é o nome dele. É alfaiate e como diversos outros colegas está passando por duras crises da concorrência: as lojas de roupas prontas, industrializadas. Ducal, terno feito de tergal, a roupa que não amassa, a tal do “senta… levanta… senta… levanta…”
Temos novidades hoje, uma visita inesperada de um “padre” que vai nos falar na sala de aulas. Uma parte do recreio foi “desperdiçada” com ele. Veio perguntar quem queria ir para o seminário. Estranho, apesar de eu ser coroinha na Igreja de São José do Botanágua onde o papai é sacristão, não sei o que deu em mim: levantei a mão. Dizem que fui o único “carola” a me candidatar em todo o Grupo Escolar.
Anotou meu nome e meu endereço. Vai fazer uma visita lá em casa para conversar melhor comigo e meus pais. Na volta pra casa fui pensando no que eu fizera. Já tenho 11 anos e terminando o primário não vejo perspectivas para meu futuro. Papai quase falido. O que me resta é continuar ajudando-o nos chuleios ou alinhavos das poucas encomendas que ele ainda consegue ter. Vender jornal, ah! lá nisso sou muito bom. Pelo menos vendo nos domingos todos os cinquenta “Lar Católico” que D. Ana Reis, minha catequista, me dá. Passo todos às saídas das missas das oito e das dez horas. Ou então, quem sabe, pegar uns picolés do Seu Mauad, da esquina da São Geraldo com Sete de Setembro. Poderia ganhar uns bons mil réis.
Sou o mais velho dentre oito irmãos. Estou tentando saber agora, indo para casa, o que me fez levantar a mão. Duas razões, vou pensando: primeira, eu seria uma boca a menos lá em casa, segundo, com certeza a mais importante, “continuaria estudando”, o padre tinha prometido.
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A Moreninha - por Ana

A Moreninha - Joaquim Manuel de Macedo



“De Joaquim Manuel de Macedo, acho que só li A Moreninha, lá nos idos da pré-adolescência. Gostei.”
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Resposta a “Obras”, de Leo Santos.
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E você? De que livro você gostou?
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Paulo Freire, Prática e Pensamento - por Penélope Charmosa

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A prática de pensar a prática é a melhor maneira de aprender a aprender certo. O pensamento que ilumina a prática é por ela iluminado tal como a prática que ilumina o pensamento é por ele iluminada.
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