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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Visão Privilegiada - por Kbçapoeta

A visão aqui de cima é linda
Casas alinhadas
Dá para imaginar sua limpeza
Sua organização burguesa
O verde que já não é tanto ainda sobrevive
Aqueles pequenos focos verdes
Devem ter mais de dois séculos
Sinto a brisa
Agora sinto um vento forte
De repente não sinto mais nada
Meu corpo atingiu o chão

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Escaravelho - por Kbçapoeta

Sinto você aproximar-se
Não mexo um músculo
Ouço o estalar dos seus passos sobre a pedra
Na verdade atrás de você vejo um rosto,
De mulher
E sua fronte um tridente.
É o sinal!
Eva e satanás:
O prazer do pecado.



Boas vibrações a todos do “Duelos”.
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Inspirado na pintura Escaravelho, de Alba Vieira.
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Voa Saia - por Léo...

Complexas tessituras
Fluem puras
Simples no ver
Cotas castas esvoaçam
Vassouras vastas
Intrincadas
Em arredias redes
De meu rude querenço
Padeço
Penso que avanço
O solavanco acusa o caso
Acompanho o passo
Sem me mover de fato
Dissonantes entrelaços
Me invadem esparsos
Reflexos fixos
Luzem diáfanos
Contra a derme Contrastante
Intra-volumosas teias
Das quais teces a medida
Que as superfícies estendidas
Das faces das coxas
Negras
Grossas
Revelam-se sem querer

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O Caos e Eu - por André Dametto

Sou vítima, quando percebo que a violência nua e fria da manchete de jornal se origina do nosso lado, embrionária, em gotas diárias de ignorância, de desrespeito, de desencontro;
Sou culpado, quando admito que também sou violento, quando critico e fecho portas, sem dar a chance de o bem nascer no outro;
Sou cúmplice, quando vejo tudo acontecer ao meu redor, culpo o outro e deixo de fazer a minha parte;
Sou diferente, quando busco o autoconhecimento, a aceitação do meu bem, do meu mal, e os conjugo em forma de desenvolvimento, ofertando o que posso ser de melhor;
Sou amoroso, quando reconheço que o maior Amor que existe é o reconhecimento de que ninguém e nada nos torna merecedores da Vida, a não ser nós mesmos. E conquistada esta sabedoria, viver é amar, e amar é ter ternura;
Sou confuso, pois conhecer não é saber, e admitir isto é ao mesmo tempo desalentador quanto desafiante, e agora…
Sou assim, é, sou assim…
O caos também sou Eu.



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Caridades - por Raquel Aiuendi

Colecionar atos caridosos não faz ninguém superar o que fez e não o devia, nem o que deixou de fazer quando deveria ter feito. CARIDADE é um ato que deve ser espontâneo sem a busca do desagravo. O desagravo ou a oportunidade do AMOR seja de fato A VERDADE.
Eu sei que meus olhos pensam
E minha boca é bastante cautelosa
E, quando não, é passiva...
Minha revolta é tanta
Que tenho medo de reagir
E ser injusta,
De extirpar possibilidades
Ao invés de estimulá-las
Ao crescimento.

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O Medo - por Raquel Aiuendi

É uma arma e escudo que equivocadamente nos permitimos em muitos momentos da nossa vida. Passar na vida como objeto nas mãos das pessoas pode ser o resultado dessa escolha.

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Escaravelho - por Alba Vieira

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Ela, Só Ela! - por Adir Vieira

Hoje o dia é de nostalgia, de saudade. Todos os dias cumpro a mesma rotina. Ao levantar, depois de beijar meu amor ao meu lado, levanto-me da cama, passo pela mesinha de cabeceira e lá está ela me olhando…
Pego seu retrato, beijo-o, dando-lhe o bom dia e peço pelo dia de hoje, que me dê momentos bons ou que mantenha os que já tenho, que proteja a todos nós, sempre.
Sua foto no porta-retratos lhe confere todos os poderes que eu lhe dei na vida – o de deusa maior, única, imponente, perfeita, cheia de razões para falar ou calar – e por isso, lá está ela ao lado dos meus santos protetores. Hoje, já não crendo tanto neles, tenho a absoluta certeza de que só ela está ao meu lado. É a ela que peço, é com ela que reclamo, é por ela que choro, é nela que creio.
Vejo seu sorriso pequeno, humilde mesmo, com vergonha de se mostrar. Penso agora no momento em que ela – tão sensível – adquiriu aquela postura rígida, militar…
Penso também que não tinha o hábito de chorar, nem de rir…
Acho que minha personalidade palhaça nasceu com o desejo de fazê-la rolar de rir junto conosco. No entanto, por mais que eu me aperfeiçoasse, não consegui meu intento. Conseguia apenas irritá-la e fazê-la se mostrar aborrecida.
Lembro de alguns momentos em que fez aflorar seu sentimento, mas o máximo que conseguia era ficar ruborizada diante de nós.
Não era do seu feitio acariciar-nos, não aprendeu assim. Mas como nos amava! Sei que nos ama até hoje, lá de onde está. Sinto isso agora muito mais forte. Afinal, trago-a, arrasto-a para mim nos momentos que quero e preciso. Eu apenas a chamo e ela vem. Sento-a a meu lado para ouvir-me várias vezes por dia. Inexplicavelmente, tenho-a muito mais presente agora, tão distante e tão perto.
Assim está sendo hoje. Com o dia dedicado apenas a ela.
Um dia para valorizar seu amor a nós. Suas renúncias. Sua total dedicação.
Só ela – minha mãe.

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Vida - por Raquel Aiuendi

Amei a vida mesmo quando alguém me odiava
Lutei quando o alimento me faltava
Cantei quando a tristeza meu ego invadia
Abriguei o próximo que me repelia
Refleti quando me sobreveio reação
Escrevi palavras de amor e perdão
Senti muito além de qualquer razão
Reagi em plena auto-somatização
Irmanei diante do apartheid
Transformei neura em light
Sensibilizei quem petrificado
Cansei de tanto e tolo recado
Transgredi o que parecia insuperável
Colidi com que parecia impalpável
Agi pra resgatar o irrecuperável
Fugi não do tão insustentável
Saí de tudo isso pronta pra próxima
Edição que a vida me apresentar
Agradecendo o suporte Amar
Louvando Sua presença mais que ótima.

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A Gravidez Psicológica - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Mais uma vez uso o espaço para falar de Madison…
Minha neta labradora…
De uma casa grande com quintal… para um apartamento no 13o andar.
Mudanças são sempre sofridas, mas não para ela. Adorou o espaço de uma varanda ampla onde o vento circula e o sol bate de manhã com doçura…
O sobe desce de elevador parece que a delicia. É como se ela sorrisse. Mas como cachorro não sorri diria que Madison esta sempre contente, sempre de bem com a vida.
As crianças do prédio são tantas que a paparicam... os porteiros que sempre brincam com ela quando ela passa altiva pela portaria em direção à rua onde vai passear.
Caminha ao lado do meu genro sem guia e obedece a pequenos comandos. Mas acreditem, só com ele. Minha filha diz deitar e ela senta, diz senta e ela rola… Se vai com ela descer é uma luta quer carregar a dona puxando-a através da guia.
No mês passado o veterinário que a doou pediu à minha filha para levar Madison para adestrar, segundo ele estava na hora e que iria levá-la numa exposição para São Paulo, pois Madison filha de um labrador com pedigree estava linda e imponente…
Minha filha cedeu aos assédios do veterinário e deixou que ele levasse Madison.
Afinal seria um mês e foi exatamente na época da mudança da casa para o apartamento.
Madison foi e voltou como sempre: abanando o rabo numa velocidade que derrubava tudo o que estivesse a sua volta.
Mas voltou mais quieta, mais tranqüila, mais adulta.
Os dias se passavam e ela não destruía mais nada.
Ia engordando a olhos vistos. Minha filha com seu jeito observador dizia:
- Essa cachorra esta grávida!
Todos diziam que não era possível, pois ela só descia com meu genro que era extremamente cuidadoso.
No dia de Natal todos reunidos e a sogra de minha filha que tinha experiência com cães (tinha criado uns três) dizia:
-Nada, isso pode ser gravidez psicológica!
E minha filha não aceitava, mas deixava rolar. Passados 58 dias desde que Madison tinha ido ao “adestramento”, Tatiana, minha filha, levou-a a outro veterinário que através da ultrassonografia descobriu que Madison estava realmente grávida de 5 filhotes.
Minha filha então decidiu: se a gravidez era psicológica (os cachorros que nasceram ontem - cinco machos) se chamariam: FREUD, JUNG, LEWIN, WINNICOTT e PIAGET. Por sorte só nasceram machos, senão teríamos MELANIE KLEIN, ANA FREUD e outras.
Agora tenho toda a Psicanálise em casa latindo sem parar.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Haikai - por Kbçapoeta

Mefistófeles
enganar o anjo-luz
com prazer o fiz

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Loucuras em Gaza - por Alba Vieira

Caminha entre os destroços
Com expressão de terror
Um clarão, estrondo forte
Paredes que foram ao chão
Perto dele a família morta
Foge da insanidade que se diz libertadora

Queria poder tirá-lo de lá para sempre
Mas quem, um dia, poderá
Arrancar-lhe da mente
As lembranças deste dia?

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A Revolta - por Raquel Aiuendi

A REDENÇÃO SÓ É CONSEGUIDA COM A VERDADE, ninguém se redime de erros, ‘pecados’, omissões, sem encarar de frente suas atitudes e muito menos fingindo, categoricamente, que nada houve ou fez.

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Engarrafamento de Carros no Meu Lençol Limpinho - por Bruno D’Almeida

Hoje recebi uma lição de vida de um cotoquinho de gente de quatro anos! E eu não senti vergonha, como quem fica desconcertado com as frases certeiras de uma criança. As crianças somos nós em um passado muito distante, que aprendíamos tão fácil que a expressão eu te amo vale muito e que podíamos arrotar e peidar na frente de todo mundo com toda naturalidade, com risos de orgulho até.
Cheguei do trabalho no automático, tão autômato celular que falei com ele com um beijo na testa, porque sabemos falar com gestos. Tomei banho, comi, escovei os dentes, não necessariamente nesta ordem e deitei na cama (esta sim, por último mesmo). Deitado, sorumbático, com o travesseiro arremessado no rosto, ouvi meu cotoquinho falar vou ficar aqui com você, papai.
Como um raio, lembrei-me daquele pestinha pulando na minha cama de molas, gritando mais alto do que qualquer silêncio de nervosismo pode fazer, correndo pelo quarto, brincando de astronauta, fazendo engarrafamento de carros no meu lençol limpinho, perguntando por que a cortina era verde, por que seu amigo Vasconcelos falava palavrão na escolinha, por que ele não podia comer duas balas depois do almoço, por que eu não levava ele pra comer uma pizza, por que a bunda dele tinha um carocinho, e tantos porquês inumeráveis com sinal de infinito. Mas João Fernando não disse nada disso. Ele ficou amuado, no cantinho da parede, agachadinho, mais lindo que uma conchinha do mar, e disse apenas eu fico aqui no cantinho calado vendo você dormir.
Eu deitado na cama olhando aquela criança me dizendo, da maneira mais tênue do mundo, que apesar do cansaço, da fadiga, da rotina, do exaurido, do torpor de um dia cheio de trabalho, ele me queria mesmo assim, no bagaço, somente para contemplação. Um pai que esqueceu, naquele dia, que ficar com aquela gotinha de luz recarregava qualquer bateria. Eu queria apenas um momento de sono. Ele queria fazer do meu silêncio uma companhia de contemplação que só ele, mais ninguém, teria o prazer de fazer. Sublime contemplação.
Nem precisei terminar de dizer venha cá, deite aqui comigo, para ele estar abraçadinho comigo. Meu pai, sabia que minha lapiseira é o planeta dos continentes? Eu balançava o rosto e sorria. Meu pai, sabia que hoje eu comi tudinho, e nem chutei minha vó quando ela me deu banho? Sabia que eu se comportei direitinho e nem mordi o braço de Bia na escolinha? Sabia que meu cocô saiu laranja? Sabia que laranja é minha cor preferida? E de tanto me falar coisas tão deliciosamente divertidas e sérias, ele foi dormindo, como se estivesse ninando os próprios pensamentos de debutante de aprendiz. Era eu quem aprendia com ele.
João dormiu e eu é que fiquei contemplando aquela criatura dormindo, com minhas feições, meu jeito de dormir e o jeito da mãe ao mesmo tempo. Ele me ensina o que eu já fui e é a prova do eu nunca devo deixar de ser. Quando dei por mim, estava deitado na mesma posição, só que de lado, tal que ele estava na parede do quarto. E eu torcia pra ele acordar e perguntar o que eu estava vendo. E eu louco de vontade de dizer que só queria vê-lo dormir. E era isso que ele fazia. Dormia.


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Te Gosto... - por Manhosa

Estou sentindo uma saudade tão grande de ti…
Passei o dia pensando como podia expressar isso.
Por isso resolvi te mandar este abraço…

Cuidado…
É um abraço forte… muito especial…
muito apertado…

É para sentires todo o carinho que tenho por ti…
Transmitir meu desejo de te ver sempre feliz… sorrindo…
Suplantando quaisquer dificuldades que possam aparecer…

Quero que em tua vida tenhas sempre muita paz e harmonia…
Que o teu dia tenha sempre a energia do Sol…
Que teu sono seja calmo e protegido pela Luz Divina…
Meu abraço quer dizer também “OBRIGADO”…

Obrigado por ter me aceito sem me questionar…
e por seres este Amigo tão Especial…

Te Gosto

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Apenas Ser - por Raquel Aiuendi

Escrever à posteridade
É escrever ao depois
Que ainda não chegou
(dããã)
Escrever à ancestralidade
É querer estatizar
O que já se reciclou
Sou contemporânea
Não imediatisticamente
Contemporânea
Sou, deixei de ser,
Como saber
O que serei?
Quero apenas: viver.

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Tesouro da Infância - por Ana

Meu coração está órfão. De amor compartilhado.
Uma menininha tranqüila, cabelos compridos, bem penteados, saia pregueada impecável, blusa perfeitamente costurada para ela, sapatos limpos que cobrem meias três quartos muito alvas, senta-se de pernas cruzadas, cotovelos sobre os joelhos, mãos entrelaçadas que apóiam o queixo, cabeça baixa olhando o chão, acompanhando a sombra que se move diante e após si, ponteiro exato dos dias que se escoam, aguardando, neste lugar isolado, seguro, agora na penumbra, o retorno que virá em breve.
Então, enquanto se levanta para receber sua companhia, que inunda de claridade tudo à volta ao abrir a porta, modifica-se lentamente e, já de pé, é uma mulher que abraça e recebe de volta, feliz.


Inspirado na pintura Tesouro da Infância, de Alba Vieira.
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Tesouro da Infância - por Alba Vieira

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Voltas ou Não Voltas - por Raquel Aiuendi

Talvez o mundo
não dê tantas voltas, não
Talvez sejamos nós
que circundemos em torno
de um mesmo núcleo
por ignorânciade outros universos.

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Duas Gordas na Cabine - por Adir Vieira

Era uma loja também de roupas íntimas.
Ela e a prima precisavam renovar o guarda-roupa nessa área. As calcinhas naquele verão estavam maiores e as tangas na gaveta pediam substituição, além do fato de que não cabiam mais. Os soutiens de tecidos coloridos davam lugar àqueles de cor única de tecido elástico, dos quais tinham mais de dez cada uma.
Os cartazes, aqui e ali na loja, indicavam que aquele tipo de peça não podia ser experimentado. Após a escolha, o jeito era identificar o tamanho e mandar embalar.
Mas... como ela e a prima, depois de um período de férias em extravagância alimentar, podiam acertar seus números, sem provar suas escolhas? Todos os modelos pareciam estar de acordo, mas não restava outra saída a não ser conversar com a vendedora e obter sua permissão.
Espera aqui, vai ali e, por fim, com o consentimento do gerente, foram-lhes mostrada as cabines que deveriam usar. Decidiram-se por uma única cabine. Afinal, uma queria a opinião da outra e vice-versa. A cabine era estreita, sem ventilação e sem cabides e a cada movimento a cortina vedatória abria-se sem anunciar. Tinham estimado erradamente o seu tamanho. Já nessa altura, as duas gordas, como que cimentadas naquele metro quadrado, não podiam sequer tirar as peças com que estavam vestidas, sem esbarrarem-se e taparem completamente o espelho, única coisa grande no local.
Ensaiaram fazê-lo cada uma por vez e num esforço atroz tiravam calça, blusa, calcinha, soutien até que nuas tentavam, num malabarismo, colocar as novas. Nesse vai-e-vem, as bundas, os braços e as coxas das duas se encaixavam prometendo nunca mais se separarem. Por fim, escolheram duas peças cada uma. Já fora da cabine enfrentaram os olhos da vendedora que, disfarçando a voz, perguntou, como de costume:
- Alguma peça serviu?

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