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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Recriança - por Raquel Aiuendi

Seguindo pela estrada
pés descalços,
criança enlameada
vai desfazendo seus laços
e já não busca ser amada
pois já não há esperança
de ser novamente criança.

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Cigana - por Raquel Aiuendi

Meu sentimento é cigano
por isso ele é tão grande
e infinito e
infinita é minha vida
como velas ao vento
como barcos ao mar
vou cultivando
um jeito especial
de te amar.

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Tempo - por Alba Vieira

Tudo é lento
Só eu ainda corro
Até que morro.

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Irrecuperável - por Raquel Aiuendi

Melancia... Melancia...
Abacate... Mamão...
Laranja, melão, tangerina...

Eu, criança, arregalando os meus olhos
diante de tanta diversidade,
apalpando, tentando alcançar
com o tato o paladar nunca sentido
por mim, e meus olhos refletem
uma imagem nunca vista em casa...
O suco dessas frutas escorrem
pelos cantos dos meus olhos,
como lágrimas de inconsolo
e terna tristeza...

Melancia... Melancia...
Abacate... Mamão...
Laranja... Melão... Tangerina...

perdidas de minha mão.

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Só no Susto - por Adhemar

Sabe aquele momento em que a gente procura um confinamento voluntário? Aquele momento tão nosso, importante e necessário?
Como está difícil separar um tempinho pra gente, pra gente ficar sozinho, fazer uma reflexão… Uma reflexão sem interferência, onde a gente exercite a cabeça, o coração, e não a nossa paciência!Sabe aquele momento em que a gente procura ficar quietinho? Aquele momento tão nosso, de repouso, de ficar quieto no nosso cantinho?
Por que é que está tão difícil? A gente sem tempo não pára, não reflete sem interferência porque alguém solicita uma urgência e, quando a gente percebe, o tempo passou, se cansou de esperar pelo descanso; e volta pra luta o guerreiro, outro momento virá, e não vem, e não vem…
Sabe aquele momento em que de repente morre alguém?!



Visitem Adhemar
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Amor - por Moita

Se amor é insensatez
ou doença contumaz
é dívida sem liquidez
que o devedor só refaz.
A vacina é ineficaz
não se cria robustez.
O coração é incapaz
de resistir outra vez.
Se o amor, não sei quem faz;
desamar, não sei quem fez.

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Memory - por Mellon

Se eu fosse contabilizar, provavelmente descobriria que passo ao menos 1/5 da minha vida evitando pensar nas pessoas que, por algum motivo ou outro, saíram da minha vida.
No final do ano essa proporção sempre aumenta.
Nessa semana, estava no carro e olhei para a direita. E percebi que passo do lado do seu prédio há 3 meses, pelo menos 5 vezes por semana. Não sei como demorei tanto a me tocar que aquela rua era a sua. Ou como durante três meses eu nunca tinha parado o carro naquele ponto. Ou como em três meses eu nunca tinha parado o carro naquele ponto e não havia nenhum carro no caminho, entre a minha janela e o seu prédio.
Mas enfim, eu vi. E admiti para mim mesma que lembrei de você. Então pronto, é isso. fique sabendo.
- Conte mais.
E o seu bairro é uma merda. Todos os dias que passo lá, xingo todas as pessoas que dirigem ali. Xingo todos os pedestres folgados que resolvem atravessar justamente quando o farol abre para mim. Todos os taxistas que resolvem manobrar e acabam trancando a rua. Xingo todos os executivos que se acham maneiros saindo do trabalho nos seus Audis ou C3.
Mas, especialmente, eu xingo a sua rua. E, no fundo, não é porque o trânsito lá é desgraçado. É porque ela é sua, e só sua.


Visitem Mellon
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Amor - por Raquel Aiuendi

Há amor que é um idealismo
de perene ilusão
pois quem diz que amor
tem outros `ismos´
no coração.
Que é o exercício
de convencer o outro
em favor de si próprio
criando uma relação
de constante litígio
repugnante opróbrio
a ferir a emoção.
Que é eterna luta
de tornar real
seu próprio oásis
serena discórdia essa labuta
trazendo mal
no lugar de pazes.

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Adolesempre - por Raquel Aiuendi

falar amigos
é sempre assim privilégio
sem essa de diários-colégio
e de falar sozinha, só comigo.
falar amigos não é compromisso
nem missa, por que isso
não se compra
e "para todo o resto
haverá sempre um mister-"cardo.
falar amigos…
eles são, eu sou, nós somos:
Isso é tudo, í!

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Amor - por Alba Vieira

Do amor só os bobos sabem…
E seguem enganados
Enquanto pensam que conhecem
Aquilo que, não sentindo,
É de todo impossível saber de verdade.

Porque aquele que de fato ama
Sabe que nada sabe,
Nada espera,
Apenas sente, recebe.
E como criança
Ainda se espanta,
Tudo oferece
E, às vezes, reclama.

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Rio de Janeiro - por Raquel Aiuendi

As pessoas estão enrudecidas e é uma situação que muita das vezes se apresenta como resultado de uma opção.

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Meu Anjo é Negro - por Raquel Aiuendi

Se eu tivesse um anjo
Ele seria negro… ou indígena
Se anjo tivesse raça.
Se eu tivesse alma
Ela seria incolor
Se alma tivesse cor
E então seria invisível.
Se o amor existisse
Não acabaria nunca
Mas amor é abstrato.
Tudo o que se tem
De tudo isso
É a expressão
Da criação humana
Muitas vezes linda
Outras vezes nem tanto.
Depende muito
Do artista que a concebe.
Na verdade:
se arte é plenitude
Deus é arte.

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Noite de Chuva - por Ana


Há coisa mais linda
que uma noite de chuva?
Para mim…
Eu que não saio de casa…
que só vejo televisão,
que leio livros no sofá.
Qualquer noite é fascinante
seja de estrelas ou de chuva.


Inspirado em “Noite de Chuva”, de Raquel Aiuendi.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Meu Tipo Inesquecível - por Adir Vieira

Hoje falei, por telefone, com meu tipo inesquecível. Lembrei-me da minha infância e de sua presença constante em minha vida.
Devia ter uns trinta e cinco anos. Era mãe de dois meninos, um da minha idade e o outro da idade de uma das minhas irmãs. Sabíamos que ela e o marido não se davam muito bem. Ouvíamos com relativa freqüência suas brigas conjugais. Era nossa vizinha do lado direito. Tinha uma alegria permanente, apesar dos problemas. Não me lembro de nunca tê-la visto verdadeiramente triste. Era isso o que me fascinava! Gostava de vestes coloridas e nunca esquecia o batom e o pó compacto. No bairro, tinha fama de namoradeira, pois era jovem e bonita, diferente das mães da rua que aparentavam um semblante mais responsável, de acordo com a época.
Eu e minhas irmãs a admirávamos, visto que sua felicidade aparente e seu porte de moça descompromissada com a vida nada tinha a ver com seus constantes votos pra tudo e pra todos de – vá com Deus!, que Deus te crie!, que Deus te proteja e te guarde! – tão próprios das velhinhas beatas do local.
Sabia uma imensa coletânea de simpatias e rezas para curar os pequenos males – as frieiras e as erisipelas. Nunca contou como aprendeu o ofício, mas nele acreditávamos piamente e constatávamos seus efeitos em nós mesmos e em quem se permitia experimentá-lo.
Apesar de sua fama de irresponsável, minha mãe gostava muito dela, para nossa sorte, e só a ela nos confiava quando, depois de muitos pedidos, concordava em nos deixar acompanhá-la à padaria, à quitanda ou à papelaria, locais próximos de nossa casa. Aquele pequeno percurso que, na maioria das vezes, não durava mais de dez minutos, de mãos dadas com ela, parecia uma eternidade extasiante. Corríamos no seu ritmo, sorríamos com suas brincadeiras, enfim, saboreávamos cada gesto, cada som vindo dela.
Lembro-me perfeitamente do dia em que fomos todos juntos assistir à cantora Emilinha Borba numa apresentação no palco montado num caminhão, no Convento que precisava arrecadar fundos. Muitas pessoas lá estavam, parece que todo o bairro havia se deslocado para lá, mas a alegria de nossa grande amiga sobrepujava a de todos.
Lembro-me, hoje ainda, já passados quase cinqüenta anos, do brilho do seu olhar, da sua alegria genuína. O dia seguinte, com seus comentários sobre a festa, as canções, o figurino da artista, era melhor ainda. Ninguém conseguia contar uma história e prender tanto nossa atenção daquele jeito. Só ela, meu tipo inesquecível.
Ali, ao lado de nossa casa, no parapeito do muro divisório, nas conversas das tardes, nos relatos sobre os problemas de sua família e antepassados, ia lançando mosaicos de aprendizado na nossa formação, inesquecíveis para sempre.
Choramos quando, depois da separação do marido, precisou se ausentar por dois anos. Sofremos por ela quando ficou longe dos dois filhos para garantir a pensão alimentícia. Na sua volta, vibramos.
E, assim, foi seguindo a vida. Crescemos e vimos seus filhos crescerem. Na luta pela sobrevivência criava artesanatos variados, todos voltados para a espiritualidade. Quantas colchas de retalhos e quantos panos de crochet multicoloridos nos exibia com orgulho…
Há alguns anos, adoeceu brabo. O fumo acirrado deu-lhe de presente um enfisema incurável. Já nessa época tivemos a certeza de que a morte do filho mais velho, vitimado de câncer no pulmão, em muito havia contribuído para que sua doença se alastrasse. Necessitou de novos ares e com muita tristeza, mais uma vez, sentimos essa separação. Embora já estivéssemos casadas e fisicamente longe dela, com a venda da casa e sua saída definitiva, parecia que um cordão crucial de nossas vidas havia sido rompido.
Hoje, distante, ainda doente, sem grandes possibilidades, já conta com mais de oitenta anos, conserva a alegria - sua eterna companheira - e a fé inabalável na vida, a certeza de que tudo é o que tem que ser.
Como eu ia dizendo, hoje falei com ela por uns longos dez minutos e, como sempre, meu coração se encheu de fé e esperança.

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Mar - por Alba Vieira

Dia claro, céu azul, sol a pino ao meio-dia. Eu sozinha, sentada na areia branca, quieta olho o mar. As ondas vêm e quase chegam para molhar meus pés que, às vezes, se recolhem instintivamente e outras vezes se esticam, tentando alcançar a água que não consegue molhá-los, ainda desta vez. Respiro fundo e me tranqüilizo enquanto espero outra onda que novamente volta puxando a areia. E mesmo sentindo meus pés ainda secos ela me diz que logo, logo você também chegará e, molhando meus lábios com seu beijo, como a água que enfim irá lavar meus pés, renovará toda minha energia.

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Marjoring in Minors - por Mellon

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Era o seu suéter preto e branco atravessando a rua - aquele que nós compramos juntos. Era o seu perfume sentado ao meu lado no metrô. Éramos você e eu dançando ao som de rock anos 80 que eu adoro. É a sua coca-cola que eu tenho tomado sozinha nas últimas semanas - aquela que você comprava para mim, sem ter que me perguntar. Para você que eu queria mostrar meu casaco que parece da Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band - igual àquele seu meio marrom, meio verde, que você usou quando me levou para jantar, literalmente, nas nuvens. É por você que eu viveria esses dias intermediários.

É a sua falta que eu sinto quando fecho os olhos.
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Conceito - por Raquel Aiuendi

Espinhos são redondos?
Compridos, sim
Espinhos quadrados nunca vi.
A ótica é a própria ilusão
De lógica, pois há a ótica
Do míope, do conservador,
Do radical, fanático, arrojado…
Afinal: espinhos são redondos?

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Desilusão - por Raquel Aiuendi

A desilusão
é a mãe da solidão
não tem cura, não.

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Luz, Bastidor e Liberdade - por Raquel Aiuendi

Sou um sol amorfo, amuado
Sou estrela com fogo apagado.
Sou o mundo em sombra,
Sombra de todo mundo.
Sou tanto em um
Sou de tantos barulhos, notas
Sem definição
Soul blues, rock, frevo
Samba, qualquer canção
Sacode, pagode, batucada
Sem ritmo
Sem porto
Seguro
Solta por convicção.

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Felicidade - por Raquel Aiuendi

Lua que dorme
e sonha com seu amor
acorda feliz.

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