Creative Commons License


Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Amanhã - por Poty

Amanhã talvez, mas hoje pode ser…
Não deixemos para depois o que podemos fazer aqui e agora…
Amanhã porque, se posso te dar hoje!
Amanhã pode ser tarde, então faremos o que somos capazes hoje!
Amanhã ficará o que não acabamos, mas hoje faremos o que corpo agüenta, porque amanhã talvez esteja cansado.

.

Sensibilidade - por Leo Santos

Sensibilidade é alma viva
Tatuando contornos do corpo
Fazendo quedar absorto
Aquela que o tem e cativa

É um sexto sentido qualquer
Que a ambos os sexos consome
Não é propriedade do homem,
Nem o que dizem habitar na mulher

É chapéu pra cabeça que cria
Nas tintas da arte, pincel
Nos arroubos do poeta, pena e papel
Nos versos da vida, poesia

O esperanto em que versam
Aborígenes da terra do sonho
Ao fazerem como eu, que componho
Fluentes, no idioma conversam

É alma plasmada que identifica
O que cria e o que admira
Notas da mesma lira
Causa e efeito de almas ricas

.

Alma Penada - por Francisco Nascimento

Descobri o meu dedo os meus dedos sobre as teclas do meu computador escrevendo
e isto me possibilitou uma infinidade de situações feito
uma alma penada, visitando o meu site.
Me espantei com isto.
Veio de alguma encruzilhada na web que eu…
Agora ela está chegando para me pedir um fumo de rolo.

.

Os Amores de Minha Vida - por Ana

Os amores de minha vida
são muitos, tantos, demais…
Incluem os meus irmãos,
amigos e animais…

Dois amores namorados,
um de início, um de final,
paisagens inesquecíveis
e comidas de Natal.

Os amores de minha vida
incluem um biscoitinho,
um feijão, duas minhocas,
e mais um monte de sobrinhos.

Minha vida se resume
a sentir todo este amor,
viver só pensando neles
em qualquer lugar que for.

Não há coisa mais profunda,
mais perfeita ou divertida
do que estar sempre acompanhada
dos amores de minha vida.

.

Sintonia - por Alba Vieira

Busco um sentido para meus dias.
Com afã, como antes buscava, só que agora nada é fácil.
Outrora, me saciava com expressões materiais.
O trabalho, as posses, as conquistas pessoais.
Hoje, tudo isso é prescindível.
Tudo se mostra efêmero e conduz a um imenso vazio.
O que procuro já não se mostra.
Ou foge na tentativa de me atrair.
Antes, espreita no recôndito do meu ser,
Anseia pelo nosso encontro,
Plácida, confiante, a que tudo sabe…
Minha alma sorri, antevendo o momento eterno em que seremos uma só.
Enfim o casamento ideal e o nascimento possível dela…
Daquela que poderá talvez tardar
Ou, antes, ser mesmo abortada
Ou então surgir prematuramente
(Conseqüência, por certo, de variadas dores).
Todavia, sua chegada será gloriosa,
Transformará completamente a criatura,
Acalmará, conferirá segurança,
Sossegará os dias
E alongará as noites em sonhos possíveis.
O que minha alma aguarda,
Trazendo ao meu ser profundidade,
Inquestionavelmente preciosa,
É ela: a tal maturidade.

.

Recado (de mim para mim) - por Alba Vieira

O que tenta me mostrar a vida que não consigo enxergar?
Por que estou com esta dor tão forte e limitante?
Que a situação em que me encontro me impede, limita, restringe, eu sei.
Que isso tem a ver com a direção de vida, com as fronteiras entre o que a cabeça pensa, o coração sente e o que o instinto determina, também estou sabendo.
Não posso ignorar que tenho me excedido, que por mais flexível que eu tente ser, há momentos em que a vida pede demais e eu não consigo acompanhar.
Sei disto tudo, mas com o que não consigo atinar é com a necessidade de sofrer, de ter uma dor tão aguda, tão desesperadora, que me dá tanto medo e dificulta minhas funções normais.
Mal consigo engolir ou falar.
Sei que aí também é bandeira: o corpo me aponta as coisas que preciso e não consigo engolir e deixa bem claro que é melhor ficar calada.
Se engulo, não desce; se falo, tem que ser bem baixo.
Mas o que é mais triste e, ao mesmo tempo, desafiador e orientador nos sintomas,
é que este torcicolo me impede de olhar as pessoas nos olhos, olhar para cima.
Só consigo, ainda que com bastante dor, manter os olhos baixos, a boca fechada, o pescoço reto de quem deve seguir sempre em frente.
O braço esquerdo também está limitado, expressando dificuldade no sentir.
Preciso integrar as mensagens para me transportar, digo, transformar.
Ato falho. Valeu…
.

Encontro - por Raquel Aiuendi

Muitas vezes não precisa de palavras para que seja uma realidade: basta abrirmos uma porta e deixarmos que o próximo entre e se sinta confortável; basta que tenhamos VONTADE, SIMPLICIDADE e estejamos com a VERDADE para que resulte em COMUNHÃO.

.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

É Natal! - por Ana

É Natal! Felicidade!
Ouça os alegres sininhos!
Espere o trenó, as renas,
Papai Noel, presentinhos.

Aproveite esta data
para sonhar, festejar,
encontrar com as pessoas
para confraternizar…

Se está triste de saudade,
tão sozinho, sem ninguém,
outros também sentem assim,
precisando de um bem.

O que fazer nesta hora
de tamanho sofrimento?
Ir pra baixo das cobertas
remoendo seu tormento?

Acho que não é boa idéia
cear só desilusão,
ter de presente o vazio,
e brindar com a solidão.

Se seu mal é de saudade,
se há uma pessoa ausente,
tente fazer o seguinte:
pense que ela está presente.

Diga coisas amorosas,
reviva os bons momentos,
deseje Feliz Natal,
abrace-a em seu pensamento.

Passe a noite com ela,
ligue a quem de direito,
depois vá dormir tranqüilo,
sonhando o amor perfeito.

Neste sonho, sem lamentos,
ela lhe aparecerá,
dizendo que ainda vive
e que sempre está a te olhar.

Sentindo-se renovado,
ao acordar no outro dia,
verá que o Natal foi bom
e a casa não está vazia,

porque você permitiu
saber que em sua alma habita
a certeza de outra alma
que, em sonhos, te visita.

E que embora não palpável,
é capaz de ainda ter
sentimento tão profundo
que fez você perceber

que a falta nós criamos
por sermos cegos demais,
já que amor não morre nunca
e não abandona jamais.

.

Desdobramento - por Alba Vieira

Não estou em mim, viajo por terras distantes, terras onde já vivi, onde deixei marcas profundas que ainda hoje se expressam em sentimentos de seres que habitam por lá. Passeio por estes lugares que me são familiares, refresco a alma em ares ali presentes, vibro numa dimensão estranha. Sonho. Talvez seja sonho, talvez desdobramento. O fato é que não estou aqui. Hoje sou pela metade e isso não me causa incômodo porque, afinal, qual de nós vive em plenitude?
.

Caminho - por Alba Vieira

Procuro dar sentido à minha vida. Passo pelos dias buscando o que realmente sou. Sei bem o que não sou. Não sou esta corrida desesperada, a cabeça tonta, os olhos vermelhos de se arregalarem o dia todo. Não sou esta máquina de fazer que repete, repete, repete. Não sou alguém alienado que passa pelos momentos sem ter a plena consciência deles. Sou algo além de tudo isso. Eu sou a delicadeza de movimentos. Sou o pensamento coerente. Sou o coração aquecido pela convivência com os semelhantes, próxima e harmoniosa.
Tento me expressar de alguma forma e quase não consigo. Na corrida desesperada, na gincana que se transformou meu cotidiano não encontro qualquer compensação. É tudo muito vazio de sentido. Procuro a arte como forma de expressão. É a alma querendo esvoaçar sem conseguir. Pinto e na mistura das tintas me liberto e encontro sentido. É muita coisa querendo explodir em mim. Mas o cansaço me acorrenta. O cansaço me impede de conseguir fazer alguma coisa realmente criativa. Se tento escrever, as palavras não seguem o fluxo das idéias. Fico titubeante, oscilando entre uma palavra e outra, sem terminar a frase. É um tormento!
Sou um barco à deriva depois de ter em vão me debatido contra os rochedos sem conseguir ultrapassá-los.
E navegar é preciso.
.

Expressão - por Alba Vieira

Pinto buscando saber quem sou.
Recolhendo os cacos de mim mesma,
refaço o quebra-cabeça
e ouso vislumbrar o todo…
Quem sabe, um dia?

.

Colcha de Retalhos - por Raquel Aiuendi

É colcha de retalhos que vou criando diariamente. Retalhos que me são doados altruistamente: seleciono, organizo, acondiciono ou descondiciono de seus amarrotados modos. Nunca os jogo fora, os guardo e reciclo, recondiciono… retalhos que garantem meu crescimento, retalhos que me possibilitam unir o que separado esteve, retalhos que consertam o irreparável, que dá vida ao estático… retalhos são pensamentos, retalhos são momentos, retalhos, retalhos, retalhos… são principalmente você, eu e todos a construir uma colcha de retalhos de AMOR.

.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Convite - por Fernanda Lobo

CONVITE foi o tema a escrever e pego-me futucando a memória, buscando o ITE do CONVITE no termo literário. ITE é inflamação, como apendicite, amigdalite e assim por diante. Mas não existe ainda o literaturite, que seria uma inflamação positiva e transbordante de literatua terminanda com ITE.Parece loucura, mas vivi esse ITE da literatura, quando ela, toda poderosa, trazendo universos em palavras, invadiu meu ser contador, historiando Brasil afora. Contava de tudo e os contos populares foram mais que minha “literaturite”, revivendo as lendas, causos, contos de assombração e tudo que vem dessa gente simples, de pé no chão, a relatar suas crendices com magnitude de bacharel.
De CONVITE deixo meu “literaturite”, que faz da gente muito mais que baú de letras. Fazem memórias, outros mundos tão iguais e também díspares de nossos conhecimentos, amadurecimentos… E desejando que essa inflamação do ITE fique nas pontas dos dedos digitadores, escrevedores, cada vez mais que as asas voem a registrar o improvável que a mente nos traz.

.

Resposta - por Edmilson

Você me fez um convite
E agradeço
Mas tenho pouco tempo pra escrever
Após o trabalho

O que se escreve
No blog ou site de alguém
Quase sempre faz pensar

No momento após a leitura
A pessoa que você leu
Faz parte e está na sua identidade

O efeito da leitura em alguém
Dura apenas um instante
Sem ligar dentro na alma do leitor

Se ligar
Se continuar a lembrar do autor e autora
É porque ainda está na sua alma

Com efeito e tudo mais
Invadindo na alma por leitura
Mesmo contra a vontade de quem leu

.

Pirulitos e a Vida - por João Luis Amaral

Era um dia comum. Apenas mais um, entre tantos outros, tantos iguais.Sol quente, pessoas circulando às pressas, atentas apenas aos seus afazeres, desatentas aos semelhantes.Ninguém se importa com os outros, são somente outros. Que sigam seus caminhos. E não atrapalhem o meu. É o que pensam, é como agem.
Vejo um senhor caminhando pela rua. Rosto simpático, olhos e pele claras, bochechas rosadas. Cabelos brancos como neve, barba rala e também alva. Calças largas, sapatos e cintos pretos, camisa sóbria. Leva um discreto par de óculos pendurados por uma fina corrente ao pescoço. Caminha tranquilamente, cumprimentando a todos. Distribui pirulitos às crianças, sorrisos aos adultos. Sorrisos contagiantes, diga-se.
Figura que se diferencia da multidão. Figura que chama a atenção. Páro por alguns instantes para observar. O mundo que espere. Algo inusitado está acontecendo.
Ele continua sua caminhada. Com a mesma tranquilidade. Sempre.
Chega até mim. Coloca os óculos, cruza os olhos com os meus. Olhos azuis que irradiam paz. Estende-me a mão. Cumprimenta-me.Retribuo, calado. Sem palavras, na verdade. Apenas admiro, sem reação.Busca na sacola um pirulito, volta a olhar-me nos olhos e diz:
- Tome, meu filho. É seu. Você só queria parar por alguns instantes, não era isso? Queria pensar na vida. Agradecer a quem o ajudou. Pedir perdão a quem feriu. Doar-se mesmo que por breves momentos a quem precisa. Acertar alguns rumos. Eis aqui o seu tempo. E, de quebra, tem sabor de framboesa!
Os pensamentos se misturaram. A confusão tomou conta. A única pergunta que consegui fazer:
- Papai Noel?
Seguiu-se um leve sorriso, seus olhos agora mais brilhantes. Sua mão agora em meu rosto, morna, terna. E a resposta:
- Basta acreditar, filho. Basta acreditar….
E seguiu seu caminho.

.

De Bem com o Mundo - por Alba Vieira

Meus olhos percebem o colorido de tudo. Estou aberta para o amor. Digo isto porque hoje saio pela rua e me deixo impressionar por imagens que ontem não me diziam absolutamente nada. Não é o mundo que está diferente. O trânsito continua caótico, as pessoas desesperadas, injustiçadas, depauperadas, correndo pelas ruas como sempre. Eu é que enxergo por uma lente benévola que me permite acreditar que o mundo é belo. Vejo poesia em tudo. No que observo, tantas coisas me trazem recordações de outras que já vivi. Os camelôs, as mães com seus filhos, a expressão dos que passam, tudo me transmite paz, tudo hoje é belo. Estou apaixonada pela vida e o amor dá colorido às coisas.
Pela janela do ônibus desfilam para mim imagens que aquecem meu ser. Estou por cima, suspensa, envolvida num manto amoroso, pairo acima de tudo, elevada pelo amor e, neste estado, nada parece difícil. Desprendo de mim um odor doce… de fazer amigos, de borrifar nas pessoas, de fazê-las serenas e também amigas.
Não sei o que possa ter motivado isto. Há dias em que acordo assim iluminada e então tudo ocorre perfeitamente bem. Abro meus caminhos com uma força invisível. Nem caminho… me desloco quase como numa dança, sem tensões. Não há medos, só confiança. E esta facilidade de me transportar para o momento presente é maravilhosa. Apenas sou, não há expectativa de futuro nem nostalgia de passado, estou aberta para tudo que se me apresenta, não há resistência. É só um fluir, sem estagnação, sem prisões nem bloqueios. Sou eu quem dirige meus passos.

.

A Crise que Cura - por Alba Vieira

O que mais chama atenção no mundo atual são as mudanças repentinas. É certo que há algum tempo parece que o tempo passa mais rápido, a urgência é a ordem, todos têm pressa, as crianças já têm nascido aceleradas, o stress é a vedete dos consultórios, a comida é fast food, os carros são ultravelozes etc. Os estudiosos comprovaram que mudanças no eixo de rotação da Terra trouxeram a redução real do tempo, o dia ficou mais curto. Mas agora, além disso, estão sendo mais freqüentes os fatores externos trazendo alterações profundas nas vidas das pessoas, de formas abruptas e, quase sempre, alterações relacionadas à perda.
A crise mundial econômica é um empobrecimento globalizado, puxado pela desestabilização da economia da maior potência econômica do mundo. Isto não só foi inesperado como inusitado. Quem diria que os Estados Unidos passariam por isto? Diriam somente aqueles que tinham olhos de ver, os antenados com as verdades eternas que conhecem as leis, sobretudo a da polaridade. O crescimento impiedoso desordenado, completamente alienado e insano só poderia trazer, de rebote, a crise, o caos. Por que tudo isto? E para quê? As manchetes diárias mostram as maiores potências mundiais, paises ricos tremendo e se desestruturando, ainda que utilizando tentativas desesperadas de estabilização com perda financeira, desemprego e recessão. E tudo assim… da noite para o dia, pelo menos para a população geral que não estava inteirada da possibilidade da economia ruir e, num efeito cascata, dominó, sei lá como, todo o mundo vai sendo atingido porque a economia também é globalizada. O Brasil ainda não sofre, diretamente, mas já se prepara para o tempo ruim que virá e, por hora, alguns já se aproveitam para ganhar em cima da provável crise.
A natureza, por sua vez, contribuiu para esta puxada de tapete de iguais proporções, de qualidades diferentes, mas tão arquetípica quanto a crise financeira, expressão da carta da Morte do tarô e também da lei da polaridade. O exemplo mais recente, aqui no Brasil, é a catástrofe que ocorre em Santa Catarina. A proporção das enchentes é a maior que já se viu por aqui, atingindo milhares de pessoas e também afetando drasticamente a economia do país por paralisar o porto de Itajaí. É dor generalizada e súbita, que se prolonga e traz conseqüências funestas.
Mas o que podemos extrair de tudo isto? Sim, porque os atingidos não são e nem podem mesmo ser apenas aqueles diretamente tocados pela tragédia ou emocionalmente relacionados a estas pessoas, e sim qualquer um de nós, expectadores dos acontecimentos. Entretanto, é preciso que endireitemos e concentremos o olhar, apreendendo dos fatos a mensagem mais importante e urgente: o mundo mudou, os valores devem mudar, o que mais importa agora não são os bens e sim a emoção, o material perdeu para o coração. As leis do coração devem, agora, dominar o mundo e isto é óbvio, é gritante para os que querem ouvir. Se compreendermos isto e cedermos à mudança, a harmonização virá, já que se trata de lei. Se teimarmos, a dor será maior, as ocorrências deste tipo se repetirão até que possamos entender que os tempos já são outros e, apesar de tudo, bem melhores. As imagens sobre Santa Catarina são bem claras: famílias que perderam tudo, devastadas pela dor de repentinamente não terem onde ficar, apenas com a roupa do corpo, desmanchavam a expressão de dor e sorriam entre lágrimas, abraçando e sendo abraçadas, em todos os sentidos, por vizinhos emocionados que abriam suas casas e corações para eles; outros, vítimas de desabamentos, sorriam felizes porque, tendo perdido todos os bens materiais, conseguiram salvar o que para eles era mais importante: um filho, um parente, um amor… Não que em outras tragédias não tivessem ocorrido fatos desta natureza, mas é que, agora, eles são a regra e não a exceção. E, da mesma forma, a crise econômica mundial trará, para as nações mais ricas, um crescimento enorme, importantíssimo, só que de outra natureza: o nascimento de solidariedade e a transformação da base de segurança, que passará da solidez econômica para o sentimento.
A capacidade de subsistir à crise fortalecerá os valores internos e fará uma espécie de seleção natural daqueles mais emocionalmente seguros porque, ainda que tarde, os homens comuns entenderão, finalmente, aquilo que os místicos sempre souberam: que a força não é conferida por recursos materiais de qualquer natureza (dinheiro, bens, a porção física do ser…) e sim pelo imaterial (valores morais, crenças, habilidades…); enfim, pelo que anima nossos corpos, que está acima de tudo isto e não nos pode ser retirado em qualquer circunstância. A nossa alma, o amor que ela é capaz de expressar, é o que subsistirá e que, a partir de agora, deve estar à frente nas relações humanas para que haja o tão esperado equilíbrio em todas as esferas. E assim será, aceitemos ou não.
.

Resposta a "Se Minha Criança Sofre"... - por Alba Vieira

Se escrever é terapêutico, o que dizer sobre o que você nos provoca com este texto sobre a dor da nossa criança?
É um convite irrecusável para que olhemos para ela. E todos nós a possuímos, mesmo que tantos não saibam disto. Mas de fato ela está dentro de nós e clama pelo nosso olhar e cuidados.
O seu texto é mágico, é lúdico, comunica-se imediatamente com a criança em nós. Ela é atraída por suas palavras doces, por seu cuidado amorosamente oferecido, seduzida pelo carinho e proteção contidos nas entrelinhas. Hipnoticamente nos deixamos levar e lá estaremos nós outra vez, vivenciando as experiências do passado.
Mergulhamos, em regressão, seja nos fortalecendo enquanto relembramos e revivemos aquilo que foi bom, seja repetindo momentos difíceis (tantas vezes quantas necessárias) com a oportunidade de cura.
É certo que ao lermos este texto mesmo que a mente consciente não entenda (e é até bom mesmo que se distraia), nosso inconsciente vai captar a sua proposta de cura e aceitá-la. A mente inconsciente sabe bem o que fazer para curar nossas feridas, só é preciso ativá-la. E, mesmo sem ter consciência, nossa parte adulta estará lá, ao lado da nossa criança sofrida, cuidando dela, repassando as dores, transformando, ressignificando e promovendo a cura.
E este processo irá se desenvolvendo sem que saibamos, enquanto nos ocupamos de outras tarefas, nos envolvemos com outras pessoas e também enquanto dormimos. E sabe porquê? Porque falando diretamente com a criança, nesse ritmo dos seus versinhos, não haverá resistência… só aceitação. (Espertinha, heim?)
E já que a viagem é bem sucedida, fácil, sem efeitos adversos perceptíveis, uma brincadeira mesmo, nós leitores voltaremos, em busca de novas oportunidades de melhorar.
Será possível, na imaginação, enfrentarmos as bruxas, os dragões, os castelos mal-assombrados, os abismos, as masmorras, os fossos fedorentos habitados por monstros terríveis e tudo mais, porque, no fundo, sabemos que possuímos em nós (sempre) todos os elementos necessários para vencê-los, ainda que estejam adormecidos há muito, muito tempo…
.

Descoberta - por Alba Vieira

Seria descoberta o que me aconteceu ou acaso mais um resgate nesta já tão longa existência?
Experimento esta terra clara, sem cheiro, sem gosto, que se liga facilmente e vai-me permitindo, devagar, criar formas que são familiares para mim. Aprendi a trabalhar com argila ontem e a emoção do aprendizado foi enorme. Sentir a temperatura fria desta terra nas minhas mãos, que vai subindo à medida que o contato com ela vai aumentando… é maravilhoso. A argila permite esta troca de energia que é tão terapêutica.
Tomei uma porção de terra nas mãos e iniciei uma brincadeira de tentar moldar alguma coisa. Foi inútil. Percebi que não deveria conceber antes a imagem e passar a moldar as formas; pelo contrário, deixava minhas mãos livres para que, tocando a argila, como que fazendo carícias, ela cedesse à força das mãos e desvendasse a forma que seria então possível. À medida que eu percebia a forma em potencial e continuava alisando a peça, sentindo nas pontas dos dedos o que ela queria soltar, como queria exprimir-se… ela ia se revelando. Fui visualizando as formas, o nascimento da figura, as curvas do corpo que ia sendo moldado, a sua postura, a expressão do rosto, a totalidade da peça. Às vezes queria refazer algumas partes, acentuar uma curva, aumentar uma protuberância, afinar um traço e notava que, se quisesse realmente controlar algum detalhe, ele se perdia. Eu violentava a peça. Ela existia por si própria. O processo de criação, uma vez iniciado, tem vida própria. O artista tem que ter a sensibilidade de acompanhá-lo, seguindo seus passos apenas, sem desviá-los. De outra forma, mata a criação.
Moldar uma peça é como proceder no amor. Tocamos e sentimos o que o toque provoca no outro. Tantas vezes as reações são leves, tão sutis que podem escapar aos sentidos daquele que não estiver por inteiro na relação e assim se perde o melhor, o efeito não estará à altura do esperado. É uma relação. Depende de um e de outro. É preciso estar inteiro no processo da criação. Temos que captar as sutilezas para atingir o êxtase. De acordo com a sensibilidade do músico, será possível tirar, do mesmo instrumento, variadas qualidades de som. Assim é no amor, que é arte, e em qualquer arte.
Falei em resgate porque senti que já sabia fazer aquilo e sabia que alguma parte de mim havia registrado este conhecimento, esta vivência; então não foi uma descoberta… antes, foi redescoberta. Entrar em contato com habilidades perdidas no tempo é difícil de explicar, mas no fundo, bem lá no fundo, a gente percebe que já sabe aquilo.
Também no amor é assim. Há, em nossa alma, a vivência do amor verdadeiro. Nem sempre alcançamos o quanto sabemos amar porque o que importa não é o que o corpo sabe fazer nem o que a mente quer que o corpo faça; no amor, corpo e mente, juntos, conduzem à música orquestrada pela alma. Na relação com o outro o ego se perde, só quando ele cede a alma toma para si a condução do espetáculo, e só assim é grandioso porque é pleno, porque a alma sabe, porque já amou de verdade em alguma vida, em algum ego que já foi.
No amor, na arte, na arte do amor não há controle: há presença, agudeza de todos os sentidos, há entrega. E para a plenitude deve haver a transcendência dos sentidos. E no gozo, como na arte com argila, só se é tudo quando se permite não se ser nada. A peça só aparece quando não esperamos nada dela, quando soltamos as mãos, suavizamos os dedos para que, na dança com a argila, componham a música orquestrada pelo maestro maior que é Deus em nós, a expressão da alma.
.

Chove Fino - por Raquel Aiuendi

Chove, fino?
talvez imperceptível
chuva que se deixa
cair
cair
sobre um sentimento
angústia, abandono,
desilusão, desesperança…
chuva subliminar
tece lentamente
a superação
planta
uma calma sensação…
É sempre assim
depois de uma longa
chuva de amor.



(Para você, minha irmã.)
.