terça-feira, 21 de julho de 2009

In Vero Míssil - por Ana

Que mané conversa mole!
Preste atenção, seu Gio:
Sou correta nas palavras,
Do sentido não desvio.

Não invento o que não é,
Não distorço, não disfarço,
Avalio, igualmente,
O que fazem e o que faço.

Às vezes sou inspirada,
Isto tenho que convir,
Mas... se não fica legal,
Eu não vou subtrair

Comentário pertinente
No próprio corpo do texto.
Mas a questão aqui
Ocorreu em outro contexto

Que não é assim tão simples
E passo a vos explicar
Pra ficar tudo certinho,
Cada coisa em seu lugar:

O Gio me fez duo-acróstico!!!
Eu fiquei impressionada!
E na sequência da conversa
Escrevinha entrou na parada.

Fui responder a ela
Com acróstico também,
Mas não foi duo, foi simples,
Pro detalhe atentem bem!

Porque desta dupla façanha
Eu não sei se sou capaz,
Não tenho a facilidade
Que possui este rapaz.

E então, no próprio acróstico
Expus a limitação
Que eu tenho, com certeza,
E o menino não tem não.

Então, me digam, amigos,
Se é caso de “glicose”,
Se usei falsa modéstia
Ou mesmo conversa mole.

(Se o Gio é cabeça dura,
Como ele próprio diz,
Não enxerga o seu talento
E se vê como aprendiz,

Não tenho culpa nenhuma
Da sua autocegueira,
Mas todos nós, que o lemos,
Sabemos, sobremaneira,

Como ele escreve bem,
Como é original,
Como domina as palavras
E o lado informacional.

E se quer que o convença
Disto, com mais empenho,
O que falarei que não disse
Antes, até com engenho?

Cheguei a escrever aqui,
Em meio à seda rasgada:
“Diante de vós, Dom Giovanni,
O Mozart não é nada!”

Se ele quer mais que isto,
De duas uma, não mais:
Ou é baixíssima a autoestima
Ou se valoriza demais.)

Mas, voltando ao principal:
Por causa dos eloGios
E da minha sinceridade
Quanto aos meus versos baldios,

Ele me prometeu tapa
E eu fiz o maior escarcéu.
Então, como consequência,
Me pôs no banco dos réus.

Mas que coisa inverossímil!
Gente, dá pra acreditar?
Que moleque abusado!
Vou pô-lo no seu lugar.

A cara Escrevinha tá certa:
Menino, tu é atrevido!
Já não bastava a ameaça
Que fez ao meu pobre ouvido?

Ainda vem, respondão,
Chamar de “surto de humildade”
As palavras que surgiram
De sacrossanta verdade.

(Aquela que tu venera,
Da qual sente a maior falta
Neste mundo de aimeudeus
Que por ela não se pauta.)

Usou grossa analogia
Para tentar ofender
Numa fina ironia
Que não fiz por merecer.

E me chamou de pentelha
Depois de alguns elogios...
Para com o morde-assopra,
Sei que não é teu feitio.

Depois inverteu os polos,
Se pôs no lugar de pai
Que precisa educar o filho.
A paciência se esvai...

E deixa no lugar dela
Uma fúria sem igual!
Criatura, se tu brinca
Com fogo, vai se dar mal!

Não me ameaça de novo,
Garoto tri abusado!
Que eu sigo a Escrevinhadora
E te deixo em maus bocados.

E se você estivesse
Quietinho aí no seu canto,
Eu não teria levado
Tal susto, eu te garanto!

Te digo mais uma coisa:
Eu não estou enganada!
Só reagi à altura.
Quem mandou jogar granada?



Resposta a Sempre Alguém se EngAna..., de Gio.
Referências: Duo-acróstico pra Ana, de Gio;
Doce para Todos, de Escrevinhadora;
Escrevinhadoce, de Ana;
Opereta para Gio, de Ana;
ópera “Dom Giovanni”, de Mozart;
comentário de Gio em Escrevinhadoce, de Ana;
Desagravo, de Escrevinha;
A Verdade a Ver Navios, de Gio;
sobrenome Granada de Gio.
.
Wolfgang Amadeus Mozart.

5 comentários:

  1. Muito bom. Adorei.

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  2. ::: Da Terra do Vinho... :::

    Pausa durante o Congresso
    Venho aqui pra "bloggar"
    Mal a "bloggagem", começo
    Já venho me retratar

    Fiz mancada de mané
    Dessas de roer as unhas
    Chamei a Ana de "ré"
    Querendo dizer "testemunha"

    Ops, não é bem isso!
    Testemunha é a Escrevinha
    Desculpem o rebuliço
    "Vítima" é a palavrinha

    Assim, irrito a plateia
    Mas mais nervoso eu estou
    Escrevi quase uma "Odisseia"
    E não é que o PC reiniciou?

    Agora, eu fico aqui
    Tentando lembrar de cabeça
    O que eu outrora escrevi -
    Não que a mensagem eu esqueça

    Disso eu lembro muito bem:
    Como iria esquecer
    De quem me tratava bem
    E agora quer me bater?

    Eu podia entrar na briga
    Ou me tornar mais agressivo
    Mas minha calma não liga -
    Não que eu seja passivo

    Penso, brigar só faz mal
    Só de pensar, eu congelo
    Afinal, isso é um saral
    Ou já virou um Duelo?

    No entanto, quieto eu não fico
    Isso eu acho desaforo
    Na inocência, eu vou e brinco
    Recebo intimação pro Foro

    Pergunto, então: "De quem veio
    Essa grave acusação?"
    Responde o homem do correio:
    "De seu maior anfitrião."

    Nessa hora, eu quase choro
    Isso dói no coração
    Por isso, Ana, eu imploro
    Não me vem com essa não!

    Nem você, Escrevinhadora
    Advogada sem diploma
    (Dispensável à oradora
    Que já me deixou com um bom hematoma)

    Não que eu dispense os elogios
    - É só que eu morro de vergonha -
    Mesmo assim, já virei frio,
    Ingrato, boca-suja e pamonha!

    Mas desprezar minha poesia
    Não será algo que farei
    Seria muita hipocrisia
    Confrontar justo o que falei

    Pois, ameacei o puxão
    Pelo excesso de modéstia
    Teria falado em vão
    Se, agora, me achasse uma moléstia

    Ainda me acho aprendiz
    Creio, isso nunca mudará
    Mesmo com tudo o que já fiz
    Não sou, das letras, marajá

    Vendo que a minha ironia
    Não 'tá sendo bem recebida
    Antes que eu entre numa fria
    Já vou tomando a minha medida:

    Como eu virei o vilão
    O perverso, o mau rapaz
    Vou avisando de antemão -
    Aqui, eu já não brinco mais!

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  3. Obrigada pelo elogio, Escrevinha!
    Beijo.

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  4. Acho que este eu já respondi também, não é, Gio? rsrs

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  5. Eu tô chorando de rir com isso! hauhauhauhauha

    Já respondi de novo, mas o Shintoni deve postar só amanhã, pelo jeito :P

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