Neste cárcere de papel
tento aprisionar um momento,
um pensamento, um fato.
Tecendo um breve relato,
relatório, poema.
Nem sei se é prisão ao certo,
o correto, a expressão.
Só sei que é uma corrente,
torrente, escorrente...
Neste cárcere de papel
tento aprisionar uma ideia,
megera, Medéia,
tratado ou documento.
É tudo tão revirado,
carece de esforço e sentido.
Neste cárcere de papel,
destrancado,
um breve registro,
ou breve passagem,
para não perder a viagem;
lugar comum, logaritmo.
Liberdade concentrada,
ir e vir circunscrito.
Neste cárcere de papel
não conta o que já foi dito;
é só o testemunho silencioso
de pensamentos barulhentos...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Última carta
Quando me disseram conhece a ti mesmo, não esparava encontrar tanto de outra pessoa naquele lugar, nem que esta estrada desse num poço sem mim.
No lusco-fusco do horizonte, sem a negra íris ou o arco-e-flecha, fui me despossuindo até deixar de ser meu, até que o conteúdo permanecesse apenas na entrega.
Teu nome de intensidade absorveu-me a inconstância. Passei a viver, eu também, fora daqui - na tua carne, tua fala e teus cabelos.
https://poesiaincidente.blogspot.com.br/