sábado, 19 de setembro de 2009

Era a Psique... - por Ana

(Paródia de “Eros e Psique”, de Fernando Pessoa)


Reza a lenda que assedia
Um Maníaco, no mictório,
A quem só satisfaria
Um Estudante, que viria
Se aliviar, do refeitório.

Este tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, desavisado,
Cedesse ao assédio do tarado
Que não alivia ninguém.

O Maníaco, decidido,
Espera, insiste e espera,
Conta com a sorte sua libido,
E orna-lhe o crânio dolorido,
Roxo, um hematoma da galera.

E o Estudante, coitado,
Sem saber que a surpresa vem,
Vai pro banheiro apressado,
Ele está tri apertado:
Da sua bexiga é refém.

Mas desconhece o Destino:
Ele, desesperado
(“Ai, eu quase me urino!”);
O Maníaco, ladino,
Olhando, extasiado.

E, se bem que seja obscuro
O motivo do Maníaco, naquela hora,
O Estudante fica inseguro,
E temendo pelo futuro,
Recolhe, não deixa de fora.

E, inda tonto do que houvera,
No espelho, em agonia,
Olha os óculos e a careca,
E vê que ele mesmo era
O Maníaco que assedia.



Inspirado em O Maníaco do Mictório, de Gio.
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6 comentários:

  1. Muito bom Ana!
    Tudo haver com o texto do Gio.

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  2. Fui ler só agora...

    MUITO BOM! huahuahuahuahuahuahuauhahu

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  3. Assassinato


    Estava a vazar

    Veio o incauto inseto
    e lá me pica
    que vermelha fica

    Num gesto preciso
    meu jato acerta
    o infeliz mosquito

    Assim assassinado
    para a descarga vai
    o pobre coitado

    Cometido foi
    o crime perfeito

    Apesar da prova que fica
    a escondida picada
    e taboa molhada.

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  4. Poeta:
    Muito obrigada por seu elogio!
    Um abraço.

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  5. Gostou, Gio?
    Gostei também...
    rsrsrs
    :)

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