sexta-feira, 29 de maio de 2009

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Alba Vieira

Este foi um dos primeiros textos bem-humorados que a Ana colocou no blog. Adorei pelo final surpreendente e como ela, tranquilamente, conduz o pobre leitor por uma narrativa muito séria, densa e, no final, joga aquele fato inesperado. Muito bom!



PERDÃO
(ANA)

Não me venha pedir perdão em japonês. Encara. Fixe os olhos em mim e emita palavras audíveis na minha língua. Esse negócio de monossílabos nipônicos não é comigo. Seja homem e tente ter um pouco de coragem. Recolha os cacos da sua hombridade e veja se dá pra montar um mínimo de caráter. Admita seu erro e conserte as coisas. Você sabe que eu entendo, que não julgo e nem condeno, mas odeio desrespeito comigo. Pode se retratar que eu desculpo. Mas, da próxima vez, não use meu vestido sem pedir.
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2 comentários:

  1. Agradeço imensamente a indicação, Alba!
    Beijo!

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  2. dos posts da Ana...
    chorei, sorri e ri, trouxe-me paz e lembrança de alguém querido...
    o post é:

    Há um Biscoito que Eu Adoro… - por Ana

    Eu moro perto de uma escola
    que é grande como o quê
    lá tem árvores e sombra,
    e dá p’ra rodar bambolê.

    Nessa mesma escola aprendi
    a escrever o bê-a-bá.
    Hoje, ouço daqui os recreios
    e a criançada a gritar.

    Quando eu ouço a meninada
    fazendo bagunça adoidado,
    penso numa coisa boa
    e o coração fica apertado.

    É que nessa escola, agora,
    estuda um lindo garotinho
    que é fofo, branco, magrinho,
    que eu chamava “biscoitinho”.

    Depois ele virou biscoito
    Porque, de repente, cresceu…
    Do jeito que está espichando
    ficará maior que eu.

    Logo depois, outro segundo,
    virou um lindo garotão,
    esticou uma vez ainda,
    e eu chamei de biscoitão.

    Eu sou sua “tia Ana”,
    que não gosta de ouvir: -“Tia”.
    Porque tias existem muitas:
    na escola, na rua, família…

    Quando ele me chama assim,
    meus ouvidos dão um nó,
    eu faço ameaça, careta
    e respondo assim: -“Óóóóóóó…”

    Esse menino-biscoito,
    branquinho como polvilho
    hoje tem sardas lindas
    e nos olhos tanto brilho!

    Pois é por isso que eu,
    que não posso mais ir vê-lo,
    fico triste de dar dó
    quando ouço, no recreio,

    as vozes das criancinhas
    e imagino o biscoitão,
    já tão crescido brincando
    no meio da berração.

    Não posso vê-lo, nem nada,
    e ele não vem me ver.
    Estas coisas do destino
    que não se consegue entender…

    Às vezes eu vou à janela
    e vejo as crianças sentadas
    esperando a mamãezinha,
    a titia ou a empregada.

    Imagino que um dia
    alguém pode se atrasar
    e eu verei o biscoitinho,
    sentadinho a esperar.

    Meu coração bate forte,
    olho, olho e nada vejo.
    Deixo, então, para amanhã,
    talvez, realizar meu desejo.

    Mesmo que fosse de longe,
    queria ver Ronier.
    Sei que está lindo de morrer,
    queria ver como é que é.

    Dá um vazio por dentro,
    uma tristeza calada,
    é tanta falta que eu sinto…
    uma saudade danada…

    Lembro o sorriso, olho a foto,
    é uma judiação!,
    choro um pouquinho de nada
    p’ra aliviar o coração.

    Em breve ele vai mudar
    p’ra longe, um lugar bom,
    para perto da vovó
    com a mamãe e o irmão.

    Não sei como irei vê-lo,
    ficará tão mais difícil!
    Será mesmo absoluto
    impedimento, impossível!

    Mas, assim que eu tiver um quarto
    todo espaçoso e arrumado,
    enquanto eu trabalho duro,
    vou pôr seu retrato a meu lado.

    Olharei sempre pra ele
    junto a tantas outras fotos
    de gente que também amo…
    o meu sentimento remoto.

    Pensarei sempre em você,
    querendo que esteja sorrindo
    naquele momento e sempre,
    do jeito que eu acho lindo.

    Aproveitando essa vida
    da melhor forma possível,
    pois tem tantas coisas boas
    e pode ser tão incrível.

    Desejarei sempre assim,
    só pensando positivo
    a quem será sempre, pra mim,
    o meu biscoito preferido.

    Ah! Meu biscoito querido,
    adorado biscoitão…
    Quanta saudade que eu sinto
    dentro do meu coração!


    Abraço, Ana e diga pra Samur-Ai me aguardar...

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