domingo, 8 de março de 2009

Encanto e Desencanto - por Moita

Bandeira, em Desencanto,
faz verso como quem morre.
Mas morrer não é encanto;
é passatempo que corre.

De desalento, de desencanto
que a paciência me torre.
Não tens motivos pra pranto,
quem sabe, tomar um porre.

Morte é produto acabado.
Millôr já disse afobado;
nós somos matéria prima.

Encanto é admirado,
perseguido, almejado,
encantado em nossa rima.
.Manuel Bandeira, Millôr Fernandes

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