terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

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2 comentários:

  1. Comentário por Luiz de Almeida Neto — 30 janeiro 2009 @ 21:12

    ESCURO

    De noite
    em meu quarto
    com a cama pálida
    eu sou você, amigo
    Te dou a mão
    mas você não vê.

    Quando meus sonhos
    ou pesadelos
    apontam na esquina
    eu sou você
    coberto de papelão
    e tossindo ao relento.
    Eu adivinho uma febre,
    seus calafrios
    e não faço nada.
    Meu medo
    faz com que eu não sinta
    você.

    E o mundo
    que é um escuro
    impenetrável
    nos afasta mesmo que a uma rua de distância.
    E não sei seu nome,
    seu jeito,
    suas crises,
    mas por um instante
    sou você.

    Sinto uma picada
    muito fraca
    da dor enorme que você sente
    e já me apavoro,
    pressinto a fome
    que te assola perenemente
    e a sacio,
    mas te adivinho
    também uma sede.

    Não sou você,
    porque não me entrego
    porque me nego
    a me sentir imundo,
    e porque ainda creio
    não obstante o receio
    de que sou de outro mundo.

    Mas meu corpo,
    ele sim,
    fala mais a mim
    do que todo este absurdo
    não reclama nossa irmandade
    já que ela não percebo
    mas exige que eu compartilhe
    no todo ou em parte
    uma parte de teu lamento
    tuas angústias,
    teus tormentos,
    do que sabes que é verdade.

    Agora mesmo vou dormir
    sabendo o quanto não sei de nada,
    realmente não aprendi,
    e não quero que tal lição
    me seja ensinada
    Com o que até hoje conheci
    não sei nem muito bem
    como apareceste
    na minha estrada.

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  2. Onde?


    Onde está você?
    Só encontro tuas lembranças
    no vazio que me envolve

    Onde está você?

    Doi
    a ausência
    do teu calor
    das tuas mãos
    do teu cheiro

    Quanto tempo mais neste vazio?

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