sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Chove Fino - por Ana

Chove fino.
Caem gotas leves sobre minha alma de barro seco,
que não conhece flores há muitos anos.
Arrasto-me dolorida, sem erguer os pés nos passos inchados,
as roupas em trapos, encardidas pela aridez de minha paisagem interior
que suga a luminosidade da janela sem êxito.
Quando choro não umedeço,
é apenas a vazante de um rio subterrâneo que,
na superfície, secou faz tempo.
Minha pele é de camaleão, opaca,
confundida com os dias amarelentos.
Sabor de giz na língua, saliva grossa de sede,
cabelos de quem não se vê no espelho.
Não mais rimo a dor com outros sentimentos.
Sofro em uma depressão longa,
da qual não se vê o final no horizonte estéril.
Sigo em frente, sem lágrimas,
sem dor no coração, porque o desconheço.
Que é de mim? Não lembro...
Há tempos tive sonhos, hoje não durmo.
Meus olhos seguem duros por sobre o isolamento,
fixos em frente, sempre, fiéis à direção de meus passos involuntários.
Quero cair, prostrar, esquecer...
morrer sob um céu que não protege.

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2 comentários:

  1. Comentário por Raquel — 21 dezembro 2008 @ 2:30 |Editar

    Chove, fino?
    talvez imperceptível
    chuva que se deixa
    cair
    cair
    sobre um sentimento
    angústia, abandono,
    desilusão, desesperança…
    chuva subliminar
    tece lentamente
    a superação
    planta
    uma calma sensação…
    É sempre assim
    depois de uma longa
    chuva de amor.

    Raquel Aiuendi

    Para vc, minha irmã.

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  2. Comentário por Ana — 27 janeiro 2009 @ 10:37 |Editar

    Raquel:
    Esta sua poesia é LINDÍSSIMA! BELÍSSIMA! CARINHOSÍSSIMA! DELICADÍSSIMA! SENSIBILÍSSIMA!
    Linda, linda, linda!
    Não me canso de ler!

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