sábado, 24 de janeiro de 2009

Passa-Tempo... - por Raquel Aiuendi

Para quem tava só passando tempo
Sem querer dizer quem é
Agora já sei
O nome rima com chulé
Não adianta e nem me arrependo
Já que rimei
Manda sua súplica e réplica
Que daqui me defendo
Com coerência e ética
Só não garanto a você
Usar o linguajar de seu pai
Se entender o que lê
Aqui, duele sem mas-mas.


Resposta a “Julgamento e Desafio”, de Passa-Tempo.
.

9 comentários:

  1. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:17

    ÁLBUM DE FIGURINHAS

    Somos meras figurinhas
    Figurinhas deste álbum do viver.
    Amigos, figurinhas carimbadas
    Que nos dão enorme prazer.

    Figurinhas
    Troca-troca
    Amassadas, envelhecidas
    Rasgadas, repetidas.
    Figurinhas.
    Álbum cheio
    Hobby de um colecionador
    Em litúrgica cerimônia
    Joga bafo-bafo
    Com o criador.

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  2. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:18

    ENCONTRO (VELHAS AMIZADES)

    A grata satisfação
    Encontrar amigos
    Amigos queridos
    Amigos perdidos
    Perdidos no tempo, na memória.
    Ver no encontro
    A dúvida, o olhar, a luz.
    Sentir-se entre abraços e sorrisos
    Deixar a emoção emancipar-se do peito
    Restos de saudade
    Pingos de lembranças
    Com os olhos rasos d’água
    O prazer de ouvir comovido
    Uma voz rememorando seu nome
    E perguntar: como é que vai?

    Amansa-lo com olhar
    Sentir em sua aparência
    Se a safada da vida
    Na inexorabilidade do tempo
    Passou-lhe uma rasteira
    Mantendo seu jugo (pesado fardo) sobre seus ombros
    No arrastar da idade
    Repercutindo em espaçados fios de cabelos.

    Amigo…
    Não tenho palavras,
    Ponha o braço sobre meu ombro
    E vamos ali…
    No bar da esquina
    Tomarmos uma cerveja
    E vivemos as reminiscências de nossas sinas.

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  3. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:19

    NOVELA DAS OITOS

    Vinte horas
    Um clarão de néon no céu
    Das salas do Brasil
    Rostos lívidos, ávidos atenciosos
    Níveos olhos se arregalam ao suspense
    Bocas inúmeras sugam beijos sedutores
    Em noite dos trópicos
    Pessoas se transportam na hora do jantar
    Assumem personalidades impostas
    N o período de uma hora
    O pasto é posto defronte a mesa
    Introduzem em mundos distintos
    Paixões, intrigas, desejos, amores, cobiças,
    Fantasia, consumo e violência.
    Até que o plim-plim da Globo
    Interrompa o colóquio cotidiano
    Levando cenas da vida
    Para a real dos próximos
    capítulos.

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  4. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:20

    JE VOUS SALUE MARIE

    Anônimos possessos
    Se seduzem
    Ferrenha luta
    A conquista…
    Macho versus fêmea
    O anjo se retira
    Uma estocada
    Jaz sangue sobre organdi
    Das dores deu lugar
    A prazeres
    Das trevas à luz
    Fiat luz
    Se constituindo
    Simplesmente
    Maria.

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  5. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:21

    INCRÍVEL HULK

    O que penso…
    Penso nas lutas inglórias
    Lutas pela sobrevivência
    Que nos transformam em monstros
    Tornando-nos seres ambíguos
    Verdes pela fome
    Amarelos pela inanição
    Lívidos pela morte.
    Seres descomunais
    Seres sem identidade
    Seres…
    Sem alma.

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  6. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:22

    VOLTE

    No guarda roupas
    Uma camisola
    Aguarda seu corpo.

    No armário do banheiro
    Uma escova dental
    Aguarda sua boca.

    Em mim
    Um corpo viciado
    Impregnado pelo seu cheiro
    Guarda
    Saudade.

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  7. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:24

    NÃO DIGA NÃO

    Aonde o não impera
    O sim prevalece.

    Todas às vezes
    Que com amor dizemos
    Não.
    O sim desponta no
    Coração.

    O não é a verdade invertida
    O sim pode ser a mentira
    Escondida.

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  8. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:30

    ESCAPISMO

    Quando a realidade
    Com seus tentáculos
    Tenta me alcançar,
    Pulo para fantasia
    Ponho-me a poetar.

    Covardia?
    Não,
    É um mero jogo
    cintura.

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  9. Comentário por Dalberto Gomes — 25 janeiro 2009 @ 2:31

    CRIME DOMINICAL

    Tarde de domingo
    A morte se avizinha
    Gosto de sal do almoço.
    Sol resvala no crepúsculo
    Ansiedade…
    Arrotos tépidos
    Estocada no peito
    Cervejas vazias
    Corpo na cama
    Esqueleto na poltrona
    Silêncio quebrado
    Gargalhada do Silvio Santos
    Besteirada do Faustão.
    Valha-me Deus!
    Ao longe o assovio da rádio Globo
    Anuncia que é tarde de futebol.
    Domingo
    Saco…
    Respingando angústia
    e tédio.

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