SOUVENIR
-
*De tanto ficar deitado*
*o corpo todo doeu*
*De tanto desencontrar*
*o que se devia falar se escreveu*
*Mal entendido*
*quanto mais explicado*
*mais confun...
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Passaporte
Seguro tuas mãos como a água que cai de uma fonte, para que nada escorra, nem tua essência entre meus dedos.
Deito o olhar demoradamente sobre teu rosto, não posso deixar que nenhum detalhe passe desapercebido.
O roubo, o assassínio, a extorsão, nada disso me levaria ao inferno.
Mas qualquer pequena negligência para contigo não seria perdoada por nenhum dos deuses ou homens.
Não, não, não... não posso parar de te olhar, porque a lembrança de tua face servirá de passaporte para o paraíso.
- Fiz coisas erradas como todos os homens; mas olhe o que vi, a boca que beijei, o sentimento que senti e me diga que não mereço uma vaga ao Vosso lado...
ou consentiria, ou não seria Deus.
Fênix_K!
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
Sou o meu exército - por - Kbcapoeta
Sirvo ao exército
Ele tem um general,
Um soldado,
Um homem.
Sigo a desvendar
Lugares e lugarejos.
Tal qual Manoel de Barros
Pratico
O desvio
E o “desver”
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sexta-feira, 5 de junho de 2015
Um,dois - por- Kbçapoeta
Um tolo
Um talo
Fatia
Do pão
O bolo
O lado
Luzia
Na mão
Cortado
O todo
Sorria
O cão
Deixado
O fosso
sorvia
O chão
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quarta-feira, 3 de junho de 2015
Vivendo
Maldito
espelho diz que envelheço
Que esmaece
tonicidade muscular
Talvez tal
senilidade seja o preço
Que todo
vivente terá que pagar.
A degradação corporal é o começo
Duma
velhice que está prá chegar
E não há
como conservar em gesso
Aura de
saúde plena, espetacular.
Sequer adianta virar pelo avesso
Tentando
desse modo saúde salvar
Assim
ofegante respirando opresso
Cansado,
encostado num espaldar.
Então descubro que tudo mereço
Pois aqui
não estamos para ficar.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
O solitário não está só - por- Kbçapoeta
Uma multidão segue sua causa
Queixam-se da mágoa e do abandono.
Ecos em vão.
Todos os solitários
Ocupados em ser só.
Não viram o rosto para o lado.
Presos,algemados
Com a solidão
Que guardam e cultivam
Como flores raras.
Todos os solitários lado a lado,
Sem perceber
Que a solidão
É questão de querer.
Querer a intensa companhia
Da solidão
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quarta-feira, 27 de maio de 2015
Novidade original
O espaço está repleto. Repleto da angústia de não ter pra onde olhar. E tudo
gira depressa. Foscas imagens brilham macabras. Um violento calor brande em
chamas dentro dos cérebros convulsos. O vento quente assola as paisagens.
Paisagens urbanas e mortas.
No entanto, aquele pescoço desesperado acerta uma direção. E os olhos
lacrimejantes, de tão cansados, topam com algo surpreendente e incompreensível.
Ainda assim, bela visão! Tudo então se concentra naquele ponto. Até o vento
parou.
Era uma flor que brotava do concreto cinza.
[Adhemar - São Paulo, janeiro/1983]
sábado, 23 de maio de 2015
Epitáfio
Não me olhem e digam:
- era tão novo e acabou assim
[é assim que tudo acaba.
Não pensem: poxa, se não tivesse feito aquilo... talvez...
Não pensem: poxa, se não tivesse feito aquilo... talvez...
- o “se” não redime a carne,
[não a salva dos vermes.
Não declamem louvores a Deus por sobre minha carcaça:
Não declamem louvores a Deus por sobre minha carcaça:
era sua hora...
[não, não era.
Acima de tudo, não afirmem categoricamente: era um menino tão bom...
Acima de tudo, não afirmem categoricamente: era um menino tão bom...
[nunca somos.
Pobre morte, cercada pela comédia humana
Pobre morte, cercada pela comédia humana
[ à direita o medo, à esquerda a hipocrisia
Fênix_K!
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
Soneto da pedra bonita
Amo-te tanto que prefiro ter
A solidão de um penar no deserto
Do que sofrer por um amor incerto
Dor no peito que não posso conter
Quero-te tanto que não sei deter
Minha vontade de lhe ter por perto
No coração desejo tal aperto
Na minha vida poder-te reter
Porém a chance não seja possível
Pois meu retorno tenha sido lento
E minha felicidade perdida
Acredito sempre no impossível
O seu calor,meu verão um alento
no meu vagar em amar sem medida
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Soneto da Phoenix
Ave Fênix,
destrói os receios, queima a dor,
Trai a
verdade. Risca o infinito azul.
Extrema,
porém calma, põe a vida a dispor.
Devora a
morte, não tem norte, não tem sul.
Sob suas garras, eleva cá meu corpo nu.
Desensina a
fugir, me mostra toda cor,
Revolve
minha carne e devora a cru.
Haver,
Fênix, composto sua e minh’alma.
Nas veias,
há de pulsar nosso sangue unido,
Adubando com
cinzas o amanhecer.
Ah, Fênix, vi meu medo abatido em amálgama
À sua esperança. Vi ao longe: eu ungido
Em fogo. Morto, sempre; eterno renascer.
Fênix_K!
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...
O Pracista
Belo plenilúnio esbanja o seu branco
O manto que clareia os bairros cansados
Misturava-se ao breu que colori o anil
Miríade sobre tons azulados
Paisagem diversa do meu Brasil
Sob olhares de um mendigo em seu banco
terça-feira, 12 de maio de 2015
LUPA
Encontrei mais perto
passo a passo
olhar fixado no chão
na trilha
rastro ou pegada não
sintoma, pressentimento
fantasma, forma difusa
torpor do esquecimento
confusa
Indícios, migalhas
iscas de ilusão
condecorações, medalhas
virtude é condenação
seriedade que espalha
fraquezas, franquias
prejuízos e perdição
meneios e manias
confusão
Encontrei mais perto
infinita distância
o impossível e o não
[Adhemar - Santo André, 28/08/2014]
passo a passo
olhar fixado no chão
na trilha
rastro ou pegada não
sintoma, pressentimento
fantasma, forma difusa
torpor do esquecimento
confusa
Indícios, migalhas
iscas de ilusão
condecorações, medalhas
virtude é condenação
seriedade que espalha
fraquezas, franquias
prejuízos e perdição
meneios e manias
confusão
Encontrei mais perto
infinita distância
o impossível e o não
[Adhemar - Santo André, 28/08/2014]
sábado, 9 de maio de 2015
A Papoula e o Bebê
A cor (a)trai
os olhos
vermelho provocador
no veludo
o toque
destrói pétalas
o bebê
tem a flor
na mão (e ri)
nariz de pinóquio
não descobriu
espinhos ainda
os olhos
vermelho provocador
no veludo
o toque
destrói pétalas
o bebê
tem a flor
na mão (e ri)
nariz de pinóquio
não descobriu
espinhos ainda
Fênix_K!
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sexta-feira, 8 de maio de 2015
A NOVA INTEMPÉRIE
Abandono algumas vezes se faz necessário
Nunca se está preparado para tal
Indubitavelmente acontece inesperadamente
Como tormenta em alto mar assolando a pequena embarcação
Estático, resoluto, suportamos calados
Longo, penoso e insuportável cenário para alguns
Mares revoltosos que se enfrenta
Arte da sobrevivência das grandes cidades
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Ocaso de um quinteto livre
Um céu de quatro tons
Cinza, branco, róseo e azulado.
Garras que possuem olhos,
Ventos e bocas que anunciam o breu.
O véu da noite.
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quarta-feira, 29 de abril de 2015
Receita caseira para uma boa publicação
Recolha da gaveta os textos que escreveu quando jovem. Também funciona com aqueles gravados num diretório remoto, se você não perdeu quando trocou de computador pela quinta vez. Neste caso, imprima. Reúna todos numa grande bacia. Acrescente 5 l de experiência e duas gotas de bom-senso (cuidado para não exagerar). Deixe de molho por aproximadamente 23 anos. Com auxílio de uma pinça grande, retire-os do recipiente delicadamente. É provável que os papéis estejam meio frágeis. Estenda um a um no varal do anti-heroísmo (se for o do seu vizinho, melhor ainda). Depois de algumas horas secando na sombra, todos os textos em que se consiga ler algo além do inconformismo sem sentido estão prontos para publicação! Entretanto, caso tenha restado pouca substância literária, não se chateie. Você agora tem todos os ingredientes para tentar de novo.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
ARRASTAR DAS HORAS -por- Kbçapoeta
Catadupas
de minutos,
Cessaram
as mensagens,
Redobraram
as horas,
O
silêncio tomou conta
Após uma
tarde morta.
Fruto de
uma manhã fria,
Sete
espectros e seus efeitos.
Tato,
vibração caótica.
Todos
imersos,
Suscetíveis
aos efeitos das 24 horas tortas.
Que se
resumem em nada.
Diástole que do tempo vaza.
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
GUI CANTA PARA LOU
Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado
Queria ser bonito para que me amasses
Queria ser forte para que me amasses
Queria ser jovem jovem para que me amasses
Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses
Queria te agarrar para que me amasses
Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses
Queria te pisar para que me amasses
Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses
Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente
Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança
Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo
Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim
Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá
Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor
Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro
Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti
Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor
Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.
Queria ser bonito para que me amasses
Queria ser forte para que me amasses
Queria ser jovem jovem para que me amasses
Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses
Queria te agarrar para que me amasses
Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses
Queria te pisar para que me amasses
Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses
Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente
Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança
Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo
Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim
Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá
Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor
Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro
Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti
Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor
Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015
Dei ad infinitum -por-Kbçapoeta
Venho de um
processo
Onde o
recesso cósmico é permitido.
O espaço e o
tempo.
O
espaço-tempo.
Tudo criado
pelo homem,
Carmas e
pecados
Devolvem ao
homem sua paz.
A certeza de
que conforta a espécie
É a ausência
de Deus e não sua presença.
Se Deus
manifestasse sua onipresença
Adentrando
as mentes humanas
Durantes as
24 horas do dia.
Para muitos
Isso seria o
inferno.
My Iraq
Quero uma poesia de olhos fechados, que não veja hipocrisias, atrocidades, que não veja nada Uma poesia alienígena, que não seja desse mundo nem tente entendê-lo Num papel que as balas não furem e as crianças, desesperadas, desmembradas, decapitadas, não sujem de sangue Não! Não quero papel algum, é resquício que nos incrimina, todos os homens Quero palavras sustentadas no vazio, sem lastro algum com a dor, a vida, ou seu extermínio Quero frases eternas, que nunca foram escritas, e nunca serão apagadas Velhos versos da Torre de Marfim, neo-simbolistas contextualizados Quero um poema que tenha vergonha de ser humano.
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