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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 3 de junho de 2015

Vivendo


Maldito espelho diz que envelheço
Que esmaece tonicidade muscular
Talvez tal senilidade seja o preço
Que todo vivente terá que pagar.

A degradação corporal é o começo
Duma velhice que está prá chegar
E não há como conservar em gesso
Aura de saúde plena, espetacular.

Sequer adianta virar pelo avesso
Tentando desse modo saúde salvar
Assim ofegante respirando opresso
Cansado, encostado num espaldar.

Então descubro que tudo mereço
Pois aqui não estamos para ficar.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O solitário não está só - por- Kbçapoeta



Uma multidão segue sua causa
Queixam-se da mágoa e do abandono.
Ecos em vão.
Todos os solitários
Ocupados em ser só.
Não viram o rosto para o lado.
Presos,algemados
Com a solidão
Que guardam e cultivam
Como flores raras.
Todos os solitários lado a lado,
Sem perceber
Que a solidão
É questão de querer.
Querer a intensa companhia
Da solidão



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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Novidade original



               O espaço está repleto. Repleto da angústia de não ter pra onde olhar. E tudo gira depressa. Foscas imagens brilham macabras. Um violento calor brande em chamas dentro dos cérebros convulsos. O vento quente assola as paisagens. Paisagens urbanas e mortas.

                No entanto, aquele pescoço desesperado acerta uma direção. E os olhos lacrimejantes, de tão cansados, topam com algo surpreendente e incompreensível. Ainda assim, bela visão! Tudo então se concentra naquele ponto. Até o vento parou.

                Era uma flor que brotava do concreto cinza.



[Adhemar - São Paulo, janeiro/1983]

sábado, 23 de maio de 2015

Epitáfio

Não me olhem e digam: 
- era tão novo e acabou assim 
                                      [é assim que tudo acaba.
Não pensem: poxa, se não tivesse feito aquilo... talvez...
- o “se” não redime a carne, 
                                      [não a salva dos vermes.
Não declamem louvores a Deus por sobre minha carcaça: 
era sua hora...
                                      [não, não era.
Acima de tudo, não afirmem categoricamente: era um menino tão bom...
                                      [nunca somos.
Pobre morte, cercada pela comédia humana
                                      [ à direita o medo, à esquerda a hipocrisia


Fênix_K!

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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Soneto da pedra bonita




Amo-te tanto que prefiro ter
A solidão de um penar no deserto
Do que sofrer por um amor incerto
Dor no peito que não posso conter

Quero-te tanto que não sei deter
Minha vontade de lhe ter por perto
No coração desejo tal aperto
Na minha vida poder-te reter

Porém a chance não seja possível
Pois meu retorno tenha sido lento
E minha felicidade perdida

Acredito sempre no impossível
O seu calor,meu verão um alento
no meu vagar em amar sem medida





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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Soneto da Phoenix

Ave Fênix, destrói os receios, queima a dor,
Trai a verdade. Risca o infinito azul.
Extrema, porém calma, põe a vida a dispor.
Devora a morte, não tem norte, não tem sul.
Ave, Fênix! Prosterno-me a seu louvor.
Sob suas garras, eleva cá meu corpo nu.
Desensina a fugir, me mostra toda cor,
Revolve minha carne e devora a cru.

Haver, Fênix, composto sua e minh’alma.
Nas veias, há de pulsar nosso sangue unido,
Adubando com cinzas o amanhecer.

Ah, Fênix, vi meu medo abatido em amálgama
À sua esperança. Vi ao longe: eu ungido 
Em fogo. Morto, sempre; eterno renascer.


Fênix_K!

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O Pracista









Belo plenilúnio esbanja o seu branco

O manto que clareia os bairros cansados

Misturava-se ao breu que colori o anil

Miríade sobre tons azulados

Paisagem diversa do meu Brasil

Sob olhares de um mendigo em seu banco



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terça-feira, 12 de maio de 2015

LUPA

Encontrei mais perto
passo a passo
olhar fixado no chão
na trilha
rastro ou pegada não
sintoma, pressentimento
fantasma, forma difusa
torpor do esquecimento
confusa

Indícios, migalhas
iscas de ilusão
condecorações, medalhas
virtude é condenação
seriedade que espalha
fraquezas, franquias
prejuízos e perdição
meneios e manias
confusão

Encontrei mais perto
infinita distância
o impossível e o não


[Adhemar - Santo André, 28/08/2014]

sábado, 9 de maio de 2015

A Papoula e o Bebê

A cor (a)trai
os olhos
vermelho provocador

no veludo
o toque
destrói pétalas

o bebê
tem a flor
na mão (e ri)

nariz de pinóquio
não descobriu
espinhos ainda

 
 

Fênix_K!


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sexta-feira, 8 de maio de 2015

A NOVA INTEMPÉRIE





Abandono algumas vezes se faz necessário

Nunca se está preparado para tal

Indubitavelmente acontece inesperadamente

Como tormenta em alto mar assolando a pequena embarcação

Estático, resoluto, suportamos calados

Longo, penoso e insuportável cenário para alguns

Mares revoltosos que se enfrenta

Arte da sobrevivência das grandes cidades



                                                                                           Visitem Kbçapoeta




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Ocaso de um quinteto livre



Um céu de quatro tons

Cinza, branco, róseo e azulado.

Garras que possuem olhos,

Ventos e bocas que anunciam o breu.

O véu da noite.



                                                                                                       Visitem Kbçapoeta







quarta-feira, 29 de abril de 2015

Receita caseira para uma boa publicação

Recolha da gaveta os textos que escreveu quando jovem. Também funciona com aqueles gravados num diretório remoto, se você não perdeu quando trocou de computador pela quinta vez. Neste caso, imprima. Reúna todos numa grande bacia. Acrescente 5 l de experiência e duas gotas de bom-senso (cuidado para não exagerar). Deixe de molho por aproximadamente 23 anos. Com auxílio de uma pinça grande, retire-os do recipiente delicadamente. É provável que os papéis estejam meio frágeis. Estenda um a um no varal do anti-heroísmo (se for o do seu vizinho, melhor ainda). Depois de algumas horas secando na sombra, todos os textos em que se consiga ler algo além do inconformismo sem sentido estão prontos para publicação! Entretanto, caso tenha restado pouca substância literária, não se chateie. Você agora tem todos os ingredientes para tentar de novo.


Fênix_K!


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

ARRASTAR DAS HORAS -por- Kbçapoeta






 
 
Catadupas de minutos,
 
Cessaram as mensagens,
 
Redobraram as  horas,
 
O silêncio tomou conta
 
Após uma tarde morta.
 
Fruto de uma manhã fria,
 
Sete espectros e seus efeitos.
 
Tato, vibração caótica.
 
Todos imersos,
 
Suscetíveis aos efeitos das 24 horas tortas.
 
Que se resumem em nada.
 
Diástole que do tempo vaza.
 
 
 
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

GUI CANTA PARA LOU

Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado

Queria ser bonito para que me amasses

Queria ser forte para que me amasses

Queria ser jovem jovem para que me amasses

Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses

Queria te agarrar para que me amasses

Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses

Queria te pisar para que me amasses

Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses

Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente

Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança

Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo

Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim

Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá

Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor

Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro

Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti

Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor



Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.








Fênix_K!

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dei ad infinitum -por-Kbçapoeta










Venho de um processo

Onde o recesso cósmico é permitido.

O espaço e o tempo.

O espaço-tempo.

Tudo criado pelo homem,

Carmas e pecados

Devolvem ao homem sua paz.

A certeza de que conforta a espécie

É a ausência de Deus e não sua presença.

Se Deus manifestasse sua onipresença

Adentrando as mentes humanas

Durantes as 24 horas do dia.

Para muitos

Isso seria o inferno.



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My Iraq

Quero uma poesia de olhos fechados, que não veja hipocrisias, atrocidades, que não veja nada Uma poesia alienígena, que não seja desse mundo nem tente entendê-lo Num papel que as balas não furem e as crianças, desesperadas, desmembradas, decapitadas, não sujem de sangue Não! Não quero papel algum, é resquício que nos incrimina, todos os homens Quero palavras sustentadas no vazio, sem lastro algum com a dor, a vida, ou seu extermínio Quero frases eternas, que nunca foram escritas, e nunca serão apagadas Velhos versos da Torre de Marfim, neo-simbolistas contextualizados Quero um poema que tenha vergonha de ser humano.




Fênix_K!

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terça-feira, 14 de abril de 2015

EXISTÊNCIA

Ser poeta é pensar poeticamente em tudo que se vê.
Ouvir o barulho dos pratos estilhaçando
e o tilintar dos talheres
caindo no chão e se espalhando.

Ser poeta é ocupar o pensamento
com todos os apelos visuais e sonoros
para transformá-los em versos
impressos a sangue, suor e outros fluidos.
É dizer o que se espera quebrando o esquema,
mudando o desenlace e improvisando o desfecho.
É fingir tão completamente que,
como dizia Pessoa,
"chega a fingir que é dor a dor que deveras sente".
É ser tão verdadeiro nas mentiras
que a própria verdade se envergonhe
de sua nudez e crueza.
É expor-se tão inacreditavelmente
que ninguém se atreva a invadir a sua publicidade.
É não fazer marketing, nem propaganda,
mas espalhar-se como o amor, boca a boca.
É ser, mais do que estar;
é partir mais do que ficar;
é sentir, mais do que existir.

Ser poeta é complicar o resumo da história,
tirar da pedra a sua essência
e gritar na praia, mais alto do que o mar.
É ter areia nos olhos e, mesmo assim, enxergar;
abrir os braços ao vento como se fosse voar.
É voar em pensamento e, ao cair, se estatelar.
Ser viajante no universo,
mas tripulante ao invés de passageiro.
É eternizar cada instante,
seja falso ou verdadeiro.
É deflagrar revoluções,
andar pra trás pra avançar.
É pegar uma cadeira e se sentar;
é ter tudo diante de si, sobre a mesa,
em frente a um papel branco.
É ficar tonto ante as palavras revoluteando em sua mente
e desmaiar,
inédito de espanto.


[Adhemar - S. Paulo, 28/11/2004]

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Narciso


Pobre poeta,
sou a palavra mais preciosa e precisa.
E me ignora, põe terra sobre mim,
cospe na minha cara!
Insulta, espanca.
Muda meu nome.
Esconde-se de mim.
Mas não escapa.

Cansado, humilhado,
me redime.
Brada aos quatro cantos,
me espalha.

Pobre poeta,
não se livrará de minha sombra.
Pois “eu” sou você.
Em “mim”, há de se afogar.

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CALAS - POR - Kbçapoeta







Ideias que não chegam

São obras que se vão.

Por não ter disponível o prelo,

Desmerecerás a destreza de sua mão?

No poema tudo se perde,

Tudo se usa.

O fundamental

Utilizado em vão,

O singular

Multiplicando eternas vias sacras.

Aspirando

Louvas e redenção.

Letra forte,

Carne fraca.

Sejas como Noé ou Nefi.

Veja o cosmos tal qual Krishina.

Cro Maat,

Destino,

Palma da mão.




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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A NOVA IMERSÃO





A nuvem negra passa

Ninguém viu o temporal

Ininterruptamente trovejava

Caiam relâmpagos

Enxurrada fria e caudalosa

Lúgubre cenário

Mata-me dia a dia

Através de sua sombra



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