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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Soneto da pedra bonita




Amo-te tanto que prefiro ter
A solidão de um penar no deserto
Do que sofrer por um amor incerto
Dor no peito que não posso conter

Quero-te tanto que não sei deter
Minha vontade de lhe ter por perto
No coração desejo tal aperto
Na minha vida poder-te reter

Porém a chance não seja possível
Pois meu retorno tenha sido lento
E minha felicidade perdida

Acredito sempre no impossível
O seu calor,meu verão um alento
no meu vagar em amar sem medida





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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Soneto da Phoenix

Ave Fênix, destrói os receios, queima a dor,
Trai a verdade. Risca o infinito azul.
Extrema, porém calma, põe a vida a dispor.
Devora a morte, não tem norte, não tem sul.
Ave, Fênix! Prosterno-me a seu louvor.
Sob suas garras, eleva cá meu corpo nu.
Desensina a fugir, me mostra toda cor,
Revolve minha carne e devora a cru.

Haver, Fênix, composto sua e minh’alma.
Nas veias, há de pulsar nosso sangue unido,
Adubando com cinzas o amanhecer.

Ah, Fênix, vi meu medo abatido em amálgama
À sua esperança. Vi ao longe: eu ungido 
Em fogo. Morto, sempre; eterno renascer.


Fênix_K!

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O Pracista









Belo plenilúnio esbanja o seu branco

O manto que clareia os bairros cansados

Misturava-se ao breu que colori o anil

Miríade sobre tons azulados

Paisagem diversa do meu Brasil

Sob olhares de um mendigo em seu banco



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terça-feira, 12 de maio de 2015

LUPA

Encontrei mais perto
passo a passo
olhar fixado no chão
na trilha
rastro ou pegada não
sintoma, pressentimento
fantasma, forma difusa
torpor do esquecimento
confusa

Indícios, migalhas
iscas de ilusão
condecorações, medalhas
virtude é condenação
seriedade que espalha
fraquezas, franquias
prejuízos e perdição
meneios e manias
confusão

Encontrei mais perto
infinita distância
o impossível e o não


[Adhemar - Santo André, 28/08/2014]

sábado, 9 de maio de 2015

A Papoula e o Bebê

A cor (a)trai
os olhos
vermelho provocador

no veludo
o toque
destrói pétalas

o bebê
tem a flor
na mão (e ri)

nariz de pinóquio
não descobriu
espinhos ainda

 
 

Fênix_K!


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sexta-feira, 8 de maio de 2015

A NOVA INTEMPÉRIE





Abandono algumas vezes se faz necessário

Nunca se está preparado para tal

Indubitavelmente acontece inesperadamente

Como tormenta em alto mar assolando a pequena embarcação

Estático, resoluto, suportamos calados

Longo, penoso e insuportável cenário para alguns

Mares revoltosos que se enfrenta

Arte da sobrevivência das grandes cidades



                                                                                           Visitem Kbçapoeta




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Ocaso de um quinteto livre



Um céu de quatro tons

Cinza, branco, róseo e azulado.

Garras que possuem olhos,

Ventos e bocas que anunciam o breu.

O véu da noite.



                                                                                                       Visitem Kbçapoeta







quarta-feira, 29 de abril de 2015

Receita caseira para uma boa publicação

Recolha da gaveta os textos que escreveu quando jovem. Também funciona com aqueles gravados num diretório remoto, se você não perdeu quando trocou de computador pela quinta vez. Neste caso, imprima. Reúna todos numa grande bacia. Acrescente 5 l de experiência e duas gotas de bom-senso (cuidado para não exagerar). Deixe de molho por aproximadamente 23 anos. Com auxílio de uma pinça grande, retire-os do recipiente delicadamente. É provável que os papéis estejam meio frágeis. Estenda um a um no varal do anti-heroísmo (se for o do seu vizinho, melhor ainda). Depois de algumas horas secando na sombra, todos os textos em que se consiga ler algo além do inconformismo sem sentido estão prontos para publicação! Entretanto, caso tenha restado pouca substância literária, não se chateie. Você agora tem todos os ingredientes para tentar de novo.


Fênix_K!


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

ARRASTAR DAS HORAS -por- Kbçapoeta






 
 
Catadupas de minutos,
 
Cessaram as mensagens,
 
Redobraram as  horas,
 
O silêncio tomou conta
 
Após uma tarde morta.
 
Fruto de uma manhã fria,
 
Sete espectros e seus efeitos.
 
Tato, vibração caótica.
 
Todos imersos,
 
Suscetíveis aos efeitos das 24 horas tortas.
 
Que se resumem em nada.
 
Diástole que do tempo vaza.
 
 
 
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

GUI CANTA PARA LOU

Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado

Queria ser bonito para que me amasses

Queria ser forte para que me amasses

Queria ser jovem jovem para que me amasses

Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses

Queria te agarrar para que me amasses

Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses

Queria te pisar para que me amasses

Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses

Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente

Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança

Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo

Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim

Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá

Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor

Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro

Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti

Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor



Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.








Fênix_K!

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dei ad infinitum -por-Kbçapoeta










Venho de um processo

Onde o recesso cósmico é permitido.

O espaço e o tempo.

O espaço-tempo.

Tudo criado pelo homem,

Carmas e pecados

Devolvem ao homem sua paz.

A certeza de que conforta a espécie

É a ausência de Deus e não sua presença.

Se Deus manifestasse sua onipresença

Adentrando as mentes humanas

Durantes as 24 horas do dia.

Para muitos

Isso seria o inferno.



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My Iraq

Quero uma poesia de olhos fechados, que não veja hipocrisias, atrocidades, que não veja nada Uma poesia alienígena, que não seja desse mundo nem tente entendê-lo Num papel que as balas não furem e as crianças, desesperadas, desmembradas, decapitadas, não sujem de sangue Não! Não quero papel algum, é resquício que nos incrimina, todos os homens Quero palavras sustentadas no vazio, sem lastro algum com a dor, a vida, ou seu extermínio Quero frases eternas, que nunca foram escritas, e nunca serão apagadas Velhos versos da Torre de Marfim, neo-simbolistas contextualizados Quero um poema que tenha vergonha de ser humano.




Fênix_K!

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terça-feira, 14 de abril de 2015

EXISTÊNCIA

Ser poeta é pensar poeticamente em tudo que se vê.
Ouvir o barulho dos pratos estilhaçando
e o tilintar dos talheres
caindo no chão e se espalhando.

Ser poeta é ocupar o pensamento
com todos os apelos visuais e sonoros
para transformá-los em versos
impressos a sangue, suor e outros fluidos.
É dizer o que se espera quebrando o esquema,
mudando o desenlace e improvisando o desfecho.
É fingir tão completamente que,
como dizia Pessoa,
"chega a fingir que é dor a dor que deveras sente".
É ser tão verdadeiro nas mentiras
que a própria verdade se envergonhe
de sua nudez e crueza.
É expor-se tão inacreditavelmente
que ninguém se atreva a invadir a sua publicidade.
É não fazer marketing, nem propaganda,
mas espalhar-se como o amor, boca a boca.
É ser, mais do que estar;
é partir mais do que ficar;
é sentir, mais do que existir.

Ser poeta é complicar o resumo da história,
tirar da pedra a sua essência
e gritar na praia, mais alto do que o mar.
É ter areia nos olhos e, mesmo assim, enxergar;
abrir os braços ao vento como se fosse voar.
É voar em pensamento e, ao cair, se estatelar.
Ser viajante no universo,
mas tripulante ao invés de passageiro.
É eternizar cada instante,
seja falso ou verdadeiro.
É deflagrar revoluções,
andar pra trás pra avançar.
É pegar uma cadeira e se sentar;
é ter tudo diante de si, sobre a mesa,
em frente a um papel branco.
É ficar tonto ante as palavras revoluteando em sua mente
e desmaiar,
inédito de espanto.


[Adhemar - S. Paulo, 28/11/2004]

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Narciso


Pobre poeta,
sou a palavra mais preciosa e precisa.
E me ignora, põe terra sobre mim,
cospe na minha cara!
Insulta, espanca.
Muda meu nome.
Esconde-se de mim.
Mas não escapa.

Cansado, humilhado,
me redime.
Brada aos quatro cantos,
me espalha.

Pobre poeta,
não se livrará de minha sombra.
Pois “eu” sou você.
Em “mim”, há de se afogar.

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CALAS - POR - Kbçapoeta







Ideias que não chegam

São obras que se vão.

Por não ter disponível o prelo,

Desmerecerás a destreza de sua mão?

No poema tudo se perde,

Tudo se usa.

O fundamental

Utilizado em vão,

O singular

Multiplicando eternas vias sacras.

Aspirando

Louvas e redenção.

Letra forte,

Carne fraca.

Sejas como Noé ou Nefi.

Veja o cosmos tal qual Krishina.

Cro Maat,

Destino,

Palma da mão.




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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A NOVA IMERSÃO





A nuvem negra passa

Ninguém viu o temporal

Ininterruptamente trovejava

Caiam relâmpagos

Enxurrada fria e caudalosa

Lúgubre cenário

Mata-me dia a dia

Através de sua sombra



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sexta-feira, 27 de março de 2015

Serra que ronca a porta - por - Kbçapoeta








Na serra havia uma porta

Reflexo de um desejo,

Uma ocasião.

Poemas em letra morta

Revela uma obscuridade singular,

Excepcional.

Os mais lindos

Seres adormecidos

Não vivem.

Apenas respiram

Sob falsas paixões.




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sexta-feira, 20 de março de 2015

Silêncio de carnaval - por - Kbçapoeta





Quero meus versos de boca em boca

No falar ingênuo e preciso

Feito adágio popular

Flutuando ao verso livre

Longe das garras da escanção

Escorrendo pelas paredes da caverna de Platão

Distante de Saussure

Pintura rupestre

Gravada poeticamente

No silêncio de um carnaval


                            

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sexta-feira, 13 de março de 2015

MEMÓRIAS DE UM QUASE GOLPE (Caminhoneiro Fake) - por - Kbçapoeta








      Para se tomar o poder via golpe de estado é necessário um considerável apelo popular. A mídia está se encarregando disso.
     Como verdade factual conhecida até pelos carregadores autônomos, os “chapas”, que política não é feita apenas de opinião pública, mas também é feita de alimentos, os reacionários fizeram sua parte.
     Alimento é algo consumido por todos, então o golpe deve ter seu início pelo estômago dos brasileiros. Como fazer isso? Negando-lhes o acesso ao  alimento. A greve dos caminhoneiros cairá como uma luva.
     O setor de logística no Brasil procura conciliar interesses antagônicos, o caminhoneiro autônomo e o voraz empresário do setor de combustíveis “donos” de muitos caminhoneiros, afinal, para o bem funcionar do equipamento é necessário um funcionário. Nesse raciocínio os empresários são “donos” dos caminhoneiros.
     O setor empresarial somado aos autônomos que engrossavam o “coro dos descontentes” foi desfeito com uma dose de bom senso e atendimento integral a causa justa dos caminhoneiros. E os empresários golpistas? Levaram um balde de água fria.
      Sabiamente anunciada no horário do “jornal Nacional” (JN) da golpista rede Globo, fora possível ver Willian Bonner quase lacrimejando ao noticiar o sucesso da presidenta na negociação. Miguel Rosseto, que estava a frente no diálogo com os caminhoneiros, será o novo alvo dos partidos da oposição, o PSDB, DEM e o PIG (Partido da Imprensa Golpista).
     A pauta do JN fora surpreendida de tal ponto, que, um helicóptero ávido por imagens de um quebra-quebra que não acontecera, teve que desviar-se para as secas bacias hidrográficas paulistanas. Sobre as roubalheiras no setor ferroviário paulista desde Mário Covas, nem um comentário.
     Os atuais habitantes da casa grande são uns “pobres coitados” desprovido de cultura e bons modos. De longe passa a elegância de uma verdadeira elite que em princípio deveria ser o farol das massas. A vaia para a presidenta em uma solenidade, a “barraqueira” no hospital Albert Einstein que insultou Guido Mantega e o desejo que o Brasil piore para tirar o atual governo do poder, prova o quão ignorantes são os líderes e os eleitores da Direita brasileira.
     O testa de ferro Ivar Luiz Schimidt barganha liberação de acesso de rodovias como um sequestrador negociando reféns. Lembrando que ele foi forjado como “líder” dos caminhoneiros em Dezembro.
     Não entendo quem aceita essa campanha de impeachment através da teoria do “domínio do fato” se a vencedora tomou posse a pouco mais de um mês.
    Será que o eleitor não “manjou” a alçada de Aécio para presidência do PSDB  é apenas para poder ficar “em foco” na mídia? Porque Aécio foi dar opinião sobre a greve de caminhoneiros? Estratégia do PIG.
    No Chile, o golpe começou pela interrupção do fornecimento de alimentos. Dessa vez a direita golpista e o PIG se deram mal. Na noite de de fevereiro de 2015 a equipe do JN estava triste pelo fim da greve dos caminhoneiros.
   Quinta feira ressurge a Fênix. O PIG junto com os golpistas somado aos mercenários sob o suposto comando de Ivar Luiz Schimidt que fundou com cinco amigos o movimento  fake em Dezembro de 2014, ou seja, com o notório viés golpista para afetar a distribuição de alimentos através dos caminhoneiros, tal qual Chile de Salvador Allende ou recentemente na Venezuela.
    A batalha entre a direita com o apoio do PIG versus um governo indesejado pelos moradores da casa grande promete muitas emoções.
    A pergunta fica: -  Quem fabricou Ivar Luiz Schimidt ?



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sexta-feira, 6 de março de 2015

COINCIDÊNCIA


Onde quer que eu vá
vou te encontrar
e também - sabe-se lá -
outro lugar.

Esteja, estamos
feito afoitos,
feito humanos,
feito doidos...

Enfim nos acharemos
sem procurarmos
um ao outro e riremos
dos nós que desatamos.

Até que nos afastemos
sem saber aonde vamos
e nos odiaremos;
nós, que nos amamos!




[Adhemar - São Bernardo do Campo, 11/12/2006]