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domingo, 20 de julho de 2014

Lembranças e Saudades de uma Mulher Madura - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Eu estava na internet cansada e pensando que nunca mais tinha tido uma pequena inspiração para escrever o que eu chamava de crônicas do dia a dia.
Na verdade, pedaços de mim, que amigos mais queridos chamavam de crônicas e eu acreditava...
Encontrei por acaso... será que por acaso? Como diria Jung, “coincidências não existem”... uma crônica que adorei, o jeito dela estar ali, dizendo coisas tão simples de forma tão poética - numa casa feita de poesias - A CASA DE RUBEM ALVES - esse era o site do cronista.
Será que podemos dizer sem ofender a família, a esposa, filhos e netos, mas como uma adolescente impetuosa, "Amei-o"?
Amei suas crônicas, sorvi cada uma delicadamente e, como um doce pequeno porém precioso, fui colocando pedaços pequenos dentro de minha alma.
Me apaixonei perdidamente por cada uma delas e sem querer parecer vulgar sentia vontade de tê-las e lê-las.
Numa delas, em especial, me perdi e me achei. Quando ele fala do “Velho que acordou menino”.
Me senti assim renascendo, acordando num sonho e como ele fui me lembrando das pessoas especiais e interessantes que apareceram em minha vida e como num passe de mágica acordei menina.
Uma simples lembrança me levou de volta ao passado, à infância, à adolescência e à maturidade. Tudo em instantes, como um furacão que me rodopiava e me levava a lugares distantes da minha mente, das minhas recordações.
Foi assim que no meio de uma nuvem branca eu a vi:


A Professora Emília

Era uma mulher pequenina, talvez com quarenta e oito ou cinqüenta anos, bem morena, quase negra, um pouco curvada ou pelo tempo ou pela fragilidade do corpo magro, de cabelos crespos e mesclados com brancos e de uma doçura angelical.
Nunca soube seu sobrenome.
Naquele tempo professora era professora, não tia. Mantinha uma relação de afeto com respeito, mas com consciência de que estávamos num patamar abaixo dela, sem relações de parentesco mas com relações de amor e carinho.
Com ela aprendi as primeiras letras e a subir cada escada das palavras. Observadora atenta, ela era a grande mestra que, hoje, não existe mais. Cuidava de cada um de nós com o amor e o carinho de uma mãe. Sabia quando estávamos famintos, quando estávamos com problemas em casa. Nada lhe passava despercebido.
Foi assim que minha mãe foi chamada à escola pública pela minha querida mestra para me levar ao oculista, pois ela descobrira que eu era míope. Óculos feitos, eu estava ali radiante de alegria a galgar degraus e degraus do conhecimento.
Foi ali que descobri pela primeira vez a fome devassadora da paixão - foram suas mãos que me guiaram pelos caminhos do amor aos livros. Eu tomava café, almoçava e jantava livros.
Fiquei gulosa e depois de alguns anos, quando me mudei e passei a estudar perto de uma Biblioteca Municipal (hoje nem sei mais se as crianças freqüentam bibliotecas), li todos os livros da Biblioteca Municipal Carlos Alberto, no Méier, e foi assim que me tornei a “devoradora de livros”.
E a professora Emília ainda hoje continua povoando minhas memórias e é revivida por mim através de uma velha foto desbotada (daquelas de antigamente, nos grupos escolares onde as crianças sentavam-se e a professora permanecia perfilada ao lado dos seus pupilos).
Com certeza ela já içou vôo para Colégios no Alto e de lá me viu crescer...
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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Depois que o sol aparece, não há por que continuem acesas as lâmpadas que os homens inventaram.
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ESCREVAM À MÃO - por Kbçapoeta





      Hoje consegui postar cartas no correio. Ha tempos não fazia isso.
      A intensidade da vida gerada pelo entorpecimento das massas cria a sensação de um ritmo de vida mais acelerado.
      Vejo literalmente em minhas expansões mentais a engrenagem de Chaplin moendo o povo. Massa leniente como calda de cana. Seres que viraram suco.
      Tendo essa sensação de pouco tempo, nos acostumamos a fazer menos coisas, pensar menos coisas, enfim, em ser menos coisas.
      Escrever cartas a próprio punho em papel torna-se um ato de protesto e ternura necessário.
      Empresas como Google e ICCANN não podem (ainda) violar nossas correspondências tradicionais em envelopes.
      Microsoft ou Apple não possuem software para decodificar nossas letras advinda de uma caneta.

      Semiadormecidos e despertos de todo o mundo, escreveis à mão!





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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pollyana - por Fatinha

Querido Brógui:

Há décadas atrás, quando eu ainda era uma criança, li um livro chamado “Pollyanna”. Você já leu? Então vou fazer uma síntese: Pollyana é uma menina pobrinha, órfã, que foi morar com o avô rabugento numa montanha sei lá onde (detalhes assim eu não lembro). O fato é que a menina tinha tudo para que pudéssemos chamá-la de coitadinha, tinha tudo para ser rebelde, menor infratora, mas ela OPTOU POR SER FELIZ.

Pollyana inventou um jogo, o “jogo do contente”. Um Natal, quando ela ainda morava no orfanato, as crianças receberam presentes que vinham num barril. A ela coube uma muleta. Ela não precisava de muletas, então ficou feliz pelo presente exatamente por isso: porque ela podia andar sem usar as tais. Sempre achei isso muito bacana. Ser feliz mesmo quando a vida insiste em nos dar motivos para reclamar da sorte.

Não tenho uma vida como a da Pollyana, tô muitíssimo longe disso, mas há momentos em que me pego reclamando da vida e, cá pra nós, isso não tem sentido algum. De uns tempos pra cá, venho exercitando (com adaptações) o jeito Pollyana de ser. Continuo com minhas ironias (que é uma maneira toda especial de fazer graça com o que não tem a menor graça). Tenho ainda meus momentos de fúria, chuto perna de mesa e coisa e tal. Mas tento sempre encontrar o melhor ângulo de visão para o que me aborrece.

Ontem mesmo eu estava no Fórum, andando pra lá e pra cá, quilômetros e quilômetros naquele labirinto de Creta, pronta para encontrar o Minotauro a qualquer momento. Quando ensaiei um putaquepariu, rapidamente Pollyana incorporou e agradeci por estar ali, andando que nem uma cachorra. Agradeci por ter um trabalho que me garante uma graninha. Agradeci por ter pernas para andar. Isso me deu forças para voltar ao cartório e esperar para obter a informação que queria.
Nada na vida vem só com bônus. Isso é só para as ONG’s. Não sou uma ONG, infelizmente. Não posso ter o melhor de todos os regimes jurídicos (pronto: baixou agora a advogada). Traduzindo: não posso querer ter as benesses sem arcar com os ônus delas decorrentes.

Precisa acordar para ir trabalhar? Agradeça, você tem um emprego. Mas o dinheiro é pouquinho? Agradeça, você tem um emprego.
Seu ex-marido é um merda? Agradeça, graças a ele você teve seus filhos. Seus filhos lhe enlouquecem? Agradeça por eles terem saúde para isso.
Você queria ir à praia e choveu? Agradeça por poder ficar em casa arrumando seu armário. Agradeça por ter coisas para arrumar.

Então é assim. Agradeça sempre. Agradeça por tudo. Jogue o jogo do contente. Pollyana está certa.
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Eleanor H. Porter

terça-feira, 15 de julho de 2014

Vitor Ramil, Fogaça e a “Semeadura” - por Ana

Nós vamos prosseguir, companheiro, medo não há
No rumo certo da estrada, unidos vamos crescer e andar
Nós vamos repartir, companheiro, o campo e o mar
O pão da vida, meu braço, meu peito feito pra amar

Americana pátria, morena, quiero tener
Guitarra y canto libre en tu amanecerNo pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar, vento e luar

Nós vamos semear, companheiro, no coração
Manhãs e frutos e sonhos pr’um dia acabar com esta escuridão
Nós vamos preparar, companheiro, sem ilusão
Um novo tempo, em que a paz e a fartura brotem das mãos

Minha guitarra, companheiro
Fala o idioma das águas, das pedras
Dos cárceres, do medo, do fogo, do sal
Minha guitarra tem os demônios da ternura e da tempestade
É como um cavalo que rasga o ventre da noite
Beija o relâmpago e desafia os senhores da vida e da morte
Minha guitarra é minha terra, companheiro
É meu arado semeando, na escuridão, um tempo de claridade
Minha guitarra é meu povo, companheiro
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Espremendo o “Homem Cordial” - por Kbçapoeta





     A elite funciona como a máquina da MATRIX. Ela não deseja a morte dos seres humanos pois vivem da energia que eles geram, que, em nosso contexto é a força de trabalho, mão-de-obra essa subaproveitada e execrada pelo baixo salário e baixa educação.
     Educação, inteligência acima da média e pró-atividade são rejeitadas pelas elites e suas grandes corporações.
     O ideal que eles buscam é um ser obediente, mal pago, cordial, treinado e eficaz. Enfim, “O homem que virou suco”.




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O Coração Sempre Tem a Chave - por Tércio Sthal


ABRE A CABEÇA,
ANTES, DURANTE E DEPOIS
QUE TUDO ACONTEÇA.

















GRAÇAS A DEUS


Já não vivemos na Idade da Pedra,
temos sal e açúcar, aonde ir e onde ficar,
além de boas e eficientes armas
que podemos usar para nos defender e atacar.

E se pisamos em falsos mundos
ainda, assim, podemos encontrar
pessoas reais e verdadeiras
nas quais podemos confiar.

Se preferirmos sempre semear a boa semente
e se terra fértil formos plantá-la, poderemos ver,
que se não houver significativo contratempo
belas flores e bons frutos haveremos de colher.

Se soubermos que o comodismo e a preguiça são
os grandes e cruéis inimigos da prosperidade,
e que o dinheiro pode ser a raiz de todos os males,
ou o facilitador de momentos de felicidade,
distinguiremos os momentos para sorrir, e chorar.

Se recebemos um golpe e desistimos de lutar
já nos transformamos em perdedores,
mas se assimilamos e aprendermos a viver
podemos ser os grandes vencedores.

Graças a Deus, viver é saber chorar e sorrir.
Graças a Deus, viver é saber sentir e pensar.
Graças a Deus, viver é saber quando ficar, ou ir.
Graças a Deus, viver é evoluir, e avançar.

Ora como machado que corta a madeira
que depois de moldada serve de assento,
ora como a madeira que depois de cortada
serve bem ao intento de quem a cortou,
ora como a mão que conduz o machado
e a madeira para o fim que se pensou.

Graças a Deus, sabemos sorrir e chorar.
Graças a Deus, sabemos,  pensar e sentir.
Graças a Deus, sabemos quando ir, ou ficar.
Graças a Deus, podemos avançar e evoluir.

Nem tudo haveremos de aprender nas escolas,
mas a vida poderá nos mostrar a hora certa
e ainda que não saibamos descascar cebolas,
choraremos nos instantes em que ela nos desperta.

Graças a Deus, os nossos sentimentos
balizam os nossos comportamentos.



Visitem Tércio Sthal
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terça-feira, 8 de julho de 2014

Agonia - por Ana

Em meu coração de papel,
Desenho origamis sem cor,
Escrevo com tinta invisível,
Aquarelo em triste furor.

Em meu coração de seda,
Alinhavo palavras vazias,
Bordo remotos beijos,
Pesponto antigas carícias.

O meu coração, menestrel,
Serenata o nosso encontro,
Melodia o sentimento,
Dedilha o nosso confronto.

O meu coração, labareda,
Ardeu minha vida inteira,
Aqueceu os nossos dias,
Queimou na sua fogueira.

Meu coração, amassado
Pelas dobras das vestes da vida,
Entoa seu canto de cisne
No calor da despedida.
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sábado, 5 de julho de 2014

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Aqueles que desejam felicidade têm muito que aprender das frutas. Elas alimentam o faminto. Aceitam sejam seus restos desprezados. Deles suscitam novas safras. Às dentadas que as dilaceram respondem com dulçor.
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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Carícia leve de um gesto rude - Por Kbçapoeta




Um pedido para propor adiante
É cedido para deixar saudade
Foi pacato, parou, quedou distante
Céu perdido paira sobre a cidade

Um pedido para ser um amante
Cedido é quando muda a realidade
O momento se torna eternidade
Realidade, paraíso de Dante

Um pedido insistente e permanente
É desejo, mistério com virtude
É vontade que jorra de repente

É corpo rijo em viril plenitude
Amantes amando-se simplesmente
Carícia secreta de gesto rude




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terça-feira, 1 de julho de 2014

Paixão Espiritual - por Ana

Algumas pessoas, nesta vida,
são presenteadas com o encontro daquela
que é uma paixão espiritual.

Paixão que nada tem em comum com o corporal,
com os detalhes cotidianos, com o viver junto...

É algo que não se descreve,
que é um alimento para todos os dias,
é uma certeza,
uma união que não se desfaz por nenhuma outra,
uma sensação de constante paz,
acima de qualquer outro sentimento possível.

Ela ultrapassa os defeitos do temperamento atual,
as falhas de caráter, as mentiras, as simulações,
os desrespeitos, as omissões,
tudo que é tangível e passível de críticas.

Sabe quando você é o melhor de si junto de alguém
e sabe que o mesmo ocorre com o outro?

Eu sei.
Sei e deixei ir.

Larguei suavemente o que estava em minhas mãos,
frágil e confuso como um animal recém-nascido,
que se foi em silêncio.

Se você um dia receber esse presente,
espero que possa aceitá-lo completamente
e que não existam impossibilidades e dificuldades maiores
do que a força desse encontro.

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

O Guarani, de José de Alencar - por Ana



Um Amor Periclitante

Li “O Guarani” lá na pré-adolescência e ainda hoje, após décadas, recordo da narrativa magnífica deste livro. Lembro de como me transportei completamente para as agruras do cotidiano inóspito e perigoso que grassava na época da colonização brasileira: a situação dos indígenas, tendo que reagir aos desmandos dos conquistadores; as dificuldades encontradas pelos portugueses na nova terra; as lutas entre os dois lados, que se mantinham em constante estado de alerta.

Entretanto, em meio a estes horrores, há um detalhe de traço feminino, meigo, gentil, ingênuo, que constrói uma ponte florida (e proibida) entre os mundos: o amor de Ceci e Peri.  Este detalhe se avoluma e passa a guiar a história, no melhor estilo romântico, enquanto nós, leitores, torcemos, angustiados, por um final feliz.
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Madre Teresa: Venha, Seja Minha Luz, de Brian Kolodiejchuk - por Alba Vieira

 
Este livro foi escrito por um padre canadense que conviveu com ela por 20 anos até a sua morte em 1997 e foi o postulador dos processos de beatificação e canonização dela.
O relato é baseado em cartas escritas pela madre aos seus conselheiros espirituais, depoimentos de pessoas que conviveram com ela e várias citações feitas por ela durante a sua vida.
Descreve a fundação da ‘Missionárias da Caridade’ a partir de um ‘chamado’ recebido pela madre em que teve a inspiração de que Jesus lhe dizia ‘venha, seja minha luz’. Desde então dedicou-se a cuidar dos mais pobres dos pobres, primeiro em Calcutá e posteriormente espalhando pelo mundo todo as Casas onde as Irmãs fazem este exercício de compaixão junto aos pobres, levando alegria (reconhecendo Jesus em cada pobre sofredor que recebe seus cuidados) e amor.
Conta toda a trajetória de Madre Teresa, que dizia que se alguma vez viesse a ser santa, seria uma santa da escuridão, estando continuamente ausente do Céu, levando a luz para os que na Terra se encontrassem na escuridão.
Mas essa obra tem o valor especial de relatar o que Madre Teresa escondeu durante toda a sua vida pela grande reverência a Deus e ao Seu trabalho através dela. Conta a escuridão espiritual em que viveu mergulhada por tantos anos em que pôde experimentar o que sentem os mais pobres, entregando-se totalmente para ser usada por Deus, sendo ela própria a luz que era oferecida aos necessitados.
Com seu incansável trabalho, levando o amor de Jesus e a sua luz aos mais pobres dos pobres, deixou uma herança espiritual ao mundo e foi beatificada em 2003.É um livro extraordinário que demonstra que acima de qualquer religião, a linguagem de Madre Teresa é de puro amor, trazendo a consciência da presença do espírito em cada um de nós, o que torna possível um caminho rumo à perfeição.
 

sábado, 28 de junho de 2014

Stig Dagerman e o Acaso - Citado por Penélope Charmosa

É de um sadismo soberbo pensar que deveríamos ser julgados pelas nossas boas e más ações, uma vez que só de um pequeníssimo número das nossas ações podemos decidir. O acaso cego, que se distingue da justiça cega pelo simples fato de ainda não usar venda, introduz e acaba as nossas ações; o que podemos fazer e, bem entendido, o que devemos fazer, em virtude da existência tantas vezes negada da nossa consciência, é deixarmo-nos arrastar numa certa direção e mantermo-nos depois nessa direção enquanto conservamos os olhos abertos e estamos conscientes de que o fim em geral é uma ilusão, pelo que o fundamental é a direção que mantivermos, pois só ela se encontra sob o nosso controle, sob o controle do nosso miserável eu. E a lucidez, sim, a lucidez - os olhos abertos fitando sem medo a nossa terrível situação - deve ser a estrela do eu, a nossa única bússola, uma bússola que cria a direção, porque sem bússola não há direção. Mas se me disponho agora a acreditar na direção, passo a duvidar dos testemunhos relativos à maldade humana, uma vez que no interior de uma mesma direção - em si mesma excelente - podem existir correntes boas e más.



In “A Ilha dos Condenados”.
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Escolhi este post porque ele traz verdades sobre o sentir amor e o saber do amor. Alba mais uma vez me encantou com a percepção contundente das coisas que muitas vezes retrata em seus escritos. Parabéns! Gostei muito!



AMOR
(ALBA VIEIRA)

Do amor só os bobos sabem...
E seguem enganados
Enquanto pensam que conhecem
Aquilo que, não sentindo,
É de todo impossível saber de verdade.

Porque aquele que de fato ama
Sabe que nada sabe,
Nada espera,
Apenas sente, recebe.
E como criança
Ainda se espanta,
Tudo oferece
E, às vezes, reclama.



Visitem Alba Vieira
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FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( Parte V final ) - por Kbçapoeta






      Maurinho explicou-me que o homem entra em contato com a natureza através da ação sobre ela: - Não é errado arar a terra para produzir seu alimento,  tão pouco produzir excedentes para trocar ou comercializar com o vizinho. Com certeza ele produzirá outro alimento ou algo que será útil a você que poderá ser trocado ou comercializado também.
      Maurinho foi além, disse-me que se deve levar em conta além da subsistência; a existência.
      Ouvindo  voz daquele homem de gestos simples e suaves, educação impecável, soube que estava diante de um grande ser.
     Um ser digno e nobre que herdou uma missão; não digo invejável, mas, louvável e recompensadora: Ser responsável pelo Portal do Roncador, entrada da Serra onde encontra-se um dos mais famosos  picos do roncador, visitado por pessoas do mundo inteiro, chamado de “Dedo de Deus”.
      Maurinho dizia: - O homem não precisa de status. Precisa executar suas vontades nobres. É aí que mora a existência. Em tom professoral continuou:  - subsistência é como subsistir. É uma “quase vivência”. Não chega ser uma vida, subsistir é menos que viver. Se lembrarmos de que a maioria dos brasileiros e outras subnações estão na mesma condição, compreender isso torna-se triste e constrangedor.



                                              (in memorian a Sandro Vedoy da Silva)



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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Muitas Vidas, Muitos Mestres, de Brian Weiss - por Alexandre





Encontrava-me num shopping, quando me deparei com esta obra em uma prateleira, com um valor simbólico. Tenho ouvido falar sobre reencarnação há algum tempo e aquela me pareceu uma ótima oportunidade de conferir algo com esse tema: seu título foi decisivo.
Não me decepcionei.
A história é narrada pelo psiquiatra Brian Weiss, até então um cético, que tem diante de si mais uma paciente com fobias graves. O que torna esse caso singular é que durante uma sessão de hipnose para regredir à infância da paciente, para procurar as possíveis causas de suas fobias, ele não encontrou nada de relevante. Ao insistir na busca, acabou por "voltar" a uma vida passada da paciente, onde ela relata muitos detalhes coerentes e surpreendentes de hábitos e costumes de contextos históricos remotos.
Nesse ritmo, o leitor fica ansioso pelas sessões de hipnose para descobrir as vidas que essa mulher supostamente teve, onde vamos encontrando, além das experiências particulares de cada uma delas, mortes traumatizantes que são as causas das fobias que afligem a paciente, e em seguida somos surpreendidos por mestres do além, comunicando ensinamentos através da hipnotizada.
Na minha opinião é um ótimo livro para curiosos que desejam conhecer os temas reencarnação, karma, canalização, vidas passadas etc. O estilo da narração é uma prosa agradável e o autor buscou partilhar fielmente sua experiência com o leitor. Devo dizer ainda que ele não é um livro que se aprofunda nesses temas, é apenas o relato da experiência que o Dr. Weiss teve em seu consultório.
Sendo assim, recomendo esta obra a todos aqueles que querem conhecer um pouquinho do universo "além-túmulo".
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Unsent - por Mellon

E mesmo apesar do momento ter passado por você, você ainda não pode ir embora, porque todos os sonhos que nós nunca pensamos que íamos perder foram jogados fora ao longo do caminho. E as cartas que você nunca quis mandar foram perdidas ou jogadas fora. Não pertencemos a ninguém e isso é uma vergonha. Mas se pelo menos você pudesse se esconder do meu lado, talvez por um instante. Cicatrizes são recordações que nunca serão perdidas, e o passado nunca estará longe. Você mesmo se perdeu em algum lugar lá fora? Você conseguiu ser uma estrela? Você não fica triste por saber que a vida é mais do que nós mesmos? Você cresceu de uma maneira muito rápida e agora não há nada em que acreditar. Em reprises, toda a nossa história se tornou uma cansada canção contínua tocando em um rádio cansado. Você pensava em mim o tempo todo, mas não precisava do mesmo. É solitário para onde você voltou. Não importa o que você for, eu sempre estarei com você. Não importa o que você fizer, eu sempre estarei por perto. Eu só queria que você batesse na minha velha parede e fizesse parte de tudo isso. Não há mais nada para você ver, nada para fazer, nada para sentir. Eu daria tudo para ter você de volta. Não importa para onde você for, sempre haverá um lugar onde nós estaremos juntos.
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sexta-feira, 20 de junho de 2014

A SEXTA-FEIRA QUE ADORAMOS- por Kbçapoeta



        Desde a minha puberdade eu tenho adoração por sexta-feira.
        Lembro-me que quando tinha nove anos, morava com meu pai e a sexta-feira significava o dia que iria ver minha mãe, meus amigos, enfim minha verdadeira casa.
        No final do primeiro ano de convivência com meu pai, vi que era bom morar com minha mãe.
        Meu pai tinha mais grana e dava uma condição econômica melhor, mas minha mãe mesmo sem grana era muito melhor.
        Outra época que eu me lembro de idolatrar a sexta era quando contava doze anos. Percebia que sábado e domingo eram dias sem aulas. Não faltavam motivos para amar a sexta-feira.
        Hoje, adulto, senhor do meu tempo, adoro todos os dias, todas as horas, todas as estações climáticas, dias chuvosos e ensolarados.
        Entendo nos dias de hoje a vida como um milagre e que independente de data ou hora continua sendo um mistério e maravilhoso.

        Apesar de todo esse entendimento pela vida e os dias ainda prefiro a sexta-feira. Deve ser a energia que o dia carrega. Energia muito positiva.





                                                                  Visitem Kbçapoeta




quinta-feira, 19 de junho de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Absolutamente original, inspiradíssimo! Totalmente inesquecível! Aline conseguiu transmitir, neste texto, a dor inesperada que tomou conta da tarde familiar após a descoberta deste doloroso falecimento.



RÉQUIEM
(ALINE)

Um corpo escuro dentro do tanque branco. Os olhares vertidos sobre ele. Os membros rígidos, unidos, dorsalmente alaranjados e esticados para fora do casco mundo. A cabeça reclusa, as patas dianteiras como guardiãs, permitindo que apenas as narinas fossem entrevistas. Uma proteção no seio daquela posição. Um sinal, no diagnóstico.
E os olhos, como estariam? Cerrados e mudos ou abertos na escuridão? A fuga visual de sua própria morte.
O alvoroço dos parentes anunciando o incomunicável.
O aviso, o sol incidindo, a água ilimitada ao seu redor e a sua insustentável e lenta existência de quelônio.
Nos dias floridos dos outros, a tartaruga e sua bacia azul; os passeios matutinos e vespertinos; a invasão da noite e seu recolhimento; o seu ventre esverdeado em contato diário com as lascas vermelhas do quintal; seu íntimo de goiaba e a preferência pelos pés dos vasos, com suas plantas igualmente prisioneiras.
A vítima, o algoz e o silêncio.
A sua cama de jornais e de letras pretas, insignificantes para o seu universo iletrado, sub-racional e de desejos de subsolo.
Inúmeras arremetidas quanto ao passado do invólucro desabitado: seus motivos, sua função, sua passagem, a transubstanciação e a viagem derradeira para o nada.
O que ela teria feito com as décadas de cárcere que lhe restavam?
Qual destinação terá a cela acolchoada, moldada para aquela especial forma de vida (e de morte)?
A tartaruga e sua mãe: virgens, brandas, acorrentáveis e monocromaticamente verdes; criaturas embalsamadas, limpas e impecáveis em seus trajetos, trejeitos e expressões faciais.
Mas, no instante da transição, ela percebe um espelho à sua frente. Um juiz que lhe expõe sua movimentação passiva, a agilidade de seu medo e a aquiescência perante as vozes. O reflexo do seu espírito, de sua compleição física, do fim iminente e da rota que desemboca no cais e no Adeus.
E quando ela parece aceitar a História de morte que criaram para ela, eis que a sua visão escapa da nudez do vidro e vai morrer dentro de seu tamanho reduzido, do pequeno espaço, da dimensão de si.
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