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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector - por Alba Vieira

Falar sobre este livro é como mergulhar no mundo de Clarice: não se sabe aonde vai dar. Mas, com certeza, é luz, é pura lucidez. É voltar-se para si, descobrir-se, descobrir o mundo, a ligação que há entre todas as coisas, todos os fatos, é a noção da Unidade, da conexão, da teia que nos une a tudo, de estar irremediavelmente conectado, de fazer parte (bem antes da “explosão” da Física Quântica). E esta noção de nunca estar só, que apenas se consegue com a prática da solidão, no sentido de voltar-se para dentro e observar, me foi despertada pela descoberta de Clarice, através deste magnífico livro, o primeiro dela que eu li. Interessante que isto aconteceu na década de 1980. Ele foi presente do meu grande amor e passei meses nas primeiras páginas, como se algo em mim fosse aguardado, até poder devorá-lo, penetrar no âmago de suas palavras, incorporá-lo e nunca mais esquecê-lo. Depois, vieram muitos outros, com “Água Viva” quase desisti de aprender, mas era impossível não prosseguir e assim, ela tornou-se minha escritora preferida.  É um livro belíssimo, de uma delicadeza espantosa, apesar de tantas vezes nos lançar, sem pedir licença, às profundezas e abismos de nossas almas.
É interessante lê-lo, mesmo para aqueles que não se identificam com a obra de Clarice.
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Mário Quintana e a Arte Poética - Citado por Penélope Charmosa

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Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.



In “Do Caderno H”.
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Saudade Morta - por Vicenzo Raphaello (Erótico)

Ele a esperava, na véspera avisara que iria.
Havia tempo que se mudara.
Ele a conhecera ainda jovem, o tempo passara, mais madura, mãe, mantinha o viço da juventude apesar das pequenas rugas surgindo junto aos seus olhos, o que a tornava mais interessante.
Há quanto tempo não se viam.
Surgira a oportunidade de voltar àquela cidade, ligara procurando roubar um pouco do seu tempo, pedira a ela que reservasse um flat próximo de sua casa, era cômodo, num pulo lá estaria e noutro ela voltaria.
Ela chega, por um momento ele se vê envolto em ternura, o encontro era de fato desejado, sentia saudades, do seu jeito, da sua vontade de fazer sexo, do carinho que demonstrava.
Era bom.
Beija aquele rosto, onde, sempre presente, um sorriso alegre.
Já na porta ela mete-lhe na boca a língua ágil, procura recordar o sabor e calor guardados em suas lembranças, sem surpresa ele retribui, duelos de línguas, gemidos, mordidas de lábios, orelhas, lambidas no rosto, no queixo, nariz, sugar de saliva, lubrificados os sexos, o passado torna-se presente.
Nesta luta, caem no sofá, ágil ela levanta a saia, que nada por baixo esconde, arqueia o corpo oferecendo o rasgo sob a sedosa plumagem, que penetrado é, movimentos tranquilos e agitados se sucedem, até o frêmito dos corpos tensionados.
Relaxam.
Como vai você? E as meninas? Teu marido?
Perguntas sem sentido, conversa jogada fora, nada importa do saber do outro, apenas o prazer de ali estarem novamente.
Volto logo, ela diz recompondo-se saindo do quarto, ele deixa-se ficar sem questionamentos, ainda entumescido, tenta relaxar.
Breve ela volta, trazendo de casa vinho do Porto e caviar.
Tira a roupa, sentada numa banqueta deixa cair lentamente líquido pelo colo que flui entre os seios, acomoda-se suavemente no umbigo até chegar ao fruto, agora adocicado pelo licor.
Passando o caviar pelos fios de cabelos que ornam sua concha, ali sentado no chão ele sorve tudo temperado com o sabor que vem do seu interior.
O líquido escorre, chega no pequeno orifício, a língua naquela grota alcança o poço e inicia vigorosa massagem acompanhada de pequenas estocadas.
Sussurros e gemidos aumentam quando seu dedo penetra naquele estreito buraco, ali se acomoda alargando aquela passagem em cuidadosos movimentos.
E o licor correndo.
Abraçando aquele corpo coloca-a na cama, apoiada nos cotovelos, arregaçada expõe tudo o que expor podia.
Ela pede, come, come, come o que quiser.
A boca na flor marrom, lambe e chupa, com fome há muito não sentida, levanta-se, com delicadeza ali enfia devagar e depois com forte movimento chega ao fundo, um gemido.
Ele imóvel fica.
Ela em movimentos circulares e num vaivém, geme, sem pudor pedindo mais e mais.
Numa explosão de prazer gozam, ele com suas mãos agarradas nas suas ancas.
Caem no chão, olham-se, abraçados, mudos, assim ficam.
Está morta a saudade.
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Hermógenes - Citado por Alba Vieira


Autopiedade é o fermento da dor.
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O Eremita, de Felix Schmidt (Organizador) - por Alba Vieira


É um livro muito instrutivo sobre a iniciação espiritual, contada em detalhes por um alemão que depois da guerra franco-prussiana, da qual participou sendo ferido gravemente, resolve largar o trabalho em seu país e viajar para as montanhas do Himalaia e outros locais longínquos para se curar dos ferimentos.  Lá encontra mestres especiais e se dispõe a rigoroso aprendizado até concluir seu discipulado num mosteiro da Fraternidade Branca.  Finalmente retorna e se torna um fazendeiro incógnito nos Estados Unidos que se dispõe a relatar suas vivências num periódico em jornal local especializado.

O texto é claro, com fatos surpreendentes que convidam e possibilitam ao leitor uma expansão de consciência, refletindo sobre o que realmente importa nesta vida.  Os relatos são ricamente desenvolvidos, permitindo acompanhar todo o seu processo de iniciação, dando acesso ao leitor a questões importantíssimas referentes à evolução humana.

É um livro indispensável para todos que desejam aumentar o contato com sua porção imaterial e buscar a iluminação.
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domingo, 30 de junho de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

Palavras Silentes - por Ana Bárbara de Santo Antônio e Esther Rogessi

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Olho as palavras
O silêncio a três pontos tão fechados
Falamos do fogo
Ausência
Mudas palavras pedem clemência
Sentidos desvairados
O desejo de estar
Ou calada ficar
Olho as palavras em sua demência
O amor que não está aqui
A loucura que senti
Lendo esta turbulência
Evocada a Fênix cinzas pó
E teus pássaros aqui trazidos
A cada poema me sinto mais só
Tal é o medo dos incompreendidos
Semeia dueto em chamas nubentes
Arvoredo poético se iniciará
Deste prosar de notas inconfidentes
Algo mais belo ressurgirá
Mulher Poesia chama teus pares
Graça a beleza de tais sentidos
E quando por fim os declamares
Podes estar certa de serem ouvidos
Chama ao salão todos teus poemas
Grita o amor tão incontido
Fala de versos os teus dilemas
Canta esse amor graça fingido
...musa
....................................................(Ana Bárbara de Santo Antônio)


Canto esse canto triste...
Dilemas trago em meus versos
O amor já não o posso conter
Finjo ser ele fingido...
Surge das palavras em mim
O que pensei ter esquecido...
Das cinzas do pó... Sei não está só...
...Amo o amor que trago comigo.
Tal qual fênix deitei no ninho
Meu coração em fogo se fez
Amargas lágrimas do amor incontido
Transformaram-se em doce vinho...
A poesia meu doce amor
Transformou o meu amor
Em um amor fingido!
......................................................(Esther Rogessi)
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................................................................Visitem Esther Rogessi
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Perdão - por Ana

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Não me venha pedir perdão em japonês. Encara. Fixe os olhos em mim e emita palavras audíveis na minha língua. Esse negócio de monossílabos nipônicos não é comigo. Seja homem e tente ter um pouco de coragem. Recolha os cacos da sua hombridade e veja se dá pra montar um mínimo de caráter. Admita seu erro e conserte as coisas. Você sabe que eu entendo, que não julgo e nem condeno, mas odeio desrespeito comigo. Pode se retratar que eu desculpo. Mas, da próxima vez, não use meu vestido sem pedir.
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A Vida de Helena Blavatsky, de A. P. Sinnett - por Alba Vieira

Este livro é notável, não só porque parece ter sido escrito como um tributo à personalidade ímpar da biografada, como também porque funciona como documentário extremamente responsável, um perfeito registro histórico de sua vida e, por sua importância, de um momento fundamental no surgimento dos fenômenos extrafísicos como assunto de interesse mundial e para fins de estudo. O livro é fiel aos depoimentos de familiares de Blavatsky e recupera o conteúdo de cartas trocadas não só com as irmãs como também com várias personalidades da época, em diversas áreas de atuação (arte, medicina, letras etc.) como ainda com seus mais notáveis mestres no caminho evolutivo.  Não há como considerar a biografada sem paixão depois de ler esta obra que a retrata em toda sua excentricidade e paranormalidade. O aprendizado, com a leitura da trajetória de Blavatsky é inegável. Mas, para mim, o maior mérito do livro é apresentar ao leitor os fatos para que cada um possa fazer sua avaliação sobre sua estranha e notável personalidade e mostrando a vida dela de forma imparcial, Sinnett presta um serviço fundamental defendendo-a das calúnias de gente medíocre, incapaz de acompanhar as mudanças, lidar com o novo e considerar o que, em dado momento, pode ser inexplicável.  Ótimo livro, ótimo autor.
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Violência Humana - por Amilcar Landiosi Júnior

Muito se fala sobre as causas da violência humana e poucos se arriscam numa reflexão profunda.
O ser humano é dotado de corpo e alma tendo de dividir entre a razão (cérebro) e a emoção (coração) suas atitudes e seu comportamento.
Existe um terceiro fator que não se leva muito em consideração por motivos religiosos e ou pessoais que é o espírito, nossa verdadeira identidade.
Todos temos nosso grau de espiritualidade uns mais outros menos, porem, estamos todos no mesmo ciclo, se compararmos com a escola eu poderia dizer que estamos cursando o colegial, uns no primeiro ano e outros no terceiro, a faculdade, bem espero poder ingressar!
Como comparado, os alunos do primeiro ano não “combinam” muito bem com os alunos do segundo e assim por diante, vice e versa.
Sendo nosso planeta uma escola, recebemos alunos de outras escolas (planetas) que acabaram de concluir o primeiro grau, eles chegam cheios de esperança e com muita vontade, mas o curriculum escolar é bastante extenso e puxado, muitos acabam por repetir de ano e o mesmo acontece com o pessoal do segundo grau.
Somos todos dotados da mesma capacidade.
Más como já foi dito somos estudantes, estamos aqui para nos aperfeiçoarmos, evoluirmos para um mundo melhor.
O fator predominante com relação a violência é a falta de aceitarmos as derrotas (repetir de ano) queremos evoluir rápido demais para buscar o bem estar e a felicidade eterna.
Não é a pobreza que gera violência ou a falta de condições materiais, a pobreza e a falta de condições materiais necessárias para a sobrevivência do corpo gera doenças carnais.
Provas do que estou falando podem ser encontradas no nosso dia a dia, afortunados cometendo crimes e os paupérrimos se destacando no caminho do bem, o gerador da violência esta na impaciência humana, nossa falta de capacidade plena de amar, compreensível, estamos em evolução.
O problema da violência vem sendo resolvido, a todo instante seres humanos passam para níveis superiores e atingem a perfeição.
A nós compete seguirmos firmes no caminho do bem e trazendo conosco os que encontram dificuldades com o aprendizado.
Para mantermos o problema da violência a níveis “aceitáveis” devemos fazer o que a nós compete que é investirmos em educação e em educação de qualidade para que esta nos sirva de sustentação para o verdadeiro aprendizado, buscarmos a harmonia plena que pode ser encontrada na natureza, num gesto de afeto, numa oração e, principalmente, na caridade, ela é o fator predominante, pois, é dando que se recebe é perdoando que se é perdoado é amando que se é amado e é morrendo que se vive para a vida eterna, disse Jesus!

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ideal Engano - por Alípio Martins

Prefiro a verdade ao capitalismo,
Onde o preconceito é declarado,
Onde o alvo dele se esquiva,
Onde não será enganado,
Pela solidariedade mascarada.

Onde as palavras não mentem, não se trocam
E que o desejo de um seja o único, não o da maioria
E onde a igualdade seja o ideal, e a verdade seja justiça
E seja o sonho que se sobrepuja

Que o sexo não seja algo que vicia,
Que o amor seja glória, vitória
Que nos cobre a noite, e nos mata de saudade de dia
E que só valha a ditadura se nos permitir a plena felicidade

Que seja a alma ausente, amante, inconsciente
Seja forte latente
Nesse mundo irracional
Irreal, desigual

E que, por fim, sejamos humanos
Sem vestes, sem panos
E que, para não cometermos mesmos erros,
Não nos esqueçamos do passado frio
Melhorando o passado, educando-o a não ser vadio*.
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*Errante
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.....................................Visitem Alípio Martins
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Réquiem - por Aline

Um corpo escuro dentro do tanque branco. Os olhares vertidos sobre ele. Os membros rígidos, unidos, dorsalmente alaranjados e esticados para fora do casco mundo. A cabeça reclusa, as patas dianteiras como guardiãs, permitindo que apenas as narinas fossem entrevistas. Uma proteção no seio daquela posição. Um sinal, no diagnóstico.
E os olhos, como estariam? Cerrados e mudos ou abertos na escuridão? A fuga visual de sua própria morte.
O alvoroço dos parentes anunciando o incomunicável.
O aviso, o sol incidindo, a água ilimitada ao seu redor e a sua insustentável e lenta existência de quelônio.
Nos dias floridos dos outros, a tartaruga e sua bacia azul; os passeios matutinos e vespertinos; a invasão da noite e seu recolhimento; o seu ventre esverdeado em contato diário com as lascas vermelhas do quintal; seu íntimo de goiaba e a preferência pelos pés dos vasos, com suas plantas igualmente prisioneiras.
A vítima, o algoz e o silêncio.
A sua cama de jornais e de letras pretas, insignificantes para o seu universo iletrado, sub-racional e de desejos de subsolo.
Inúmeras arremetidas quanto ao passado do invólucro desabitado: seus motivos, sua função, sua passagem, a transubstanciação e a viagem derradeira para o nada.
O que ela teria feito com as décadas de cárcere que lhe restavam?
Qual destinação terá a cela acolchoada, moldada para aquela especial forma de vida (e de morte)?
A tartaruga e sua mãe: virgens, brandas, acorrentáveis e monocromaticamente verdes; criaturas embalsamadas, limpas e impecáveis em seus trajetos, trejeitos e expressões faciais.
Mas, no instante da transição, ela percebe um espelho à sua frente. Um juiz que lhe expõe sua movimentação passiva, a agilidade de seu medo e a aquiescência perante as vozes. O reflexo do seu espírito, de sua compleição física, do fim iminente e da rota que desemboca no cais e no Adeus.
E quando ela parece aceitar a História de morte que criaram para ela, eis que a sua visão escapa da nudez do vidro e vai morrer dentro de seu tamanho reduzido, do pequeno espaço, da dimensão de si.

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Saudade - por Alba Vieira

Saudade é como um grito, é um gemido no meio da noite.
Saudade é um lastro, é pingo de sangue deixado no chão.
Saudade é ir morrendo devagar como o sentimento de amor que vai apagando na distância.
Ou não.

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Raio-X de uma Fera - por Adriana Nunes

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Tem assim um jeito leve de ser
Uma despreocupação sábia com meias verdades...

Um olhar sem pressa de cativar
Julga que tudo virá no tempo certo
Chega a ser displicente com meu jeito mulher apressada de ser...

Mãos que quando afagam, afogam...
Tirou a lição das ondas dos mares que sabem como arrebatar...

Não segue o ciclo da natureza
No sorriso, sempre primavera
Adoça meus ríspidos impasses afoitos...

Teme aventurar-se na própria pulsação
Não se acha capaz
E capacita-se enquanto me enleia...

Na voz, montanha russa, num simples suspiro, vira adrenalina
Detalhes que me fazem sentir que a vida pulsa ritmada dentro de nós dois...

Ama o amarelo contido nas flores
É sensível quando manipula a objetiva
E me mostra uma beleza que antes eu nem sequer sabia que existia...

É homem sabedor de sua força
Mas traz dentro de si um menino que encanta
Sabe-se superior quando impõe sua vontade...

Acredita que se mostrando fera está protegido
Perdeu no tempo a lição da entrega total
Dá passos lentos em direção ao amor...

Murmura, como que querendo fugir
Só falta descobrir se de mim ou pra mim...

Esconde-se no gelo
Faz pirraça do que falo
Insiste em se mostrar moleque
Chega e fazer cara de paisagem para meus reclames...

Mas esquece que tenho sete vidas
E afogo em letras a vontade de ser possuída
Que como a Lua, sou feita de fases
E que sempre volto ao que era...

Uso de minha força pra fazer alquimia
E não deixar cair no vácuo
O amor que me consome...

Mas a melodia me encanta além da fronteira
O aroma me fascina além da superfície
E cada vez mais seu beijo me absorve
O algo assim, tudo pra mim...

Uma fera
Por demais areia...
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............................Visitem Adriana Nunes
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Sob Seu Domínio - por Adir Vieira

Vejo-me presa às suas vontades, obediente ao seu mando, pronta a realizar seus mínimos desejos, indagando aqui e ali, tentando descobrir antes dele mesmo o que o fará feliz. Se meu desejo é mais forte, mas a ele atemoriza, estou pronta a contemporizar, para que nada o desagrade. Vivo em busca da sua satisfação, de adivinhar suas emoções positivas, de fabricá-las mesmo, em outros momentos, nem que seja para vê-lo um segundo em paz. Hoje sou seu domínio, robotizada e atenta ao seu comando. Tento em remotas vezes voltar ao que eu era, mas não consigo me reconhecer além dele, além do que me permite ou autoriza que eu faça. E o estranho de tudo isso é que nada, absolutamente nada, me faz mais completa do que viver para ser seu domínio.
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Os Grãos do Tempo - por Adriane Curvello

Não tenho como dominar o tempo
Só me resta aproveitá-lo da melhor maneira possível.
Não tenho como dirigir a vida
Só me resta tentar vivê-la da melhor maneira possível.
Olhar a areia da ampulheta escoando não é sábio.
Sábio é tentar aproveitar cada grão de areia que escorre,
Enquanto ele ainda escorre,
Pois quando a areia terminar, para nada mais dará tempo.



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sábado, 22 de junho de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Considero este post inesquecível porque ele narra um delírio TOTAL! É tão delirante que se torna hilário, absolutamente “viajante”, com um final que acho demais! Fiquei realmente atônita com este texto. Adorei!



DELÍRIOS
(ALBA VIEIRA)

Chove. É madrugada. Todos na casa dormem. Acordo de um período breve de sono vencida pelo calor excessivo. Ainda sonolenta abro a janela. É abafado dentro de casa. Através da grade observo, do outro lado da rua, a casa de jardim amplo e de repente sou jogada de encontro à minha alma. Olhamo-nos, separadas pelos triângulos de ferro que “protegem” minha casa. Surpreendo-me e me percorre o corpo uma corrente elétrica concomitante ao ruído supersônico que, neste estado ampliado, percebo no mesmo instante em que vislumbro morcegos cruzando o ar entre as árvores copadas. As frestas da grade, com a janela semi-aberta, teriam deixado penetrar um morcego, assim como olhar a noite quieta com a chuva fina caindo e refrescando os corpos do intenso calor não me salvou do contato terrível comigo mesma.
Pensei em como me excitou supor que, entrando no quarto naquela noite, o morcego viria direto ao meu pescoço e sugaria meu sangue, me aliviando do excesso talvez de uma vida, equilibrando meus humores tal qual a chuva que cai agora mais suave e fria e arrefece o calor de tantos que, vermelhos de raiva, destilam seu ódio há tantos dias, numa logorréia também supersônica que agride meus ouvidos, que consegue sujar minha aura.
Terrível encontro porque, na madrugada quieta, sem gente na rua, o vazio das pessoas, a supremacia das forças da natureza com a chuva agora novamente pesada despencando do céu, me faz ansiar por uma catástrofe que, dizimando muitos milhares de humanos, talvez consiga aliviar o sofrimento do mundo.
E o ruído dos morcegos nesta noite também guiará meu caminho quando novamente tentar voltar a dormir. Porque, excitada pelo pensamento de que a tragédia, a morte, é a única solução para o impasse deste atual aprisionamento da minha alma, é provável me chocar com a culpa e acabar num sonho erótico com vampiros em noite de temporal.
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Visitem Alba Vieira
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domingo, 16 de junho de 2013