Deus responde sempre
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[image: Deus responde sempre] Quantas vezes você já dirigiu uma prece a
Deus e não recebeu resposta?
Não é raro pedirmos pela recuperação da saúde de um fa...
domingo, 2 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Dias melhores - Por Thiago de Sá
Sonho com
dias novos,
sem as
sombras de ontem.
Sem
sobras do que deixei.
Quero
afastar os resquícios do amargo sentido.
Desejo
que o nosso amor tenha força pra nos renovar.
Rijo como
nos primeiros onze segundos,
do medo a
ousadia!
Nosso
amor está ficando velho,
o tempo escorre e ele não corre como antes.
“Por que você chora?
O que são essas lágrimas no
rosto?
Logo você verá
Que todo esse medo passará...
Seguro em meus braços
Você apenas dorme”
.
.
.
.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Hermógenes - Citado por Alba Vieira
Se estás ajudando, na
expectativa de que te agradeçam, deixa de fazê-lo. Evita, assim, decepções.
Se o que fazes é pelo
simples gosto de ajudar, continua. Já estás sendo pago.
.
domingo, 25 de novembro de 2012
"Nada Fica", de Ricardo Reis - Citado por Ana
Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, estátuas vistas, odes findas -
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
.Fernando Pessoa
Antonio Cícero e a “Merde de Poète” - Enviado por Penélope Charmosa
Quem gosta de poesia “visceral”,
ou seja, porca, preguiçosa, lerda,
que vá ao fundo e seja literal,
pedindo ao poeta, em vez de poemas, merda.
In “A Cidade e os Livros”, p. 21.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Dialogando - por Thiago de Sá
Dialogando com o “Mérito e o Monstro”, O Teatro Mágico.
“Quanto ao nosso bom companheiro
estresses, ele já não sai mais da rotina do homem, o incorporamos como parte
nossa de cada dia, as diferencias se aplicam nas nuanças de claro e bravio. Vale
relembrar que admiro quem tem disposição pra vida, quem começou cedo o que
celebrei de forma morosa. O levantar matutino e deitar depois do tempo próprio,
manifestam em mim apreço pela vida, inspiram-me a disposição e nessas idas e
vindas do dia, vejo a batalha que eles travam para vencer sempre um pouco mais.”
domingo, 18 de novembro de 2012
Resposta da Antagonista - por Ana
Eu aceito o seu convite,
Minha cara InEx. Well...Aceito-o, mas digo logo:
Não creio em Papai Noel.
Pelo meu entendimento
A CPI do Mensalão
É mais uma obra política,
Mais um insulto à nação.
Lembra dos caras-pintadas?
Os jovens foram à loucura!
Pensando que resolviam
Problemas de incompostura.
No fim, não foi nada disso,
Foram é massa de manobra
Praqueles que então queriam
Se livrar daquela corja
Que não dividia o bolo
Da maneira usual.
Usaram, portanto, o povo
Pra tudo voltar ao normal.
E agora é julgamento
Do grupo que se agiganta,
Pois de novo ignoraram
As regras desta balança.
Política é isso aí
(Nada a mais e nada a menos):
São interesses escusos,
Acordos, os mais obscenos,
Arte da manipulação...
Shakespeare, Maquiavel
Já mostraram, incontestes:
Não há mandatários no céu.
Então vejo com maus olhos
Mesmo as visões mais bonitas.
A mídia elogia, endeusa...
Meu cérebro não acredita.
Continuam os descasos,
Desvios, corrupção,
Armações, maracutaias
E tanta abominação.
E a gente vai vivendo
Com conchavos além da conta.
Este cenário, minha amiga,
Nem Chuck Norris desmonta.
Respirando Bem - por Alba Vieira
Para
a boa respiração, vários fatores devem ser analisados. As vias aéreas devem
estar desobstruídas, desde a entrada do ar pelo nariz ou pela boca, até as vias
terminais, os brônquios menores nos pulmões. Além disso, os músculos da caixa
torácica, do pescoço e do abdômen também participam. E o coração no compasso,
já que coração e pulmões funcionam acoplados, dá a percepção de respirar bem.
No
caso de quem tem rinite alérgica, as vias aéreas superiores estão impedidas
pela reação inflamatória e acúmulo de muco, daí a dificuldade de respirar. Um
alergista diagnostica o problema e pode tratá-lo. Mas, é possível melhorar
bastante evitando o contato com produtos de limpeza como água sanitária, cloro,
desinfetantes, ceras, óleos lustra-móveis e aerossóis mata-insetos, ambientes
fechados com excesso de umidade, mofo, poeira e exposição a perfumes fortes. Ajuda
bastante lavar roupas de cama, mantas, cobertores e agasalhos antes de usá-los
quando entrar o tempo frio, forrar com plástico colchões e travesseiros e
trocar lençóis e fronhas com freqüência. É bom evitar a fumaça de cigarros e
outros tipos de poluição do ar, se é que isso é possível.
Cada
pessoa tem alergia a algumas coisas e os animais domésticos (cães, gatos e
hamsters) podem representar mais uma dificuldade.
Entretanto,
a rinite e a asma brônquica podem ser desencadeadas por fatores emocionais, além
do que simplesmente pensar num agente alergênico pode dar início à crise. O
alérgico é um sujeito irritado que reprime a agressividade, é cheio de não me
toques.
A inalação com vapor d’água e chás quentes
podem ser benéficos, uma vez que o calor e substâncias que aquecem como o
gengibre, por exemplo, fazem a energia estagnada circular e melhoram os
sintomas.
A
homeopatia trata muito bem das alergias e só ela é capaz de auxiliar nos casos
de problemas com umidade, quando os sintomas pioram por mudança de tempo. Mas
deve ser praticada por bons médicos generalistas que tenham se especializado e
usem medicamentos homeopáticos como primeira escolha e complementem com
alopatia quando for imprescindível.
Além
disso, em todos os casos, melhorar a postura sempre favorece a respiração.
Alinhar a coluna e elevar os braços ajuda a circulação da energia no meridiano
do pulmão e muitas vezes isso é feito de forma intuitiva durante uma crise,
compensando a dificuldade criada pelas contraturas musculares presentes nas costas
e no pescoço e a necessidade de usar músculos acessórios da respiração.
De
qualquer forma, quando existe dificuldade respiratória que o corpo interpreta
como risco de morte, o melhor é que a pessoa tente se acalmar, sintonizando com
o seu interior, com a parte espiritual, com essa força que possui. E, aos
poucos, a respiração vai retornando ao ritmo normal. Devemos, sempre que
possível, tentar reservar o uso de medicamentos mais potentes para os casos que
não melhoram com medidas mais simples e nos casos mais graves. Essa avaliação é
mais difícil em crianças e idosos. De todo modo, a causa do problema deve ser
tratada depois do diagnóstico correto, antes de tentar resolver sozinho um
problema crônico. Boa sorte!
Antonio Cícero, “Esse Amante” - Enviado por Penélope Charmosa
Não é exatamente que esse amante
pretenda confundir-se com a amada;
o que acontece é que, no mesmo instante
em que, lúcido e lúbrico, prepara,
com circunspecto engenho e arte, a entrega
da mulher, ele saboreia o gesto,
gemido ou tremor que observa, e interpreta
cada sinal de volúpia nos termos
da sua própria carne. Discernir-se
dela, ao olhá-la, e achá-la em si são lados
reversos da mesma moeda. Ei-lo
que, com o fim de seus anseios nos seios
das suas mãos, vê-se compenetrado
e entregue a um gozo que quiçá se finge.
pretenda confundir-se com a amada;
o que acontece é que, no mesmo instante
em que, lúcido e lúbrico, prepara,
com circunspecto engenho e arte, a entrega
da mulher, ele saboreia o gesto,
gemido ou tremor que observa, e interpreta
cada sinal de volúpia nos termos
da sua própria carne. Discernir-se
dela, ao olhá-la, e achá-la em si são lados
reversos da mesma moeda. Ei-lo
que, com o fim de seus anseios nos seios
das suas mãos, vê-se compenetrado
e entregue a um gozo que quiçá se finge.
In “A Cidade e os Livros”, p. 25.
QUANDO EU ERA PEQUENINO, ERA BOM, - por Tércio Sthal
MINHA MÃE SEGURAVA FIRME A MINHA MÃO
E DAVA-ME PROTEÇÃO PARA EU ME SENTIR SEGURO,
MAS, MINHA MÃE NÃO TINHA SEQUER A NOÇÃO
DE COMO SERIA A MINHA VIDA E O MEU FUTURO,
CRESCI, E NÃO DIGO QUE DO MEU FUTURO SEI EU,
MINHA VIDA E MEU FUTURO ESTÃO NAS MÃOS DE DEUS.
E DAVA-ME PROTEÇÃO PARA EU ME SENTIR SEGURO,
MAS, MINHA MÃE NÃO TINHA SEQUER A NOÇÃO
DE COMO SERIA A MINHA VIDA E O MEU FUTURO,
CRESCI, E NÃO DIGO QUE DO MEU FUTURO SEI EU,
MINHA VIDA E MEU FUTURO ESTÃO NAS MÃOS DE DEUS.
CONTO DE FADA
Venha e conte o seu conto de fada,
e faça de conta que nele acredita,
conta tão somente o conto, e mais nada,
sem alijar imagens e palavras ditas.
Conta agora o conto de fada,
que a criancinha quer dormir,
conta historinhas, e mais nada,
historinhas pro boi dormir.
Mas não dá pra fazer de conta
que o mundo do conto de fada
é só o mundo do faz de conta
onde se conta o conto de fada
e se faz de conta que não há mais nada.
Venha e conte o seu conto de fada,
e faça de conta que nele acredita,
conta tão somente o conto, e mais nada,
sem alijar imagens e palavras ditas.
Conta agora o conto de fada,
que a criancinha quer dormir,
conta historinhas, e mais nada,
historinhas pro boi dormir.
Mas não dá pra fazer de conta
que o mundo do conto de fada
é só o mundo do faz de conta
onde se conta o conto de fada
e se faz de conta que não há mais nada.
Visitem Tércio Sthal
Selo “Eu Amo Ser Blogueira” - Recebido de DAS
Regras...
1. Linkar quem ofereceu: DAS
2. Citar algumas características suas:
como o Duelos é um blog coletivo, não há como responder a esta questão.
3. Indicar o selo para outros blogs e informá-los:
conforme shintoni, a indicação vai para os blogs de todos os autores.
O Duelos agradece, DAS!
Caxias do Sul Sem Grades - por Poty
As ruas têm que ser tomadas pelos
humanos que moram nela.
Não deixemos que as máquinas invadam
as ruas, as calçadas, os parques.
Tomemos conta dos espaços públicos.
Sejamos privilegiados para tal
situação.
Ocupemos as praças!
Abaixo as grades!
Não à violência!
Vamos conviver entre nós sem
banalização.
Fazer a cidade viva com seus espaços
ocupados por nós.
Não deixaremos a escuridão vencer.
Vamos circular
Nos encontrar
Nos relacionar
Abrir espaço para o abraço
A boa vizinhança
Para o encontro
Que a cidade seja das crianças para
brincar
Do namoro
Dos amores
Sem ódio
Sem rancores
Que seja sem grades nas mentes e
corações e fisicamente.
Poty 16/06/2012
Convite - por Renata Zonatto
Galerinha...
Convido todos para assistirem à peça "Enquanto a cidade se despedaça", da qual faço parte do elenco.
Convido todos para assistirem à peça "Enquanto a cidade se despedaça", da qual faço parte do elenco.
Será de 22 de novembro a 02 de
dezembro, às quintas, sextas, sábados e domingos, sempre às 19:30 no Terraço da Usina do
Gasômetro.
5 reais antecipados
10 reais na hora da peça (com desconto para idoso, estudante e classe
artística).
Valeu
Renata Zonatto
sábado, 17 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Proposta Nacionalista - por InEx TrEe FaLLs
Atenção poetas Brasileiros
Ou estrangeiros que adotaram a nação
Proponho um duelo cancioneiro
Cantemos vitória a CPI do mensalão
Justiça seja feita
Justiça ao que se faz
Isadora Faber
Sabe mais
Enquanto alguns são incriminados
Outros são julgados e absolvidos
Se as evidências apontam falhas
Se dizemos que políticos são bandidos
Certamente nos falta liderança
Nos candidatemos ao cargo referido
Façamos um pacto em prol da educação
E sobretudo senso crítico
Nem tudo que está na cueca é dolar
Nem todo sistema de saúde é raquítico
O que nos falta é incentivo educacional
O que nos sobra?
Que seja posto em pratos limpos!
Ou estrangeiros que adotaram a nação
Proponho um duelo cancioneiro
Cantemos vitória a CPI do mensalão
Justiça seja feita
Justiça ao que se faz
Isadora Faber
Sabe mais
Enquanto alguns são incriminados
Outros são julgados e absolvidos
Se as evidências apontam falhas
Se dizemos que políticos são bandidos
Certamente nos falta liderança
Nos candidatemos ao cargo referido
Façamos um pacto em prol da educação
E sobretudo senso crítico
Nem tudo que está na cueca é dolar
Nem todo sistema de saúde é raquítico
O que nos falta é incentivo educacional
O que nos sobra?
Que seja posto em pratos limpos!
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
INterna - por InEx TrEe FaLLs
Somos farpas de matéria
Somos o sentido contrário
O sentido númerico
Aquele que não se conta
Binário em segredo
Espaço entre o centenário
Confesso receio pelas dezenas
Sobrevivi a colisão de um auto
Entre o impacto da emoção
Recorto o cenário - retrato
Laboratório de imagens
Revelação em fatos
Vivemos entre fios
E vasos
A Prima de Hipócrates - por InEx TrEe FaLLs
A prima de Hipócrates
Psicodelia noctívaga, é
domingo e o comércio está fechado. A segunda vindoura anuncia a
rotina e mais uma semana que rompe o céu desbotado de um período chuvoso. Pensou
nos desabrigados. As águas de um canal invadiram o grande centro comercial
afetando a economia. Na sexta-feira do dia seis de maio escutou no recinto que o
shopping seria fechado. Pessoas apressadas, receio de alagamento, enchente e
aquela maré de gente. Era véspera de segunda...
Amanhecia, com a mesma intensidade que enxergava cores celestes . Pássaros a deslizar por entre nuvens. Apesar de nublado havia luz resplandecente. No céu a distante cor de suco alaranjado e sabor de algodão doce. Nuvens remetiam-lhe ao cheiro pueiril de um tempo remoto. Insone, Sonia, divagava entre a realidade e a fantasia. Foi quando uma folha desbotada caiu tocando-lhe os pés. Sentia-se ridícula, Quando foi a última vez que foi gentil com alguém de verdade? Desprezou a folha com indiferença no olhar. Sonia, já não sonhava. Por mais que tenha se dedicado como pesquisadora, a síndrome de Aycardi era um pesadelo. Culpava-se pelo passado.
Aquela mulher, outrora cientista, cuja epiderme fora tocada por uma folha que da natureza se desprendia, sentia no organismo a reação. A negativa, de um tipo sanguineo, respondia-lhe a experiência. Cobaia de um experimento de risco, tinha nas veias a doença e não o antidoto. Ninguém sabia ao certo o que aquele ser ocultava. Tampouco ela teria respostas. Restavam poucos dias para o derradeiro fim e a folha continuava no chão, até que ao cair uma outra, algo a sensibilizou impulsionando-a a olhar para a leveza daquela matéria desprendida.
Dominada por uma súbita esperança procurou por outras e viu nas anotações um cálculo até então despercebido. Seria a fórmula da cura? Quanto tempo de residência hospitalar e lágrimas abafadas por ter nas mãos o instrumento e não a cura. A imagem daquela criança fragilizada atordoava seus pensamentos. Por mais que estudasse a síndrome de Aycardi não compreendia.... enquanto uns lutavam para sobreviver outros pensavam simplesmente em morrer. Envergonhou-se ao lembrar do passado funesto. Quando jovem, rebelou-se afastando-se de tudo e de todos sobretudo de si mesma. Optou por caminhos que conduziam ao vício, ao suicídio da alma e consequentemente tornou-se alvo de desprezo. Desprezando a si mesma já nem lembrava das violências sofridas ou cometidas.
Sônia desistiu de sonhar quando se entregou à perigosas tentações. Arriscava-se entorpecida sem esperança alguma de mudar. O que a motivou a estudar medicina possivelmente foi o juramento feito a Hipócrates que por ironia viu morrer portador da tal síndrome. Seu primo, cujo nome remetia ao pai da medicina, não tinha forças para andar ou falar, mas enquanto viveu comunicou-se com o olhar e o exemplo de vida que só o amor de uma família pode acalentar. A paciência nem sempre é um dom, constatou Sonia, a paciência é um exercício por mim adiado. E pacientemente segurou a folha levantando-a como se pudesse enxergar naquela desbotada existência a transparência que tanto queria vislumbrar. Enquanto as horas passavam, exercitava a paciência. Guardou dentro de um livro a parte que se desenvolve no caule e nos ramos dos vegetais. Depois de tal episódio, inesplicavelmente caiu. A solitária taciturna tombou, possivelmente enfeitiçada, visto que sonhou plantando oníricas raízes cujo fruto era a resposta e também a cura.
Amanhecia, com a mesma intensidade que enxergava cores celestes . Pássaros a deslizar por entre nuvens. Apesar de nublado havia luz resplandecente. No céu a distante cor de suco alaranjado e sabor de algodão doce. Nuvens remetiam-lhe ao cheiro pueiril de um tempo remoto. Insone, Sonia, divagava entre a realidade e a fantasia. Foi quando uma folha desbotada caiu tocando-lhe os pés. Sentia-se ridícula, Quando foi a última vez que foi gentil com alguém de verdade? Desprezou a folha com indiferença no olhar. Sonia, já não sonhava. Por mais que tenha se dedicado como pesquisadora, a síndrome de Aycardi era um pesadelo. Culpava-se pelo passado.
Aquela mulher, outrora cientista, cuja epiderme fora tocada por uma folha que da natureza se desprendia, sentia no organismo a reação. A negativa, de um tipo sanguineo, respondia-lhe a experiência. Cobaia de um experimento de risco, tinha nas veias a doença e não o antidoto. Ninguém sabia ao certo o que aquele ser ocultava. Tampouco ela teria respostas. Restavam poucos dias para o derradeiro fim e a folha continuava no chão, até que ao cair uma outra, algo a sensibilizou impulsionando-a a olhar para a leveza daquela matéria desprendida.
Dominada por uma súbita esperança procurou por outras e viu nas anotações um cálculo até então despercebido. Seria a fórmula da cura? Quanto tempo de residência hospitalar e lágrimas abafadas por ter nas mãos o instrumento e não a cura. A imagem daquela criança fragilizada atordoava seus pensamentos. Por mais que estudasse a síndrome de Aycardi não compreendia.... enquanto uns lutavam para sobreviver outros pensavam simplesmente em morrer. Envergonhou-se ao lembrar do passado funesto. Quando jovem, rebelou-se afastando-se de tudo e de todos sobretudo de si mesma. Optou por caminhos que conduziam ao vício, ao suicídio da alma e consequentemente tornou-se alvo de desprezo. Desprezando a si mesma já nem lembrava das violências sofridas ou cometidas.
Sônia desistiu de sonhar quando se entregou à perigosas tentações. Arriscava-se entorpecida sem esperança alguma de mudar. O que a motivou a estudar medicina possivelmente foi o juramento feito a Hipócrates que por ironia viu morrer portador da tal síndrome. Seu primo, cujo nome remetia ao pai da medicina, não tinha forças para andar ou falar, mas enquanto viveu comunicou-se com o olhar e o exemplo de vida que só o amor de uma família pode acalentar. A paciência nem sempre é um dom, constatou Sonia, a paciência é um exercício por mim adiado. E pacientemente segurou a folha levantando-a como se pudesse enxergar naquela desbotada existência a transparência que tanto queria vislumbrar. Enquanto as horas passavam, exercitava a paciência. Guardou dentro de um livro a parte que se desenvolve no caule e nos ramos dos vegetais. Depois de tal episódio, inesplicavelmente caiu. A solitária taciturna tombou, possivelmente enfeitiçada, visto que sonhou plantando oníricas raízes cujo fruto era a resposta e também a cura.
domingo, 11 de novembro de 2012
Nossas Almas Pianísticas- por InEx TrEe FaLLs
Façamos um pacto poético
Casemo-nos no imaginário
Tu és o vento eu sou a folha
Amor sacudido no invisível
Celebraremos a inspiração
O nascimento de um poema
Nossa essência fecundada
No ventre da expressão
Nossas almas pianísticas
Sétima letra segregada
Notas musicais em sol maior
Na ponta dos dedos tatuada
No web mundo da fantasia
Despimo-nos da matéria
Somos a etérea aliança
Casemo-nos com a poesia
.
.
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"Tenho Mais Almas que Uma", de Ricardo Reis - Citado por Ana
Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu ’screvo.
.Fernando Pessoa
Agradecimento - por Alba Vieira
Valei-me Deus por cada
lampejo de razão!
Pois que o homem que não
pensaÉ só um joguete num folguedo de ilusão.
Pensar tempera a emoção sem negá-la.
Sonhai, incautos, com o deleite!
E esperai pela mansidão!
Esperança é a última que morre...
Mas, cuidado! Aqui é lugar de embates.
Só os fracos é que esperam em vão.
Entretanto, a paz só aparece
Quando a mente é a ponte para dentro.
O descobrimento do Eu real acontece.
É o êxtase, o verdadeiro encontro.
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