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domingo, 7 de outubro de 2012

Não Mais que de Repente - por Daisy



de repente, não mais que de repente,
diferente, desolada,
desconsolada, depressiva,

de repente, não mais que de repente,
determinada, direcionada,
decisiva, divertida

dúvidas difusas?
dádivas divinas?
debates debelados?

difícil duplicidade,
dura dualidade.

eta vida danada!
 
Visitem Daisy          
 

Antonio Cícero: “Huis Clos” - Enviado por Penélope Charmosa


 
Da vida não se sai pela porta:
só pela janela. Não se sai
bem da vida como não se sai
bem das paixões jogatinas drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que, em meio a fezes e urina
sangue e dor, nascemos para lendas
mares amores mortes serenas.
 
In “A Cidade e os Livros”, p. 63.
 

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Ao meio: dia - por InEx TrEe FaLLs

Sangria desatada jorrando no íntimo
Por dentro da carne a qual te metes
Num fluxo esofágico de retorno
No meio das pernas que te envaidecem

Ereto em si o tórrido segredo
Condensado naquela turva visão
Seja o alabastro que te reveste
A Acrópole da história ou não

Em tempos de guerra
Toda harmonia é canção


sábado, 6 de outubro de 2012

Antonio Cícero e a “Medusa” - Enviado por Penélope Charmosa

 
Cortei a cabeça da Medusa
por inveja. Quis eu mesmo o olhar
sem olhos que vê e se recusa
a ser visto e desse modo faz
das demais pessoas pedras: pedras
sim, preciosas, da mais pura água,
onde o olhar mergulha até a medula,
diáfanas, translúcidas, cegas.
Refleti muito, antes. Na verdade
estes meus olhos provêm de carne
de mulher, não do nada imortal
da divindade. Como encarar
com eles a Górgona? Mas mal
pensando assim, lembrei ser mortal
ela também: e seu pai é um deus
do mar mas eu sou filho de Zeus.
Mesmo assim não quis enfrentá-la olhos
nos olhos. Peguei emprestado o espelho
da minha irmã e adentrei o cômodo
da Medusa de soslaio, vendo
tudo por reflexos: o seu corpo
em terceiro plano, atrás de heróis
de pedra e dos meus olhos esconsos
em primeiríssimo. Eis o corte
da lâmina especular: do lado
de cá eu, sem corpo, a olhar; do outro
lado eu, olho olhado, olho enviesado
e rosto e corpo entre muitos corpos,
um dos quais o dela. A mesma lâmina
decapitou-a também: do lado
de cá guardo seu olhar e faina;
e lá jaz seu vulto desalmado.
Mas nada é tão simples. Do pescoço
cortado nasceu um cavalo de asas
(é que o deus do mar a engravidara)
e mergulhou no horizonte em fogo
crepuscular. Dizem que, no monte
Hélicon, seu coice abriu uma fonte.
A ser não sendo, de madrugada
levanto com sede dessa água.
In “A Cidade e os Livros”, p. 65-66.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Vestes de Luto - por InEx TrEe FaLLs

O vermelho escorreu
Helenístico sangrou
Sob Tróia o trovão
Descanse em paz
Etérea Vestiamor!



Aff Now - por InEx TrEe FaLLs


Me conta um conto
Na soma das cotas
Me aponta um ponto
Na frase final
Afinal de contas
Todas as rotas
Seguem o (c)urso
-Fantasia digital-



Escolher, Escolher, Escolher, - por Tércio Sthal




O MELHOR, O PIOR, OU COISA QUALQUER,É DIREITO DE TODOS E DE CADA UM DE NÓS,
POR ISSO É BOM ESCOLHER O QUE SE QUER
PARA TER VEZ E FAZER VALER A NOSSA VOZ.
(TÉRCIO STHAL)



ELEIÇÕES 
 

Olha quantos candidatos se apresentam por aí,
a prometer o mundo e o fundo, a prometer o Céu,
só faltam prometer lindas virgens com lábios de mel.

Olha quantos candidatos se apresentam por aí,
com trejeitos de santos e a prometer os grandes milagres,
e quando apertados escorregam como ensaboados bagres.

Olha quantos candidatos se apresenta por aí,
zombando de nós, como se fôssemos palhaços,
fazendo piadas sem graça e muito estardalhaço. 

Olha quantos candidatos se apresentam por aí,
que nem sabem sequer o que significa ser cidadão,
são apenas azeitonas de pastéis para consumação.

Olha só quantos eleitores a votar nos candidatos,
precisam ser representados por direito, e de fato,
para ter vez e voz na condução das políticas do país.


Vamos escolher o melhor, o pior, ou coisa qualquer?
'Voto não tem preço, mas tem consequências' pra todos nós!
Precisamos votar direito para ter vez e fazer valer nossa voz!
.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Prefiro Rosas", de Ricardo Reis - Citado por Ana


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

.Fernando Pessoa

domingo, 30 de setembro de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Quando desce a nevada, os galhos mais lenhosos, mais fortes, chegam a quebrar sob a carga branca da neve que neles se acumula.
Os mais frágeis e flexíveis se defendem, vergando sabiamente, quando há o mínimo excesso de peso.
Depois que a neve os deixa, reerguem-se e, assim, nunca arrebentam.
.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Canecas... - por Adir Vieira

 
 
Canecas são canecas. É assim que dizem. Mas aquela, a minha caneca, não. Era especialíssima. Seu amarelo ouro reluzia ao toque das minhas mãos.
A estampa suave de flores miúdas lhe conferia a aparência de uma peça de porcelana chinesa, escolhida a dedo.
Tinha-a comigo por décadas e foi presente de uma amiga do ensino fundamental. Quando a tinha nas mãos, ocasionalmente lembrava-me do dia em que a recebi. Era dia de Natal e minha amiga fez suspense ao entregá-la a mim, pedindo que tivesse todo o cuidado ao abrir a caixa, pois corria o risco de quebrá-la. Essa recomendação me acompanhou vida afora e nas minhas mudanças de casa.
Tinha-a como algo precioso, quase como um talismã e eu mesma, após o café da manhã, fosse quem fosse o responsável por lavar a louça, fazia questão de cuidar dela e colocá-la no armário em posição que só eu a poderia pegar.
O café da manhã tomava ares de um café num jardim encantado e os sabores vindos dela eram sublimes, com o ar da infância. Até hoje, quando um ato desajeitado de minha parte a colocou no chão em pedaços.

Visitem Adir Vieira
 
 

Ainda Existe Crise no Brasil? - por Davi Rodrigues



Aranha Brasileiro - Correndo da Crise (que não existe!...)




Tudo fica meio absurdo às vezes, coisas que tentamos esconder, expomos. O que deveríamos expor, fica escondido. Fica vazio por ambos os lados, entre as frustrações. Não é o que se tem ouvido, ou feito. Às vezes parece ser apenas um reflexo sensorial. Uma “brisinha” que se sente em meados de outono. Que não derruba nem folha. Algo que parece mais um calafrio. Como lidar com o sensorial, em meio a tanto imediatismo e materialismo que se tem apresentado através dos tempos e que se tem aflorado nitidamente hoje em dia? Vemos um “mar” de pessoas sendo esmagadas com o constante reajustes de preços. Cada vez que vou ao mercado, “algo” aumentou um pouco... Não me sinto nada bem com meu sensorial. Fico me sentindo o Peter Parker sem o disfarce, disfarçando. Fica somente o “sentido-aranha”, por todos os lados do super mercado. Sinto que o perigo se aproxima. Minha identidade não pode ser exposta. Como derrotar esses aumentos? Dizem que os aumentos estão sob controle. Só vi isso, sobre o salário mínimo. Minha “teia” falha ao tentar pegar um produto com o preço bem acima do que posso pagar... O “sensor-aranha quase me deixa louco. A cabeça parece querer explodir... Nada demais, apenas o caixa que  se aproxima. A fila que parecia nunca diminuir, dessa vez foi rapidíssima. Deve ser meu instinto de super-herói brasileiro galgando um lugar na “Marvel”. Começa-se assim, escolhendo a fila mais rápida, depois... Quem sabe um salário que não acabe tão rápido...


Meus sinceros agradecimentos à Marvel, que concebeu um super herói que paga suas contas...




 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Alberto Caeiro, o Amor e os Campos - Citado por Ana

 
Uma vez amei, julguei que me amariam.
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
.Fernando Pessoa

domingo, 16 de setembro de 2012

Morte Anunciada - por Poty



Primavera chegando
E vemos arvores cortadas
Sendo derrubadas
Pelas mãos assassina

Chamadas de proteção

Nem deu tempo
De florir
Murchas foram ao chão

No florescer
Foi um só baque
Amanheceu desnuda
Cortadas em vão

Nuas de suas folhas e galhos
Não deu tempo das flores responder
Nem broto
Tampouco beija-flor para colher o néctar
Não apareceram pássaros cantarolando
Só tronco
Como se ali fosse seu caixão

Sem broto sem flores
É prenuncio da morte
E a primavera se vai
Sem o tom da paixão.
.
.
Poty - 14/09/2012
.
.

Cama - por Poty

Vamos pra cama, vamos...
Tudo na cama
Vem pra cama
Faz na cama
Cama...
Deixa na cama

Ama na cama
Goza na cama
Molha a cama
Sua na cama
Treme na cama
Cama é a cama...
Roda na cama
Rola na cama
Deita
Acorda
Cama me ama...
Toca
Faço na cama
Deixo a cama
Cama mais que cama...
Ficou bom
Vamos pra cama, vamos!
Ufa... Terminei na cama
poty – 05/09/2012
 

Formato Feminino - por Poty


De seu formato curvilíneo vai se delineando altos e baixos...
Dele vem minha atenção,
Seja em pé
Ou deitado

É um corpo em formação.
Nós a admirar a sua formação!

Vai dando forma em sua singela
E magna impressão...
Não se espera
E logo/logo definha...
Passa por transformação!

Imagina-se que será sempre o mesmo,
Mas ele é mutação!

Enquanto menina é sensação!
São fases!
E mais adiante nem se quer mais mostrar!
Mas se torna uma composição de corpo e alma
Que chama mais atenção!

Transforma-se!

Não deixe cair em desilusão!

Como veio,
Também vai!

É assim a beleza da forma que não forma,
Mas é total mutação...

Poty_ 2009

Hoje Sou Ausência - por Poty


Não adianta nem me contar
Nem quero saber
E daí o problema é teu

Deixa-me no meu canto quieto
Não quero ouvir

Hoje sou vazio

Hoje sou silêncio...
Silêncio que acalma minha podridão
Acalma minha insatisfação
Não quero falar...
Falar pra quê?!

Hoje é meu dia de fúria

Desconverso
Dizendo
Nem sei por que,
Mas cá no meu oculto desejo
Quero ser rude

Hoje quero ser selvagem

Quero a solidão
Quero sofrer nem que seja por um dia

Seja hoje o dia de cão

Poty_ 2009

Algoz - por Poty

Não me importo com o dia de amanhã
Quero hoje e nada mais...
Se for hoje que seja!

Serei o teu algoz
Deixa-me viver este momento...
É só meu!

Se quiseres ir
Que vá!

Deixe-me!
Por favor, vá embora!

Hoje serei indiferente
Com a tua arrogância

Você se acha pobre mortal...
Os vermes hão de fazer por mim
O que não fiz -
Vão te estraçalhar feito carniça -
E eu hei de sorrir com a tua desgraça

Não quero saber de teu choro –
Mereceste –
Chora até a última gota

Não vou sentir nenhuma dó
Que sinta tua dor

Hoje quero ser teu carrasco
Eu vou ser a guilhotina

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Poty 2009
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